Publicado em 15 junho 2012 às 06:27
O Velho Novo Humor da Noites Brasileiras
Praça da Alegria... Balança Mas Não Cai... Planeta dos Homens... Os Trapalhões, e ainda hoje o Zorra Total... A Praça é Nossa...entre tantos outros são os exemplos do antigo humor nacional.
Um humor que nasce nos Pavilhões de Variedades do início do Século XX, e se firma com o Teatro de Revista com seus quadros e números cômicos.
Um humor típicamente latino. Mediterrâneo: da Itália a Portugal. Commedia d'Lart, Vaudeville...
Nas décadas de 40 e 50 do século passado era o grande sucesso das noites radiofônicas. A começar pelo programa PRK-30 de Lauro Borges e Castro Barbosa
No Rio de Janeiro as Rádios Mayrink Veiga, Nacional e Tupi, salvo falha de memória, eram as grandes detentoras deste humor pelo rádio que unia as famílias na sala para dar risadas, e que criava hábitos nacionais com seus bordões.
Da rádio para a TV foi apenas uma questão de imagem.
No Rio e SP as TVs Tupi, Rio e Record eram campeãs de audiência com programas de humor.
O Teatro de Revista que originou estes programas foi se perdendo, desapareceu, os programas foram também desaparecendo, permanecendo apenas um ou outro, e estabeleceu-se no correr do tempo um outro humor televisivo.
Este humor não surge como standup como podem pensar alguns, mas sim nos sitcoms americanizados.
À medida que nos livramos de Portugal, França e outros colonialismos culturais, nossa economia nos lançou à face o colonialismo cultural ianque.
Claro que na vanguarda desta mudança - como em outras áreas - isolada na liderança e moldando novos hábitos e visões culturais estava a Globo, e esta foi mudando os nossos hábitos e a nossa visão do humor.
As coisas mudam... os povos... as heranças culturais se perdem ou se trocam...
TV Pirata... Casseta e Planeta... e as séries bem humoradas semanais com Luis Fernando Guimarães, Regina Casé, etc. etc. surgiram como a new age do humor de massas.
A Grande Família é retrato do sitcom, embora no passado as séries Bronco, e a Familia Trapo se assemelhassem a isto. Mas estas eram plenas do improviso da Comedia Italiana e Francesa que tanto caracterizaram nossa formação nacional.
Hoje - avançando ainda mais no caminho dos novos ditames culturais - o standup, os pânicos, legendários, cqcs etc. estebelecem uma linguagem ainda mais contemporânea, mais próxima da revolução tecnológica, e da globalização dos tempos hodiernos.
A Semana de 22 teoriza o antropofagismo brasileiro, e portanto , mesmo que este novo humor não nasça das nossas antigas raizes coloniais e latinas, tenho a certeza de que a sabedoria popular dará à ele a nossa nacionalidade, e uma redireção, bem ao gosto brasileiro.
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