Publicado em 25 fevereiro 2013 às 06:10
E o Oscar Não Foi Para Quvenzaneh Wallis
Ontem tive um dos posts mais comentados desde que escrevo este blog.
Tratei do assunto da indicação da menina Wallis para o Oscar de Melhor Atriz.
Ás vezes uma única frase humor diz melhor sobre o fato que todo um provecto tradado teórico.
Foi o que fez um humorista que comentou no FaceBook sobre a pequena Wallis: "Se ela ganhar o Oscar vai guardar a estatueta junto com a Barbie". rsrsrs
A menina não ganhou o Oscar.
O assunto que comentei dizia respeito à minha indignação ao uso inadequado da pulsão de vida de uma criança pela indústria do entretenimento.
No post de ontem também me posicionei contra a erotização infantil.
Erotização não diz respeito apenas ao ato sexual. Diz respeito à pulsão de vida como definiu Freud.
Uma festa em família, uma bela macarronada, um dia de sol... sublimam a nossa sexualidade e levam à nossa erotização.
Um prêmio ganho, uma medalha de distinção, é pura pulsão de vida. Eros, a Vida, contra Thanatos , a Morte.
Indicar a menina para o Oscar é uma forma de erotização.
Colocá-la no mesmo patamar que adultos na competição por um prêmio comercial e profissional é ignorar ritos de passagem.
É forçar a entrada desta criança num mundo para o qual ainda faltam anos de iniciação.
Há alguns anos, uma menina de 6 anos foi sagrada pastora evangélica. Lembram-se? Promovia cultos, curas, orações, pregava o Evangelho. Arrastava multidões para ouvi-la.
Talvez as mesmas pessoas que hoje defendem até com agressões verbais a indicação de Wallis para o Oscar sejam as mesmas que desaprovaram ou desaprovariam uma criança transformada em pregadora, instrumentalizada para proveito de um segmento, seja ele religioso ou de entretenimento comercial.
É inegável que tanto a atriz quanto a pregadora infantis tem cada uma seu talento, ou seja : tem seu Dom. Mas usá-lo para por saltos transforma-las em fenômenos em seus campos é inverter e perverter seus processos de iniciação ao mundo adulto.
É adentrá-las num mundo em que são solicitadas a agir como adultas, recebendo uma carga erótica - leia-se: vital - muito maior que podem suportar seus frágeis corpos e mentes ainda em formação.
Jesus menino debatia no Templo e assombrava os sábios, mas foi preciso tornar-se adulto, viver todos os ritos de passagem para que descesse sobre Ele o Espírito, fosse tornado o Cristo, cumprisse o último rito, e aí sim proclamada a sua Glória.
O próprio Paulo mais tarde diria na Carta aos Corinthos cap 13: "Quando eu era menino, falava como menino, raciocinava como menino, mas quando me fiz homem deixei de lado as coisas de menino" .
Cada coisa tem seu Tempo. Não se pode exigir que a semente de hoje mal caia na terra se transforme no fruto maduro.
Assim o Dom de Wallis, se ainda persistir depois de todos os ritos de passagem, será no tempo certo premiado com a efemeridade da glória humana.
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