De Campinas a Santa Maria tudo "é simples". O ser humano é que complica tudo com essa mórbida "mania" de morrer.

 

Há tres dias atrás relatei aqui no blog o sufoco que passei com um procedimento médico qualificado de "simples". É só rolar um pouco a barra para ver o post.

Relembrando: entupiram-me de anti-hipertensivos para diminuir as batidas cardíacas,  desmaiei, e poderia ter entrado em choque hipotensivo, com danos profundos ou mesmo a morte.

E isto antes mesmo de injetarem o tal contraste de iodo.

O exame não tinha cobertura do Convênio de Saude e eu  ia pagar quase R$ 2.000,00 por ele, uma vez completado. Não paguei porque meu organismo apagou,  decidiu recusar a cumplicidade com a autoridade médica.

Mas era só um exame de rotina, posso faze-lo a qualquer tempo.  Portanto há uma pergunta que não sei responder: porque forçaram tanto a barra para que eu completasse o exame?

Trágicamente ontem tres pessoas perderam  a vida numa clínica em Campinas.

O procedimento que lhes tirou a vida é considerado "simples": injeção de contraste para uma tomografia cerebral.

Mas o Diretor Administrativo da clínica  afirma que é simples: "não há riscos graves envolvidos na ressonância magnética com contraste, procedimento feito pelo hospital há 20 anos, em média 1.800 vezes por mês."

Não questiono aqui a tal "simplicidade" científica do exame.

Questiono a falta de reflexão quando um profissional diz que é "simples".

Quando me perguntam como eu tenho coragem de representar diante de 2.000 péssoas num teatro, não tenho coragem de responder, "é simples". Respondo sempre: "É minha vocação."

Sabem os médicos -  mais que nós -  que o ser humano é muito mais complexo. Que nada é "simples" quando se trata de um indivíduo.

Pode ser simples quando se trata de uma manada, mas cada ser humano tem sua individualidade. E ela é bastante complexa.

Além disto, simplicidade científica  de exames à parte, há "os outros". E "os outros" me relembram Sartre, em "Huis Clos" : "O inferno são os outros".  

São eles que em vez de um simples  soro injetam um "simples" café com leite ou sopa na veia dos pacientes.

No exame que não cheguei a fazer -   talvez por livramento -  há uma taxa de morbidade. Logo ele não é tão simples. Trata-se da minha vida.

Há uma taxa de reações adversas graves. Logo não é tão simples.

Os tres mortos de Campinas entraram na sala do exame com toda a confiança de que iam fazer uma coisa "simples".

Quase tão simples como...por exemplo...ir à uma festa numa boate...

 

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