guarda2 O Dia (e a noite) do Guarda Noturno

Distintivo da Guarda Noturna do Rio, quando ainda era o Distrito Federal

 

O apito cortava a noite, varava a madrugada. O silvo longo era garantia de que tudo estava e paz.

Entregues ao guarda-noturno os moradores dormiam seu sono, tranquilos.

Ele era o amigo das horas necessárias: um filho doente, uma briga de casais, um ladrão de galinhas....

Não andava armado. Possuía apenas seu apito, com que se comunicava com o outro guarda de outro quarteirão, e assim por diante.

A noite calma, tépida, era povoada desta melodia que indicava sossego, harmonia e segurança.

(Não havia ainda as milícias, o tráfico, os Ak47, as escopetas; as gangues...e a corrupção policial era discreta.)

Depois eles sumiram, deixaram de existir. Deixaram de ser vistos e ouvidos.

Fernando Pessoa diz que "morrer é deixar de ser visto". No caso dos guardas-noturnos, morrer é deixar de ser ouvido.

Morreram,  e com eles morreu também o tempo da segurança nas madrugadas, onde todos os vizinhos se conheciam e se protegiam.

Talvez muito poucos saibam, mas hoje, 19 de outubro,  é o Dia Oficial do Guarda-Noturno.

Pelo meu sono de infância, protegido por sua vigilância, é que dedico aos guardas-noturnos o post de hoje.

guarda1 O Dia (e a noite) do Guarda Noturno

A Guarda Noturna em Santos, SP

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