Que Livro Está Lendo Agora? Ou Não Lê?

livro Que Livro Está Lendo Agora? Ou Não Lê?

...mal ouve, mal fala, mal vê.

 

Hoje é o Dia Nacional do Livro.

Sempre que falo de livros lembro-me da frase de Monteiro Lobato: "Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê".

Hoje é  o Dia do Livro porque nesta data em 1810 foi criada a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. A história da Biblioteca Nacional confunde-se coma  própria história da nossa nacionalidade.

Reúne mais de oito milhões de volumes, é a sétima do mundo, e a maior da América Latina.

Quando a Corte Portuguesa veio para o Brasil, na pressa do êxodo deixaram os livros da Real Biblioteca da Ajuda (Portugal) encaixotados no porto. E só vieram para o Brasil em 1810.

Se lhe interessar dê uma olhada na Wikipédia - "Biblioteca Nacional", é fantástica a história desta instituição.

O livro é um amigo que visitamos nas horas íntimas, desfrutamos da sua privacidade e ele conversa com a gente num papo que ninguém, ninguém,  poderia levar conosco.

Sempre li muito, desde criança, meus pais me cultivaram neste hábito.

Mas passei a ler melhor quando descobri que o livro é como conversar com uma pessoa: se a pessoa é chata o papo morre logo. Mas isso não impede você de ir conversar com alguém mais agradável, mais interessante.

Ler é conversar em particular com o autor. Ouvir suas histórias, desfrutar das suas aventuras de vida...

Iniciar alguém em leitura é semelhante a iniciar no teatro. Se você leva alguém pela primeira vez para ver uma peça, e a obra é muito chata e ruim aquela pessoa nunca mais quer voltar ao teatro.

Mas se leva pra uma peça boa ela vai querer ver outras, outras... e vai criando o hábito.

Assim deve ser com o livro: o primeiro livro tem que ter a ver com o que você se interessa, cada página deve lhe entusiasmar.

Eu mesmo lá pela página 20 ou 30 se não consigo me ligar no que está escrito é porque aquele livro não serve pra mim. Ou porque o autor é um chato,,. ou porque o assunto não me interessa ou não o alcanço.

Costumo ler 3, 4 livros ao mesmo tempo. No momento estou lendo "O Amor Não é Um Jogo de Criança", psicologia,  de Krihsnananda; "O Que é ser Esquerda Hoje" - uma coletânea de artigos políticos; e "A Bíblia -  um guia ilustrado das escrituras sagradas: história, literatura e religião", de J.R. Porter., presente de meu genro.

É como conversar com várias pessoas: visito uma, converso com ela... vou embora. Vou à outra pessoa converso mais um pouco com ela...assim são os livros para mim, o prazer de conversar com gente maravilhosa que se dispõe a doar um pouco da sua vida e criatividade para mim.

E você, está lendo o que agora?

 

Não Deixe de Ver “Cazuza” Pro Seu Dia Nascer Feliz

 

Cazuza Não Deixe de Ver Cazuza  Pro Seu Dia Nascer Feliz

Eu e Emílio na saída do teatro com a língua debochada de Cazuza.

João Fonseca a cada dia é melhor Diretor. Nem bem acabou de nos brindar com os maravilhosos "Tim Maia"  para  agora nos maravilhar com "Cazuza".

Se você mora no Rio, ou se vem ao Rio não pode deixar de assistir a "Cazuza" em cartaz no Teatro NET.

A excelente qualidade de todo o elenco, o  texto de Aloisio de Abreu , a direção musical de Daniel Rocha, somados à iluminação, coreografias, figurinos, etc. etc. honra o teatro musical brasileiro.

Feliz por ver o excelente trabalho de Dezo Mota no papel de Caetano Veloso.

Mas meu maior motivo de emoção e orgulho foi ver o trabalho de meu "sobrinho" em "Xepa": Emílio Dantas, que representa o papel título.

Durante meses, ou ano, desde "Máscaras" dividimos os estúdios , como colegas e amigos. Em "Xepa" que gravamos mais colados era um prazer e uma diversão.

Emílio é muito bem humorado e estava sempre a nos animar com seu bom humor. Este bom humor é fundamental para a sua criação de "Cazuza".

Versátil, excelente voz., excelente performance de ator levou-me além de qualquer expectativa, mesmo já conhecendo seu potencial.

Eu sou meio invocado com esses musicais tipo Broadway que ficam levando milhões pela Lei Rouanet para nos trazer a cultura  norteamericana.

João Fonseca com "Gonzagão" e  agora "Cazuza" dá um baile de brasilidade.

E as novíssimas gerações devem ver este espetáculo para conhecer mais do Brasil e de Cazuza, pra sacar  a caretice e a mediocridade em que se vive hoje.

 

Violência Contra a Mulher é Repugnante Mesmo em Aulas com Dublês

 

 

gualda32 Violência Contra a  Mulher é Repugnante Mesmo em Aulas com Dublês

A delicada Gualda vai apanhar muito...de mentirinha

 

Esta semana começam as gravações de "Os Milagres de Jesus" parceria da Record com a Academia de Filmes.

Serão 18 episódios rodados no Rio de janeiro e em locações especiais no Piauí.

Eu estarei no segundo episódio que se chama "A Mulher Encurvada" (Miriam) que focalizará a dignidade da mulher e terá Roberta Gualda como protagonista.

Farei Emaré, a quem ela é dada como esposa. Um homem truculento, dono de um curtume. Um homem que a maltrata muito, que a espanca sem dó nem piedade, com tapas, murros, chutes...

E aí que entra o trabalho fascinante dos dublês. Não que iremos ter dublês no nosso lugar. Não!

Seremos nós mesmos nas cenas de violência.

Para isto estamos tendo preparação com os profissionais dublês Walter e Fred que estão nos ensinando as técnicas de bater  e apanhar.

Nada de black blocs, rsrsrs. Somos atores representando.

Mas é fascinante a técnica para isto. Funciona mesmo. É como um "katá" de artes marciais. Vamos repetindo movimentos sequenciados que vão sendo assimilados por nossos corpos até que nos tornamos aptos a convencer os espectadores que realmente a violência é real.

Se já admirava o trabalho dos dublês fico hoje ainda mais fã destes colegas.

Fica aqui também o registro da vocação profissional, da perseverança e talento de Gualda.

Na aula passada trabalhamos por 90 minutos uma sequência em que puxo-a pelos cabelos,  arrasto-a, dou-lhe dois pesados  tapas na cara, um chute na barriga, um estrangulamento, e por fim um murro na boca do estômago que a faz desabar de vez. Sou duas vezes maior e mais pesado que a Roberta Gualda, e ao fim de 90 minutos de treino nenhum arranhão, nenhuma  marca, nenhum músculo dolorido...nada.

Porém... psiquicamente fiquei muito tocado: mesmo sendo apenas ensaios e treinos, sendo apenas de mentirinha, tocou-me muito a violência contra a mulher. Enquanto treinava o espancamento fiquei pensando e sentindo a desumanidade que existe num homem que bate numa mulher, e não tem desculpa de ataque de fúria, desequilíbrio emocional, nada!!! É estúpido, covarde , e bestial.

Quando vocês virem a cena lembrem-se destas linhas e confirmem se não tenho razão.

A Perversão da Cultura

 

 

Teatro de Rua foto 13 1024x639 A Perversão da Cultura

Eu, no teatro de rua. Salvador, 1977. Ditadura Militar, mas  ao fundo o ônibus já anunciava a Liberdade.

 

O assunto requer atenção e delicadeza no trato. É perverso e por demais controverso. Já foi cantado em prosa e verso.  Tem verso e reverso. E sobre ele converso:não é de hoje que venho demonstrando a perversão da Lei Rouanet para a Cultura.

Avaliza projetos culturais que serão desenvolvidos com a renúncia de dinheiro do Imposto de Renda devido pelas empresas. Dinheiro que deve reverter em usufruto do povo brasileiro.

Mas nem por isso as produções advindas deste dinheiro barateiam os preços finais dos produtos culturais. A mais das vezes é o contrário: oferecem alguns espetáculos, ou vagas para jovens carentes ou do ensino público e o MINC dá-se por satisfeito.

A distorção, para se ter um exemplo passa pelo seguinte entre outros quejandos:a Feira de LIvros de Paraty, a FLIP, evento da maior importância nacional e internacional recebeu o direito de captar R$ 5.900.000,00 para a sua realização. Uma cantora de axé recebeu o mesmo  aval de R$ 5.800.000,00 para sua tournée pelo Brasil. E há um musical cópia da Broadway que recebeu o aval para captar R$ 8.500.000,00 para estrear num teatro comercial do Rio.

Podem estar certos que este dinheiro a ser captado não trará benefícios para as camadas de menor poder aquisitivo da população. Destinar-se-á às elites do país.

Ótimo que um espetáculo receba oito milhões  e meio para sua produção, mas com este dinheiro pelo menos 200 grupos de teatro do País montariam suas produções à razão de 40.000,00 cada. E com certeza em sua maioria absoluta vivificariam a cultura nacional. Que sejam captados os 8 e meio, mas que haja projetos dotando mais 8 e meio para os grupos amadores, alternativos, produtores culturais autônomos,  e pequenas empresas .

Mas, como dizia meu baiano amigo,  Geraldo Machado: - "Bemvindo, a burguesia também paga impostos, tem direitos."

Concordo com ele, mas a Lei tem mais furos que um chuveiro. A começar pela discrepância dos recursos autorizados e depois passando pelo fato de que as empresas que podem financiar projetos só desejam faze-lo com medalhões e nomes estelares que siginifiquem retorno à marca. Até aí, tudo bem também, assim funciona o sistema: capitalismo. O perverso é que  se transfere para o mercado a questão cultural num claro gesto de fracassada economia neoliberal.

A perversão da Lei, criada para incentivar cultura, denuncia a falha de planejamento cultural. Não há nenhum amplo e ousado, moderno e competitivo programa que ampare ou financie a iniciativa cultural popular e espontânea. E quando o há não são milhões,  são migalhas distribuídas de forma tão burocrática que dificulta o acesso aos poucos "iniciados" que conseguem entrar nestes editais. O próprio programa de tv do PT levado ao ar anteontem fala de Educação, Saude,  Moradia, Emprego, Crescimento...e não fala de Cultura.

Os chamados  "Pontos de Cultura", por exemplo,  deveriam já alcançar a casa dos milhares...as manifestações culturais da periferia, de caráter popular e inclusivo deveriam ser muito mais que um  outro "nós do morro", ou um ou outro projeto financiado por empresa estatal. O que existe na área é muito pouco, quase nada.

Esta inconsistência de projetos, esta incoerência na superestrutura cultural do País é um vácuo que não acompanha a inclusão social que vem se processando em nosso projeto de Nação.

Quem Tem Pavor de Dentista? Hoje é o Dia Deles

 

white1 Quem Tem Pavor de Dentista? Hoje é o Dia Deles

Ele acha engraçadinho...eu tenho pavor! rsrsrsrs

 

Hoje é o Dia do Dentista.

Eu gostaria de saber como os legisladores ficam matutando que dia eles vão criar. Mas isso é outro papo.

Meu irmão é dentista. Honro os dentistas. Sobretudo no seu dia.

Mas não sou chegado a ficar sentado lá, boca aberta e um sujeito de máscara, parecendo um White Block vandalizando a minha boca. rsrsrs.

Pior ainda é quando eles falam sem parar e  você de boca aberta, com ferros te violando o orifício oral só pode dizer : han, han...hum. hum...an han han!!!

Aquele motor...por mais moderno que venha se tornando, é terrível: parece que entrou uma abelha voraz dentro da sua cabeça...eu visualizo um pedreiro com uma broca abrindo buracos nas paredes do meu apartamento.

E ferros...e algodões...e cadeira que sobe, desce, vira, revira...deixa-te indefeso diante da "autoridade" odontológica.

Pra mim sempre foi uma tortura e por isso sempre entendi que os torturadores da Ditadura nomeassem a cadeira de dentista dos quartéis como a "Cadeira do Dragão", numa alusão às cadeiras de tortura dos porões da bestialidade.

Mas vale a pena a existência destes profissionais. Cada dia  dentes mais brancos, sorrisos mais bonitos, mais saúde bucal.

Um dia, passeando com o mestre  Jorge Dória pela praia,  no Nordeste,  ele comentou comigo:

- No meu tempo as moças perdiam os dentes cedo. A garotada tinha dentes podres, sobretudo os da frente, porque não havia flúor na água e nem tratamento avançado e popularizado para os dentes. Hoje essa moçada ri bonito!!!

E você que me lê? Já escovou seus dentes hoje? rsrsrsrs.

 

Biografias, Direitos Autorais e Apropriações Indébitas

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Suely Franco e eu em "O Doente Imaginário" - Rio, 2005

 

Até 1988, ou seja até a Constituição Cidadã ser promulgada a questão dos Direitos Autorais estava diretamente ligada ao Código Penal. Caso de Polícia.

Se você tivesse uma  obra, tivesse registrado na Biblioteca Nacional, ou tivesse registrado na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais - SBAT, ou similar, ou mesmo se  a tivesse tornada pública, bastava denunciar a apropriação indébita à Polícia federal ou Civil e a obra era interditada e seus direitos eram válidos.

Em 1988 a questão passou para a esfera Cível. Não basta ter o registro da obra, é preciso provar em processo cível, com peritagem das várias partes envolvidas de que a obra é sua. O caso passa de instância a instância e pode ir até o Supremo. Coisa pra mais de dez anos e muito dinheiro gasto.

Aconteceu comigo. Em 2005 baixei da Biblioteca de Paris a obra de domínio público "Le Malade Imaginaire" de Moliére. Em francês. Traduzi e adaptei. Registrei na SBAT e na Biblioteca Nacional com todos os meus direitos de tradutor e adaptador.  Montamos a peça. Ficamos em cartaz.

Tempos depois a mesma obra, foi levada à cena como se não fosse da minha lavra. Como sendo de outros tradutores e adaptadores. Levada no Rio e em SP. A apropriação se deu às claras, e por gente graduada, e aparentemente respeitável no teatro brasileiro.

Não pude fazer nada, consultei advogados e me disseram o que eu já expliquei acima: ao final de dez anos podia até ganhar a causa, mas iria receber o quê? Uma peça fica em cartaz no máximo um ano. Dez anos depois receber o quê? De quem? E se o deletério não tem bens para pagar? Você ganha mas não leva.

Desisti do processo e fiquei pacientemente vendo o fruto da minha criação sendo usado por outrem que se beneficiava.

Trago este fato á luz para que fique registrado na História e não se varra para debaixo dos tapetes  a prática muito comum e pouco denunciada da apropriação de textos alheios.

Conselho que dou aos ingênuos e desavisados que vivem enviando sinopses e textos os mais diversos para apreciações de "doutos": registrem tudo antes, pois mesmo tendo-os registrado ainda correm o risco de serem lesados.

Acho que as biografias não necessitam de autorização prévia, mas concordo com os colegas quanto ao tempo e recursos da Justiça para se reclamar os direitos: direitos de pedir correção; de bloquear a obra...e demais direitos legais.  Mas se a Justiça é lenta os delinquentes rirão da nossa cara como riram de mim.

Essa discussão de Direitos, biografias, etc. etc. precisa ser discutida sim, racionalmente, sem estrelismos, sem vedetismos e acompanha a discussão da morosidade e burocracia da Justiça brasileira.

Acredite se Puder: Criado o Dia do Ovo

Talvez quem me lê não atente para o fato de que todos os dias são dias de alguma coisa: Dia Disso... Dia Daquilo... há dias em que se comemora mais de um evento.

Saindo um pouco da minha área cultural, e sem querer entrar em política, mas não posso deixar de registrar a bizarrice mais recente: em São Paulo o Governador teve que sancionar a criação do Dia do Ovo.

Projeto de um deputado foi aprovado pela Assembleia Legislativa, cheio de vetos, mas foi.

Não consigo imaginar o que estaria escrito nos artigos vetados, mas fica instituído o Dia do Ovo.

É tão bizarro que fui ao site do JusBrasil  e ao Diário Oficial de SP para ter certeza do fato, e é fato, de fato.

Vejam abaixo:   diadoovo Acredite se Puder: Criado o Dia do Ovo

Quem Foi Artur Azevedo Que É Nome de Rua em Todo o Brasil?

 

artur Quem Foi Artur Azevedo Que É Nome de Rua em Todo o Brasil?

Grande comediógrafo!!!

Você no mínimo já ouviu falar de ruas com este nome em quase todo o Brasil: Maranhão, Rio. São Paulo, Santa Catarina. Minas Gerais...mas que foi Artur de Azevedo? Pois foi  um dos maiores dramaturgos e comediógrafos da nacionalidade, e na data de hoje completam-se 104 anos da sua morte. Para um País de memória curta ou displicente é sempre bom relatar para que se tome conhecimento. Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em 7 de julho de 1855, em São Luís - MA e faleceu em 22 de outubro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro. Em 1871 escreveu uma série de poemas satíricos sobre as pessoas de São Luís, perdendo o emprego de amanuense (copista de textos à mão). Pra que vejam que já àquela época e sempre nem todos os poderosdos tem o mesmo humor que os comediantes e comediógrafos. (Eu que o diga. rsrsrs.) Seguiu para o Rio de Janeiro aos 18 anos de idade (1873), onde foi tradutor de folhetins e revisor de "A Reforma", tornando-se conhecido por seus versos humorísticos. Escrevendo para o teatro, alcançou enorme sucesso com as peças "Véspera de Reis" e "A Capital Federal". Fundou a revista "Vida Moderna", onde suas crônicas eram muito populares. Colecionador de obras de arte  foi amigo de artistas como Victor Meirelles, Rodolfo e Henrique Bernardelli. Artur de Azevedo, prosseguindo a obra de Martins Pena, consolidou a comédia de costumes brasileira, sendo no país o principal autor do Teatro de revista, em sua primeira fase. Sua atividade jornalística foi intensa, devendo-se a ele a publicação de uma série de revistas, especializadas, além da fundação de alguns jornais cariocas. Foi por insistência de Arthur de Azevedo, sobretudo por seus artigos em jornais,  que em 1894 foi criada a lei que previa a construção de um teatro municipal no Rio de Janeiro. Sómente nove anos após foi aberto concurso para o projeto do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Para que vejamos como a burocracia já emperrava os projetos há mais de cem anos. Arthur Azevedo não assistiria à sua inauguração em 14 de julho de 1909, pois faleceu nove meses antes. Era irmão mais velho do escritor Aluísio Azevedo, autor de "O Cortiço" e "O Mulato"

Caem os Mitos e Nós Vamos Juntos

mitos Caem os Mitos e Nós Vamos Juntos

Mitos são como super heróis: só existem no nosso imaginário

 

Anteontem postei sobre a quebra do mito Vinícius para mim, quando participe de uma leitura dramática com ele na Bahia.

O post rendeu muitos comentários , sobretudo por causa da reflexão de que "mitos são para continuar sendo vistos de longe pra continuar sendo mitos, porque no dia a dia os encantamentos  são quebrados."

E realmente nestes meus quase setenta anos de vida fui quebrando mitos e criando outros. Criar mitos ainda é e sempre será fruto da nossa mente quando  infantilizada. Quando a gente já adulto ainda fala como criança, pensa como criança e raciocina como criança.

Mitos pertencem sempre ao "mundo do conto de fadas". São seres oníricos criados por nós mesmos em nossos desejos modelares...que nunca resistem à realidade.

Eu mesmo estou aqui relembrando alguns dos meus mitos quebrados:

Luís Carlos Prestes quando voltou do exílio e nos reunimos com ele e ele não conseguia nos responder sobre sexualidade, drogas, cultura...

Madre Tereza de Calcutá, num voo entre Salvador e Ilhéus e que eu a via agarrar-se ao terço cada vez que o avião balançava. rsrsrsrs.

Caetano Velloso quando fomos pedir apoio à ele na luta pela Anistia...

Clementina de Jesus quando fui acordá-la uma manhã num quarto do hotel e ela estava sem a peruca e a dentadura...sorry...

Embaixador Paschoal Carlos Magno, grande incentivador da cultura, quando perguntei a ele tentando ser fino: _  "Embaixador o senhor quer um chá?"

E ele me respondeu - "Eu quero é morrer, meu filho!"

O Cacique Juruna quando voltou da Holanda, presenteei-o com artesanato africano ele colocou de lado sem dar importância  e   me perguntou: - "Escuta, Bemvindo: num tem perfume francês pro índio aqui, não?"

Gabeira, logo após a volta do exílio,  horas e horas experimentando qual a melhor roupa antes de ir a um baile que promovíamos em Salvador contra a Ditadura pela Democracia.

E poderia citar uma dezena ou mais de mitos,  que idealizei,  e foram desmilinguindo quando confrontados no mundo real.

O mito que a gente cria é feito da mais fina porcelana: um tropeço e lá se foi a louça francesa. Trinca, racha, e não se refaz. kkkkk.

Aprendi com o tempo que  o mito é irmão da idolatria, e quanto maior o mito, mais alto o totem,  logo: maior a queda nos sonhos sonhados.

Os Cães, Shakespeare, e a Comédia dos Erros

beagle Os Cães, Shakespeare,  e a Comédia dos Erros

A docilidade de um beagle encanta a todos.

 

Ontem fiz uma pergunta provocadora no Face Book que enlouqueceu a TL: "Seria pedir demais que as pessoas amassem ao próximo o tanto que amam os cachorros?"

Foi muito legal. O debate foi acalorado, até porque cada um interpretava à sua maneira a pergunta feita, e alguns  respondiam as coisas mais disparatadas, criando situações divertidas.

Antes que recomece aqui a loucura das interpretações equivocadas registro que gosto de cães e confesso que é um doloroso exercício de humildade  amar ao próximo. Mas tento todos os dias.

Porém  o foco deste post é a Comédia e sua base.  Uma das bases da Comédia é o equívoco das situações.

A mais curta obra de Shakespeare chama-se "A Comédia dos Erros" (The Comedy of Errors)  e é baseada no disparate de conversas mal interpretadas.

Essa coisa de tratar cães como se fossem gente dá o maior pedal em comédia.

Um dia recebi um e mail do meu dermatologista convidando-me para o primeiro aniversário de seu filho Lucky. Dizia o texto do e mail:

- "Tenho o prazer de lhe convidar para o primeiro aniversário de meu filhinho Lucky. " E a  foto de uma linda criança ao lado de um cão.

Comprei um macaquito pra criança de um ano e só quando cheguei no play do seu prédio é que me dei conta que Lucky, o "filho" aniversariante,  era um lindo chow chow - aquele cão chinês de língua azul. A roupinha não coube, ficou pequena. kkkkk.

Eu mesmo facilitei equívoco semelhante: tinha eu uma cadela linda e alegre, uma basset (linguiça). Dei-lhe o nome de Cristina.

Tinha também em casa uma empregada fiel, seríssima,  que se chamava Lulu, de Luciana.

Uma noite recebi em casa um formal  e respeitável  sociólogo, doutor de universidade federal, homem com muitos livros e teses publicados, cursos na Inglaterra etc. etc..

No meio da conversa fui mostrar a casa a ele. Quando chegamos na cozinha apresentei a empregada:

-Esta é a Lulu.

E ele, num equívoco cômico me disse:

-Eu já conheço,  ela me lambeu todo quando eu cheguei!

Fazer o quê? Desdizê-lo, constrangendo-o? Deixei por isso mesmo, ficando a fiel Lulu com perfil de tarada sexual. kkkkkkkkk.

 

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