Publicado em 02/07/2014 às 07h40

Novela de rua

É ele! Maria, vem cá que é ele sim.

É nada, Luiza, você sabe que eles nem aparecem em cenas assim feitas na rua. Esse tipo de galã a gente só vê, se é que vê é no estúdio. Não colocam a cabeça pra fora de jeito maneira.

Então fica você que é boba que eu vou ali falar com ele. Ai, será que ele me dá um oi, pelo menos?

Isso, chega lá, para a gravação toda e diz “oi, eu sou a Luiza, e sou sua fã há 70 anos”. Ele vai amar ver uma velha assanhada dessas. Toma tenência, mulher.

Assanhada...e desde quando eu sou assanhada? Quem tem fogo na periquita é você que sempre arrastou asa pro marido da Matilde, que Deus o tenha.

Mas a Matilde merecia, né? Tratava o Gerson pior que cachorro de rua. E ele sempre tão atencioso. Não tinha vez em que cruzasse comigo na padaria e não me oferecesse uma média. Nunca aceitei, mas me arrependo mesmo. Já esse aí, o tal famoso, primeiro que não é ele, segundo que nem média deve beber. Esse povo já nasce metido, toma mamadeira de...como é o nome daquilo? Mardini? Isso. Mardini.

Que Mardini? É Marchini, Maria. E eles ainda colocam uma azeitona sem caroço no copo que é pra harmonizar. Li nas revistas. Harmonizar. Achei tão bonito. Mas olha lá, olha direito, vê como ele anda. É ele sim! Peraí que vou perguntar pro filho da Regina da casa 12. Ele sempre vive metido nessas coisas de notícias. Trabalha naquela livraria lá do Centro.

Luiza, volta aqui. Ai, meu Deus, mas essa gente toda tinha que aparecer aqui na rua justo no dia da feira? E eu precisando de pêssego. Luiza?

Num te disse? Há! É ele. E tem mais, o Luiz Ricardo – nunca soube que tinha Ricardo no nome dele, acabou de me contar – me disse que aquelazinha lá da outra novela, a que namora com ele, tá ali no carro, esperando.

Que namora o quê? O homem tem quase 80, Luiza. Nem sobe mais nada. Imagina namorar. Só se for em sonho.

Nada, hoje em dia tem esses comprimidos que eles tomam que, afe, até me dá uns calor.

Luiza, apaga o facho. Tu tem pêssego em casa?

Que?

Pêssego? Tem pêssego?

Pra quê pêssego, Maria? Ficastes com vontade de chupar alguma coisa, é? Hahahaha!

Tu me respeita que eu sou tua amiga há...há quanto tempo mesmo?

Desde antes do Gerson existir, Maria.

Como assim o Gerson existir?

Ah, Maria, vai me dizer que tu ainda quer me convencer que nunca teve nada com ele porque era marido da Matilde. Tu não aceitava a média, mas outras coisas bem que caiam bem.

Psiu! Fala baixo. Vai que alguém ouve. E não é de todo verdade. Nem mentira. Uma vez tomei uma média com ele, mas foi lá na padaria da rua dos Apeninos, não nessa daqui que não sou boba.

De boba tu não tem é nada. E estás certa. Nem tu nem eu, amiga. E é hoje que ele me conhece.

Luiza, volta aqui, onde é que tu tá indo? Ai meu Deus, lá vai ela falar com o homem. Ele não vai nem olhar, e essa quantidade de gente em volta dele? Impossí...como assim?

Olha quem ganhou autógrafo!!!! Não te disse que ele era uma coisa de simpático? Cheiroso que só! Olha, olha, pode ler: para a Luiza, com carinho. Carinho, Maria! Tu acha que ele escreve isso pra qualquer uma? Foi especial.

Isso. Especial. Que nem o beijo que esse velho safado tá dando na outra ali no carro. Terminou a gravação.

Beijo? Onde?

Na boca, onde mais seria?

Não, onde eles estão?

Já foram, Luiza, já foram. Saíram assim que o diretor gritou “corta”.

O meu barato ele não cortou. Está bem aqui no papel, ó. “Com carinho”. Vou guardar no sutiã.

Guarda porque ainda dá tempo de ir na feira comprar pêssego. Vai comigo?

Só se na volta a gente parar na padaria pra eu mostrar para a besta da Valéria o que eu consegui.

Tá bom, a gente para. E...Maria?

Que?

A gente pode tomar uma média? Me deu uma saudade do Gerson...

Publicado em 03/01/2014 às 15h44

Um punhado de sal

Desde o início deste blog, são inúmeros pedidos de publicação participativa. A partir de hoje, envie seu texto para ateondesei@r7.com. Pode ser que ele apareça por aqui...

 

"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.

- Ruim. - disse o jovem sem pensar duas vezes.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse junto com ele ao lago. Os dois caminharam em silêncio, e quando chegaram lá o mestre mandou que o jovem jogasse o sal no lago. O jovem então fez como o mestre disse.

Logo após o velho disse:

- Beba um pouco dessa água.

O jovem assim o fez e enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:

- Qual é o gosto?

- Bom! - o jovem disse sem pestanejar.

- Você sente o gosto do sal? - perguntou o Mestre.

- Não. - disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:

- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem em detrimento ao que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um Lago."

 

Enviado por Gizele Peixoto – S.Paulo - SP

 

 

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