Posts de 5 de dezembro de 2012

Costinha, Dercy, e o “Humor de Insulto”

 

comicos Costinha, Dercy, e o Humor de Insulto

Os dois sequer precisavam falar para ser engraçados...

Passado o golpe de marketing pessoal digno de um Goebbels,  protagonizado pelo "enfant gaté" paulistano para "épater les bougeois", volto hoje ao tema do Humor.

Uso os termos em francês: "criança mimada" e "chocar os burgueses",  para que se veja como o que parece novo é mais velho do que andar em pé.

Tudo o que falo e escrevo vem da minha praxis, do que aprendi, vi e vivi nestes quase 50 anos de profissão. Aliás todo discurso, seja ele oral ou gestual, escrito ou corporal denota a ideologia de quem o expressa.

Este tal "humor de insulto" pode ser divertido para a  garotada enquanto é xingada a mãe dos outros, mas quando xingam a deles...aí o bicho pega.  Ou seja: pimenta é  refresco...mas no dos outros.

Essa malcriação, (porque se é insulto está  mais pra  Código Penal que para  Humor),  essa  bobajada  insultuosa  independente de qualquer análise sociológico, cultural ou econômica mais profunda que ainda possa ser feita,  leva-me  a pensar que isso  antes de mais nada   é coisa de quem não cresceu, não atingiu ainda  maturidade, coisa de menino mimado. Lembra-me a Palavra: "Quando eu era menino falava como menino, eu pensava como menino, raciocinava como menino; mas quando me fiz homem deixei de lado as coisas de menino".

Em resposta às críticas que são feitas a estes insultos seus defensores vez-por-outra buscam Costinha e Dercy como exemplos.

Profundo equívoco. Desconhecimento de quem e do quê se fala.

O humor dos dois tem origem latina, diferente do insulto como show,  que tem recente origem anglosaxônica. Para ser mais claro que azeite:  localizada na decadência moral e econômica dos EEUU.

"Seu" Costa, como chamávamos respeitosamente o Costinha,  era um homem sério, de pouca conversa, educado,e  um cavalheiro. E para quem o acompanhou sabe que em suas apresentações jamais disse um palavrão. Por incrível que possa parecer.

Os "insultuosos" que o tomam por exemplo nunca o acompanharam. O que conhecem dele é a "raspadinha" do youtube, uma brincadeira particular que ele se permitiu fazer. Mas põem-se a falar como se conhecessem sua obra.

Oriundo do Teatro de Revista, de influência francesa, e do show de bar ( influencia espanhola) Costinha trabalhava usando do "double sense",  o "duplo sentido" das palavras -  a interpretação do pornográfico ficava por conta de quem o ouvia. Esta era uma das bases do Teatro de Revista.

Já Dercy, seria herdeira direta da Commedia D'Lart italiana no dizer do crítico maior Sábato Magaldi, que teve  a generosidade de nesta categoria também me incluir.

Enquanto Costinha vinha do Teatro de Revista , Dercy veio do Circo e posteriormente da Revista também.

Ambos , comediantes populares. De um humor vulgar , não refinado, mas ambos com origem profissional clássica e ciosos de como exercer seu oficio seguindo os mestres.

Dercy exagerava no escracho como forma de  responder aos ataques classistas que recebeu durante toda a sua vida, sendo vitoriosa ao final, mais por  respeito á sua luta e perseverança, somadas á idade, do que à sua arte.

Ambos tem pedigree, marca de origem, são descendentes, tem estirpe. São Cômicos, uma categoria dentro da Comédia, para citar o italiano  Marco de Marinis em seu livro  "Compreender el teatro" (Editorial Galerna. B Aires . Arg.)

Compará-los ao grosseiro fastfood estadunidense que nos chega copiado e requentado pelos neocolonizados é, além de grande equívoco e desconhecimento, ofensa à consciência profissional destes dois ícones do humor brasileiro.

Hoje temos uma nova e brilhante  geração de humoristas e cômicos: Rodrigo Santana, Leandro Hassoun,  Paulinho Gogó, Fábio Porchat, Fernando Caruso,  Marcos Veras, Marcelo Adnet, Felipe Absalão, Ben Ludmer, e mais outros  tantos  que me perdoem se não os nomeio aqui por falha de memória.

Esta nova geração herda o ofício de seus antecessores, e quanto mais crescerem mais sábios se tornarão. Serão homens de fato, e poderão repetir com a  autoridade conquistada:  "Quando eu era menino falava como menino,  pensava como menino, raciocinava como menino;mas quando me fiz homem deixei de lado as coisas de menino".

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