Os idiotas que a gente torna famosos

Todo mundo já compartilhou alguma coisa porque ficou indignado. Uma foto, reportagem, post de rede social... Eu entendo: a raiva que aquilo despertou foi TANTA, que se fez necessário dividir aquele sentimento, geralmente em busca de solidariedade.

Poucos de nós, infelizmente, se tocaram de que isso só alimenta monstros que mereciam nada além de ser ignorados.

Não, não quero ditar o que as pessoas devem publicar. Deus me livre! Cada um sabe o que é melhor para sua rede social, e quem não estiver contente que pare de seguir.

Só acho que a gente precisa valorizar mais o poder do nosso compartilhamento. Falar de alguém numa rede social é jogar um holofote sobre a pessoa. É ampliar a ideia ou discurso dela. Não faz mais sentido a gente dividir com os seguidores as coisas e figuras de quem a gente GOSTA? Ou que acha engraçadas, fofas...

Muitos políticos, por exemplo, notaram isso. Passaram, então, a dedicar suas redes sociais e projetos de lei a um só objetivo: causar polêmica. Para, com as asas da nossa raiva, se tornarem mais e mais famosos. O mesmo se pode dizer de inúmeros sites — tanto de esquerda quanto de direita, e até de alguns artistas.

compartilhamento nas redes sociais Os idiotas que a gente torna famosos

Escolhi não citar nomes neste texto justamente para não dar mais pano pra manga. E também porque não acho que minhas convicções pessoais devam ser manifestadas. Cada um que reflita e conclua que personalidades nocivas já compartilhou.

Bom, mas e aí, vamos ficar calados e deixar barato? Em muitos casos, sim. Deixa a pessoa expressar suas opiniões ou preconceitos. Quando for algo agressivo, a gente recorre às ferramentas de denúncia da própria rede social.

Outro dia aconselhei a uma amiga que fizesse print da notícia que a havia deixado incomodada, em vez de compartilhar o link. Não impede que o nome da pessoa em questão seja divulgado, mas pelo menos não ajuda a aumentar a audiência do dito cujo. Eventualmente, pode ser uma solução.

Não tenho todas as respostas, nem era essa minha intenção ao escrever esse texto. Queria apenas alertar você de que publicidade negativa não deixa de ser publicidade. E que, infelizmente, tornamos famosos vários idiotas que queria apenas isso: notoriedade fermentada pela sensibilidade alheia.

http://r7.com/CRS_

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4 Comentários

"Os idiotas que a gente torna famosos"

15 de May de 2017 às 17:09 - Postado por aleme

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Comentários
  • Viderrima
    - 19/05/2017 - 19:37

    Alvrinho, Escreva mais vezes! Imagino que você deva estar amando a nova fase "youtuber", mas seu blog é um dos poucos onde encontramos entretenimento bacana com uma boa escrita e bom conteúdo. Inclusive já falei isto mais de uma vez por aqui. Nem tenho vindo mais com frequência porque das últimas vezes eram sempre mais posts dos seus vídeos, que confesso não assistir por falta de tempo/ paciência. Seus textos são sempre tão ótimos... Me senti meio órfã. Rsrsrsrs Ainda bem que hoje encontrei este ótimo texto! Parabéns! Compartilho da mesma opinião! Sucesso para você e quando puder, escreva mais para nós! Beijos!

    Responder
    • aleme
      - 22/05/17 - 19:06

      Ok, obrigado pelo carinho. Eu ando realmente mais envolvido com a produção dos vídeos. Mas a gente está reformulando o visual do blog, então isso também tem tomado meu tempo. Logo, logo, volto a todo vapor. (e tente ver os vídeos, poxa! hahahaha) Bj, Alvaro

  • Marcio Leandro
    - 16/05/2017 - 12:50

    Muito bom o texto, inclusive venho procurando fazer isso não só em relação à pessoas com ideias desagradáveis, preconceituosas, machistas, homofóbicas, etc; mas também com programas, músicas e séries que eu não curto ou assisto. Penso que muitas vezes um assunto está em alta não só por ter muitas pessoas que gostam comentando sobre, mas por ter muitas que detestam e acabam gerando mídia.

    Responder
    • aleme
      - 16/05/17 - 13:17

      Sim, o princípio é o mesmo. Se eu vou a uma peça de teatro e não gosto, por exemplo, não falo nada a respeito em rede social. Considero que o silêncio diz muito.