Publicado em 19 outubro 2012 às 06:32
O Dia (e a noite) do Guarda-Noturno
O apito cortava a noite, varava a madrugada. O silvo longo era garantia de que tudo estava e paz.
Entregues ao guarda-noturno os moradores dormiam seu sono, tranquilos.
Ele era o amigo das horas necessárias: um filho doente, uma briga de casais, um ladrão de galinhas....
Não andava armado. Possuía apenas seu apito, com que se comunicava com o outro guarda de outro quarteirão, e assim por diante.
A noite calma, tépida, era povoada desta melodia que indicava sossego, harmonia e segurança.
(Não havia ainda as milícias, o tráfico, os Ak47, as escopetas; as gangues...e a corrupção policial era discreta.)
Depois eles sumiram, deixaram de existir. Deixaram de ser vistos e ouvidos.
Fernando Pessoa diz que "morrer é deixar de ser visto". No caso dos guardas-noturnos, morrer é deixar de ser ouvido.
Morreram, e com eles morreu também o tempo da segurança nas madrugadas, onde todos os vizinhos se conheciam e se protegiam.
Talvez muito poucos saibam, mas hoje, 19 de outubro, é o Dia Oficial do Guarda-Noturno.
Pelo meu sono de infância, protegido por sua vigilância, é que dedico aos guardas-noturnos o post de hoje.
- Espalhe por aí:
- Imprimir:
- Envie por e-mail:












