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publicado em 09/07/2012 às 09h04:

Amor por animais faz astro de Rebelde
virar vegetariano e defensor da causa

Ator Eduardo Pires revela como começou a trilhar o caminho de protetor dos bichos

Nina Ramos, do R7, no Rio


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Quando o assunto é defesa dos animais, Eduardo Pires é o nome da pessoa certa para falar sobre o tema. A luta pelo bem dos bichos tomou a vida do ator de Rebelde (Record) de ponta a ponta, e mudou sua forma de agir e pensar.

Hoje, o intérprete de Vicente não consome produtos de origem animal e se ronda de projetos e pesquisa voltados para o tema. Além disso, Eduardo firmou amizade com o renomado Instituto Nina Rosa. Da parceria surgiu o convite para narrar o curta A Engrenagem, ao lado da apresentadora Ellen Jabour, que é vegana.

O R7 conversou sobre o assunto com o ator nos bastidores de Rebelde, no RecNov, no Rio, e teve uma verdadeira aula sobre dedicação e amor ao próximo.

Conheça artistas do Brasil e do mundo que lutam pelos animais

Eduardo contou como começou a trilhar o caminho de defensor, tudo que viu em filmes e pesquisas e por que decidiu vestir a camisa a favor dos bichos.

Confira na íntegra a entrevista abaixo:

R7 - Como você começou a se interessar pela causa?
Eduardo Pires - Há alguns anos eu acompanhei uma palestra de um cara sobre o poder do pensamento. E em um determinado ponto ele começou a falar que o homem do terceiro milênio, com a evolução do pensamento, ia trazer para a consciência essa questão do sofrimento dos animais. Um dia eu estava na casa do meu pai e tinha um cachorro próximo de mim. Eu olhei para ele e tive um lampejo, um insight. Não fazia sentido eu comer os animais. Quando eu era pequeno eu tive galinha, cavalo, coelho, porco, gato, cachorro... Sempre tive contato e muito afeto com os bichos. Ali eu decidi que não ia mais comer. Eu nem sabia o que era veganismo.

R7 - Foi depois da decisão que você viu o documentário A Carne é Fraca [conhecido filme da área]?
Eduardo Pires - Sim. Um dia eu estava conversando com umas amigas da minha namorada e elas me indicaram o filme. Ele está disponível na internet e vale para todo mundo. O filme me deu sustentação intelectual para o que eu estava fazendo. Ele me deu base. E eu não como carne não só por conta do sofrimento dos animais. Há várias questões envolvidas. O filme mostra, por exemplo, que 90% das queimadas da Amazônia são feitas para indústria agropecuária. E isso emite mais gás carbônico que todos os veículos do planeta juntos. São diversas questões.

R7 - O processo interfere diretamente no desequilíbrio ambiental, então?
Eduardo Pires - Isso. E também na questão social, da fome. O que existe hoje é um caos. Fora todo o sofrimento que esses bichos são submetidos, todo o hormônio que eles recebem. O A Carne é Fraca mostra, por exemplo, a seleção dos pintos para produção de ovos. Parece laranja podre. Se eles acham que o animal não serve, eles se livram como se ele fosse uma “coisa”. Quando eu me deparei com esse tipo de realidade, eu decidi parar sem hesitação. É uma coisa pavorosa. E quando as pessoas falam que isso faz parte da cadeia alimentar, eu acho de uma arrogância. Essa produção não é normal. Cadeia alimentar é uma coisa natural. Isso sai da natureza.

R7 - Hoje você já tem essa consciência muito clara e formada. Você realmente deixou de lado prazeres do dia a dia. Gostar de comer um prato de bife à milanesa, por exemplo, hoje não tem a mínima importância para você, né?
Eduardo Pires - Hoje, para mim, ele não tem a mínima importância. Inclusive, eu amava bife à milanesa. Mas hoje, quando eu vejo um prato desse, minha garganta fecha. Sem demagogia. Eu enxergo o processo inteiro até ele chegar no prato.

R7 - Como surgiu o convite para participar da narração do filme A Engrenagem?

Eduardo Pires - Quando eu vi A Carne é Fraca, eu entrei no site do Instituto Nina Rosa e comecei a pesquisar. E eu fui participar de uma entrega de prêmio de Rebelde, e pedi uma camisa para eles, para eu exibir isso no evento. A gente começou a se comunicar, e agora eles me convidaram para narrar o curta. É um trabalho que mudou minha maneira de pensar, me inspirou. Eu fiquei muito feliz.

R7 - E para quando é o lançamento?
Eduardo Pires - Eu ainda não sei, mas vai estar disponível na internet. É um filme para viralizar mesmo, para todo mundo ver. É feito muito no amor. O roteiro e direção são da cineasta Denise Gonçalves, de A Carne é Fraca, e a animação é do Airon Barreto.

R7 - Nesse seu caminho como defensor dos animais, você já chegou a influenciar alguém a ponto dessa pessoa se tornar vegana ou vegetariana?
Eduardo Pires - É muito difícil. É uma indústria de grande poder econômico e com um marketing poderoso. Está tudo muito arraigado na população. Tudo é usado para camuflar a realidade cruel que existe. Quando eu falo o que acontece, por que eu não como carne, as pessoas não acreditam, não estão muito interessadas...

R7 - Você acha que a decisão é uma coisa muito pessoal?
Eduardo Pires - Acho. É preciso ter uma consciência muito própria. Mas acho que os filmes ajudam. Nos anos 80, o Betinho [Herbert José de Sousa, sociólogo] falava uma coisa muito inteligente. Perguntaram para ele: “Betinho, você acha que você sozinho vai resolver a situação da fome no mundo?”. E ele usou a parábola do leão e do beija-flor como resposta. A floresta estava pegando fogo, todos os bichos fugindo e o beija-flor pegou um baldinho pequeno, foi até o rio, pegou água e jogou na floresta, voltou até o rio, pegou água... Daí o leão perguntou se ele achava que ia acabar com o incêndio daquela forma. Ele respondeu que não, mas que estava fazendo a parte dele. É isso que eu estou fazendo hoje.

 

 

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