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Entenda a origem histórica da minissérie A História de Ester

Postado por ldomingos em 21 de dezembro de 2012 às 17:04 em Notícias | Nenhum comentário

[1]Marcos Pitombo é o Rei Assuero e Gabriela Durlo é Ester na minissérie (Foto: Munir CHatack / Rede Record)

Iago Bolívar, do R7

O Livro de Ester, no qual foi baseada a minissérie A História de Ester, da Rede Record, relata uma das primeiras tentativas de eliminar o povo judeu, vista como um antecedente do holocausto, a matança de milhões de judeus pela Alemanha nazista no século passado.

A atração mostra o relacionamento entre o rei Assuero (Marcos Pitombo) e Ester (Gabriela Durlo), uma judia que esconde sua origem para permanecer viva. Lembrado todos os anos pelos judeus no festival de Purim, o Livro de Ester permanece como uma lembrança das ameaças de eliminação que de tempos em tempos são feitas aos judeus e, recentemente, ao Estado de Israel, mas também pode ser visto como uma alegoria das ameaças que pesam sobre as minorias perseguidas. "Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as Províncias do teu reino um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as leis do rei, pelo que não convém ao rei deixá-lo ficar", diz o cortesão Hamã ao rei persa Assuero no terceiro capítulo do livro, que faz parte do Velho Testamento.

Ultrajado por um membro judeu da corte que não lhe prestou honras, Hamã convence o rei de que o apego dos judeus, que viviam dispersos pelo Império Persa, às próprias leis constituía uma ameaça. "E as cartas se enviaram pela mão dos correios a todas as Províncias do rei, que destruíssem, matassem, e lançassem a perder a todos os judeus desde o moço até ao velho, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês (que é mês de adar), e que saqueassem o seu despojo." A ideia de que um povo com identidade própria, mesclado à população em geral, poderia ameaçar a estabilidade de uma nação estava também no centro do discurso nazista.

“A contaminação judaica não irá diminuir, o envenenamento da nação não vai terminar, até que o próprio vetor, o judeu, tenha sido banido de nosso meio”, discursou o ditador alemão Adolf Hitler, que liderou a "Solução Final", o projeto de assassinato em massa que matou mais de 6 milhões de judeus, além de milhares de membros de outras minorias, como ciganos e testemunhas de Jeová.

Em seu livro Bible in Politics, A Bíblia na Política, em tradução livre, o teólogo britânico Richard Bauckham defende que não se devem exagerar as semelhanças entre as duas situações, mas que o autor do Livro de Ester tentou mostrar que a ameaça ia além dos fatos narrados.

"Se o projeto Hamã não é, em sua forma final, um fato da história antiga, então o autor aproveitou a oportunidade dessa ocorrência histórica o fato de todos os judeus morarem no Império Persa para demonstrar imaginativamente a dimensão da ameaça imposta ao seu povo pelo antissemitismo do seu ambiente. Após o campo de concentração de Auschwitz, dificilmente poderíamos dizer que ele estava errado", escreveu Bauckham.

Professor emérito da Universidade St. Andrews e pesquisador sênior do Ridley Hall, centro de estudos religiosos da cidade de Cambridge, Bauckham destaca a identidade judaica do Livro de Ester e a natureza específica do antissemitismo, mas diz que a história pode ser utilizada para entender as dificuldades históricas de minorias como os ciganos, armênios, curdos e até dos palestinos, cuja disputa com os judeus é uma das questões centrais do Oriente Médio nos últimos 60 anos.


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