Passei a virada do ano na casa de Paulo Goulart  e Nicette Bruno, na Rua Yuri Xavier Pereira.
No Recreio.

Yuri foi meu companheiro de lutas na juventude. Assassinado
pela Ditadura, agora virou rua no Rio. Fica paralela à Avenida André Grabois, outro
amigo de juventude também assassinado pela Ditadura no Araguaia.

Yuri era bonitão, alto,  estudava no Pedro II se não me falha a
memória.

YURI 228x300 QUANDO OS AMIGOS VIRAM RUAS E LOGRADOUROS

 

André era baixo, parrudinho, estrábico, com um sorriso
maroto, malandro...fizemos muitas farras , além das lutas, juntos. Era filho de
Maurício Grabois, também assassinado na Ditadura.

ANDRE QUANDO OS AMIGOS VIRAM RUAS E LOGRADOUROS

Estas ruas cruzam com as Ruas Stuart Angel e Mário Alves...

Na Ilha do Governador tem o CIEP com o nome do amigo João Ramos
de Oliveira: companheiro de Partido, e médico de todos nós que militávamos.

 

Na Bahia, a Rua Maestro Caros Lacerda, grande amigo também.

lacerda QUANDO OS AMIGOS VIRAM RUAS E LOGRADOUROS

 

No Rio a Vinicius de Moraes, de quem compartilhei a
privacidade.

 

Ainda na Bahia, também em Salvador, Sóstrates Gentil, jornalista do
Partido, morto em acidente de carro, que além de virar rua é também Sala de Cinema na Fundação Cultural da Bahia.

Em Aracaju, Sergipe, a Rua Mário Jorge, poeta e amigo, morto jovem em acidente na "curva da morte" em Atalaia.

mario jorge QUANDO OS AMIGOS VIRAM RUAS E LOGRADOUROS

 

Além das ruas e logradouros com nomes de muitos amigos que
já partiram, e que a cada dia me surpreendem ao saber que viraram

É reconfortante caminhar por elas. Visitar esses lugares...

É como se os amigos permanecessem eternos na nossa vida.

Mas é triste também: pela ausência e pelas memórias do passado que não volta mais.

Mais melancólico ainda é saber que se eles já foram- quando os amigos viram ruas e logradouros- é porque a  qualquer hora chegará a minha vez...

Quando eu morrer, se merecer homenagens, só não me ponham nome em Beco.

Ainda mais se for na Bahia.

Vai ser horrível ficar vendo em espírito,  todos os anos, a lavagem do “Beco do Bemvindo”
e um monte de carnavalescos  bêbados
urinando em cima de mim.

(risos terminais)

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