Publicado em 8 dezembro 2012 às 06:31
Niemeyer, Jorge Amado e a “Bandiera Rossa”
" Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis" Brecht
Niemeyer foi enterrado com a bandeira do Partido Comunista Brasileiro. O PCB. A viúva de Luis Carlos Prestes, Maria, colocou a bandeira sobre o caixão.
O Partido não fez Niemeyer. Niemeyer fez o Partido. Sempre foi maior que o Partido.
Mas permaneceu fiel ao Partido e a seus ideais socialistas. Por toda a vida.
Penso que há ideais e compromissos públicos dos quais um homem não pode fugir, não pode renegar.
Entendo que as coisas e pessoas mudem, a vida nos transforma, nos leva a pensar de forma diferente, a re/ver as posições.
Com Niemeyer não foi bem assim. Reviu tudo na vida, mas continuou vendo no horizonte a felicidade e a igualdade para o povo brasileiro.
Não julgo para não ser julgado. Mas há certos homens públicos, companheiros de tantas lutas, que nos decepcionam.Embora tenham o direito de fazer das suas vidas o que bem entenderem.
Há homens públicos coerentes com seus ideais por toda a vida, comunistas ou não: Luís Carlos Prestes, João Amazonas,Sobral Pinto, Apolônio de Carvalho, Cordeiro de Farias, Juarez Távora...estes nos honram e são exemplo para as gerações.
E há outros que se perdem. Que perdem o norte e deambulam de forma vexatória, como bêbados em fim de festa.
Estes nos decepcionam.
Do fato não me esqueço. O ano: 1982. Bahia. Ainda a Ditadura Militar.
O Partido, rachado como sempre, lançou Carlos Marighella, filho, como candidato a deputado estadual.
Fomos à casa de Jorge Amado, não para pedir dinheiro, livros, ou qualquer coisa material. Fomos pedir apenas seu apoio à candidatura. Sua assinatura apoiando a candidatura de um filho de seu antigo camarada de lutas, Marighella.
Fomos pedir à ele, Jorge Amado, que graças às edições e traduções apadrinhadas pelo Partido Comunista e pelo Comintern ficou conhecido no mundo inteiro por sua obra literária, sobretudo pelas mais panfletárias.
Ao contrário de Niemeyer, o Partido fez Jorge.
Naquele ano Jorge já ensaiava seu namorico com Antonio Catrlos Magalhães e o que havia de mais reacionário na Bahia. A partir dali tornou-se inexplicávelmente.
Jorge nos recebeu e foi peremptório: - "Não tenho nada a ver com isso. Não quero mais saber de esquerda nenhuma. Não dou apoio nenhum a nenhum de vocês". Há testemunhas.
Esta decepção nos atravessa até hoje.
Mas foi o direito de escolha dele. Levou a vida inteira, mas ao final já não precisava mais do Partido. Havia se "libertado".
Há mitos que é melhor que não sejam vistos de perto.
Ao ver Niemeyer transpor o centenário coerente com seus ideais, no centenário de Jorge Amado só posso dizer, compreendendo a alma humana:
Grande Jorge! Amado Jorge!! Salve Jorge! Epa!!! rsrsrsrsrs
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