Courtney Love é tão boazinha…

O canal BIS está exibindo o documentário “Hit So Hard”, sobre a ex-baterista do grupo Hole, Patty Schemel (reprisa hoje, às 10 da manhã, e dia 30, ao meio-dia).

Não é um grande filme, mas traz ótimas histórias e cenas de arquivo e certamente vai interessar a qualquer um que goste do rock alternativo da era “grunge”. De quebra, traz cenas inéditas, filmadas por Patty, da intimidade da família Cobain, de quem era muito amiga.

Patty era conhecida na cena underground de Seattle quando entrou para a banda Hole, em 1992. Por pouco não tocou com o Nirvana, mas a vaga ficou com Dave Grohl. Mesmo assim, ela ficou amiga de Kurt e morou com ele, Courtney Love e a filha do casal, Frances, em Los Angeles, pouco antes do suicídio de Kurt, em abril de 1994.

A primeira metade do filme mostra a carreira de Patty, de suas inúmeras tentativas com bandas desconhecidas ao sucesso com o Hole e o disco “Live Through This” (1994). Há reveladoras imagens de bastidores, filmadas pela própria baterista, mostrando shows do Hole, entrevistas e momentos íntimos da banda. Há também perturbadoras cenas de Kurt e Courtney, chapados até a alma, brincando com seu bebê.

Mas ninguém convive com Kurt e Courtney impunemente, e Patty, que tinha problemas com álcool desde os 12 anos de idade, logo fica viciada em heroína e metanfetaminas. A morte de Kurt e, dois meses depois, a overdose fatal da baixista do Hole, Kristen Pfaff, mandam Patty numa espiral suicida de seringas e depressão.

Depois de um bom tempo em clínicas de reabilitação, durante o qual a banda fica em hiato devido à carreira cinematográfica de Courtney, que atuou em “O Povo Contra Larry Flynt” (1996), Patty e banda se reúnem para as gravações do álbum “Celebrity Skin”. Patty está bem de saúde e escreve boa parte das canções, mas um acontecimento vai jogá-la num buraco ainda mais fundo.

Courtney contrata o produtor Michael Beinhorn para produzir “Celebrity Skin” e concorda quando ele exige usar um baterista de estúdio – Deen Castronovo, do Journey e então recém-chegado de uma turnê com o Whitesnake – para tocar no lugar de Patty, que fica obviamente revoltada e pede demissão do Hole.

A traição destrói a pouca autoconfiança e amor próprio que ainda restavam a Patty. Em pouco tempo, ela está viciada em crack, morando nas ruas e se prostituindo. Entrevistada, Courtney Love, em total mode Dercy Gonçalves, lembra, às gargalhadas, receber uma ligação a cobrar de Patty pedindo dinheiro.

O que o documentário não conta é que, depois disso, Courtney deu entrevistas chamando Michael Beinhorn de “nazi” e o criticando pelo tratamento dispensado a Patty. O que não impediu Courtney de contratar Beinhorn de novo quando gravou o disco de volta do Hole, “Nobody’s Daughter”, em 2010. Patty, por sua vez, também voltou a trabalhar com Courtney no álbum desta, “America’s Sweetheart”, em 2004. O que mostra que traições e ofensas são facilmente esquecidas quando há dinheiro na parada.

64 Comentários

"Courtney Love é tão boazinha…"

26 de January de 2016 às 07:05 - Postado por André Barcinski

* preenchimento obrigatório



Digite o texto da imagem ao lado: *

Política de moderação de comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Comentários
  • Daniel Lemes
    - 27/01/2016 - 15:56

    Minha impressão sobre Courtney sempre foi da mulher que sabe usar ao extremo as "ferramentas" que tem, no caso dela o corpo e a inteligência. Esperta (ou malandra) demais, manipuladora e de caráter duvidoso, talento questionável (tem gente que jura que o Cobain é que se aproveitava dela, meu deus...), e provavelmente jamais sairia do nada se não fosse os escândalos com o falecido. Barcinski já viu esse vídeo? O que acha do "talento"? https://www.youtube.com/watch?v=v-xUwDARVb4

    Responder
  • Dhiancarlo Miranda
    - 27/01/2016 - 08:07

    Tenho a impressão de que quando as pessoas se enfurecem dizendo que não gostam de Hole é por causa de uma aversão com Courtney. Para mim, é uma ótima banda com pelo menos dois grandes discos que figuram entre os bons lançamentos de sua época. Parece coisa de tiete chateada do Kurt Cobain essa raiva da mulher.

    Responder
  • xumaiker
    - 27/01/2016 - 02:25

    e o "montage of heck", o que achou??

    Responder
  • Elias
    - 27/01/2016 - 01:00

    Eh incrivel como essas groupies vagabas sempre encontram um donzelo pau mandado pra pongar.O Syd Vicious pelo menos teve atitude e enfiou a faca na piranha.Ja o Kurt ficou de otario e se ferrou.

    Responder
  • Velho
    - 26/01/2016 - 21:51

    Talvez Courtney seja mesmo uma oportunista e traíra que só pensa em dinheiro. Mas não se pode negar que “Live Through This” é disco muito bom. É um dos meus favoritos e desde que foi lançado, nunca fiquei mais de uma semana sem escuta-lo.

    Responder
  • Czar
    - 26/01/2016 - 19:54

    Courtney Love conseguiu se situar bem no mainstream. Age como uma empresária de sucesso. Contrata o testa de ferro e dá as instruções canalhas. Depois chega assoprando como salvadora da pátria. A sequência de repetições de ensaios a que Patty foi submetida diariamente por semanas com o volume da bateria zerado, ou seja, ninguém estava ouvindo ou avaliando foi de uma crueldade demoníaca.. Maldade gratuita fazer isso deliberadamente com alguém que já vivia no limite da instabilidade emocional.

    Responder
  • pabloREM
    - 26/01/2016 - 19:06

    Eu não consigo gostar de Courtney Love, sempre me passou a imagem de uma espertalhona que se encosta em alguém talentoso e famoso para aparecer. Sua banda era ruim e seus personagens no cinema só ganharam destaque porque basicamente ela fazia papéis dela mesma.

    Responder
  • Paulinho Perca
    - 26/01/2016 - 18:52

    Viu o que fizeram com a Pinacoteca? - http://geekpublicitario.com.br/10701/pinacoteca-novo-logo-pina/ - Imagina a montanha de dinheiro que os caras ganharam para fazer isso daí.

    Responder
  • Guilherme
    - 26/01/2016 - 17:52

    E “O Povo Contra Larry Flynt” , o que achou da atuação dela, Barça?

    Responder
  • Pedro Carlos Leite
    - 26/01/2016 - 14:05

    Só queria deixar registrado aqui meu apreço por Michael Beinhorn ter produzido meus dois discos preferidos da fase oitentista do Chili Peppers.

    Responder
1 2 3 4