Posts de 4 de dezembro de 2012

Rafinha Bastos caiu dentro do Caldeirão do Huck

Rafinha Bastos mais uma vez envolve-se numa polêmica em público, com o seu humor a que chamam "arte do insulto". Recentemente  o chamado comediante,  em entrevista, afirmou que o humor não deve ter limites.

E agora -   rendendo marketing  -  agrediu Luciano Huck pessoalmente.

Outro dia, “comediantes” que prezam o chamado "humor de insulto"   jogaram baratas vivas sobre uma senhora. Chamam isto de humor. Outros dias passaram e  feriram com graves ofensas a grande Laura Cardoso, que senão por ser uma grande artista, merece ao menos respeito por sua idade.

Sem formação clássica, sem herança ou memória cultural,  oriundos de mesas ou palcos de bar, cantinas de escolas, seletas praias e esquinas de subúrbio, ou até de escolas superiores, os novos “comediantes” em sua maioria, confundem a agressão com humor, a humilhação com graça, e  a ofensa pessoal com comédia.

Não busco, e nem admito moralismo ou ética politicamente corretas para o humor. A função do humor é mesmo ser corrosiva, crítica...ridendo castigat mores... mas “castigat mores” ou seja: os costumes, o modo de vida, a sociedade, não as pessoas, o indivíduo.

Também não corroboro com nenhuma censura oficial ao humor. A Sociedade democrática tem suas armas para isso. E Luciano já avisou  que usará uma delas - a Justiça -  para se defender.

A essência da formação do comediante, que tem sua origem no palhaço de circo, está na elegância com que desenvolve e apresenta sua arte, levando-nos a rir das situações mais absurdas e grotescas como se naturais fossem.

Sómente uma sociedade doente, uma sociedade  perversa e pervertida, pode rir da desgraça e da falta de respeito ao próximo apresentadas de forma tão cruel.

E porque estes elementos encontram público para suas grosserias a que chamam “humor”?

Talvez porque   a grande maioria do seu  público seja  composta de jovens adolescentes, e o que podemos chamar de "adolescentes tardios",  que sabidamente são rebeldes e procuram com angústia sua identidade na sociedade.

Até quando conviveremos com isso não sei dizer. Quando se dará novo salto de qualidade e que salto será esse? Porque pode piorar...

Há tempos numa discussão sobre este assunto, recebi de um leitor coisas como abaixo transcritas:

"Não seja covarde, Bemvindo. Humor não tem respeito!Humor não tem preocupação!ARTE não tem disso. Arte é tapa na cara, é chute, é fúria, é ódio, insulto,  desprezo e afronta.Quando você contém a Arte ela vira uma coisa que serve aos interesses castradores da sociedade. O Humor não impõe nada, quem impõe é a mídia, os interesses comerciais, as forças que manipulam o seu querido país.O Humor na sua essência mais básica é : a ofensa.Pois TODA piada é uma ofensa e o Humor se baseia na ofensa. Como é que se pode avançar no Humor se não se pode ofender? Sem ofensa não há humor.Portanto, o Humor passa ao largo pois é Arte e, portanto, Arte não é pra te agradar ou pra ser comedida.Arte é pra ofender mesmo pois se não ofender, não faz as pessoas pensarem."

Devo então questionar se Bach, Beethoven, Miró, Picasso, Gauguin, Villa Lobos, Shakespeare, Nara, Toquinho, Vinicius, Tom Jobim, Pablo Casals, Neruda. Saramago, Arrelia, Michelangelo,Chico Anysio, Oscarito e tantos outros,  fizeram da arte “ tapa na cara, chutes , fúria, ódio, desprezo e afronta”?

O humor é amor, alegria,harmonia,  ternura, compreensão e  tolerância. É re/conhecer no outro a nossa própria humanidade e pelo humor buscar a palavra “absolvição”.

O humor baseia-se na capacidade crítica que temos como seres humanos, e quanto mais cultural somos ,mais refinados e mais críticos seremos no humor.

Arte é dom, relação com a divindade, busca e revelação da inspiração da alma. Enleva e alegra a todos. Nos aproxima da essência sobrenatural do mistério humano.

Brecht fazia uma arte para pensar,sem precisar ofender, chutar, estapear, agredir.

O humor consola os tristes e deprimidos, as almas penadas e penitentes. Neste ponto o humor, como um Pronto Socorro, não discute nem aprofunda temas, serve como consolo imediato. Age como consolador.

E de um espírito são, de um espírito sadio, não podem frutificar chutes , tapas na cara, etc. etc. Estas coisas podem sair de espíritos imundos, de personalidades confusas, de identidades neuróticas, de cidadãos que ainda vivem a violência como valor humano.

O grande valor humano a ser cultivado  é e será sempre a busca do amor e da alegria, da felicidade.

Não lembro exatamente quem disse esta frase, se Marx ou Freud, mas: "Nada que é humano me é estranho, exceto a violência".

Agredir negros, gays , mulheres, idosos, e deficientes, minorias, e pessoas individualmente em quê faz pensar? Leva alegria a quem? Autoriza o ser humano no que ele tem de melhor ou de pior? Quem é covarde? O que defende o respeito aos que não podem se defender, ou os que agridem os indefesos e puros de espírito? Nazistas ofenderam autistas, anões,crianças, homossexuais,  idosos, etnias... massacraram individualidades, e levaram a pensar o quê? Que a violência. as ofensas, os insultos e as agressão  pertencem ao universo das  bestas, dos animais irracionais.

 

 

 

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