TIM MAIA E ROBERTO CARLOS: A MELHOR HISTÓRIA DE TODAS

timaia TIM MAIA E ROBERTO CARLOS: A MELHOR HISTÓRIA DE TODAS

Roberto Carlos plastica rosto 13 TIM MAIA E ROBERTO CARLOS: A MELHOR HISTÓRIA DE TODASEm meio a esse bafafá sobre as mudanças que a Rede Globo fez no especial sobre Tim Maia, adicionando elogios ao “Rei”, ninguém lembrou uma das melhores histórias envolvendo os dois personagens.

O caso está em meu livro “Pavões Misteriosos – 1974-1983: A Explosão da Música Pop no Brasil” (Editora Três Estrelas) e me foi contado por Ritchie, personagem central do imbróglio.

Só para situar o leitor, o caso aconteceu no meio dos anos 1980. Em 1983, Ritchie havia lançado o LP “Vôo de Coração”, pela CBS. Somando as vendas do LP e do compacto de “Menina Veneno”, Ritchie se tornara o artista de maior sucesso do Brasil entre 1983 e 1984. Até então, apenas um artista brasileiro vendera mais discos que Roberto Carlos: os Secos e Molhados, em 1974. Mas nenhum artista da gravadora de Roberto, a CBS, o tirara do topo do pódio, e isso, segundo Tim Maia, teria causado uma reação fulminante por parte do “Rei”.

Aqui vai o trecho de “Pavões” em que o “Síndico” explica a Ritchie como funcionam as coisas no mundo encantado de Roberto Carlos:

O futuro parecia promissor para Ritchie: rico, famoso, e com um contrato de mais três discos com a CBS. Mas uma série de desentendimentos e crises acabaria por prejudicar sua carreira. Depois do sucesso de “Vôo de Coração”, ele nunca mais teria um LP entre os 50 mais vendidos do ano no Brasil. Quando foi gravar o segundo disco, “E a Vida Continua”, o cantor sentiu certa má vontade por parte da CBS. “Eles não divulgaram o disco, não pareciam interessados.” A música de trabalho, “A Mulher Invisível”, outra parceria com Bernardo Vilhena, fez sucesso nas rádios, mas logo sumiu das paradas. O LP vendeu 100 mil cópias, uma boa marca, mas pálida em comparação ao 1,2 milhão de “Vôo de Coração”. O disco seguinte, “Circular”, vendeu menos ainda: 60 mil.

Ritchie ficou perplexo. Não entendia como havia passado, em tão pouco tempo, de prioridade a um estorvo na CBS. Até que leu uma entrevista de Tim Maia à revista “IstoÉ”, em que o “Síndico” afirmava que Roberto Carlos, o maior nome da gravadora, havia “puxado o tapete” de Ritchie. “Eu não podia acreditar. O Roberto sempre foi muito carinhoso comigo, sempre fez questão de me receber no camarim dele, sempre me tratou muito bem. Até hoje, não acredito que isso tenha partido do Roberto.”

Um dia, Ritchie foi cumprimentar Tim Maia depois de um show no Canecão. O camarim estava lotado. Assim que viu Ritchie, Tim gritou: “Agora todo mundo pra fora, que vou receber meu amigo Ritchie, o homem que foi derrubado da CBS pelo Roberto Carlos”. Claudio Condé, da CBS, nega: “Isso é viagem. O Roberto nunca teve esse tipo de ciúme”.

Para piorar a situação, Ritchie havia comprado briga com outro peso-pesado da indústria da música: Chacrinha. Por um bom tempo, o cantor havia participado dos playbacks que o Velho Guerreiro promovia em clubes do subúrbio do Rio de Janeiro, mas essas apresentações começaram, gradativamente, a atrapalhar a agenda de shows de Ritchie. “O filho do Chacrinha, Leleco, marcou um playback comigo, a Alcione e o Sidney Magal no estacionamento de um shopping, mas eu tinha um show de verdade em Belo Horizonte, e meu empresário disse que eu não poderia comparecer.”

Resultado: Ritchie passou a ter cada vez mais dificuldades em aparecer na TV e viu notinhas maliciosas plantadas em colunas musicais. Uma delas dizia: “O artista inglês Ritchie, tão bem acolhido pelos brasileiros, se recusa a trabalhar com artistas brasileiros”. “Fiquei puto da vida.” Em janeiro de 1985, Ritchie, o maior vendedor de discos do Brasil no ano anterior, foi ignorado pelo Rock in Rio. “Aquilo me deixou arrasado. Lembro que um dos organizadores do festival deu uma declaração de que eu ‘nem brasileiro era’. Como pode uma coisa dessas?”

Ritchie estava tão por baixo na CBS que a gravadora concordou em rescindir seu contrato, mesmo faltando um disco. O cantor assinou com a Polygram e lançou, em 1987, o compacto de “Transas”, tema da novela global “Roda de Fogo”. “Transas” vendeu muito bem, mas o primeiro LP pela Polygram, “Loucura e Mágica”, não passou de 25 mil cópias. Em três anos, Ritchie fora de maior astro do Brasil a fracasso de vendas, tornando-se um exemplo marcante da efemeridade dos fenômenos pop.

Anos depois, quando fazia um show em Angra dos Reis, o cantor foi procurado por um homem, que se apresentou como radialista e lhe disse: “Há anos quero te contar um caso: quando você lançou ‘A Mulher Invisível’, aconteceu algo que eu nunca tinha presenciado em mais de 30 anos trabalhando em rádio: eu ganhei um jabá da sua própria gravadora para não tocar sua música!”.

302 Comentários

"TIM MAIA E ROBERTO CARLOS: A MELHOR HISTÓRIA DE TODAS"

6 de January de 2015 às 07:05 - Postado por André Barcinski

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Comentários
  • Leonardo Rocca
    - 01/09/2015 - 15:08

    Tudo ligado a esses dois monstros da música é sempre muito muito bom e gostoso de ler !

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  • ale
    - 27/03/2015 - 13:13

    Muito lindo o livro amei.

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  • elaine
    - 16/01/2015 - 20:21

    Querido André Barcinski, acabei de ler seu livro. Incrivel! Muito bom saber dos bastidores da industria fonografica de um periodo tao rico e intenso na musica. Te admiro desde o dia que ouvi o Programa Garagem pela Radio Brasil 200, numa noite chuvosa e sem energia eletrica. Eu so tinha a radio do celular com alguma bateria, sempre amei o programa. Eu parecia uma louca rindo sozinha na rua, no trabalho, no metro. Tenho varios programas no ipod. Muito bom saber que existe pessoas que gostam de musicas que ninguem conhece. Obrigada pelas informacoes, pelas risadas... Sou leitora assidua do seu blog. E seu livro ja tem lista de espera para os amigos. Vou sempre divulgar e vou ficar esperando o proximo livro...

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  • paulo renato albuquerque
    - 16/01/2015 - 11:29

    recebi um email de um amigo sobre este seu artigo. Não sabia do seu blog. No especial da Globo fiquei "revoltado" pois em nenhum momento foi citada a Rua Sá Ferreira, onde morou Carlos Imperial e la recebia os idolos da época e o Roberto Carlos. Este ficou muito tempo por lá. Mas Tim Maia e a turma da Jovem Guarda vivia por la. Boa sorte e parabens.

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  • Luis Vieira
    - 16/01/2015 - 10:55

    Barça (e amigos do blog também), você chegou a ler do livros do Paulo César de Araújo, "RC em detalhes" e o "Réu e o Rei"? O que achou? Recomenda a leitura?

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  • RONALDO
    - 12/01/2015 - 18:10

    Dinheiro faz tudo...

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  • ALICE
    - 12/01/2015 - 01:23

    Aplicaram pra cima do Tim quiseram criar uma rivalidade uma intriga que nunca existiu entre ele e os amigos de juventude vai no you tube e ver o que o Tim maia dizia dos colegas e o que os colegas diziam dele sempre existiu sim uma coisa fraternal entre eles mais alguém colocou palavras na boca do Tim visando ganhar muito em cima disso só que esqueceram que mentira tem pernas curtas e que as pessoas em questão são pessoas queridas e respeitadas e incapazes de ofender uma mosca mas o vil metal falou mas alto pensaram, fizeram mas a verdade sempre aparece o que o Tim diria disso se fosse vivo negaria tudo pois ele amava os amigos dele do tempo da Tijuca mas morto não fala e tome inventar histórias mentirosas e ganhar em cima disso respeitem a memória do Tim isso ainda pode render um processo por calúnia e difamação os amigos dele estão vivos e amavam o Tim cuidado o tiro já saiu pela culatra foram desmascarados é só ouvir o Tim ver se ele falava mal dos amigos, nunca!!!!

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  • antonio
    - 11/01/2015 - 20:14

    se o roberto estivesse pisado no tim ,como diz a história no inicio da carreira ,o tim jamais se apresentava junto c/ o roberto cantando num show em 1985 juntos.por isso sou contra biografo contar a história do biografado,como no caso do escritor paulo cesar araujo contou a biografia do roberto em detalhes e que roberto proibiu,a não ser que os ministro do stj faça essa besteira e libere.se o tim fosse vivo poderia contar a verdade.

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  • Marinalva Ivo das Neves
    - 11/01/2015 - 14:20

    Tenho 67 anos.Sou da geração dominada pelos encantos de Roberto Carlos e sinceramente, nunca fiz parte dela. Sou apaixonada por boa música, Chico Buarque, Caetano, Paulinho, Toquinho, Tim Maia, Tom Jobim, nossos cantores de raízes Taigara, Paulinho Pedra Azul e outros valores musicais que temos por esse Brasil, sem citar as grande intérpretes. Reconheço, o valor de Roberto como músico, mas sinceramente nunca entendi esse frenesi tão grande, pra uma voz tão pequena. A Globo quando apadrinha alguém, é um saco, haja visto, colocar Daniela Mercuri e Cláudia Leite,num nível de boas cantoras, chega ser vergonhoso!!! Adorei a oportunidade de entender o que existe por trás de tudo isso, o que é lamentável, sendo que, considero a música parte da formação da personalidade de um povo! e infelizmente como formadora de opinião, A Globo tem deixado a desejar, poderia melhorar o seu desempenho, promovendo incentivos à música realmente de boa qualidade !!!

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  • Marcus ASBarr
    - 09/01/2015 - 22:11

    Quem conhece o meio sabe que essa prática é comum e acontece desde sempre. O que vemos é a perpetuação dos que chegam ao poder financeiro, que é o que realmente dita as regras. Na cultura é algo já carimbado, em todas as vias. Há até uma entidade para defender o grupo dos poderosos e cuidar de seus interesses. Bem. No mas é cada um fazer o seu e matar um leão por dia... pois para continuar nesta selva das altas cifras tem que ser mais que o melhor. Quem chega no topo, em um pais que vivia em um regime ditatorial e vive em crise de seriedade até hoje, galgou o espaço pisando na cabeça de muuuuuuuuuuuuuuita, mas muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuita gente mesmo.

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