A Comédia “A Atriz” Estreia Hoje Para Público e Convidados

 

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Eu e Betty numa cena da peça

 

Em comemoração aos 50 anos de carreira, Betty Faria estrela a alta comédia “A Atriz”, com direção de Bibi Ferreira, texto do inglês Peter Quilter e produção de Montenegro e Raman. A estreia para convidados será hoje  aniversário da Betty.

A peça ficará em cartaz no Teatro Leblon, às 21h,  com apresentações de quinta a domingo. (Domingos às 20h).

A ação do espetáculo acontece no camarim da diva Lydia Martin (Betty Faria), no dia em que ela vai entrar no palco pela última vez, encenando O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov. Lydia é uma mulher que dedicou todos os anos de sua vida ao Teatro e às personagens que interpretou, mas que está agora vivenciando um momento de dúvida: “Serei ainda convidada para grandes personagens? Ou esse direito, essa glória pertencem apenas às mais jovens?”.

O autor já teve algumas de suas peças encenadas no Brasil como o musical sobre a vida da cantora Judy Garland e a comédia A Gloriosa, sobre a vida de Florence Foster Jenkins, considerada uma das piores cantoras de todos os tempos.

Betty Faria divide o palco comigo , que interpreto Charles, seu noivo, um homem mais velho, com quem Lydia pretende ir viver fora do país ao se aposentar. Mas Lydia ainda mantém o desejo por Paul (Giuseppe Oristanio), seu ex-marido e pai de seu filho (Pedro Gracindo). Lydia ainda tem que lidar com o Diretor do espetáculo (Gabriel Gracindo) e suas exigências cênicas, seu Agente (Cacau Hygino), afogado em carências, e a Camareira (Stela Freitas), vagando nos bastidores entre a humildade e o veneno mortal.

Vamos Deixar de Zoeira, Hoje É o Dia do Silêncio

silence Vamos Deixar de Zoeira, Hoje É o Dia do Silêncio

pssssiiiiuuuu!!!

Hoje é o Dia do Silêncio. Não sei por que escolheram esta data para marcar o dia em que devemos ouvir mais que falar. Em que devemos evitar fazer barulhos e alimentar  poluições sonoras.

Talvez por ser a data da rendição incondicional da Alemanha Nazista, e o fim da II Guerra Mundial. Silêncio em respeito a todos os mortos nesta guerra e em todas outras?

Talvez.

Mas sei que o silêncio de cada um de nós, em  nós é de muita importância.

Ninguém pode ouvir sua voz interior, seus desejos mais íntimos, sua sabedoria, sua intuição... se não ficar em silêncio.

Já basta o barulho da sociedade moderna, decibéis a mais em todos os lugares, então, ficar calado em silêncio nem que seja por apenas alguns minutos no dia de hoje pode nos levar a um mundo de sensações e pensamentos que jamais imaginamos existir.

Experimente.

A gente mesmo não repara... mas como a gente fala! Fala pelos cotovelos como diz o dito popular.

A gente percebe mais claramente como as pessoas falam e berram quando estamos num restaurante ou num coletivo e alguém começa a falar ao celular.

É um ruído de comunicação que incomoda em volta. E falamos, falamos... Na minha experiência de vida creio que o lugar onde mais se fala , e se fala em voz alta quase aos berros é numa churrascaria dia de domingo.

Alguns de nós estamos tão acostumadaos à parafernália de ruídos que quando nos vemos num campo, num sítio, num lugar de absoluto silêncio e harmonia da Natureza começamos a ficar incomodados. Alguns chegam até  a falar sozinhos para quebrar o silêncio. Não sabem ficar em silêncio.

Aqui findo o post de hoje, relembrando Shakespeare, com a frase final em "Hamlet": "O resto, é silêncio".

Relembrando Orson Welles, o Cidadão Kane

kane Relembrando Orson Welles, o Cidadão Kane

Em "Cidadão Kane"

O dia de hoje marca o centenário de nascimento de um dos ícones da cinematografia mundial: Orson Welles.

Em 1938, Orson Welles produziu uma transmissão de rádio intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells e que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres. Um Exército que ninguém via, mas que, de acordo com a dramatização radiofónica, em tom jornalístico, acabara de desembarcar no nosso planeta. O sucesso da transmissão foi tão grande que no dia seguinte todos queriam saber quem era o responsável pela tal "pegadinha". A fama do jovem Welles começava.

Depois foi para o cinema, onde dirigiu e atuou em 1941 na sua maior obra: O Cidadão Kane.

Esteve no Brasil pela década de 50 para fazer inserções do carnaval carioca num longa que ficou inacabado porque a RKO mudou tudo e sequer lhe pagou pelos direitos da ideia original.

Foi casado com a atriz Rita Hayworth, e atuou como ator em muitos outros filmes, e mesmo em pequenos papéis era um mito, um destaque que chamava a atenção dos críticos e espectadores.

Faleceu aos 70 anos de ataque cardíaco.  Uma de suas frases diz o que ele pensava sobre a profissão de ator: "Esse é o maior trem elétrico que um menino já teve.”.

 

Vinte e Um Anos Sem Mario Quintana, Mas Eles Passarão

 

quintana Vinte e Um Anos Sem Mario Quintana, Mas Eles Passarão

 

O gaúcho Quintana é sem sombra de dúvidas um dos maiores poetas brasileiros. Jornalista de profissão, nunca se casou nem deixou filhos. Viveu grande parte da sua vida no Hotel Majestic , em Porto Alegre, hoje tombado pelo Patrimônio do Estado e transformado em Casa de Cultura Mario Quintana. Faleceu na data de hoje em 1994, tendo nascido em 1906.

O nome ele sempre escreveu sem acento, e por três vezes concorreu a uma cadeira na ABL não conseguindo os votos necessários.

Isso jamais impediu de ser hoje dos mais consagrados e conhecidos literatos do País.

Trabalhava no Correio do Povo, que quando faliu ele perdeu seu quarto no Hotel Majestic e com estoicismo, indo morar num, quarto menor no Hotel Royal disse com estoicismo uma das mais belas frases poéticas do País: "Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas".

Deixou uma fantástica obra literária. Amo um de seus menores poemas, o “Poeminha do Contra”:

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

 

Escola de Teatro Martins Penna Pede Socorro

Imagem 135 1024x768 Escola de Teatro Martins Penna Pede Socorro

Fachada da Escola Martins Penna, fundada em 1908

Todos sabem que a Martins Pena, no Rio,  é a escola de teatro mais antiga da América Latina, é a única escola técnica gratuita, que formou profissionais como Procópio Ferreira, Tereza Rachel, Alexandra Richter, Claudia Gimenez, Joana Fomm, Jéssica Barbosa, Denise Fraga, Jô Bilac, Armando Babaioff, Rafael Canedo e continua formando profissionais de excelência e que recebe alunos, não só de todo o Brasil, mas de outros países, tais como: Portugal, Argentina, Estados Unidos, Uruguai, entre tantos outros. A escola pode fechar por descaso do Estado. Não é um problema novo, mas a iminência de fechar está mais próxima do que nunca.

Os funcionários estão sem receber desde outubro, não tem água e telefone, o Teatro Luiz Peixoto sofre com ratos, baratas, cupins, fora os alagamentos provocados pelas chuvas que ajudam na sua deterioração. Os ventiladores não funcionam, estão sem professores, pois muitos foram mandados embora, não podem abrir concurso pra novos professores, faltam funcionários, pois também foram mandados embora.

O Mais Antigo Teatro em Funcionamento nas Américas

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Toda vez que vou a Outro Preto – MG, faço questão de visitar o Theatro Municipal de lá.

Piso com respeito e carinho naquelas tábuas da plateia e do palco. É o mais antigo teatro em funcionamento nas Américas.

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Inaugurado em 6 de junho de 1770, quando o Brasil ainda era Vice- reino de Portugal. Construído pelo contratador de quintos e estradas João de Souza Lisboa.

No teatro apresentavam-se à época música, oratórias, peças e poesias, muitas delas escritas especialmente para este teatro pelo poeta Inconfidente Claudio Manoel da Costa.

Um teatro simples, pequeno, à época considerado pobre para uma Vila Rica como era chamada a capital das Geraes.

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Indo a Ouro Preto não deixe de visitar o Theatro Municipal, reverenciando esta parte da memória nacional.

Fabio Porchat Picado Entre Abelhas

fabio3 Fabio Porchat Picado Entre Abelhas

A outra face de Fábio Porchat

 

Porchat ( para mim um dos mais brilhantes comediantes da nova geraçlão) lança um novo filme,  “Entre Abelhas”.  Ainda não assisti, mas leio sua entrevista a um jornal onde ele diz que não é apenas humorista, é ator, e que o filme não é uma comédia rasgada , que o público não deve esperar gargalhadas sonoras. “Sou um ator formado. Posso fazer diversos trabalhos . Não estou enganando o público.” São algumas de suas assertivas na entrevista.

Também levei vinte anos dizendo que não era apenas humorista ou cô9mico, que era ator, que podia fazer trabalhos sérios...a ponto de um dos meus empresários – de SP – toda vez que me telefona até hoje me perguntar às gargalhadas : já decidiu se é  ator ou humorista?

Para mim foi um drama depois de ser rotulado como humorista ou comediante tentar tirar este rótulo  e apresentar ao seu público algo mais sério.

É como vender uma coca cola azul, ou um bife lilás. O público rejeita a mudança. Os que gostam de você como comediante afastam-se pois não querem vê-lo em coisas “sérias”, e os que gostam de coisas “sérias” não vão lhe ver porque para eles você será sempre um cômico.

Tomara que Porchat  consiga resolver esta equação, caso contrário continuará adúltero como eu: casado com a comédia e namorando o drama

Memórias de Um Primeiro de Maio na Ditadura

1 maio Memórias de Um Primeiro de Maio na Ditadura

 

Primeiro de Maio de 1968.  Era questão de honra para as forças democráticas celebrar o Primeiro de Maio, mesmo debaixo da repressão feroz do Regime Militar.

Era preciso de alguma forma fazer saber a todos que nutriam esperanças da volta de um regime democrático que a chama não se apagara, que as brasas ainda ardiam e patriotas e democratas de alguma forma se posicionavam contra o arbítrio do regime de exceção.

O Ato foi marcado para o Campo de São Cristóvão, no Rio. À hora marcada lá estávamos, não mais que 50 pessoas, dispersas na imensidão da praça, até nos reunirmos junto ao pequeno coreto.

A praça cercada por tropas em muito maior número. O objetivo militar naquele momento era mais de intimidar que exatamente de prender ou espancar. Foi quando o então senador Mario Martins, antigo udenista, golpista de primeira hora em 1964, mas que em 1966 rompera com o arbítrio e aderira ao MDB e fora eleito pela oposição ao Regime, subiu ao coreto e de viva voz saudou a luta dos trabalhadores e a luta das forças populares pela democracia.

Foi um ato simples, rápido, mas que dizia a todos que mesmo debaixo de baionetas e armas de fogo não nos calávamos não nos acovardávamos, e o Primeiro de Maio, naquele 1968 fora então mais uma vez, como sempre, comemorado em praça pública.

Betty Faria Retrata ” A Atriz” Em Declínio

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Em meu primeiro trabalho na teledramaturgia tive a oportunidade de contracenar com ela. Foi em “Tieta” a novela que me apresentou fazendo o “Bafo de Bode” sucesso antológico da  minha carreira.

Depois disto creio que nunca mais nos vimos ou nos falamos sequer, e agora, 26 anos após tenho o prazer de estar em cena com esta diva das artes cênicas do Brasil; este ícone da nossa dramaturgia que aceitou o desafio de estar no palco e abrir o pano na data de hoje, dia 30, com apenas 15 dias de ensaios, ocupando lugar vago e confirmando  o dito popular de que “quem vai ao vento perde o assento”.

A vitalidade , a criatividade, a solidariedade de Betty durante no trabalho é impressionante. A peça que hoje abre a cortina do Teatro Leblon – na Sala Marília Pera , é uma alta comédia que retrata o momento de declínio de uma grande atriz que prefere retirar-se da cena antes da decadência total. Abandona o amor da sua vida pelo conforto   e segurança financeira de um banqueiro suíço.

A foto acima (oficial da produção da peça) retrata o vigor, a beleza e a personalidade desta mais que provada profissional de teatro, cinema e tv.

Terremoto de Janete Clair Salvou Novela “Anastácia”

leila diniz e marieta severo no sheik de agadir em 1966 Terremoto de Janete Clair Salvou Novela Anastácia

Leila e Marieta Severo em "Anastacia"

 

A novela “Anastácia, a Mulher Sem Destino” produzida pela Rede Globo em 1967, protagonizada por Leila Diniz, era uma superprodução. Muita grana investida. Escrita por Emiliano Queiroz, Dirigida pelo Henrique Martins e produto do núcleo de Glória Magadan. Elenco gigantesco, grandes nomes... etc. etc. . Mas tornou-se um fracasso retumbante. Arrastava-se para o fundo como um navio naufragado.

Até que contrataram uma autora de radio novelas então neófita para a teledramaturgia: Janete Clair. A primeira coisa que ela fez foi um terremoto na cidade onde se passava a novela.  Matou a maioria das personagens. Uma tragédia televisionada. Poucos sobreviventes. Aí recomeçou a novela, do zero. Uma nova novela e foi sucesso.

Será que apenas as mudanças de cena e de personalidades das personagens são suficientes para salvar a “... Babilônia que caiu”? Ou seria necessário um terremoto à moda antiga?

Quem sobreviver verá.