Mede-se a Cultura de Um Povo Pelo Seu Teatro

 

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O Centro Cultural e Teatro de São Gonçalo do Rio Abaixo

Esta frase acima,  de Federico Garcia Lorca,  que intitula o post de hoje reporta-me que cidade que a Prefeitura cuida de teatro tem cidadania

Há em Minas Gerais  uma pequenina cidade de cerca de 8.000 habitantes,  em todo o município. Na área urbana não chega a 5.000.

Chama-se São Gonçalo do Rio Abaixo. Até então uma pequena vila  perdida na micro região de Itabira, MG.

Até que um jovem prefeito resolveu construir um centro cultural com teatro. A população riu, dizia que seria um elefante branco.

Pronto o teatro , hoje São Gonçalo é polo cultural da região. Promove festivais de teatro, leva estrelas nacionais para se apresentarem lá como Milton Nascimento, Djavan, Fernanda Montenegro,e até eu mesmo estive lá.

A prefeitura oferece os espetáculos para o povo a preço simbólico, e paga o cachê dos artistas. O teatro lota, o povo tem orgulho do seu teatro bem cuidado.

Vem gente de todas as cidades próximas , até de BH para ver os espetáculos e participar dos festivais.

Hoje o povo de São Gonçalo levantou sua autoestima  não julga mais o teatro como  um elefante branco.

Muitas, centenas, talvez milhares de cidades do Brasil tem teatro. O grau de cuidado da Prefeitura local com sua cidadania reflete-se na manutenção e  uso dessas casas de espetáculo.

No planejamento cultural, na compreensão de que cultura é vital para a auto estima e cidadania dos munícipes.

Não apenas rodeios e shows de funk ou música pop, mas dramas, comédias, pinturas, festivais de canções, de balé, de cinema... bibliotecas...

Cultura não é pra dar dinheiro. Cultura é pra elevar o nível dos cidadãos e por consequência, da cidadania.

Quando a gente chega em caravana numa cidade e vê o abandono em que se encontra o equipamento cultural da cidade sabemos logo da picaretagem ou do descaso com que o prefeito e autoridades locais encaram a cultura como tratam a coisa pública.

O caso mais claro de desprezo pela cultura eu vi foi em Valença, município do Estado do Rio. Havia um teatro, há muitos anos, caindo aos pedaços, mas havia. Um dia a Dercy Gonçalves apresentou-se lá. Ao final do espetáculo fez um discurso sobre o desleixo da Prefeitura em permitir que a casa de espetáculos chegasse àquele ponto.

Sabem o que fez o Prefeito? No dia seguinte mandou reformar o Teatro!!?

Não!!! No dia seguinte mandou fechar definitivamente o teatro porque só dava dor de cabeça e denúncias contra ele.

Eu meço o grau de cidadania e uma boa gestão municipal pela manutenção dos equipamentos culturais.

Sobretudo pelos teatros.

Saiba Como A Ditadura Tornou-me Humorista

 

intimacao 001 Saiba Como A Ditadura Tornou me Humorista

Uma das intimações recebidas à época

 

Sob o Regime Militar de 64  fui detido cinco vezes.

Por sorte não sofri torturas físicas.

Porém em 1978 quando da apresentação em Brasília do nossos espetáculo "Gracias A La Vida" ("La Revolución" - do venezuelano Isaac Chocrón)  a repressão iniciou comigo um processo de tortura psicológica que quase me leva à loucura.

Durante a temporada em Brasília (15 dias) todos os dias eu era chamado á Polícia Federal para sofrer ameaças e interrogatórios os mais variados.

E não sabia por que.

Era a ambiguidade -   como demonstrou  Pavlov -  em ação. É um tipo de tortura que vai te despersonalizando. Eles usaram muito isso nos últimos anos do Regime.

No primeiro dia de espetáculo, concentrado em cena, entra uma cavalgadura travestida de autoridade e de papel na mão preenche uma intimação policial.

Compareci à sede da PF . Fiquei horas sentado aguardando para  depor sem saber sobre  o que.

Comandava a Censura em Brasília  um  sujeito por nome Carlos Lúcio, que se auto nomeava,  ele mesmo,  um "prussiano".

Todo esse aparato  para notificar-me  que comecaramos o espetáculo com 15 minutos de atraso.

No dia seguinte nova intimação. Ameaças vagas sobre cacos políticos postos em cena.

No outro dia mais outra intimação, e mais outra... Era um vai-e-vem diário à Polícia para ver o dedo ameaçador do "prussiano" do sertão.

Não sei que fim levou este infeliz, mas espero que a justiça divina já o tenha alcançado.

Por último um documento falso com o  timbre da Polícia Federal liberando o nu no espetáculo  foi plantado no Teatro, e a partir dele um inquérito foi aberto tendo eu como principal "suspeito" da falsificação.

Ameaças vinham do lado das sombras, dos "colaboracionistas" que sempre existiram em todos os regimes de exceção,  do tipo: "Houve uma reunião na Polícia federal (Bahia) com membros do SNI, Aeronáutica e Exército e se você não tomar cuidado com o que fala em cena nunca mais voltará a viver para fazer teatro."

Ao fim de um ano a paranóia instalou-se.  Retirei-me da cena. Passei 3 anos sem representar, a ambiguidade do processo despersonalizou-me. Com muito esforço,sobrevivi.

Curioso é que nos arquivos da Polícia nada consta sobre o fato. Nem os exames datiloscópicos a que fui submetido, os interrogatórios...nada. Foi como se nada tivesse acontecido,  embora eu guarde comigo uma cópias das intimações policiais.

Mas para voltar a atuar ainda muito fragilizado, recuperando meu ego,  voltei  então  como humorista. Texto leve sem grandes compromissos.

Somente em 1988 voltei à cena como ator dramático, já no Rio de Janeiro. Em 1989 fiz minha primeira novela : "Tieta".

Mas o humor permaneceu. Se a Ditadura tentou calar-me e enlouquecer-me eu por outro lado consegui fazer do limão uma limonada e ganhei mais um produto: o que hoje chamam de stand up, na época show de humor.

Cacilda Becker, o PT, e Meus Delírios

200px Luz Meus Olhos Cacilda 000324 F01 C Cacilda Becker, o PT,  e Meus Delírios

Cacilda no filme "Luz dos Meus Olhos" em 1947, ano em que nasci.

 

Se estivesse viva Cacilda Becker faria hoje 93 anos

E seria apenas 2 anos mais velha que Bibi Ferreira, que do alto de seus 91 anos ainda canta e representa para gosto  e prazer de todos nós.

Cacilda m0rreu jovem. Asmática possuía uma respiração ofegante, que os críticos da época disseram que ela nunca seria sucesso em teatro por causa disso.

Ao contrário, transformou- se na diva do Teatro Brasileiro a partir da década de 50 até sua morte, vítima de um derrame ocorrido durante o intervalo  quando encenava "Esperando Godot" de Beckett, em 1969.

Levada para o hospital,  ainda com o figurino da peça,  ficou 38 dias em coma até o desenlace fatal.

Foi um dos maiores mitos do teatro brasileiro.

A burguesia paulista, oriunda dos cafeicultores que enriqueceram com a I Guerra Mundial e com a industrialização que se seguiu, necessitava de um outro tipo de cultura que representasse seu novo poder econômico.

Entre outras artes , no teatro surge o TBC - Teatro Brasileiro de Comédias, no Bixiga. SP.

Toda mudança na economia elege seus ídolos e mitos super estruturais.

Cacilda foi a Primeira Dama Teatral deste Brasil cinquentista. Dessa paulicéia desvariada que se impunha no cenário cultural do País, em detrimento do Rio de Janeiro, então Capital Federal.

Seguiu destronando rainhas e damas: Bibi, Dulcina, Eva.. o radar da "revolução" econômica e cultural da época  localizou em Cacilda o ícone que precisava.

Foi só após a morte de Cacilda que sua rival de palco e amor,  Tonia Carrero ascendeu. Mas aí já era uma outra "revolução" econômica e cultural, a de 1970 advinda com o Golpe Militar de 64.

E Tonia pontificou platinada por mais de uma década, até que findo o período, sagra-se a nova "Dame" da Nova República: Fernanda Montenegro.

Mas o curioso é que nestes dez últimos anos,  de governo do PT,  nada aconteceu. O trono está vazio. Todas tem seu valor, mas o radar não localiza a Primeira Dama Hegemônica do atual Teatro Brasileiro.

Essa ausência poderia significar que esses dez anos do PT no Governo não significaram nenhuma nova mudança , nenhuma nova revolução econômica e cultural?

Esta ausência seria  uma "bandeira" de que o projeto econômico e cultural em prática  é o mesmo de 20 anos atrás? De que com essa tal de "governabilidade" os atores econômicos e culturais  continuam os mesmos? Ou não?

Ao encerrar declaro meu delírio nesta tese (risos) e afirmo que as atrizes citadas nada tem a ver com os mandos, desmandos, corrupções e repressões das suas épocas.

Todas são ou foram dignas colegas que fazem do teatro a sua expressão humanista e libertária.

Fecha-se a Cortina: Aplausos Para José Wilker

wilker Fecha se a Cortina: Aplausos Para José Wilker

São grandes para o público, e maiores para nós, as perdas dos colegas que partem.

Hoje perdemos José Wilker. Grande ator, grande colega.

A primeira vez que vi Wilker no palco foi na peça " O Arquiteto e o Imperador da assíria". Fantástico.

Depois seguiu-se "Hoje é Dia de Rock" e a " A china é azul" .

O jovem cearense chegou ao Rio com 19 anos. Para vencer em todo o Brasil.

Militante cultural fez parte do Centro Popular de Cultura da UNE, até o Golpe MIlitar de 64.

Ator com base e formação teatral "sabia tudo"  como a gente costuma dizer entre nós, profissionais.

No cinema e na televisão criou personagens inesquecíveis.

Entre seus papéis mais marcantes no cinema estão Tiradentes, no filme 'Os Inconfidentes', de 1972; Vadinho, do recorde de bilheteria nos cinemas 'Dona Flor E Seus Dois Maridos', de 1976; o político Tenório Cavalcanti de 'O Homem da Capa Preta', de 1986 e Antônio Conselheiro, de 'Guerra De Canudos', de 1997. Na minissérie 'JK', interpretou Juscelino Kubitschek mais velho, quando Presidente da República.

Na televisão "O Bem Amado"; "Senhora do Destino"; "Fera ferida"; "A Próxima Vítima " e mais dezenas  de outras novelas.

Criou com seu magistral  com seu talento a personagem "Giovanni Improtta". A personagem já existia há 30 anos nos romances de Aguinaldo Silva. Na década de 1970, a personagem apareceu na obra "O Homem que Comprou o Rio" e em 2005 em "Prendam Giovanni Improtta".

Em 2004 a personagem apareceu na telenovela Senhora do Destino, quando Wilker a imortalizou..

Ator, autor e diretor de cinema tv e teatro, era também crítico de cinema. Dono de uma das maiores coleções particulares este era um de seus hábitos: colecionar filmes.

Da mesma idade que eu, apenas um  mês mais jovo, vimos Wilker desde sua chegada ao rio, passandon pla fase de neófito na Capital Cultural do País, depois pela fase do "barato loegal" (Hoje é dia de Rock por exempçlo) e amadurecendo quer como pessoa, quer como profissional das artes cênicas.

Respeitadíssimo entre nós,  ao falecer hoje ainda teria muito a deixar de aprendizado e ensinamento às mais novas gerações de atores.

Um espaço vago  que não será preenchido. Cada ator como Wilker é único.

Para Wilker fecha-se a cortina na data de hoje. Acaba o espetáculo da Vida, inicia-se o espetáculo da Eternidade.

Aplausos.

giovanni1 Fecha se a Cortina: Aplausos Para José Wilker

Bette Davis e Gregory Peck, Os Anos Dourados de Hollywood

 

bette Bette Davis e Gregory Peck, Os Anos Dourados de Hollywood

A maravilhosa Bette Davis

 

05 de abril marca o nascimento de dois grandes mitos de Hollywood: Bete Davis e Gregory Peck.

Bette nasceu em 1908 e Gregory Peck em 1916.

Eles , ao lado de muitos outros, são ícones de Hollywood.

Muito antes de Elizabeth Taylor ou Marilyn Monroe , ou mesmo Paul Newman, os dois já pontificavam no cinema preto e branco.

Bette contratada da Warner e Peck da RKO.

Marcam a época clássica do cinema norte americano.

Os grandes olhos de Bette Davis e a voz sonora e simpática do galã que é até citado na música de Rita Lee "Flagra".

Gregory fez como Bette dezenas de filmes, dele podemos relembrar sem nos estendermos em toda a sua filmografia: "As Neves do Kilimanjaro" e "Da terra Nascem os Homens"

peck Bette Davis e Gregory Peck, Os Anos Dourados de Hollywood

O galã Gregory Peck

 

Bette fez a inesquecível "A Malvada" "O Que Aconteceu a baby Jane"  e "Jezebel", entre muitos outros que você que me lê pode recordar.

Grandes filmes, grandes roteiros. Época de ouro de Hollywood.

Uma curiosidade que até hoje nenhuma "autoridade" no assunto me confirmou:disseram-me amigos aficionados por cinema,  e por Hollywood,  que Bette claudicava de uma perna. Usava sapatos ortopédicos.

E por um bom tempo filmou sem esses sapatos. Por isso em muitos filmes do início de sua carreira jamais caminha por longo períodos, e quando o faz sempre se apoia em móveis e com  passadas curtas.

Verdade? Ou mais um mito a juntar-se a estes dois mitos hollywoodianos?

Fato é que assistindo seus primeiros filmes ela realmente move-se como descrito acima.

Está em SP? Veja a “Ocupação Zuzu”

 

zuzu Está em SP? Veja a Ocupação Zuzu

Stuart e Zuzu, filho e mãe assassinados pela Ditadura

 

Você que mora em São Paulo ou que vai À capital paulistana por estes dias não pode deixar de ver a exposição sobre a vida da estilista Zuzu Angel.

Para maior informação , sobretudo das novíssimas gerações:

Zuzu não é apenas o nome de um túnel no Rio de Janeiro.

É mãe da jornalista Hildegard Angel, e do falecido jovem Stuart Angel, preso, torturado e assassinado nas dependências da Aeronáutica, no Galeão,  no Rio de Janeiro.

Stuart, vítima da Ditadura de 64, depois de preso sofreu todo tipo de tortura, e em seguida foi amarrado na traseira de um jipe da AeronáUtica com a boca amarrada ao cano de descarga e arrastado pela Base Aérea até sua morte, depois teve o corpo jogado ao mar.

Zuzu, que até então seguia sua profissão de estilista transformou-se numa leoa em busca de justiça para seu "filhote".

Incansável na denúncia do crime cometido, chegou com elas até mesmo ao Governo Norte Americano.

Lançou uma coleção de modas com temas alusivos aos terrores da Ditadura e só parou quando também foi assassinada à saída do túnel que hoje leva seu nome, e que liga a Gávea a São Conrado no Rio de Jane

Stuart Angel hoje é nome de um colégio estadual no Rio, e os dois - mãe e filho -  são heroicos símbolos de resistência à opressão.

A mulher de Stuart também veio a falecer vítima da DItadura, e assim a nossa colega e amiga Hildegard Angel perdeu mãe, irmão e cunhada sob o regime de 64.

A exposição está no Itaú Cultural e leva o nome de "Ocupação Zuzu".

O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, 149 - Bela Vista, São Paulo.

A entrada é franca e vale a pena tomar conhecimento da saga desta mulher de fibra, mãe lutadora que engrandece o nome das mulheres brasileiras.

O Brasil na 1ª Guerra Mundial e o Moderno Teatro Brasileiro

 

cacilda O Brasil na 1ª Guerra Mundial e o Moderno Teatro Brasileiro

Atriz Cacilda Becker, a diva do TBC

 

A infraestrutura econômica é quem gera a super estrutura cultural de uma sociedade.

A mudança na economia leva mais cedo  ou mais tarde à mudança cultural.

Pouco se fala sobre a participação do Brasil na I Guerra Mundial, entretanto essa participação foi o início de grandes mudanças econômicas no País.

Nesta data de  3 de abril,  em 1917,  um submarino alemão afundou um navio mercante brasileiro, na França.

Foi o primeiro ataque de submarinos alemães a navios brasileiros, o que nos levaria a sair da posição de  neutros no  primeiro conflito mundial para declarar guerra à Alemanha e à Áustria.

Não tínhamos à época poderio militar para enviar tropas à Europa.

Oferecemos pilotos para o iniciante uso das forças aéreas, e navios de guerra (sete ao todo) para patrulhar o Atlântico sul em busca de embarcações alemãs.

Oferecemos também voluntários militares, entre eles destacou-se o militar  José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

Relatos contam que este militar foi responsável pelo comando de pelotões de cavalaria francesa e uma pequena unidade de tanques.

A experiência por ele adquirida abriu portas para que, logo em seguida, o Brasil adquirisse seus primeiros carros blindados.

Ainda assim nossa Marinha de Guerra pouco pôde fazer pois a tripulação também  foi acometida pela gripe espanhola que assolava a Europa.

Mas a nossa grande participação foi oferecendo aos aliados matéria primas que a Europa necessitava.

Sobretudo lucraram com tal fato os cafeicultores paulistas.

Isso fortaleceu nossas exportações e por consequência a nossa economia facilitando o processo de industrialização do Brasil.

Essa industrialização, sobretudo quando em São Paulo tornou-se hegemônica, veio exigir  uma nova cultura e permitir -  quatro décadas depois da nossa entrada na I Grande Guerra -   o surgimento do Teatro Brasileiro de Comédias ( TBC ) a nova forma e conteúdo do Teatro Brasileiro moderno.

Hoje é o Dia Mundial do Livro Infantil

Bemvindo Hoje é o Dia Mundial do Livro Infantil

Tomei gosto pela leitura logo na infância,  incentivado por meus familiares.

Lembro-me de um livro que meu pai deu-me quando eu tinha seis anos: "As Aventuras de Robinson Crusoe", de Daniel Defoe. Era em quadrinhos o que facilitava a leitura para crianças pequenas como eu.

Aos sete anos meu futuro  cunhado pra poder namorar em paz com minha irmã, sem o infante  cunhadinho vigiando e empatando o namoro deles, levava-me a cada vez um livreto de histórias infantis: O Rei Cego, O Burro Falante. a Moura Torta...

Este incentivo familiar foi a base do meu gosto pela leitura por toda a minha vida.

Aos 11 anos já  estava lendo o romance cordelesco "A História do Imperador Carlos Magno e Os Doze Pares de França". Logo depois "As Aventuras de Tibicuera" do magistral Érico Veríssimo.

O que me levou, recordo-me,  a devorar todos os livros que me surgiam pela frente - mesmo que não os entendesse.

Lembro-me especialmente de dois que nada tinham a ver com um adolescente de 14 anos: "A Grande Maçonaria Mística Oriental", e "A Nova Política Econômica" de Getúlio Vargas. Não entendia nada. Eram de meu pai. Mas li-os como se sábio fosse. (risos)

No Brasil contemporâneo -  sem injustiçar demais autores -  duas mulheres tocam-me profundamente quando se trata de comprar livros de presentes para meus netos ainda crianças: Sura Berdichevski  e  Ruth Rocha.

Como profissional das artes cênicas rendo também  especial  homenagem à memória de  Maria Clara Machado,  nossa maestrina  autora de literatura teatral para crianças.

Através destas mulheres  festejo hoje todos os escritores de livros infantis, que povoam com suas histórias a imaginação das crianças e formam os cidadãos de amanhã.

" Oh !Bendito o que semeia livros, livros à mancheia e manda o povo pensar"  escreveu o poeta Castro Alves.

E que Monteiro Lobato, o maior dos nossos escritores de livros infantis,  versejou  cem anos depois do poeta baiano:

"Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê".

A Grande Verdade É Que Hoje É o Dia da Mentira

 

pinoquio A Grande Verdade É Que Hoje É o Dia da Mentira

O nariz de Pinóquio crescia a cada mentira que contava

Alô, alô!!

Alô todos os 171 do Brasil; todos os espertalhões; todos os políticos demagogos e populistas; todos os "doutores especialistas" inventados a cada dia; burocratas que dão entrevistas diárias à mídia: hoje é o Dia da Mentira!

Oficialmente hoje  vale tudo como sendo verdade.

O que essa turma acima nomeada vem fazendo com muito esforço a cada dia do ano, durante séculos , hoje pode ser feito como verdade absoluta, porque hoje é 1º de Abril!

Hoje mais que qualquer outro dia podem mentir à vontade.

Aliás até a data do "Gloirioso Golpe  Civil Militar" deflagrado em 31 de março de 64 ficou para a História como o Golpe de 1º de Abril, porque veio prometendo Liberdade e Democracia e acabou sendo a maior mentira das décadas seguintes.

Atenção: hoje fica decretado como "verdade" que não há inflação nos alimentos. Que a mesma feira que minha mulher fazia ano passado com R$ 100,00 é mentira que ela hoje gaste R$ 250,00.

Também é verdade que não falta medicamentos nas Farmácias dos Postos de saúde. Que é metira de quem diz que tem que  ir lá duas ou mais vezes pra encontrar o remédio.

Hoje podemos acreditar na Situação e na Oposição de que só querem o nosso bem e que estão  precouupadíssimos com a vida de cada cidadão.

Como é verdade absoluta, hoje, que nossos impostos, sobretudo o IPVA,  são muito bem empregados e retornam sem desvios para bolsos espúrios.

E muitas e muitas mais "verdades" para serem ditas hoje impunemente.

Porque hoje é o Dia da Mentira.

Acredite, se quiser.

Ditadura? Brasil Nunca Mais!

nunca Ditadura? Brasil Nunca Mais!

 

Eu tinha dezesseis anos. Naquele dia 31 de março de 1964 a chuva caía fina no Rio de Janeiro. Eu não acreditava no que lia nas manchetes dos jornais. O Exército de Minas marchava para o Rio. Greve Geral.Não havia como locomover-se a não ser a pé.

Começava ali a mais sombria noite das Liberdades e da Democracia brasileiras.

O terror implantado era tão grande que mesmo quando viajávamos com teatro pela Europa ou pela América Latina não falávamos de política com medo de sermos gravados e posteriormente perseguidos pelos serviços de inteligência da Ditadura brasileira.

Lembro-me de um entrevista que dei à Rádio Nacional da França, em Paris, e que o jornalista me perguntou:

- Há liberdade no Brasil?

Saia justa. Como denunciar sem ser preso ao voltar?

- Desculpe, não tenho autorização para falar sobre Liberdade.

Foi a irônica saída que encontrei para denunciar a falta de Liberdade.

Foram 21 anos de cerceamento da cidadania. Minha juventude não põde expressar-se livremente.

Vinte e um anos  de perseguições, torturas, sequestros, assassinatos, mentiras, ambiguidades, paranóia.

Entre todos os males que a Ditadura Civil Militar trouxe   sob o pretexto de salvar a Liberdade, a Família e o País  está a juventude que nos foi roubada.

O jovem de hoje pode tatuar-se; pode ler o que desejar; pode acessar a Internet, o Youtube;pode criar sem medos; pode falar o que quiser; manifestar-se... pois graças à luta de milhares de patriotas pode hoje viver em paz e livremente a sua juventude.

Não será castrado nos seus direitos à formação e à informação.

A nós foi negado o acesso a livros; foram criminalizados os costumes mais primários como a largura da bainha das calças ou altura das saias; filmes; músicas; reuniões; anseios; manifestações. Uma Nação onde até simples músicas do folclore nacional eram proibidas.

Desconfiávamos de tudo e de todos. Vizinhos, colegas de eescola...qualquer um podia ser um agente espião pronto a lhe entregar á tortura talvez apenas por ter você reclamado do preço do pãozinho numa padaria.

Isto durante 21 anos.

Sómente aos 37 anos, já adulto e caminhando para a maturidade pude recuperar meus direitos de jovem.

O mal que os golpistas trouxeram ás gerações de jovens de então, e a todo o País,  é indesculpável.

Precisei perdoar os que me roubaram a espontaneidade da minha juventude, perdoar os que torturaram e assassinaram  jovens de 20 anos e às vezes até menos, muitos deles  amigos meus, jovens idealistas e patriotas.

Precisei perdoá-los, mas não posso desculpá-los...Algum dia, diante da História (já está acontecendo),  da Justiça dos Homens  ou da justiça de Deus eles pagarão por esse crime.

Somente estúpidos podem elogiar o Golpe de 64 e propor a volta de uma Ditadura, ou coisa semelhante como "Intervenção Militar". Não concilio com esse tipo de gente.

Ditadura? Brasil Nunca Mais!!!

vlado Ditadura? Brasil Nunca Mais!

Jornalista Vladimir Herzog torturado e assassinado. Símbolo da luta pela Liberdade e pela Democracia.

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