Os dias longos e quentes do verão incentivam as pessoas a fazer mais passeios e viagens. Donos que pensam em tirar seu pet de casa devem ter cuidados redobrados, tanto com outros bichos, como com o ambiente. Vírus e bactérias se propagam entre cães e gatos pelo contato, como cheirar e se lamber.
O médico veterinário Leonardo Brandão, de São Paulo, explica que entre as doenças de maior incidência nesta época, a leptospirose é uma das que representa maior risco para cães e para seres humanos, pois pode ser transmitida do animal para as pessoas. A doença é causada pela bactéria Leptospira interrogans sendo os ratos os principais responsáveis por sua transmissão em áreas urbanas.
A penetração da bactéria no organismo dos animais ocorre pelo contato com a água contaminada. As chances de contagio aumentam na primavera e no verão, pois chove com mais frequência e os bichos ficam mais suscetíveis à doença ao saírem nas ruas.
- É importante lembrar que essa doença é grave, mas pode ser prevenida com vacinas. Por este motivo, é imprescindível que a carteira de vacinação esteja em dia antes de tirar o animal de casa.
Se o seu bicho não está com as vacinas em dia e você pretende viajar com ele, o especialista aconselha a vacinar o animal adulto com pelo menos sete dias de antecedência, pois leva alguns dias para que a imunidade seja desenvolvida. Já no caso de filhotes, é preciso que já tenham terminado o protocolo de vacinação inicial composto por pelo menos três doses da vacina V8 ou V10.
- Alguns cães podem manifestar sintomas brandos, não sendo diagnosticados como doentes, podendo eliminar a leptospira pela urina durante vários meses, o que representa risco para as pessoas que venham a ter contato com eles.
Outra virose fácil de contrair e que pode levar o bicho à morte é a cinomose. A doença atinge grande parte da população canina hoje no Brasil. Brandão conta que os sintomas iniciais da cinomose são como o de uma gripe: tosse, espirros, secreção nasal, podendo evoluir para quadros de diarréia (branda). Os sintomas nervosos costumam ser os últimos a se manifestar, e são os mais graves, podendo causar convulsões, dificuldade de se alimentar e caminhar. Poucos animais resistem e os que conseguem sobreviver costumam ficar com sequelas.
- A cinomose é uma doença viral altamente contagiosa e quase sempre fatal que atinge, principalmente, o sistema nervoso dos cães. Esse vírus pode ser transmitido por meio das secreções nasais, pela urina ou pelas fezes dos cães doentes.
A parvovirose também coloca a vida do bicho em perigo. Essa doença é caracterizada pela gravidade dos sintomas e elevada mortalidade em filhotes. A transmissão do vírus ocorre pelo contato de cães com as fezes de animais doentes. Este agente infeccioso tem grande resistência no ambiente e sobrevive por longos períodos fora de um organismo vivo. Os primeiros sintomas são prostração, vômito e diarreia com sangue.
- Em casos de permanência de um animal doente em um determinado local, recomenda-se a limpeza e desinfecção do meio ambiente com produtos contendo hipoclorito de sódio ou amônia quaternária.
Para o médico veterinário Luiz Luccas, presidente da Comac, (Comissão de Animais de Companhia) e do Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), manter as vacinas em dia é mais do que acompanhar o protocolo de vacinação.
Faça consultas periódicas ao veterinário e tire o máximo de informações do especialista. Pergunte, questione e procure aprender mais sobre o seu pet. Para muitos donos, a atuação desses profissionais se restringe apenas a tratamentos de doenças, embora seu papel seja muito mais amplo e especialmente preventivo, refletindo, inclusive, na saúde das pessoas e na qualidade desta relação.
- Um cão ou gato saudável e imunizado têm condições de participar mais ativamente da rotina de seu dono, oferecendo aos dois momentos de grande satisfação.
Vacinas básicas
A primeira vacina que o bicho deve tomar, aos 45 dias de vida, é conhecida como V8 ou V10. Ela protege contra cinomose, hepatite, adenovirus, parainfluenza, parvovirose, coronavirose e leptospirose. Os animais devem receber mais duas doses dessa vacina. A segunda, 20 dias após a primeira, e a terceira, 20 dias depois da segunda. Se o seu bicho não foi vacinado nesta sequência quando ainda era filhote, consulte um veterinário.
Outra vacina que não pode faltar é a antirrábica. Ela deve ser dada anualmente e protege contra a raiva, que pode ser contraída no contato com a saliva de um animal infectado. A raiva também é fatal e pode ser transmitida aos humanos pela saliva.