
Já tem quase 50 anos que a classe teatral carioca reuniu-se frente ao Theatro Muinicipal do Rio para protestar contra a Censura, foto acima. Vai ao cinquentenário a passeata dos 100.000 na Rio Branco, e chegando também a meia década a passeata paulista contra o assassinato do jornalista Wladmir Herzog.
Trinta anos da eleição indireta de Tancredo. Mais de vinte das "Diretas Já", e vinte do "Fora Collor".
Tudo isto relembrado para fazer as contas que os artistas que hoje tem de 40 anos para baixo não viram a luta contara a censura, nem a eleição de Tancredo.
Não se envolveram na Campanha das Diretas, e dos Cara Pintadas esta garotada que tem trinta anos pode vir a se lembra lembrar vagamente na memória da infância.
Hoje temos uma classe de artistas que nunca se engajou na luta pela Liberdade e pela Democracia; na luta contra a Ditadura, ou pelo Vietnam; na luta contra tortura e contra o FMI.
Sequer sabem o que é isto.
Hoje escuto jovens atores me dizerem: "não votei na Dilma porque acho ela antipática". Ou: "votei na Dilma porque ela é legal". É onde chega a bastante consicência política destes.
São artistas alienados políticamente? Não creio. São, isto sim, artistas que desde que escolheram a profissão estão podendo gozar das benesses da Democracia conquistada.
Podem cuidar apenas da sua profissão e exerce-la como meio de vida, de ganhar grana e melhorar sua condição social enquanto expressam o espírito criador da nossa época.
A Democracia conquistada permite isto: que cada um cuide em paz da sua vida.
Nós, os mais velhos tínhamos que ser atores e guerilheiros, artistas e líderes sindicais, criadores de obras de arte e de coquetéis molotovs.
Tínhamos a ânsia de responder ás questões que Bertrand Russel, Brecht, Sartre, Erich From, Gramsci, Trotsky, Marcuse, Mac Luhan, Garaudy, Régis Debray, e outros nos colocavam e que não diziam respeito à AIDS, a Internet, ao lançamento de um DVD ou carro, ou a publicação de fotos privadas ou de filmetes com varões masturbando-se com as varinhas.
Mas essa "garotada" de hoje não é alienada. Ela é antes de tudo herdeira dos benefícios que nossas lutas trouxeram à cidadania e ao País.
Desenvolveram na Liberdade o individualismo, e o coletivo é apenas um metrô lotado.
Desenvolveram outras qualidades e olhares a partir do País que deixamos para eles.
Nós tínhamos que "ser". Hoje sinto-me um dinossauro pronto a extinguir-me na lama do neo-liberalismo.
Os jovens artistas de hoje não: podem estar em paz socialmente e com isto cuidar apenas do seu próprio "ter e estar" no Mundo. Que coisa boa.
Mas...podem mesmo?
tuiter: @bemvindo_ator