O abajur cor de carne e a dificuldade de se desmentir uma história

Cartonado de Mesa by Fabio Afonso VICARA 2 O abajur cor de carne e a dificuldade de se desmentir uma história

Abajur de papelão da marca Vicara: pra muita gente, agora um abajur cor de carne é mais ou menos assim hahahaha

Não, esse não é um textão sobre uma letra de música. Ou melhor, é também. Mas queria partir dela para falar de algo que me assusta: o poder de uma mentira.

Ocorre que, há coisa de uns quatro anos, algum idiota achou por bem criar uma imagem com a cara do Ritchie, cantor e compositor do hit 80's 'Menina Veneno' e dizendo que a letra dizia "abajur cor de carmim" em vez do correto, que é abajur COR DE CARNE. A coisa viralizou absurdamente, o autor desmentiu várias vezes — a letra correta pode ser facilmente encontrada no site do artista, aliás —, mas até hoje tem gente que acha que o certo é carmim.

Um parênteses: não entendo como a mesma sociedade que entende conceitos de cores como 'cereja', 'furta-cor', 'nude' e 'tutti-frutti' tem tanta dificuldade para assimilar a ideia rudimentar de 'cor de carne'. Sério, peguei até raiva da cor carmim.

Abaixo, mais um desmentido do Ritchie, publicado ontem, no Facebook:

Ritchie Abajur cor de carne O abajur cor de carne e a dificuldade de se desmentir uma história

Essa história ilustra perfeitamente o quanto um desmentido ou um 'erramos' publicados por nós, jornalistas, tem alcance incomparavelmente menor que o de uma matéria ou reportagem anterior. Eu sei, nesse caso foi um post de rede social, mas é fato que a maioria das pessoas compartilha o que as choca, como no caso do 'carmim', e depois não dão bola quando ficam a par da verdade. Mas isso só me faz pensar no quanto a gente precisa ser mais cuidadoso — eu inclusive, claro —, na hora de publicar algo.

Como hoje em dia toda pessoa, de certo modo, é um veículo, isso vale pra qualquer usuário de redes sociais: é melhor pensar duas vezes antes de compartilhar algo, porque a gente pode perpetuar uma bobagem, uma mentira. Tento sempre verificar a fonte, a data da publicação... Enfim, acho que vale a pena esse esforço pra não divulgar coisa que merece apenas ser ignorada.

Ainda no quesito carne, creio que só o tempo dirá, mas tenho impressão que a parte das denúncias que diziam respeito a papelão nasceu mais de um equívoco de interpretação dos policiais do que das práticas absurdas dos frigoríficos. Essa matéria da BBC explica tudo bem detalhadinho, não deixem de ler. Não estou dizendo que as marcas eram santas, não. Se houve denúncia, é preciso mesmo apurar e, constatadas irregularidades, punir.

Porém, mesmo que se prove que foi um engano, a carne de papelão ficará para sempre no imaginário do povo brasileiro. Assim como o abajur cor de carne.

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6 Comentários

"O abajur cor de carne e a dificuldade de se desmentir uma história"

21 de March de 2017 às 10:52 - Postado por aleme

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Comentários
  • Paula
    - 21/03/2017 - 17:05

    Amei a última frase do post do Ritchie "Vão estudar'!!! Hahahah A pronúncia é outra gente. Nada a ver. Quem acha que é carmim, de duas, uma, ou vai estudar ou comprar um Viennatone!

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  • maria
    - 21/03/2017 - 22:36

    Entao foi tudo por culpa da Marlene..esse abajur inquietante me causou transtornos so compro abajur branco ou creme :D

    Responder
  • Robertao
    - 22/03/2017 - 23:43

    To megah xocadah com esse bapho da carne. Mas alvaro kerydoh, eu ameii sua ilustre participação na materia do gugu da hebe. Foi um lusho. Vc esta muito elegante e phyno, dando o depoimento à raynha hebinha. Ela merece todas as homenagens possíveis. Até hoje fico arrazzada qd lembro que ela se foi e nao me conformo. Assumi que ela está viva e reclusa em sua casa. Prefiro imaginar que ela nao se foi!

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  • Ro Monteiro
    - 24/03/2017 - 03:51

    Hahhahahha Álvaro,o pior fui eu lendo o texto essa hora depois de uns birinights, tentando entender o pq cor de Carmem, nome de minha amiga hahhahaháhaha

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