Encontro de Moisés Com Pais É Show de Interpretação

pais Encontro de Moisés Com Pais É Show de Interpretação

Denise e Gorgulho (Joquebe e Anrão)

Sou um veterano das Artes Cênicas, 49 anos de estrada. Por isso fico muito feliz quando vejo boas interpretações; fico orgulhoso dos colegas; fico com a certeza de que os jovens de hoje serão os bons veteranos de amanhã.

Ontem foi o encontro de Moisés (Guilherme Winter) com seus verdadeiros pais Joquebede (Denise Del Vecchio)  e Anrão (Paulo Gorgulho), e com a irmã Miriã (Larissa Maciel)  na novela “Os Dez Mandamentos”.

Foi um belíssimo trabalho dos colegas. Emocionante desde o primeiro momento em que a brilhante direção de Alexandre Avancini nos descobre Moisés que usa uma capa para chegar até a porta da casa de seus pais.

A interpretação dos dois colegas veteranos com a qualidade dos jovens atores tornou a cena uma das mais belas e emocionantes cenas da teledramaturgia brasileira, a meu ver.

Dá gosto ver colegas mostrando o valor de seus talentos.

Parabéns a eles, à Direção e a toda a equipe. #dezmandamentos

 

Quando Aplaudir um Filme Dava Cadeia

 

compagni Quando Aplaudir um Filme Dava Cadeia

Marcello Mastroiani protagonizava "Il Compagni"

 

Para os que não viveram a Ditadura no Brasil é bom que saibam que jamais foi um belo tempo. Por pior que seja o sistema democrático ainda é o melhor dos mundos.

Pois foi na Ditadura que vi dois filmes que marcaram minha vida, um deles foi “Teorema” de Pier Paolo Pasolini, e o outro “Os Companheiros” (Il Compagni) do italiano Mario Monicelli, que tem na data de hoje o seu centenário de nascimento.

Monicelli foi um dos mais importante cineastas italianos.

“Os Companheiros” falava de greve e de um líder grevista na Itália. Belíssimo filme em preto e branco lotava as salas especializadas em filmes de arte.

Ao final a plateia aplaudia a obra e sabem o que acontecia? A PM armada de metralhadoras entrava pelo cinema à dentro, luzes da plateia acesas e tirava todos os espectadores debaixo de armas. Levava para fora e ali a polícia política (DOPS) iniciava uma triagem para averiguar suspeitos da “subversão” de terem aplaudido um filme.

Aí começava outra sessão do filme e novas prisões ao final.

Sobretudo para a garotada que não viveu a Ditadura e vive apregoando que seria melhor uma intervenção militar das FFAA no Governo o melhor é dar uma pensada como seria hoje o lazer, a Internet, os jornais, revistas, os livros, os filmes e o teatro e shows sob uma ditadura.

Dia 29 a Família Baruk Entra em Dez Mandamentos

safe image Dia 29 a Família Baruk Entra em Dez Mandamentos

Eu, Thierry e Pontual, a família reunida.

 

Muitas pessoas que eu tenho encontrado me dizem que ainda não me viram na novela Dez Mandamentos.

É fato, pois embora nosso nome - eu, Thierry Figueira e Jorge Pontual já estejamos nos créditos da novela só entraremos no ar no capítulo 57, ou seja em 29 de maio.

Meu personagem é Baruk, pai de Aníbal (Thierry) e de Menahem (Pontual). Uma família de comerciantes e criadores e ovelhas.

Mas Baruk é ganancioso e grosseiro. Disputa o poder local com o futuro sogro de Moisés: Jetro (Paulo Figueiredo).

Já estamos gravando há semanas e estamos muito felizes com o clima do trabalho e com o sucesso da novela.

Meus dois "filhos" são talentosos, ótimos e divertidos colegas e amigos.E vamos entrar "arrebentando".

Enquanto aguardamos ansiosos para ver os nossas imagens na telinha vamos nos emocionando com os demais colegas de "Os Dez Mandamentos"  todas as noites, às 20h30m, na Record.

 

baruk6 Dia 29 a Família Baruk Entra em Dez Mandamentos

 

A Princesa Isabel Não Foi Essa Redentora Toda

isabel A Princesa Isabel Não Foi Essa Redentora Toda

 

A Princesa Isabel é considerada a Redentora da Escravidão no Brasil. Mas não é bem assim. Ou não.

O que ela fez em 13 de maio de 1888 foi sancionar a Lei que o senado brasileiro aprovou, a Lei Áurea. O Brasil já era uma Monarquia Parlamentarista e  Constitucional e competia apenas à Regente sancionar ou vetar a Lei.

Há década s arrastava-se a questão da escravidão, desde os embargos ingleses aos navios negreiros em 1830 até a Lei do Ventre Livre e outras Leis que pouco e pouco foram colocando o Brasil na rota das nações civilizadas.

Quando o Senado chegou a aprovar a abolição definitiva da escravatura no Brasil fe-lo apenas porque a mão de obra escrava significava então muito pouco para a economia nacional. Restavam ainda 600.000 escravos no Brasil à época, número bem inferiro às décadas anteriores, quando a população escrava do Rio de Janeiro chegou a ultrapassar a de cidadãos livres.

Então, Dona Isabel não foi essa gracinha toda não. Cumpriu com sua função constitucional já que toda a Nação, através de seus movimentos civis e de seus representantes legislativos já haviam decidido pelo  fim à escravatura, coisa que ela só fez assinar e ainda festejar no Palácio em Petrópolis com um baile para toda a aristocracia.

 

Estreia da Comédia “Pulando a Cerca”

pulando Estreia da Comédia Pulando a Cerca

Elenco e equipe

 

É ou não é uma estreia? Entra em cartaz nesta terça, dia 12 no Teatro Vanucci, às 21h (todas as terças e 4as) a comédia “Pulando a Cerca” de Mauricio Silveira que leva a minha direção.

Digo estreia porque se trata de uma nova produção, com elenco inteiramente novo, e também em teatro da Zona Sul.

A trama da peça é bem divertida, e trata-se de uma comédia de costumes: Toda a ação se passa na sala da casa de Marcela (Amanda Parisi). Enquanto o marido trabalha, ela e seu amante são surpreendidos por uma dupla de criminosos atrapalhados.

No elenco além de Amanda Parisi e Bernardo Mesquita (de “Malhação”) temos Mauricio Silveira, Hamilton Dias, e Hugo Veríssimo.

É um passatempo divertido e agradável.

Os Chatos e os Humoristas

costa Os Chatos e os Humoristas

Costinha, hoje, sobreviveria aos chatos?

Leio duas entrevistas, uma do humorista Diogo Portugal e outra do Marcos Veras. Diogo afirma que está cada dia mais difícil fazer humor por causa da perseguição dos chatos com seu “politicamente correto”. Marcos diz que não faz humor sobre tudo.

Duas opiniões diversas, que somadas nos levam a equilíbrio.

É fato que hoje há uma enorme quantidade de chatos, que baseados no politicamente correto enchem o saco de qualquer pessoa, não só de humoristas.

Mas há também os colegas humoristas que não tem limites e andam falando o que o bom senso manda calar.

Elegância no que se fala em cena é a origem do nosso oficio.

Ser humorista não nos libera das regras sociais ou morais. Quando a gente vai abrir a boca em cena pra contar uma piada, uma anedota ou um caso há um superego (e sempre há) dentro de nós que diz: “Isso não”. Se não ouvimos esta voz e não negociamos ela com o inconsciente que nos diz: “Isso sim” buscando o meio termo, o caminho do centro, então é claro que estaremos expostos às almas raivosas que saem dos infernos buscam encher o saco dos seus semelhantes.

Os tempos são agressivos e rudes – vide “Charlie Hebdo” - e "Prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém.”.

Mãe, Palavra Que Define a Humanidade

mae Mãe, Palavra Que Define a Humanidade

Hoje é o Dia das Mães. Parabenizo todas elas a começar pela nossa mãe... quando ainda a temos.

Pus-me a pensar sobre todos aqueles cujas mães já deixaram esta vida, como a minha que faleceu quando eu tinha apenas 15 anos de idade.

A lembrança dessas mães que se foram a nossa memória nos leva a abraça-las com a alma em festa.

Mas há neste momento, em muitos lares do País aqueles que estão sofrendo por suas mães que estão em leitos de dor, em casas... hospitais... em UTIs, lutando pela vida, aguardando por um milagre.

São momentos de profunda angústia, porque são momentos de incertezas e dúvidas, medos e ansiedades, dores e tristezas.

A todos estes que hoje sofrem momento semelhante elevo meu pensamento solidário e desejo que a Providência Divina os ampare e às suas mães.

Da mesma forma há hoje  milhares de mães que sofrem pela perda de seus filhos que a Morte levou; pelos filhos doentes; pelos filhos que se perderam nos vícios e nos crimes...mães que choram e cujas lágrimas lavam suas almas doridas. Que a data de hoje lhes traga consolação e força.

A todas as mães o meu respeito e a minha homenagem nesta data.

A Disciplina do Ator Através de Bibi Ferreira e Walter Avancini

bibi A Disciplina do Ator Através de Bibi Ferreira e Walter Avancini

Quando se fala em disciplina na profissão das artes cênicas sempre se associa logo que disciplina é chegar no horário. Muitas vezes eu ouço atores dizendo:

-Eu sou profissional, chego sempre no horário.

Como se o profissionalismo se resumisse a isto. Chegar no horário é o mínimo que se pode esperar de um ator, porque isto é o que se deve esperar de qualquer pessoa que tenha um compromisso agendado. Profissional, ou não.

Quando eu falo de disciplina refiro-me à disciplina interna  do ator, coisa que aprendi com dois mestres: Bibi Ferreira e Walter Avancini, uma no Teatro e o outro na TV.

Para dar um exemplo conto o fato ocorrido entre eu e Bibi, em São Paulo, quando da estreia da peça "Deus Lhe Pague", de Joracy Camargo, onde contracenava com Humberto Martins e Adriane Galisteu.

Fazia frio na época da estreia, e  eu como bom morador do Rio tinha apenas uma blusa de lã. Por sinal cara e de renomada etiqueta. mas quando cheguei ao saguão do Hotel para ir com ela à estreia no Teatro, ela me disse:

-"O senhor não tem um sobretudo? Vai me aparecer com esta blusinha de lã para a plateia paulistana? O senhor é um ator, um protagonista, uma estrela !!! Tem que estar sempre muito bem vestido, o público o observa sempre. Amanhã o senhor saia e compre um sobretudo. tenha pudor !!!"

Não preciso dizer que ensaiar ou trabalhar de bermudas e chinelos, para Bibi, nem pensar!!!

Com Bibi aprendi a disciplina interna do ator: não falar quando o assunto não lhe diz respeito; esperar o Diretor e os colegas falarem; ouvir e entender os enunciados de ensaios e exercícios; sentar com postura correta diante de todos; aguardar pacientemente e em silêncio ser chamado para a cena... E vai por aí.

E sobretudo os horários: se é indisciplina chegar atrasado, mais ainda é chegar antes, constrangendo as pessoas.

Já Avancini era muito mais severo que Bibi: dizia ele que cenário não foi feito para ator sentar ou deitar, a não ser na hora de gravar; objeto de cena dos outros colegas não devia ser tocado; concentração absoluta na hora da sua cena e na dos outros; durante o almoço os atores deviam manter a concentração, permanecendo calados enquanto comem; ter o texto decorado, estudado e memorizado, e sobretudo: romper limites na busca da criatividade e da interpretação. Para Avancini não deveria existir ator cansado, e o ato de representar deveria trazer prazer e alheamento dos problemas diários e mundanos.

Era excitante trabalhar com ele, e os resultados sempre foram os melhores da teledramaturgia brasileira.

Aos Mestres, com carinho.

avec A Disciplina do Ator Através de Bibi Ferreira e Walter Avancini

A Comédia “A Atriz” Estreia Hoje Para Público e Convidados

 

betty2 A Comédia A Atriz Estreia Hoje Para Público e Convidados

Eu e Betty numa cena da peça

 

Em comemoração aos 50 anos de carreira, Betty Faria estrela a alta comédia “A Atriz”, com direção de Bibi Ferreira, texto do inglês Peter Quilter e produção de Montenegro e Raman. A estreia para convidados será hoje  aniversário da Betty.

A peça ficará em cartaz no Teatro Leblon, às 21h,  com apresentações de quinta a domingo. (Domingos às 20h).

A ação do espetáculo acontece no camarim da diva Lydia Martin (Betty Faria), no dia em que ela vai entrar no palco pela última vez, encenando O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov. Lydia é uma mulher que dedicou todos os anos de sua vida ao Teatro e às personagens que interpretou, mas que está agora vivenciando um momento de dúvida: “Serei ainda convidada para grandes personagens? Ou esse direito, essa glória pertencem apenas às mais jovens?”.

O autor já teve algumas de suas peças encenadas no Brasil como o musical sobre a vida da cantora Judy Garland e a comédia A Gloriosa, sobre a vida de Florence Foster Jenkins, considerada uma das piores cantoras de todos os tempos.

Betty Faria divide o palco comigo , que interpreto Charles, seu noivo, um homem mais velho, com quem Lydia pretende ir viver fora do país ao se aposentar. Mas Lydia ainda mantém o desejo por Paul (Giuseppe Oristanio), seu ex-marido e pai de seu filho (Pedro Gracindo). Lydia ainda tem que lidar com o Diretor do espetáculo (Gabriel Gracindo) e suas exigências cênicas, seu Agente (Cacau Hygino), afogado em carências, e a Camareira (Stela Freitas), vagando nos bastidores entre a humildade e o veneno mortal.

Vamos Deixar de Zoeira, Hoje É o Dia do Silêncio

silence Vamos Deixar de Zoeira, Hoje É o Dia do Silêncio

pssssiiiiuuuu!!!

Hoje é o Dia do Silêncio. Não sei por que escolheram esta data para marcar o dia em que devemos ouvir mais que falar. Em que devemos evitar fazer barulhos e alimentar  poluições sonoras.

Talvez por ser a data da rendição incondicional da Alemanha Nazista, e o fim da II Guerra Mundial. Silêncio em respeito a todos os mortos nesta guerra e em todas outras?

Talvez.

Mas sei que o silêncio de cada um de nós, em  nós é de muita importância.

Ninguém pode ouvir sua voz interior, seus desejos mais íntimos, sua sabedoria, sua intuição... se não ficar em silêncio.

Já basta o barulho da sociedade moderna, decibéis a mais em todos os lugares, então, ficar calado em silêncio nem que seja por apenas alguns minutos no dia de hoje pode nos levar a um mundo de sensações e pensamentos que jamais imaginamos existir.

Experimente.

A gente mesmo não repara... mas como a gente fala! Fala pelos cotovelos como diz o dito popular.

A gente percebe mais claramente como as pessoas falam e berram quando estamos num restaurante ou num coletivo e alguém começa a falar ao celular.

É um ruído de comunicação que incomoda em volta. E falamos, falamos... Na minha experiência de vida creio que o lugar onde mais se fala , e se fala em voz alta quase aos berros é numa churrascaria dia de domingo.

Alguns de nós estamos tão acostumadaos à parafernália de ruídos que quando nos vemos num campo, num sítio, num lugar de absoluto silêncio e harmonia da Natureza começamos a ficar incomodados. Alguns chegam até  a falar sozinhos para quebrar o silêncio. Não sabem ficar em silêncio.

Aqui findo o post de hoje, relembrando Shakespeare, com a frase final em "Hamlet": "O resto, é silêncio".