Publicado em 03/01/2014 às 15h44

Um punhado de sal

Desde o início deste blog, são inúmeros pedidos de publicação participativa. A partir de hoje, envie seu texto para ateondesei@r7.com. Pode ser que ele apareça por aqui...

 

"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.

- Ruim. - disse o jovem sem pensar duas vezes.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse junto com ele ao lago. Os dois caminharam em silêncio, e quando chegaram lá o mestre mandou que o jovem jogasse o sal no lago. O jovem então fez como o mestre disse.

Logo após o velho disse:

- Beba um pouco dessa água.

O jovem assim o fez e enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:

- Qual é o gosto?

- Bom! - o jovem disse sem pestanejar.

- Você sente o gosto do sal? - perguntou o Mestre.

- Não. - disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:

- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem em detrimento ao que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um Lago."

 

Enviado por Gizele Peixoto – S.Paulo - SP

 

 

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Publicado em 02/01/2014 às 09h43

O silêncio de Atílio

Aprendera desde cedo a respeitar os mais velhos. Mais do que educação, era sábio saber escutá-los.

Aprendera com avós, tios, tios-avós e amigos daqueles que já se foram.

Em sua época de faculdade, alugara um quarto na casa de um senhor cujas principais lembranças eram (e haveria outro jeito?) as da Segunda Grande Guerra.

Lutara do lado dos italianos. Fascista, portanto. Nada convicto. Achava Mussolini um fanfarrão, antes mesmo que o termo virasse bordão de filme.

Seu Atílio. Nunca chegara sequer a cabo, salvo engano. Não falava muito sobre o que não queria.

Aos oitenta e muitos, a liberdade estava em não falar ou fazer o que não queria.

Sobre o outro, o austríaco que comandava a Alemanha e todo o Eixo ele não se pronunciava.

Melhor resposta àquilo tudo era Dona Beth. Sim, casara-se com uma judia anos depois. Nunca tiveram filhos. E não dizia o porquê.

Nos momentos em que uma pergunta lhe soasse imprópria, calava. E logo seguia em seu raciocínio anterior, como se o ruído não houvesse existido.

Vestia-se invariavelmente de branco. Paz? Outro silêncio.

Foi em um domingo, véspera de prova. Do quarto, ouviu-se o baque.

Ao abrir a porta, viu Dona Beth com as mãos tentando segurar um grito de uma boca escancarada.

Mais dois passos e ali estava Seu Atílio, caído de barriga para baixo, no chão. Já não respirava.

Hoje faz 22 anos. E o silêncio insiste em ecoar a cada início de janeiro.

 

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