D. João, D. Pedro e a Pena de Morte Para os Maçons

 

macon D. João, D. Pedro e a Pena de Morte Para os Maçons

Alegoria alusiva à Independência do Brasil

 

Uma curiosidade histórica: nesta data de 3 de maio em 1818 Dom João VI proíbe sob pena de morte a existência de sociedades secretas no Brasil, enquadrando nesta Lei a Maçonaria brasileira.

Entretanto, 4 anos após este ato, os maçons estavam reunidos com a presença de Guatimozin (nome maçônico do Imperador Dom Pedro I, membro  da Loja Maçônica do Grande Oriente Brasílico).

Segundo alguns historiadores e maçons D. Pedro estava presente quando delegados maçons de Minas, Rio (Gonçalves Ledo)  e São Paulo (José Bonifácio) em reunião redigiram a Ata de Independência do Brasil.

Já havia ocorrido o Dia do Fico ( sob a inspiração da Loja do Rio - Gonçalves Ledo),  em 9 de Janeiro de 1822,     que havia aborrecido a metrópole portuguesa.

Consta que D. Pedro voltava para o Rio quando Bonifácio previu  que as Cortes Portuguesas dariam ordem de D. Pedro retornar a Portugal.

Em setembro de 1822, Ata redigida, ante a ameaça das Cortes lusitanas exigirem ( como ocorreu) o retorno de D. Pedro à Portugal, José Bonifácio manda-lhe um correio a cavalo, urgente, que o encontra às margens do Ipiranga, e então o ato de Independência até então urdido apenas em reuniões maçônicas é tornado público na proclamação Imperial.

Foi o que pude depreender pesquisando.

Ressalve-se que a Independência já era anseio não só de maçons mas de muitos outros brasileiros que lutavam pela sua realização.

Mas... fica uma interrogação no ar: se Dom João VI proibiu sob pena de morte  a Maçonaria em 1818, como  já em 1822 D. Pedro havia sido cooptado e dela fazia parte, até com nome de guerra : Guatimozin (último imperador Asteca morto em confronto com os colonizadores), e passa a fazer parte do Quadro de Obreiros da Loja "Comércio e Artes“;

Em 5 de agosto de 1822 : por proposta de Joaquim Gonçalves Ledo, que ocupava a presidência dos trabalhos, foi aprovada a Exaltação ao Grau de Mestre Maçom. Portanto foi já sendo Maçom que o Príncipe, no mesmo mês de agosto de 1822, tomou a medida mais dura em relação a Portugal, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento.

14 de agosto: D. Pedro, acompanhado de pequena comitiva, viaja para São Paulo com o propósito de apaziguar os descontentes em São Paulo, aonde chega a 25 e é recebido com grandes pompas.

Em 7 de setembro: D. Pedro de São Paulo se dirige para Santos, de onde regressou na madrugada de 7 de setembro. Encontrava-se na colina do Ipiranga, às margens de um riacho, quando recebe as cartas enviadas pelo seu primeiro ministro José Bonifácio. D. Pedro, após tomar conhecimento dos conteúdos das cartas e das notícias trazidas pelos emissários, pronunciou as seguintes palavras:

"As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal".

Mas para mim ainda há o ponto obscuro: Vogava ainda a ordem real de pena de morte para os maçons? D. Pedro revogou a ordem? Passou por cima do ato paterno? É verdade que com a partida de Dom João para Portugal, deixando aqui D. Pedro como Regente, permitiu - longe o Rei - a reorganização da Maçonaria no Brasil. Quem e como convenceu Dom Pedro para que ele passasse por cima da Ordem de Dom João e entrasse para  Maçonaria?

Como é pouco conhecida  a História do Brasil.

Meu pai talvez soubesse me dizer, mas já é falecido. Se algum "tio" meu puder esclarecer,  este velho "pesquisador" aqui agradecerá de bom grado.

A Lenda do Basilisco: O Bicho Maligno

basiliscus A Lenda do Basilisco: O Bicho Maligno

O basiliscus existe sim, é um lagarto das Américas. Veja que "belo" semblante que lembra o "Retrato de Dorian Grey".

 

A alma humana. Também chamada pelos latinos de "anima".Sopro, ar; alento, o princípio da vida; a alma, por oposição ao corpo.

Os latinos antigos diziam que onde cessa o corpo começa a alma.

A alma é algo que não se vê, mas se percebe. Qualquer um de nós pode dizer de um perverso: é um desalmado. Ou pode criticar alguém dizendo: "tem uma alma suja" ou ainda "não tem alma".

Oscar Wilde num de seus mais famosos romances retrata Dorian Gray, o belo jovem que através de um pacto maligno  jamais envelhece, mas um retrato seu na parede vai mostrando sua verdadeira alma. É horrível e já foram feitos filmes e peças sobre o tema.

Esta semana conversando com Professor João Gabriel Teixeira da UNB ele lembrou-me de Sérgio Buarque de Holanda que no livro "Visão do Paraíso" relata a lenda do "basilisco". Um bicho maligno.

É um bicho meio gavião, meio réptil, meio demônio porque tinha os olhos vermelhos. Ele era meio lince, porque jogava fogo pelas vistas e bufava, peidava e só trazia confusão.

Seu olhar e seu bafo tinham o poder de matar quem se deparasse com ele, relata também o  Mestre Houaiss.

Segundo Sérgio Buarque era um bicho que nascia de  um ovo , mas de um ovo que era posto por um galo. Não era ovo de galinha, era ovo de galo velho.

Esse galo velho só botava um ovo durante a vida inteira, e desse ovo que era chocado entre gosmas e excrementos é que nascia esse bicho peçonhento.

Há pessoas que tem a alma como esse bicho, uma alma basilisca.

Durante a minha vida conheci e conheço alguns deles,  tanto na vida pública  como na particular; tanto no Brasil quanto fora daqui.

Esse bicho assemelha-se à alma de muita gente.

Neste mundo de violência e corrupção tenho a impressão de que os basiliscos estão se reproduzindo como nunca.

Você conhece alguém animado ( "anima " ) assim?

Dia do Trabalho É Eufemismo, o Dia é do Trabalhador

 

chaplin Dia do Trabalho É Eufemismo, o Dia é do Trabalhador

O genial Chaplin no papel de um trabalhador em "Tempos Modernos"

 

Hoje Primeiro de Maio é o Dia Internacional do Trabalhador.

Diga-se bem: do Trabalhador.

Esse papo de Dia do Trabalho é eufemismo pra desviar a razão da celebração.

Trabalho por mais produtivo que seja é sempre dispêndio de energia, sacrifício, e luta.

Não fosse nossa condição adâmica poderíamos estar todos ainda  no Paraíso sem precisar estar comendo o nosso pão no suor do nosso rosto.

O trabalho é algo abstrato sem a presença do agente trabalhador.

Dia do Trabalho pode ser tudo, pode ser qualquer coisa, ao mesmo tempo que é nada...mas Dia Internacional dos Trabalhadores nos remete a maio de 1886 quando nos EEUU houve grandes manifestações pela redução da jornada de trabalho de 16 para 8 horas diárias.

Muitos manifestantes foram mortos. Muitos trabalhadores perderam a vida naqueles dias de maio.

A partir dali o 1º de maio ficou sendo em todo o mundo um dia de jornada de lutas pela redução da jornada de trabalho.

Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias

Por tradição de luta e em memória dos mortos e das conquistas, passa a data a ser comemorada por todos os trabalhadores do Mundo.

O Dia Em Que ACM Tentou Caymmi

 

caymmi O Dia Em Que ACM Tentou  Caymmi

O "Carioca" Caymmi tem estátua em Copacabana

 

Hoje é o centenário de nascimento de Dorival Caymmi.Patrimônio cultural brasileiro através das suas composições.

Amo suas músicas, dentre as 104 que compôs as que mais gosto: Marina, Maracangalha,O Mar, saudade da Bahia, Rosa Morena, só Louco,Dora, A Vizinha do Lado, e Eu Não tenho Onde Morar.

Embora tenha eu vivido na Bahia por 15 anos não conheci pessoalmente Caymmi. Ele já havia se mudado com armas e bagagens parao Rio de Janeiro.

E este é um fato marcante  que narro no post de hoje, deixando aos demais colegas as toneladas de loas que Caymmi merece.

Por décadas a política baiana foi dominada por carlistas e anticarlistas. Referência ao Governador Antonio Carlos Magalhães - ACM.

Político aliado de primeira hora da Ditadura Militar de 64 ACM não gozava da estima, ou apoio,  dos comunistas e seus simpatizantes  locais como  Jorge Amado, Carybé, e muitos outros, entre estes outros Caymmi.

Com o passar do tempo Carybé morto, Jorge reconciliou-se com ACM e Caymmi virou carioca.

Foi então que ACM resolveu cooptar Caymmi. Já havia cooptado Jorge e boa parte da intelectualidade baiana-  a chamada esquerda carlista, um eufemismo para justificar a oportuna rendição ao todo-poderoso e sedutor ACM.

Antonio Carlos comprou uma casa no Rio Vermelho de frente para o mar e mandou presentear Caymmi com ela desde que ele , baiano, voltasse a viver na Bahia. Dizia ACM que Caymmi sendo baiano não podia continuar morando no Rio. Que ele era valor absoluto da Bahia.

Aí o bicho pegou: Caymmi recusou o presente e mandou dizer que já estava há tanto tempo morando no Rio que sentia-se mais carioca que baiano e que do Rio não sairia.

Pareceu que o Mundo desabou. ACM fez um escarcéu pelos jornais baianos, só faltou chamar claramente Caymmi de traidor  da baianidade. O escândalo do "coronel"  foi tão grande que ganhou páginas inteiras dos jornais da época. O velho cacique que a todos dobrava não conseguiu faze-lo com o soberano Caymmi.

Hoje o neto de ACM é Prefeito de Salvador, a casa ainda está lá no Rio Vermelho, e Caymmi está em nossos lábios e corações cada vez que cantamos suas canções que falam da Bahia e do Brasil. Que falam do mar e de pescadores, que falam do povo em sua simplicidade e dignidade.

O tempo passa, os ACMs passam mas Caymmi continua,  no compasso das ondas do mar.

“Yes, Nós Temos Bananas…

 

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...bananas pra dar e vender...banana menina, tem vitamina, banana engorda e faz crescer."

Esta é uma parte da letra que Carmem Miranda cantava.

Mais do que racismo o ato de jogar bananas em campo para os jogadores negros por parte dos europeus é sobretudo a manifestação do mais perverso colonialismo.

Revela a face verdadeira da velha e decrépita Europa, museu vendendo-se a prestações para sustentar sua crise moral e financeira.

Esquece-se a soberba raça europeia que toda a sua riqueza deveu-se à exploração dos que eles chamam de "macacos".

De Portugal à Espanha, da França à Inglaterra, da Alemanha à Holanda... (  todas colonialistas ) em todas elas a riqueza foi construída com a espoliação das nações colonizadas da África e das Américas, sobretudo das Américas "negras", as latinas.

Esta civilizada Europa, palco de duas grandes guerra animalescas que envolveram todo o Mundo; que levou ao genocídio de hebreus em número de milhões... Esta sim, que assemelhou-se em duas guerras a violentos  babuínos em luta por territórios.

Esta "civilizada"  sociedade europeia que dizimou a sociedade maia, a inca e a azteca.

A mesma que queimou milhares de pessoas em fogueiras.

A mesma que desprezou hábitos de higiene como banhos diários e cujos ratos espalharam a peste com seu cortejo de horrores.

A cultura animalesca da destruição. O exemplo de miséria e fome nos pós guerras - antes tivessem ao menos bananas para comer.

Esta mesma que dizima sérvios e croatas, e que agora se bate na Ucrânia...

É esta que se põe a  jogar bananas pra nós? Pra latinos e negros?

Já temos bananas á vontade, aqui é terra tropical, farta, de frutos tropicais saborosissimos, de excelente odor e gosto, que exportamos para o mundo todo.

A pipoca é originária dos países colonizados. Sugiro que , como na letra de Raul Seixas, a gente vá até à Europa pra dar pipoca aos macacos "civilizados" de lá.

Como eu disse no início: é além do racismo. É visão colonialista de supremacia e domínio. De superioridade e soberbia.

Raça de falidos! Pois saibam que são esta América e esta Africa o Novo Mundo.

E mais uma vez este Novo Mundo é  que os salvará da falência total.

 

 

Olha a Mangueira Aí, Gente!

mangueira Olha a Mangueira Aí, Gente!

 

Alegria da geral. Alegria do Rio de janeiro. Algria do Brasil. Assim é a Mangueira.

O Gremio Recreativo  Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira.

A Verde e Rosa. Cores usadas para homenagear um Rancho (Os Arrepiados ) que existia nas Laranjeiras.

Fundada em 28 de abril de 1928 a Mangueira completa hoje 86 anos de existência.

Pra quem não é torcedor da Mangueira, ainda assim a Mangueira é sempre  a segunda Escola de todos esses.

Fundada pelos sambistas Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela e vários outros.

Sagrada Campeão também no ano de fundação do Sambódromo do Rio a Escola teve um feito memorável: desfilou, foi até a Apoteose e voltou trazendo consigo milhares de foliões que aderiram à sua alegria contagiante.

Mangueira de grandes compositores, de grandes sambas, de grandes carnavais. Mangueira do sambista e cantor Jamelão que enquanto teve saúde cantou os sambas da Mangueira na Avenida.

Dona Zica, Dona Neuma, Beth Carvalho, Carlinhos de Jesus, Cartola, e muitos outros nomes famosos do samba e da boemia carioca somaram suas vidas à Mangueira.

Impossível dissociar o Carnaval carioca e a  Mangueira, verdadeiro patrimônio cultural do povo brasileiro.

Hoje é O Dia da Empregada Doméstica

 

tia Hoje é O Dia da Empregada Doméstica

Já se foi o tempo das "tias anastácias", a empregada doméstica a cada dia conquista mais e mais direitos, autonomia,  inclusão e cidadania.

Bom domingo a todos!

Macarronada ou cozido à mesa? Talvez um almoço fora num restaurante preferido?

Seja como for, a maioria absoluta dos patrões hoje  está sem empregada em casa.

Não só porque é domingo, mas sobretudo porque hoje é o Dia da Empregada Doméstica.

A modernidade vai mudando os costumes. Já não tenho mais empregada doméstica. Tenho agora uma diarista.

A praticidade do mundo moderno permite a um casal dispensar a presença de uma empregada  com oito horas de trabalho todos os dias.

Venho das Minas Gerais, da Bahia também. Famílias grandes..mão de obra barata...custo de vida mais acessível...segurança maior... então as famílias ricas ou de classe média tinham não apenas uma, mas várias empregadas, a maioria delas na verdade as chamadas "agregadas". Sobretudo no interior, nos sertões d Brasil, trabalhavam por um prato de comida  e por um local para dormir.

Era, chamadas de "!gente da casa", mas na verdade era uma espécie de escravidão disfarçada.

Tive muitas empregadas desde adulto. A melhor delas , Edna, ficou aos meus serviços por 18 anos.

Excelente pessoa, grande senso profissional.  Jamais faltou um dia; sempre no horário; de conduta discreta e reta. Exemplo de competência. Deixou minha casa por aposentadoria merecida.

Por ela rendo minhas homenagens no dia de hoje a todas as empregadas domésticas.

Que tenham sempre mais e mais benefícios, mais e mais ascensão social e possam desfrutar uma vida sempre com mais  conforto e dignidade.

Há Esperança de Talento Entre os Jovens atores?

 

Tenho 48 anos de profissão. Quando eu me for desta para melhor a profissão e a arte cênica continuará.

A preocupação maior dos veteranos é se haverão talentos para manter a qualidade dainterpretação.

à primeira vista os jovens atores parecem um mar de canastrões ou "desinibidos" como talhou Falabella acerca de um dos "bonitinhos" necessários ao mercado.

Mas não estou referindo-me à geração dos 40 anos. Falo da novíssima geração, a dos 20 aos 30 anos de idade .

Pois amigos, a cada dia suprpeendo-me mais e mais com o talento dessa novíssima fornada.

Canstrões sempre os houve. Há canastrões famososna nossa história cênica , alguns ainda vivos  entre nós. Não pensem os que me leem que a antiga geração era composta só de talentosos. O que tinha de porcaria, de joio era muito mais que o trigo.

Pois a novíssima geração me surpeende. Tenho-a visto no teatro, em muitas peças, no cinema, na tv,  em muitas ocasiões. Estão muito melhor preparados que nós na nossa época.

Cantam,  dançam e interpretam muito bem. Leem, discutem teatro e demais artes. Formam grupos, atualizam-se. Um ou outro "desinibido" como uma mação podre estraga o caixote das maçãs, é uma pena porque passa  a sensação de que a garotada é ruim.

Ao contrário: essa garotada está indo muito bem. Com garra e talento. Basta que se dê chances a ela. Entre outras coisas bastaria que o Ministério da Cultura tivesse um projeto de teatro para a juventude e para a formação de atores jovens.

No lugar disso o que temos, além do mercado do show business  ( que não passa necessáriuamente pela criatividade ou inteligência cênica ) , o que temos é uma deformada e perversa Lei Rouanet.

Enquanto isto não mudar não adianta cmemorar um Brasil novo. Fica uma dívida social e cultural  à garotada, à cultura e aos veteranos que anseiam por uma cultura de qualidade.

 

Portugal: 40 Anos da Revolução dos Cravos

 

cravo Portugal: 40 Anos da Revolução dos Cravos

Esta foto virou ícone da Revolução dos Cravos

 

Hoje comemora-se 40 anos do fim da Ditadura em Portugal.

Foi a Revolução dos Cravos. O povo distribuía cravos aos soldados revolucionários.

Foram décadas de Ditadura, que tornaram à época Portugal um dos países mais atrasados e tacanhos da Europa. Parado quase na Idade Média.

Mais uma vez lutou-se pela Democracia. Pela Cidadania.

Oliveira Salazar era celibatário, vivia só com uma empregada, governou POrtugal com métodos fascistas, declarou neutralidade duante a II Guerra,m mandou prender e assassinar oppositores...enfim , tudo que se espera de um Ditador.

Para derrubar seu regime, que sobreviveu à ele (Já havia morrido quando houve a derrubada da Ditadura) filhos de democratas se alistaram no Exército Português, ocuparam cargos de oficiais, e depois de anos deste trabalho de formiguinha marcharam sobre Lisboa restaurado a democracia.

A senha para o movimento foi a música "Grandola, Vila Morena" proibida pela Ditadura de lá, e que foi tocada de madrugada numa das rádios portuguesas.

Isto ocorreu em 1974. O Brasil àquela época vivia a mais sanguinária das Ditaduras. A Revolução dos Cravos trouxe um alento a todos os democratas brasileiros de que nenhuma Ditadura é eterna, e que por mais erros , corrupções, injustiças que possa haver a Democracia ainda é o melhor sistema de governo.

Quarenta anos depois cantarolo a letra de "Tanto Mar" de Chico Buarque:

" Foi bonita a festa, pá, fiquei contente. Ainda guardo renitente um velho cravo para mim..."

O Panelaço de 1984

 

pANELA O Panelaço de 1984

 

O ano era 1984. Trinta anos atrás. Exatamente dia 24 de abril.

O General Figueiredo era o Ditador de Plantão.

A   crise da Economia e as novas condições internacionais criaram as condições para protestos os mais diversos contra a Ditadura que completava 20 anos naquele 1984.

Eram oito horas da noite. Tudo estava marcado. Tudo havia sido combinado. Não havia Face, ou Twitter para comunicar.

A organização deu-se de forma espontânea, pelo chamado boca-aboca.

Exatamente às 8 da noite tomei de uma panela vaiza e a exemplo de milhares de brasileiros corri à janela do apartamento e comecei  a bater a panela.

Um barulho orquestral de mil panelas , caçarolas, frigideiras, escorredores...tudo ressoando pelas ruas do rio a partir das residências num protesto que exigia a volta da democracia e eleições diretas para Presidente.

Bati tanto na panela até ela ficar amassada. Bati com a colher de pau. Batia na panela como se desejasse atravessar por ela a barreira de baionetas metálicas que nos impediam de exercer a cidadania.

Uma noite imortalizada na letra de Chico Buarque de Hollanda em "Pelas Tabelas"

"...Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando pra mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir..."

Hoje fazem trinta anos deste fato. Recordo-me com muito bom humor.

Naquela noite, cada um de nós com sua panela  aprontou uma orquestra contra  a Ditadura...

Quando hoje vejo tanta injustiça, tanta corrupção, tanto vilipêndio, tanta hipocrisia, tanta falta de vontade política, tanta falta de vergonha...começo a olhar as panelas aqui de casa com um olhar ambíguo...quem sabe se...?

Não! Isso foi há trinta anos atrás.

Mas...se precisar a panela tá aí mesmo. (risos)

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