Cão-Guia Dá Lição que Humanos Precisam Aprender

 

guia2 Cão Guia Dá Lição que Humanos Precisam Aprender

Cão Guia. Lição que muitos humanos precisam aprender.

Leio no jornal que a Justiça determinou o pagamento de multa de R$ 15.000,00 á uma jovem cega que foi proibida de entrar na Biblioteca Nacional com seu cão guia. Fico imaginando a cabeça do burocrata, do medíocre burocrata , perdido entre a razão e o regulamento. Imagino os diálogos internos e externos de cada um : "_Não pode entrar animal aqui na Biblioteca, logo este cão não pode entrar." "_ Mas a Lei me faculta a entrada com meu cão em todos os lugares. Sou deficiente visual, tenho amparo legal. " - Não interessa, o Regulamento diz que não pode entrar animal aqui. Logo, fora! Vai passear com seu cachorro lá na Cinelândia, aqui não." Bom, mas sejam  quais tenham sido os diálogos a Justiça foi feita. Com raríssimas exceções o Brasil ainda não se adaptou a lidar com deficientes. E olha que teremos a Paraolimpiada aqui em 2016. Fico imaginando as situações constrangedoras e vexatórias que advirão para os atletas paraolímpicos. Porque para os deficientes locais tais coisas são diárias, constantes. Desde calçadas sem rampas, e metrôs sem elevadores, até a semáforos sem som. Outro dia mesmo, uma médica amiga, deficiente, tropeçou num buraco na calçada e caiu. Machucou-se. A senhora do lado em vez de ajudar disse: -Você devia andar com uma babá. Podem estar certos, a estúpida passante ouviu o que precisava ouvir e aprendeu uma lição de vida com a resposta da minha amiga. Afinal é obrigação legal do Estado, e independente da Lei , obrigação moral de todos os cidadãos proteger e amparar os deficientes. Nota dez para o Juiz Federal Mm. Fabrício Fernandes de Castro que condenou a Biblioteca Nacional.

Você achou justa a decisão do Juiz?

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Mais Uma de Humor – O Trágico Humor da Ditadura

doi Mais Uma de Humor   O Trágico Humor da Ditadura

O post de Ziraldo diz tudo sobre o humor da época.

Este fato quem me relembrou foi o Carlos Minc, grande companheiro.

O ano era 1968. Jovens: eu, o Minc, e todos os demais. Militantes das dissidências do PCB e mais uma turma da AP.

O Minc aliás era presidente da associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas - AMES.

Na clandestnidade dos tempos todos tínhamos codinomes, o meu era Inácio de Souza Barros.

Este Souza Barros entrou na história tirado do Almanaque do Exército onde havia um general com este sobrenome, aí resolvi sacanear misturando o nome dele na "subversão", pra confundir o s serviços de inteligência.

Escrevia teses para o Partido e assinava : Inácio de Souza Barros.

Mas...numa noite lá fui eu levado a uma renião na Zona Sul do Rio.

Eu morava na lha do Governador àquela época, junto ao subúrbio da Leopoldina, e nós , jovens que não éramos do Leblon ou Ipanema tinhamos outro biotipo,  diferente dos jovens" burgueses bonitinhos" da orla fora da barra.

Acho que até hoje é a mesma coisa.

Mas lá fui eu a uma reunião com secundaristas, dissidentes, etc. etc. Todos lá com codinomes. Num apartamento que eu não sabia de quem era, levado por um companheiro .

O local era tão chique  que o edifícicio chamava-se "Duque de Windsor" - não esqueço este nome até hoje.

Àquela época as editoras Zahar e Civilização Brasileira eram top de linha das publicações, sobretudo da esquerda.

Quando entrei no apartamento levaram-me ao jovem que era o nosso anfitrião, e ele apresentou-se:

- Muito prazer, Jorge Zahar.

Eu achando que aquilo era nome de guerra pensei: "- Esse putinho burguês tá afim de me sacanear, aí sacaneei mais ainda, joguei o sobrenome do venerando general Souza Barros pra escanteio e tasquei:

- Prazer , Inácio Civilização Brasileira.

Só que o jovem Zahar, era Zahar mesmo. Era filho do dono da Zahar, aquele apartamento era do Zahar editor, e aquele era o nome verdadeiro dele - sei lá porque razões não usara nehum codinome - e eu achando que ele tava de sacanagem.

Bom , pelo menos esta gag serviu pra descontrair o ambiente e pudemos discutir com bom humor se a Classe Operária era a Vanguarda da luta pela Revolução e se os Metalúrgicos eram a vanguarda da Classe Operária.

Grande discussão onanista, mas que pra época - jovens adolescentes - era o que tínhamos.

Alguma ocasião você teve que omitir seu verdeiro nome?

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Quem Vai Ganhar na Rifa o Ministério da Cultura?

 

rifacópia Quem Vai Ganhar na Rifa o Ministério da Cultura?

Escolha um nome...qualquer um..."afinal, o que é um nome, Romeu?"

Bem, agora que a Presidenta já definiu sua equipe econômica, e que está apascentando as bases do PT que se insurgiram contra a nomeação de Kátia Abreu para a Agricultura, fica pra mim uma pergunta ainda sem resposta: quem vai ganhar a rifa do Mnistério da Cultura?

Um dos Ministérios com o mais baixo orçamento; com uma das mais baixas disputas e significâncias entre os partidos polítcos; Ministério de uma área que não dá lucros, dá poucos votos e  tem muita complicação,  porque segundo os políticos profissionais,  "artista é muito emocional, dá muito trabalho administrar a locura deles."... Então? Quem vai entrar na rifa?

Só na rifa pra saber pra quem fica com  o Ministério.

O primeiro governo Dilma não se notabilizou por dar valor ao MINC. Menos ainda por ouvir os criadores de cultura.

De saída veio a nomeação de Ana de Hollanda, como se o sobrenome e a envergadura dissesse alguma coisa à categoria; como se mais um desastrado, achando-se um  Frei Betto,  aconselhasse à Presidenta: " - Nomeia a irmã do Chico que a classe vai gostar."

Foi um tiro no pé.Aliás muitos tiros, e acabou-se Dona Ana sucumbida sobretudo pelo fogo amigo.

Aí, como não tinha onde enfiar Marta Suplicy - o estorvo do momento - lá se foi a Martha para o Ministério da Cultura. Um quadro numa parede de uma agência bancária: pura decoração.

Haja à vista o constrangimento que se viu no "Encontro de Dilma com a Cultura" no Teatro Casa Grande - Rio. Juca ferreira - Ministro da Cultura no Governo Lula-  era ovacionado a cada menção, e um gelo completo caía sobre a platéia  quando se mencionava a Ministra Martha, que com o estômago que possuem os políticos,  fazia cara de paisagem como se não sentisse o gélido clima .

E agora , vencida a fase de reconciliação da candidata pelo PT com o capital conservador através das nomeações para área economica, e já desenhados arranjos para outras áreas como Cidades, integração, Comunicações et caterva  fica a pergunta deste velho ator cultural: e o Ministério da Cultura?

Nós artistas teremos direito  - senão de escolhermos o nome -  ao menos de termos um nome de consenso e maiores verbas no orçamento? Ou acham que para nós,  passadas as eleições,  qualquer nome nos adoça a boca?

Por isso lembrei-me da rifa. Daquela antiga e barata "rifa das moças", em que se escolhia um nome de mulher, comprava-se a rifa correspondente, e espérávamos pra ver quem levava.

Cultura É Prioridade Para Uma Nação Crescer?

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A Riqueza Cultural do Teatro de Mamulengos

 

mamulengo A Riqueza Cultural  do Teatro de Mamulengos

Você muito provávelmente já asistiu, quando  criança ou adulto, o teatro de mamulengos.

Talvez não soubesse e não saiba que este é o nome certo para o teatro de fantoches que se desenrola à frente de um pano com os atores manejando os bonecos por trás com as mãos.

Pois este teatro é riquíssimo culturalmente.

Tradição portuguesa, veio para o Brasil há maios de 400 anos e desenvolveu-se sobretudo em Pernambuco, onde existe até mesmo um museu sobre ele.

Há uma teoria de que o nome "Mamulengo" seja uma corruptela de "Mão molenga" já que para operar os bonecos é necessária versatilidade com as mãos.

A palavra mamulengo , segundo Mestre Houaiss, apareceu pela primeira vez  na língua poertuguesa em 1890.

As crianças adoram o que nós, sulistas, chamamos de "teatro de bonecos" "ou teatro de fantoches".

Como na Commedia Dell'Art há tipos característicos e fixos no teatro de mamulengos: o Professor Tiridá (Tira e dá) mestre de cerimônias e clássico antiherói nordestino; o Cabo Zé Fincão, representante das forças da repressão;Lusbel, o Diabo e se secretário Sacatrapo (Saco de TRapos, ou Ensaca Trapos);

Em Glória do Goitá, cidade da zona da mata de Pernambuco, conhecida como o "O Berço do Mamulengo", também há o Museu do Mamulengo, que é dirigido pela Associação dos Mamulengueiros e Artesãos da Glória do Goitá, promovendo sempre apresentações e oficinas.

mamuolengo2 A Riqueza Cultural  do Teatro de Mamulengos

Sem contar que, no próprio museu, podemos encontrar artesãos e mamulengueiros diariamente.

Além de vivenciar o folguedo, ainda há bonecos reservados para venda, confeccionados pelos próprios artesãos e pelos Mestres José Lopes e Bila.

Indo a Pernambuco não deixe de assistir e prestigiar, conhecer e vivenciar,  este aspecto riquíssimo da nossa cultura popular.

 

São Horrorosas as Mascotes das Olimpiadas 2016

bonecos São Horrorosas as Mascotes das Olimpiadas 2016

Bicho de Sete Cabeças

Há gosto pra tudo, mas confesso a vocês que não gostei das mascotes aprasentadas para a Olimpíada de 2016 no Rio.

Primeiro porque ninguém sabe o que é aquilo direito.

Segundo porque são muito mais literatura que símbolo.

Eu explico: quando você tem que vir a píblico explicar um boneco que tem pé de um bicho, orelha de outro, focinho de outro etc. etc. já é um despropósito. É um bicho de sete cabeças.

A mascote olímpica ( a amarelinha) representa a “diversidade dos animais do País: a agilidade dos felinos, o gingado dos macacos e a leveza dos pássaros”, segundo informa o site oficial das mascotes dos Jogos de 2016.

Já o mascote paraolímpico é (pelo menos é o que dizem ser) uma inédita mistura da flora brasileira, “com uma cabeleira de folhagens tropicais e cores que lembram a paisagem do Rio e toda a exuberância da natureza”, explica o site oficial.

Quer dizer: quando você tem que explicar o que é que você fez, deixa de ser simples , comunicativo e objetivo pra virar literatura e filosofia, antropologia e zoologia, vira toda a teoria , menos a linguagem imediata que reflete o Brasil.

Olha o Zé Caroca, um papagaio que todo mundo sabe e vê que é brasileiro e que representa o espírito carioca.

CARIOCA São Horrorosas as Mascotes das Olimpiadas 2016

Ícones e símbolos devem ser coisas de leitura imediata e fácil identificação.

Devem ser simples, só isso.

Abaixo, pela ordem as mascotes de algumas olimíadas: O Urso de Moscou, O Leão da Africa do Sul, Castro de Montreal, Bichos da Australia,Tigre de Seul e Águia de Los Angeles

polim´piadfas São Horrorosas as Mascotes das Olimpiadas 2016

 

Porque não chamaram o Ziraldo? Ele faria isso muito melhor que essas hidras de lerna  que  nos apresentaram . (risos).

ziraldo alves pinto 1 São Horrorosas as Mascotes das Olimpiadas 2016

Carnaval. Simples, sem firulas filosóficas.

Gostou das Mascotes das Olimpíadas e ParaOlimpíadas?

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Honra e Glória do Brasil: o Teatro Amazonas

 

O post de ontem era sobre a Amazonia brasileira. Uma coisa puxa a outra...resolvi mostrar a vocês uma das maiores obras arquitetônicas brasileiras: o Teatro Amazonas.

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Foto do turistaprofissional.com

 

O ciclo da borracha no Amazonas, no século 19, levou a sociedade local a exigir um teatro para apresentações dos grandes espteáculos estrangeiros que aportavam no Brasil.
14 anos.

Muito de sua beleza interior e outros adereços devemos ao cenógrafafo pernambucano Crispim Do Amaral que trabalhava na Commedie Française.

 

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A obra de Crispim do Amaral encontra-se também no pano de boca do Teatro da Paz, em Belém. Foto cedida pela autora @PaulaSampaio



Depois de marchas e contramarchas desde a decisão de contrui-lo em 188e até sua inauguração protoclar em 1896 passaram-se 14 anos.

A sala de espetáculos do teatro tem capacidade para 701 pessoas, distribuídas entre a plateia e os três andares de camarotes.

 

plateia Honra e Glória do Brasil: o Teatro Amazonas

No Salão Nobre, com características barrocas, destaca-se a pintura do teto, denominada "A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia", de 1899, de autoria de Domenico de Angelis.

Destacam-se os ornamentos sobre as colunas do pavimento térreo, com máscaras em homenagem a dramaturgos e compositores clássicos famosos, tais como Ésquilo, Aristófanes, Moliére, Rossini, Mozart, Verdi e outros.

colunas Honra e Glória do Brasil: o Teatro Amazonas

Sobre o teto abobadado estão afixadas quatro telas pintadas em Paris pela Casa Carpezot - a mais tradicional da época -, em que são retratadas alegorias à música, à dança, à tragédia e uma homenagem ao grande compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes.

Do centro, pende um lustre dourado com cristais, importado de Veneza, que desce até ao nível das cadeiras para a realização de sua manutenção e limpeza.

amazon41 Honra e Glória do Brasil: o Teatro Amazonas

Com o declinio do ciclo da  borracaha o teatro também entrou em declinio, sendo fechado, saqueado, modificado e   reaberto em 1926. Sómente em 1960, com uma reforma que retomou todos os aspectos artísticos do teatro foi tombado como patriomonio nacional.

Você já visitou o Teatro Amazonas?

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O Telégrafo de Rondon Reflete o Atraso do Brasil

rondon O Telégrafo de Rondon Reflete o Atraso do Brasil

Rondon entre os índios no início do século XX

 

Em 1907 os EEUU já haviam colonizado todo o país, de leste a oeste. De Nova Iorque a São Francisco.

Haviam desbravado resgiões inóspitas. Ferrovias e telégrafos já cortavam o país inteiro.

O progresso era tão grande que em 1906 grande terremoto de São Francisco destruiu uma metrópole, no Pacífico  tão desenvolvida  quanto Nova Iorque, no Atlântico.

Pois neste período o Brasil não conseguia sequer passar um telégrafo - com fio - do Rio de Janeiro ( Capital da República )  para a Amazônia.

Era o fim do mundo. O lugar do nada .

Pois foi o Major Rondon - depois Marechal Cândido Rondon - quem na data de hoje em 1907, desbravou nossas matas e florestas, abrindo picadas e caminhos a facão por 997 km instalou a primeira linha telegráfica ligando a Capital Federal à Amazônia.

Até então o telégrafo chegava apenas a Mato Gorsso.

É de Rondon a frase "Morrer se preciso for, matar um índio, nunca!"

Foi Rondon o responsável pelo encontro de dezenas de tribos indígenas que jamais tiveram contato com a nossa civilização.

Respeitou-as e fez-se delas amigo.

O Estado de Rondônia, antigo Território do Guaporé, tem este nome em homenagem ao Major Rondon.

Ainda hoje, apesar de Rondon, a distância entre o Brasil e a Amazônia é imensa.

Muito da nossa riqueza em biodiversidade nos é roubada, levada para outros países, sobretudo para os EEUU tendo por causa a nossa incapacidade de controlar, dominar e possuir a nossa amazônia.

Os EEUU dominaram a deles há mais de 100 anos. E nós? Quando?

Você conhecia a obra do Marechal Rondon?

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O Privilégio de Ter Vivido no Século XX

 

pablos2 O Privilégio de Ter Vivido no Século XX

Os tres pablos: Picasso, Neruda e Casals

Ultimamente tenho me queixado muito da mediocridade vigente em todos os setores culturais do Brasil, e até mesmo do Mundo.

Mas depois passei a me calar. Comecei a achar que estava repetindo os mesmos dizeres dos velhos do meu tempo de juventude que reclamavam da modernidade.

Constrangido andei calado sobre a mediocridade qe impera na sociedade atual. "Coisa de velho que quer voltar ao passado." pensei.

Mas no domingo passado fui assistir ao musical "Elis", que voltou ao cartaz no Rio.

Durante o espetáculo, ao rever parte da História do Brasil e da minha própria história através do posto em cena,  tive o "insight":

"Não tenho do que reclamar da atualidade. Sou um privilegiado.Pude viver todo0s os grandes momentos do século XX, todos os seus geniais artistas e pensadores. Pude viver o século dos geniais pablos: Picasso, Neruda e Casals.

Pude conviver no tempo de Dali e Buñuel.De Bertrand Russel e Ho Chi MIn. De Nara Leão e Elis Regina; de Bob Dylan e Janis Joplin...

E tenho hoje a oportunidade de poder - também - curtir Michel Teló e Tati Quebra Barraco; Paulo Coelho e Merval Pereira na Academia;o axé da música baiana onde as consoantes desapareceram e os sertanejos universitários, que nunca se diplomam, nunca se formam.

Quem não tem esse privilégio é a garotada de hoje, que não pôde curtir o passado século XX e só tem que dizer com muita alegria diante da mediocridade: "é o que temos pra hoje."

Então saio do teatro feliz por perceber que o que eu considerava uma perda é um duplo ganho. Por exemplo: dancei ao som de Ray Charles e Bob Marley e hoje posso dançar ao som de Luan Santana e Belo.

Puro privilégio!

"Sorry kids", mas parodiando o romântico poeta Gonçalves Dias (* 1823 + 1864 )  eu posso dizer com alegria: "Meninos, eu vivi". E viverei até fartar-me.

Você acha que as pessoas eram mais felizes no século passado?

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O Trágico Humor da Ditadura

 

O Assalto Folheto1 O Trágico Humor da Ditadura

Este "Assalto"em plena Ditadura Militar  só podia dar em confusão.

Essa aconteceu no ano de 1970.

Estávamos em turnê pelo Brasil com o espetáculo "O Assalto'' de Jose´ Vicente, com direção do Fauzi Arap.

Chamava-se "Assalto" porque contava a história de um bancário neurótico que "assaltava" a dignidade e a vida medíocre do faxineiro do banco depois do expediente.

Um drama realista, tratando da desesperada existência humana.

Naquele tempo não havia computadores, nem DDDs. Usava-se o telex e o telegrama.

Então, ,nós que estávamos em cartaz em Salvador , cumprindo turnê pelo Brasil,  estariámos nos apresentando na semana seguinte em João Pessoa na Paraíba.

Nosso produtor, rapaz jovem como nós ( o elenco era Reynaldo Gonzaga e eu), teve o cuidado de avisar à produção de João pessoa da chegada do grupo à cidade.

E sem tino sobre a época obscura e trágica que vivíamos - sobretudo na repressão aos grupos armados que praticavam expropriações a bancos em nome da luta contra a Ditadura - o produtor passou o seguinte telegrama para a Paraíba:

"Assalto em João Pessoa na 4a feira. Chegaremos terça no ônibus das 16 horas.

Quando o ônibus encostou no terminal de João Pessoa lá estava um aparato de Policiais Militares, soldados, e policiais civis, de metralhadoras em punho a nos aguardarem.

Todos presos. O maior suspeito fora o nosso iluminador, que descarregava aqueles aparelhos "terroristas", metálicos , de cor preta, do bagageiro do ônibus e que só podiam ser artefatos explosivos.

Acontece que o iluminador era gago, e quanto mais ele tentava explicar que aquilo eram simples refletores mais ele gaguejava e mais suspeitos nos tornava.

Levados sem mais conversas e delongas à Delegacia de Ordem Política fomos salvos pelo Diretor do Teatro local que acorrera em nosso socorro e nos livrou, quiçá, de torturas e quejandos tais apresentando documentos e mostrando que se tratava apenas de um "perigoso" grupo de teatro.

E pensar que ainda tem maluco nos dias de hoje que vai pras ruas pedindo a volta da Ditadura.

Brasil Terá Mais, Muito Mais do Mesmo

mais Brasil Terá Mais, Muito Mais do Mesmo

 

Ainda nem sequer tomou posse em seu segundo mandato e já vemos pelos atos da Presidenta por onde deve seguir seu segundo governo.

Durenta a campanha jogando pela Esquerda como forma de isolar à Direita a Oposição,   agora a realidade volta a se impor e o Governo volta ao que era antes, para desgosto dos que acreditaram em mudanças maiores na trajetória política e economica do País.

A julgar pelos nomes e pela vontade política  creio que  teremos o chamado "mais do mesmo".

A menos que sejamos salvos pelo gongo, o tédio regerá os próximos 4 anos.

Se por um lado a Presidência e o Partido pelo qual ela se candidatou estejam fragilizados pelas denúncias de corrupção - que no dizer dos delatores vem desde os anos 90 , muito antes do PT no Governo - por outro lado há uma expectativa de que mais de 200 congresistas estejam envolvidos no esquema de propinas da Petrobras.

E não nos enganemos: porque este esquema ocorreria apenas na estatal Petrobras? E se abrirmos um caixa de Pandora na Eletrobras , e em muitos outros departamentos do Estado brasileiro?

Pois é, fragilizados dois dos Poderes da República um poderá falar para o outro sem nenhum pudor: "Macaco olha o teu rabo!"

Sobrará o Poder Judiciário,  que a cada dia é mais recorrido pelo Congresso , por deputados e senadores, para dirimir questões que deveriam ser da autoridade das casas legislativas, o que por si só já demonstra - bem antes dos escândalos - a perda de tônus do Congresso.

Acenando para o Bradesco (Joaquim Levy) no lugar do Itaú para comandar a Economia, e para Katia Abreu - a ruralista - para a Agricultura podemos perceber que teremos durante os próximos 4 anos "mais, muito mais do mesmo".

Projetos como a Reforma Política, a Reforma Tributária, a Lei de Medios e muitos outros muito importantes para a modernização do País continuarão no Limbo, sem serem tocados.

O fosso e a falta de comunicação entre as bases e a Presidenta continuará ainda mais profundo.

A incapacidade de Dilma de dirigir-se ao povo brasileiro  em linguagem clara e popular persisitirá, impedida primeiro pela falta de dom da Presidenta em ter esse tipo de discurso, em segundo lugar - ou talvez até em primeiro - pelo tal pacto da governabilidade.

Portanto , amigos, coninuaremos a assistir ao velho filme neoliberal reprisado no telão do Alvorada.

Pelo andar da carruagem arrisco dizer que tudo será por muitos anos ainda "mais , mas muito mais do mesmo".

Ou não?

Ficará “tudo como d’antes no quartel de Abrantes”?

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