Vida, Vida, Vida… Tem um Nome :Ângela Leal

 

angela Vida, Vida, Vida... Tem um Nome :Ângela Leal

A companheira de tantas lutas, Ângela Leal

 

Mais uma montagem de Dona xepa. Consagrado de uma  vez por todas este texto de Pedro Bloch, com  as interpretações magistrais de Alda Garrido, Yara Cortes e agora a Divina Ângela Leal.

Inesquecível a interpretação que Ângela deu á Xepa. Merece todos o nosso respeito e todos os mimos.

Conduziu com maestria não só a sua personagem como todo elenco , liderando-nos mesmo nos momentos sombrios que pudéssemos ter passado durante o período de gravações.

Deu de si inteira como sói acontecer com as grandes e inesquecíveis atrizes.

Mesmo  com hipertensão, duas cirurgias nos quadris e todos os percalços de uma veterana, jamais deixou isto transparecer ou abater seu trabalho.

Uma heroína, e um exemplo para atorezinhos(as) iniciantes que deixam de ir gravar por causa de uma simples virose ou rinite.

Eu e Ângela somos amigos há décadas, desde a Ilha do Governador, Rio, onde fomos criados. Mais tarde quando voltei do exílio baiano ela foi minha primeira Diretora no Rio.

No currículo dela não consta teatro, embora seja uma grande mulher de teatro. Sua luta pela manutenção do Teatro Rival - onde seu pai,  Américo Leal,  foi gerente e depois dono -  e pela recuperação de todo o  entorno da Cinelândia lhe confere isto.

Começou em tv com "Irmãos Coragem" em 1972 e nunca mais parou.

Trabalhamos juntos em inúmeras novelas, uma delas "Mandacarau" . Mas Xepa é  a coroação da sua maturidade de atriz e de mulher.

Sem desmerecer todo os demais talentos do elenco aqui fico de pé para aplaudir o trabalho magistral desta colega simples, mulher do povo, filha de gente de teatro e   mãe de gente de teatro: Leandra Leal, a quem dedicou a sua vida pelo sucesso da filha.

Sucesso, diga-se, merecido.

Ao encerrar-se Xepa não se encerra  a carreira de Ângela, ao contrário, relembro Drummond: "O amor começa tarde..." . E agora mais que nunca Ângela demonstra a plenitude do seu amor pela arte.

Parabéns Ângela Leal e muito  obrigado.

Nova Série “Os Milagres de Jesus” Vem Com Excelente Elenco e Direção

 

IMG 15262 Nova Série Os Milagres de Jesus  Vem Com Excelente Elenco e Direção

 

 

Esta semana fizemos a leitura do segundo episódio da série "Os Milagres de Jesus" que a record começou a produzir em parceria com a  Academia de Filmes.

Estou neste episódio. Trata do milagre feito por Jesus à 'mulher encurvada".

Uma mulher que havia perdido toda a sua dignidade, maltratada e maltrapilha, espancada e persguida, sem direitos ou desejos, caminhava olhando para o chão e vergando a cada dia sobre si mesma.

Faço o papel de Emaré, o Maledicente. Seu marido, dono de um curtume.

A Direção Geral é do João Camargo, que tem também como Diretores Regis Faria e Caetano Freire.

No elenco deste episódio estão  colegas que me orgulham, além dos que estarão em todos os episódios, como Caio Junqueira.

Agora é deixar barba e cabelo crescerem e bronzear a pele, para composição da personagem.

Vamos juntos!

IMG 1527 Nova Série Os Milagres de Jesus  Vem Com Excelente Elenco e Direção

                                                                                                                                                                                                       Thierry Figueira e Roberta Gualda, protagonistas do 2º episódio

Você Sabe Quem é Considerado o “Rei do Caco” no Teatro Brasileiro?

 

Leopoldo Fróes

froes Você Sabe Quem é Considerado o Rei do Caco no Teatro Brasileiro?

 

O ator Leopoldo Fróes foi a maior "estrela" teatral brasileira do primeiro quarto do século XX. Organizou diversas companhias (no geral de comédias) para explorar a atividade teatral no Rio de Janeiro, além de promover algumas excursões pelo Brasil e até pelo exterior, enriquecendo significativamente.

A fama em torno de sua figura pessoal era enorme, bastando seu prestígio para "lotar" as casas de espetáculos em que se apresentava. Notabilizou-se, contudo, por duas "invenções" que marcariam sua carreira e seriam "adotadas" por futuras "estrelas": a metodologia de ensaios e os "cacos".

Quanto aos ensaios, seu método era simples: não comparecia. "Dono" da companhia, permitia-se um direito que recusava veementemente aos demais. Não ensaiar consistia no privilégio da "estrela".

Dada a ausência de Fróes, a companhia procedia da seguinte maneira:

O papel central era marcado por um dos atores secundários, que se colocava nas posições em que Fróes devia estar, em cada cena, a fim de que os demais fossem ensaiando os papéis que lhes cabiam.

Apenas no último ensaio, no "ensaio geral", surgia a "estrela".

E contaram-me  os mais antigos  na profissão que como se não bastasse isso, cada vez  que um ator empregado de uma dessas Companhias que pertenciam a tais "estrelas" colocava um "caco" ou piada boa, o administrador avisava à ele que o "patrão" gostara muito  e que portanto  a partir da próxima apresentação usaria o "caco" como dele.

"Chega, afinal, o dia da estreia. Anúncios nos jornais. Convites distribuídos à crítica. Ambiente de intensa expectativa. À tarde, devia haver o ensaio geral, este, pelo menos, com a presença do Fróes. Ao ensaio geral, finalmente, comparece o artista, embora chegando atrasado. À noite, durante o espetáculo, não sabia uma única das falas. O tipo era esplêndido. Mas só o tipo! O papel que desempenhava, o do maestro Bregalhoni, exigia sotaque italiano bem pronunciado. Era, portanto, um papel que nada valeria sem esses detalhes de dicção. Fróes não detalhou nada. Só cuidou da roupa, negligenciando tudo o mais."

É o que nos relata o escritor, biógrafo e teatrólogo Raimundo de  Magalhães Júnior sobre aquele que até hoje foi imbatível nas improvisações e "cacos" postos em cena.

Durante a filmagem de "Noite de Núpcias" o Doutor Leopoldo Fróes - como era chamado -  apanhou um resfriado que evoluiu para tuberculose. Faleceu na França, em Davos, em 1932 aos 49 anos de idade.

Ao finalizar vale lembrar que Fróes foi um dos fundadores do Retiro dos Artistas no Rio de Janeiro, em setembro 1918.

Seriam as Bruxas de Salém?

censura Seriam as Bruxas de Salém?

1968 - Artistas Unidos contra a Ditadura e a Censura

O título desta postagem é simples referência à peça de Arthur Miller.

Esta semana o emocional de certo segmento social emergiu a partir do voto do Ministro Celso de Mello do STF.

Mais exatamente o emocional de parte da classe média brasileira. E, como não poderia deixar de ser, dos artistas da indústria de conteúdo que pertencem a este segmento.

Entre as manifestações tivemos a foto um tanto "over" de quatro colegas trajadas de preto que vestiram luto pelo voto do Ministro.

Renderam mais de 80 versões caricatas nas redes sociais. Numa delas as quatro são montadas como bruxas. Com chapéus pontudos e vassouras às mãos.

Fiquei meditando sobre as atitudes das colegas e de outros. E relembrei dos tempos da Ditadura quando toda a classe artística parecia uma só, um único bloco monolítico a lutar pela Democracia e contra a Censura e a Ditadura.

Foi fato. De fato. Com isto deu-se a sensação para a nacionalidade que todos os artistas eram de Esquerda, combativos e de maneira permanente estariam sempre ao lado das bandeiras mais populares e socializantes do País.

Não é fato. De fato. Reconquistada a Democracia todos podem manifestar sua diversidade. Dos sábios aos tolos.

Isto começou a ficar claro quando uma coleguinha entrou numa campanha para Presidente dizendo que tinha medo de Lula e do PT. Foi linchada pela "Esquerda".

Temos agora até humoristas notadamente  de "Direita". Uns mais gordos e pesados que outros. Mas os há.

Esta é a diversidade democrática pela qual lutamos tanto, todos juntos. E creio que estaremos juntos novamente se amanhã as nuvens sombrias de uma Ditadura cobrirem a Nação.

Mas agora, agora é momento em que cada um pode dizer o que pensa. Repito: dos sábios aos tolos. Embora saibamos desde os tempos dos profetas que os sábios se calam e os tolos prodigalizam tolices.

As quatro colegas, como eu agora, correram o risco de dizer o que pensam. Entraram no embate ideológico da democracia. E "quem diz o que quer ouve o que não quer" , diz o sábio povo (quando fala).

Não são as  "Bruxas de Salem", sequer as "Bruxas de Eastwick" numa  versão nacional;  não são "inimigas do povo" (alusão ao título da peça de Ibsen). São , como todos os outros artistas, brasileiros preocupados com o País, cada qual com sua visão. Embora, ao que me consta , à exceção de uma delas, as demais nunca vi se manifestarem.

Mas o fizeram porque a Democracia permite isto.

Tirando o foco das "Três Mosqueteiras" - em alusão á obra de Dumas, e que na verdade eram quatro -  a maior tolice dos últimos dias está em apregoar que o País acabou, que não existe Justiça, que os condenados estão livres, posturas de

linchamento,  e outras manifestações emocionais que não condizem com quem quer que pregue Justiça. Artista ou não.

Uma posição intolerante que nos aproxima dos tribunais de exceção dos regimes totalitários.

Os votos da maioria dos Ministros foram claros em garantir  pela Constituição  e ritos anteriores do próprio Supremo,   os Embargos Infringentes.

Aceitar os embargos infringentes não significa revisão das penas. Trata-se de um exercício de democracia: permitir até esgotarem-se todos os instrumentos  de defesa sobre quem pesa a denúncia de um crime

Gostemos ou não: os direitos de qualquer cidadão ficaram assegurados. Garantido o Estado de Direito.

Da minha parte reafirmo que a Democracia é um Bem Universal e que fiquei muito feliz de ver a diversidade democrática funcionando também no Supremo Tribunal Federal.

 

Mímica e Pantomima – Final

chaplin24 Mímica e Pantomima   Final

Chaplin, o maior dos pantomimos com seus filmes mudos. Usava também a mímica.

 

PANTOMIMA É A ARTE DA MÍMICA, DO MOVIMENTO CORPORAL QUE CONTA, OBJETIVAMENTE OS PORQUÊS DE UMA HISTÓRIA, COM PRINCÍPIO, MEIO E FIM...

Em Chaplin, Buster Keaton e Jaques Tati, encontramos a pantomima cinematográfica com sua gramática e técnica próprias da época.

Na dança, temos também o balé-pantomima, que procura contar objetivamente uma história.

Pantomima não é código nem idioma que se necessita aprender.

Tampouco é, através de gestos, expressões corporal e facial, tradução, imitação de palavras ou frases. A pantomima não imita nada. Cria.

Ela não tem sinônimos, portanto não pode ser sofista. Também não tem o direito, como certas palavras, livros e artes, de ser ambígua, incompreensível, subjetiva, complicada.

A pantomima tem por lei a OBJETIVIDADE, sem ser didática, chata.

- Então a pantomima é quadrada?

Não. Nem redonda ou retangular. É espiral e infinitamente dialética. Faz o espectador lembrar que tem cérebro. Que raciocina mesmo quando ri. Até quando sonha. Também quando chora.

PANTOMIMA É A SÍNTESE DOS PENSAMENTOS E DOS SENTIMENTOS.

Por isso, é que também no Brasil, a pantomima, como todas as Grandes Artes, é pouco conhecida.

Mas isso é outro assunto.

A Mímica e a Pantomima

marceau A Mímica e  a Pantomima

Marcel Marceau, o maior mímico de todos os tempos, usava também a pantomima.

 

Dei início à Oficina Teatral para o período 2013/2014 visando a montagem adaptada de "O Mambembe" de Arthur de Azevedo.

No primeiro dia uma aluna perguntou-me a diferença entre mímica e pantomima.

Expliquei como pude, exemplificando  no momento. Depois fiquei pensando e achei que seria legal postar aqui um pouco sobre isto.

Nas artes cênicas a mímica e a pantomima aparecem com o teatro romano, atravessam pelo teatro medieval e chegam até os dias de hoje.

Mímica é movimento. Ela está presente na pintura, na música, na escultura, balé, na linguagem do surdo-mudo, na dublagem, dança, na alegria, tristeza, no ódio, no amor.

Mas quantas vezes uma pessoa está dizendo algo, e sua cara está provando justamente o contrário?

Mímica todos nós, animais, fazemos. Também na natureza os pássaros, o mar, o vento. Na vida, todo movimento é mímica. Mímica é toda a vida. Onde não há vida, não há movimento, mímica.

Mímica é também ir ao Golfo Pérsico, ao Oriente Médio, e sair vivo. Aí continuamos tenho a  mímica. Se não é porque estamos mortos.

Pantomima, é saber o porquê, quais os verdadeiros motivos que levaram  soldados norte-americanos  ao Oriente Médio, e porque tudo aquilo está acontecendo lá.

Amanhã postarei sobre a Pantomima.

 

As Relações Superficiais Com a Profissão

nelson As Relações Superficiais Com a Profissão

Nelson Rodrigues

 

Sei que envelheci. Mas seria igual quando eu era jovem? Ou o Mundo realmente mudou?

Falo do desespero de uma juventude seduzida pelo consumo e pelo sucesso imediato e a qualquer preço.

O desespero de que as coisas aconteçam imediatamente, independente de terem se preparado para tais ou não.

No caso da profissão de ator é uma infinitude de cabecinhas jovens desesperadas em saber como virar sucesso da noite para o dia.

E sucesso nestas cabecinhas significa carrões, mansões, fama, paparazzos, outdoors estelares... um mundo de fantasia vendido a cada minuto pela sociedade de consumo, onde as coisas acontecem como mágica.

Nem como milagres, porque até para milagres é preciso perseverar na fé.

Não! O apelo é imediatista. Fique famoso no próximo minuto. Não dá nem pra esperar um dia!

A nossa profissão de ator é diferente do show business.

Profissão pressupõe ação ou resultado de professar ('reconhecer publicamente', 'jurar') como está no Houaiss.

É um sacerdócio. Pressupões perseverança, persistência, vocação, sacrifício, estudo, observação e sobretudo humildade e paciência.

O que essa garotada seduzida deseja é ser devorada. Consumida como produto. Coisificada, não importa onde nem como.

Fico muito triste quando deparo-me com situações do tipo:

- "Como faço pra entrar pra televisão?"

Ora, é só atravessar a soleira da porta.

Entrar pra televisão é uma coisa. Ser um profissional de artes cênicas para o resto da sua vida, independente se será famoso ou não é outra coisa.

Por isso que considero até hoje o melhor conselho a jovens foi dado pelo sábio Nelson Rodrigues:

_ "Eu recomendo aos jovens: envelheçam depressa!"

 

Greta Garbo, Quem Diria, Não Acabou no Irajá

 

garbo2 Greta Garbo, Quem Diria, Não Acabou no Irajá

Garbo: belíssima e talentosa.

Não acabou nem mesmo em Nova Iorque, onde faleceu aos 85 anos de idade.

Hoje completam-se 108 anos do nascimento de Greta Garbo. E ela continua viva na memória de todos que assistiram seus filmes

A Diva. Fantástica, sedutora, arrebatadora dos corações da massa que afluía ao cinema e que até hoje é admirada em seus filmes.

No Brasil fez muito sucesso no passado uma comédia "Greta garbo, quem diria, acabou no Irajá".

Para os mais novos a comedia não tem nada a ver coma  Garbbo, é só um jogo de palavras no título.

Garbo, sueca de nascimento fez filmes maravilhosos:

Ninotchka; Rainha Cristina; Grande Hotel; Anna Karenina e a dama das Camélias, para citar apenas alguns de seu acervo.

Mesmo com todo este sucesso a Divina Garbo era solitária e reservada, e só concedeu quatorze entrevistas durante toda a vida.

Uma mulher portentosa, com quase  1,80m de altura, calçava número 38. Maledicentes de sempre chegaram  a especular que na verdade seria um travesti.

E de repente, no auge do sucesso ela pronuncia uma frase que ficou marcada para sempre na filmografia e nas reflexões de todo o Mundo:

-" I want to be alone!"

E deixou o cinema, as aparições públicas, recolheu-se , abriu mão de todo o seu glamour e no últimos anos de sua vida vez por outra um paparazo conseguia uma foto daquilo que era apenas um fantasma do que fora a grande Grabo.

 

 

Os Limites do Humor

chaplin Os Limites do Humor

A delicadeza e a humanidade no humor de Chaplin

 

Vira e mexe volta à discussão na mídia a questão dos "limites do humor".

Os arrivistas (do verbo francês "arriver", ou os que chegaram depois) da  geração de 80  - a década perdida - babam com um humor insultuoso, agressivo, capaz de jogar baratas vivas sobre uma atriz idosa e acharem isso muito engraçado.

Claro que estes, em nome da liberdade e da democracia acham que tudo pode. Seriam os "black blocs" do humor. A vanguarda.

Ser vanguardista não é viver nas trevas como os bárbaros, semeando  violência.  É estar á frente do seu tempo iluminando os caminhos.

Questiono  se Chaplin, Arrelia, Chico Anysio, Oscarito, Ankito, Cantinflas, Totó, Buster Keaton, Jerry Lewis, José de Vasconcellos,  e tantos outros,  fizeram do humor fúria, ódio, ira, perversão, desprezo?

Humor é amor, alegria, ternura, compreensão e  tolerância. É re/conhecer no outro a nossa própria humanidade e pelo humor buscar a palavra “absolvição”.

O humor baseia-se na capacidade crítica que temos como seres humanos, e quanto mais cultural somos ,mais refinados e mais críticos seremos no humor.

Arte é Dom, relação com a divindade, busca e revelação da inspiração da alma. Enleva e alegra a todos. Nos aproxima da essência sobrenatural do mistério humano.

Brecht fazia uma arte para pensar, sem precisar ofender, chutar, agredir.

O humor consola os tristes e deprimidos, as almas penadas e penosas. Neste ponto o humor, como um Pronto Socorro, não discute nem aprofunda temas, serve como consolo imediato.

O grande valor humano a ser cultivado  é e será sempre a busca do amor e da alegria, da felicidade.

Agredir mulheres, etnias, idosos, deficientes, direitos religiosos faz pensar em quê? Leva alegria a quem? Autoriza o ser humano no que ele tem de melhor ou de pior?

Nazistas ofenderam autistas, anões, crianças, homossexuais,  idosos, etnias, credos... e chegaram onde? A ações tais, antihumanas, que  pertencem ao mundo das  bestas, dos animais irracionais.

A base do humor - mesmo quando durante a Ditadura, para nos defender, tivemos que agredir  os Ditadores de plantão - é a ironia. A fina ironia.

Jamais a grosseria apelativa pelo sucesso a qualquer custo.

 

O Humor de Insulto e o Insulto ao Humor do Grande Othelo

othelo O Humor de Insulto e o  Insulto ao Humor do Grande Othelo

O Grande Othelo, ícone do humor brasileiro

 

No post de ontem , escrevendo sobre os artistas begros do Brasil citei o Grandde Othelo.

O post de amanhã será sobre os tais  limites do humor, ou o chamado humor de insulto.

Mas entre um post e outro lembrei-me de uma passagem na vida de Othelko, que me foi contatda pelo próprio quando compartilhamos a Escolinha do Professor Raimundo.

Trabalhava ele no Cassino da Urca, década de 40, início da sua carreira. Todas as noite entrava em cena, pequeno, frágil, negro e de origem humilde.

Mas era um gigante riquíssimo quando se apresentava no palco.

Não para um espectador grosseirão que a cada tirada de Othelo gritava ofendendo-o e interrompendo sua apresentação:

-"Palhaço!!! Sai daí ô palhaço!!!"

Isto repetidas vezes, aos brados.

Até o momento em que dentro da sua humildade, com voz serena Othelo parou, olhou fundo nos olhos do estúpido e disse-lhe:

-"Sou palhaço sim, mas profissional. Ganho pra isso, mas o senhor está sendo palhaço de graça. Não concorra comigo, deixe-me ganhar o meu pão."

O insulto partira da plateia. Talvez seja este asnático espectador  a origem paterna do tal  humor de insulto que tentam nos  legitimar nos dias de hoje.

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