A Crítica e As Regras Fascistas nas Artes e na Sociedade

rei A Crítica e As Regras Fascistas nas Artes e na Sociedade

O bom-gostismo do Rei Sol, Luís XIV

 

No século XVII (1600) o pensamento aristotélico francês, em plena Renascença, numa  França ainda longe da revolução burguesa, cria um elitismo intelectual...uma vez que  o êxito do dramaturgo passa a estar diretamente ligado  pela adaptação de sua obra às regras então criadas,e quem poderá avaliar esta adaptação às regras senão aqueles que tem o mais perfeito conhecimento das ditas regras, ou seja: a casta dos "eruditos".

Estas regras, mais tarde viriam a ser aperfeiçoadas pela burguesia pós revolucionária.

Um "erudito" da época do rei sol, um tal de La Mesnardiére declara sem rodeios que os únicos juízes autorizados são "as pessoas de espírito, conhecedoras e razoáveis".

Diferentemente de todos os profissionais da cena para quem a principal regra é agradar ao público, os aristocráticos aristotélicos recusam este ponto de vista, alegando que o referido público é desprovido das luzes requeridas, isto é , do conhecimento das regras...assim, os "doutos" fazem de tudo para desacreditar este público, para tornar a sua opinião ilegítima, pois por mais ignorante 'das regras" que seja, é este público que lota as salas e alimenta as apresentações teatrais.

O único "público legítimo" aos olhos dos doutos - essa gente culta que sabe "das coisas",ou essa "gente honesta" que tem opinião acerca de tudo seria constituída  muito mais de  um público leitor que de um público verdadeiramente de teatro.

Todos nós convivemos com este tipo de raciocínio.  Sobretudo nos sucessos populares de teatro, nas comédias, onde o público lota as salas e  aplaude de pé  enquanto  a crítica  desconhece o gosto do público, e bate na tecla do decoro, do bom-gostismo, e "das regras.

São os mesmos "doutos" que dizem que "o povo não sabe votar"; que  "as igrejas exploram a fé do povo"; que "é preciso defender o povo..." etc.etc..

Para esse tipo de gente o povo é uma entidade distinta deles, vista de fora,  e sempre infantil e ignorante que necessita de sábios que o guie.

Esse tipo de pensamento não é de esquerda nem de direita: é fascista por excelência, já que exige que o povo em sua "ignorância" e "ingenuidade" seja comandado por "condottieres" como Mussolini, ou como  o "paizinho" Stalin.

2 Comentários

"A Crítica e As Regras Fascistas nas Artes e na Sociedade"

8 de September de 2013 às 06:10 - Postado por bemvindo

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Comentários
  • Nelson
    - 8 de setembro de 2013 - 8:55

    Caro Bemvindo, admiro muito seu trabalho há muitos anos! Só queria te fazer uma pergunta: O senhor acredita de verdade que a igreja não explora a fé do povo, ou só está agradando aos seus doutos?

    Responder
    • bemvindo
      - 08/09/13 - 13:30

      Prezado Nelson, antes de mais nada, grato por suas palavras de estímulo ao meu trabalho cênico e pela leitura e comentário d meu blog. Sobre as igrejas creio que o povo não é burro nem ingênuo, ele deve ter autonomia pra fazer o que quiser com o dinheiro dele, porque ele é que constrói a Nação e paga os ônus. Se há malversação, ou exploração do ponto de vista criminal o assunto é da esfera do MP, assim que eu entendo o fato. Abraços

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