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O Dia Em Que Matei a Filha de Cecília Meirelles
Postado por bemvindo em 19 de fevereiro de 2013 às 6:10 em Sem categoria | 1 Comment
A data de hoje marca a morte de Madre Joana Angélica, por soldados portugueses , em Salvador no ano de 1822.
O fato histórico é conhecido: recusando a Independência do Brasil o Brigadeiro Madeira de Mello, toma posse como Governador da Bahia em oposição aos brasileiros e a Pedro I.
As tropas portuguesas promovem atos de saques e vandalismos na Capital.
Invadem casas e dispõem-se a invadir o Convento da Lapa, com o intuito de estuprar as noviças ali internadas.
Joana Angélica depois de dar fuga ás moças pelo quintal, volta e porta-se à frente do portão principal e diz que só entrarão na Casa de Deus se passassem por cima de seu cadáver: passaram, ela foi morta a golpes de baionetas.
Em 1978 Walter Lima Jr. resolve filmar este episódio, morava eu então na Bahia. E sou convidado para fazer o papel do soldado que mata a Freira.
Uma figuração sem fala. Tudo que tinha que fazer era matar a freirinha.
A grande atriz Mara Fernanda, filha da poetisa maior Cecília Meirelles, fazia o papel de Joana Angélica.
Caberia a mim portanto trespassá-la com a baioneta.
Isto posto, baioneta calada, estava eu face à esta grande dama das Artes Cênicas brasileiras , filmando no sol da Bahia, na porta do Convento, fazendo o papel de um soldado português bêbado e vândalo.
Inábil ainda na profissão, grosseiro no fazer da Arte "não catei conversa", como se diz na Bahia: enfiei a baioneta cenográfica na barriga da atriz com todo o realismo.
Claro que não a matei, mas que ela levou uma grande pancada na boca do estômago, isto levou!
Lembro-me que ela deu um grito, curvou-se de dor , enquanto eu, ingênuo, creditei ao seu imenso talento o realismo com que ela fez a cena.
Sequer pensei que o olhar piedoso que a personagem-atriz me dirigiu ao morrer devia estar significando:
- "Onde arranjaram este jumento, que se diz ator, pra me matar?"
Pobre Maria Fernanda, hoje passadas décadas, homenagenando a memória da Freira, venho de público mais uma vez desculpar minha inabilidade e relembrar que quase matei pela segunda vez a Freira Joana angélica, heroina baiana e nacional.
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