O Maravilhoso Grande Otelo

 

othelo O Maravilhoso Grande Otelo

Inesquecível como "Macunaíma"

Vinte anos sem a figura popular e brasileira de Grande Othelo, ao lado do Palhaço Benjamin o maior dos ícones negros da comedia nacional do século XX.

Tive a honra de trabalhar com ele por alguns anos na TV. Ficava eu lá, embevecido, observando aquele brasileiro baixinho,dono de uma voz gritante e aguda - lembram-se dele em "Macunaíma" ? - dando shows de interpretação.

Recordo-me de um fato contado por ele.Trabalhava ele no Cassino da Urca, na década de 40. Fazia um esquete. Naquela noite um sujeito mal educado e agressivo gritava para ele durante a  apreentação:

- "Palhaço!" e repetia isso a toda hora impedindo-o de expressar-se.

Aí ele parou e disse ao sujeito:

- " Sou palhaço sim, profissional, ganho pra isso.O amigo aí está sendo palhaço de graça.Pode deixar eu ganhar meu dinheiro ?"

Mineiro de Uberlândia vivia lá quando conheceu uma companhia de teatro mambembe e foi embora com eles para São Paulo. Ele voltou a fugir, foi para o Juizado de Menores, onde foi adotado pela família do político Antonio de Queiroz. Otelo estudou então no Liceu Coração de Jesus até a terceira série ginasial.

Participou na década de 1920 da Companhia Negra de Revistas, que tinha Pixinguinha como maestro.

Foi em 1932 que entrou para a Companhia Jardel Jércolis, um dos pioneiros do teatro de revista. Foi nessa época que ganhou o apelido de Grande Otelo, como ficou conhecido.

No cinema, participou em 1942 do filme It's All True, de Orson Welles. O intérprete e diretor estadunidense considerava Grande Otelo o maior ator brasileiro.

Otelo fez inúmeras parcerias no cinema, sendo a mais conhecida  com Oscarito.

Por ironia da vida este orgulho brasileiro faleceu na Europa, de enfarte fulminante assim que o avão em que viajava pousou em Paris.

Em 27 de novembro de 1993.

Existe Humor Inteligente?

 

 Existe Humor  Inteligente?

 

Na década de 80 quando um novo humorista lançou-se no mercado veio com o slogan "O Humor Inteligente de ..." .

Aquilo sempre me incomodou e incomoda até hoje, quando o termo volta a mídia por declarações recentes.

Incomoda-me em primeiro porque é uma falsa premissa: todo humor é inteligente. Jumentos e girafas não riem.

Segundo porque denota uma discriminação baseada em ótica social classista que por elipse classifica o humor popular como burro, estúpido, enquanto o humor de uma camada social mais alta seria, este sim, inteligente.

Olvidando o ato falho da discriminação classista, prefiro crer que se trata de ignorância na escolha do termo.

O termo certo para um tipo de humor que na Renascença entre a ociosa nobreza, passou a chamar-se "humour d'esprit" seria "humor refinado", ou "humor sofisticado" se comparado com o nosso vulgar, popular, escatológico, mas nem por isso menos inteligente humor latino,o humor da Commedia Dell'art.

Mal comparando: Um peixe à Belle Meuniére requer mais inteligência que o preparo de uma Feijoada?

Não se trata portanto de inteligência mas de estilos e gostos.

E lembro que o popular também paga impostos e constrói este País. Somente para alguns continua a ser visto como um burro, de carga.

 

A Velha Didática e a Minha Jovem Neta

image A Velha Didática e a Minha Jovem Neta

A Revolução na Didatica

Minha neta completa hoje 12 anos de idade.

Uma menina esperta,vivaz, bem humorada, carinhosa, inteligente e muito querida por este avô coruja, que veio a São Paulo para abraça-la.

Mas , um probleminha: não gosta de estudar. Ou melhor: não consegue adaptar-se aos métodos  tradicionais de ensino.

 

Ficar sentada calada numa sala de aula, virada pra frente,de frente a uma professora-autoridade, calada, atenta, e ensimesmada ... como?

 

Num mundo que solicita a ela cada vez mais mexer-se, falar, interagir,indagar, questionar, realizar seus desejos...

 

Neste momento meu genro , em casa, tenta fazê-la entender que estudar é bom porque responde a pergunta POR QUE. E ela retruca:

 

- Mas quando quero saber PORQUE eu vou no Google.

E ela nos seus verdes anos pergunta a ele :

- Porque eu tenho que saber como eram compostas as camaras municipais da colonia norte americana antes de 1776?

Aí ele muda a matéria e passa aos tempos de verbo em ingles. Outra pernada: ela não sabe os tempos do verbo To Change. Mas não se aperta , abre o dicionario on line na web e fica sabendo.

 

Eu, que sou do tempo do latim e da taboada fico me perguntando, e relembrando Drummond:

- E agora, José?

Com  a palavra os pedagogos e especialistas, porque eu...eu sou apenas um avô coruja que amo demais a minha neta, e quero que ela seja muito feliz neste mundo cibernético.

Os Humoristas e a Liberdade

 

jararaca1 Os Humoristas e a Liberdade

"Jararaca", um humorista muitas vezes perseguido durante a Ditadura de Getúlio Vargas.

Sou grato e devedor a todos os que leem os meus posts. Mesmo que não se agradem de um ou outro é muito importante pra mim. O escritor quer ser lido.

No post de anteontem posicionei-me contra as biografias autorizadas e comentei que era contra qualquer tipo de Censura. E exemplava com ações bem humoradas de humoristas e jornalistas brasileiros diante da opressão.

Um leitor levou o papo para Alemanha Oriental, URSS, China e quejandos. Mal comparando que se fossemos fazer humor nestes países seríamos mortos e que durante a Ditadura brasileira tal não aconteceu. Os humoristas criticavam e não eram mortos. Nem pensar , amigo, pois  além de prisões deveriam morrer? rsrsrsrs. E não eram mortos, porque as condições políticas não permitiam aos ditadores do Brasil fazer isso, senão o fariam com certeza, como o fizeram através dos tempos todos os Ditadores sanguinários.

Os humoristas, tirante alguns atuais bobinhos, são desafiadores sim. E muito deles pagaram com a vida por suas piadas.

Na Alemanha nazista o chefe da propaganda da era Hermann Goering. Herr em alemão significa Senhor.

Um comediante antinazista,  muito famoso, entrou certa noite no palco e disse à plateia lotada:

- Hoje vou apresentar a vocês a Família Mann:

Abriu um lado de um grande caixote um e viu-se uma imensa porca gorda. - Esta é a Frau Mann (Senhora Mann)

Virou outro lado e apareceu um porquinho: _ Este é o Sohn Mann ( o Filho Mann)

E virou mais uma vez e apareceu um  porcão sujo, gordo, e disse - E este é o Herr Man. (Senhor Mann)

Foi preso e sumiu por uns tempos.

Ao voltar à cena , teatro cheio, voltou com seu caixotão e reapresentou o número: - Esta é a Senhora Mann (Frau Mann)

  - Este é o Filho Mann (Sohn Mann)

E quando chegou no porcão disse:

- E por causa deste porco aqui é que fui preso!

Nunca mais se ouviu falar dele.

Arrepiamos nas Madrugadas de Gravações

arrepiar Arrepiamos nas Madrugadas de Gravações

Todo o elenco em foto de arrepiar. rsrsrs.

 

Terminamos na madrugada de hoje as gravações do especial de fim de ano da Record :"Noite de Arrepiar".

Uma comédia excelente, com texto de Bosco Brasil, uma produção da Record com a Academia de Filmes. Com trabalhos impecáveis de fotografia de Marcelo Guru, de direção de arte de Hélcio Pugliese, de caracterização de Uirandê Holanda e de figurino de Rô Nascimento e suas respectivas equipes, e Direção Geral de Rudi Lageman, secundado por Adolpho Kmoutz e Felipe Luizari.

Um elenco camaradíssimo: Castrinho, André Matos. Silvio Guindane, Felipe Martins, Cristina Pereira, eu,  Veronica Debom, Roberta Portella, Solange Couto e mais os meninos que representam a infância dos nossos personagens.

A apresentação será dia 22 de dezembro.

Um humor refinado que com certeza agradará em cheio.

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Censura? Tou Fora!

livro Censura? Tou Fora!

Em 22 de novembro de 1968 a Ditadura Militar criou o Conselho superior de Censura, que o Millor Fernandes feriu fundo ao dizer:

_ Se é de Censura não pode ser superior.

E anarquizou, desmoralizou de vez com o tal Conselho embora ele continuasse a existir sustentado pelo poder das armas.

Mas o humor é uma arma muito forte.

Em 1970 o general Emílio Médici, então o Ditador do momento, lançou a campanha "Brasil, ame-o ou deixe-o!"

Naquela hora  foi a vez  do jornalista Ivan Lessa, que proclamou:

_ O último a sair apaga a luz do aeroporto!

Humor é assim: demolidor, anarquizante, mas sobretudo humano e ao lado da humanidade , não essa bobajada que uma garotada anda fazendo por aí, imitando os norte americanos e fazendo ofensas e chamando de humor.

Isso passa. Se não passar será pelo menos o espaço que as trevas, por direito, ainda ocupam no Universo.

Temos que conviver com a mediocridade. Porque humor é sobretudo tolerância. O humor é sobretudo emoliente, assimila até mesmo  as cavalgaduras, como a piada do tempo em que o Ditador de Plantão era  o General Costa e Silva -  achincalhado como se fora  uma cavalgadura -   que quando foi batizar um navio entregaram-lhe uma garrafa de champanhe e disseram-lhe:

- Quebra no casco.  

E ele , cheio de si, tentava quebrar a garrafa no próprio pé.

Já se foi o tempo da Censura neste País, e neste momento a Câmara vai discutir e debater a mais nova tentativa de censura: a das biografias autorizadas.

Espero que o bom senso e a liberdade de expressão mais uma vez prevaleçam.

Das Mágoas e Invejas Humanas

galileu Das Mágoas e Invejas Humanas

Galileu "A Verdade é filha do tempo e não da autoridade"

 

Em 1966 quando em tournée pelo Brasil chegamos a Aracaju para apresentação do nosso espetáculo de poesias e músicas "Joana em Flor" (poesias de Brecht , Reynaldo Jardim etc...e músicas do então estreante Gonzaga Jr.) fomos detidos por ordem do representante da SBAT local e também chefe do SNI : Júlio César Lobão.

Levados primeiro para o Batalhão de Caçadores, fomos transferidos (havia um menor - Reynaldo Gonzaga ) para o Quartel da Policia Militar de Sergipe.

Acusação: a peça era subversiva. Um tal General Graciliano Nascimento era o Secretário de Segurança da época, tomou os livros de poesias que vendíamos e os queimou em praça pública, relembrando a Inquisição. E imortalizado em livro  por Stanislau Ponte Preta quando o General num assomo de autoridade total declarou : "- Aqui em Sergipe quem entende de teatro é a Polícia!"

Hoje relembro que em 1913, nesta data a justiça russa mandou queimar manuscritos inéditos de Leon Tolstoi, nunca mais recuperados.

E associo tudo isto com a tentativa de impedir a liberdade de escrever biografias que alguns equivocados colegas tentam impingir ao País, primeiro buscando apoio na Justiça e em seguida na Duma, ou melhor, no Parlamento.

Os três fatos acima citados não são iguais mas possuem uma similaridade: em nome da Justiça e da Segurança autoridades desequilibradas praticam a anti democracia, irrompem com os direitos legais ,e tentam retardar o progresso dos tempos, denegrindo obras, instituições e pessoas, estabelecendo a bel prazer as punições, criando domínios de fato, julgando sem limites, e  condenando sem provas, espalhando seu amargor e mágoas pessoais quando deveriam ser os primeiros a defender a Liberdade e a garantir os direitos humanos.

Os livros de poesia foram repostos pela Editora quando voltamos ao Rio; as biografias com certeza serão autorizadas pelo Parlamento;  mas as obras inéditas de Tolstoi perderam-se para sempre há exatos 100 anos.

Dos nomes dos juízes que arbitraram esta punição ninguém mais se lembra, mas Tolstoi continua sendo gênio da Humanidade.

Por isso que relembro sempre o dramaturgo B. Brecht, nas palavras de "Galileu" uma de suas obra primas, diante da Inquisição : "A Verdade é Filha do Tempo e não da Autoridade".

Quem Foi a Rua Líbero Badaró?

 

libero Quem Foi a Rua Líbero Badaró?

Líbero Badaró

 

Hoje é o Dia da Consciência Negra. Dia em que se comemora Zumbi dos Palmares, a maior liderança negra que este Páis já teve.

Mas creio que outros colunistas e blogueiros falarão dele no dia de hoje.

Então me deterei sobre uma outra figura histórica do Brasil, que também foi morta na data de hoje: Líbero Badaró.

Talvez os paulistanos o conheçam mais que nós cariocas, e de outros estados, mas fato é que sempre que venho  a São Paulo passo pela rua Libero Badaró e jamais me ocorreu quem teria sido esse cidadão, cujo nome "Líbero" (Liberto) emprestaria meu amigo Líbero Castiglia, morto na luta contra a Ditadura, no Pará, em 1973.

Pois Líbero, o Badaró,  foi um médico italiano que veio para o Brasil em 1826 aos 28 anos de idade e criou na capital paulista um jornal.

Tornou-se um dos mais combativos jornalistas da nacionalidade.

Defensor do liberalismo, fundou e redigia o jornal O Observador Constitucional, surgido em 1829, impresso na tipografia do O Farol Paulistano. O jornal liberal tinha feição moderada, como a que Evaristo da Veiga imprimia no Rio de Janeiro à Aurora Fluminense. Como esse, granjeara em pouco tempo grande divulgação, que lhe garantia a malquerença dos monarquistas absolutistas.

Comentou os acontecimentos da revolução de 1830, em Paris, notícia chegada ao Rio de Janeiro em 14 de setembro; a Revolução dos Três Dias - em que Carlos X fora destronado em julho passado - exortando os brasileiros a seguirem o exemplo dos franceses.

Em São Paulo, os estudantes do Curso Jurídico tomaram a iniciativa. «Luminárias, bandas de música e mais demonstrações de alegria praticadas pelos habitantes de São Paulo pelo derrubamento do governo tirano e anticonstitucional da França», conforme parecer da Comissão de Constituição da Câmara, assumiram para o ouvidor Cândido Ladislau Japiaçu feição de atos criminosos (os black blocs da época?)  e o levaram a processar alguns manifestantes, de preferência jovens estudantes. O Observador Constitucional abriu campanha em favor dos acusados e atacou Japiaçu, chamando-o Caligulazinho.

Em 20 de novembro de 1830 ( aos 32 anos de idade) , às 10 horas da noite, quando voltava para sua casa, na rua de São José (mais tarde rua Líbero Badaró), sem perceber que era uma cilada, o jornalista foi interpelado por quatro alemães, a pretexto de lhe entregarem uma correspondência contra o ouvidor Japiaçu, porém recebeu deles, traiçoeiramente, uma carga de bacamarte, seguida de pauladas caindo mortalmente ferido.

Ao morrer pronunciou uma frase que celebrizou-se como símbolo da defesa da liberdade de imprensa:

"Morre um liberal, mas não morre a liberdade"

No dia em que se comemora a Consciência Negra junto também a história de Líbero Badaró formador da Consciência Nacional, dois exemplos históricos a nos lembrar que a Liberdade  a Democracia são os maiores bens de uma Nação.

 

Viva Plínio Marcos!!

 

plinio Viva Plínio Marcos!!
Genialidade de Plínio faz falta à mediocridade de hoje

Quatorze anos sem Plinio Marcos. Sem a figura agressiva, instigadora, inquieta, criativa,  contestadora de Plinio Marcos.

Já tivemos Cazuza, Raul Seixas, Plínio...foi um tempo.

Para as novíssimas gerações:

Plínio Marcos não gostava dos colégios caretas e terminou apenas o curso primário. Quis ser jogador de futebol, e chegou a jogar na Portuguesa Santista, mas foram as incursões ao mundo do circo, desde os 16 anos, que definiram seus caminhos. Atuou em rádio e também na televisão, em Santos.

Em 1958 impressionado pelo caso verídico de um jovem currado na cadeia, escreveu sua primeira peça teatral, Barrela. Por sua linguagem crua, ela permaneceria proibida durante 21 anos após a primeira apresentação.

Em 1960, com 25 anos, foi para São Paulo, onde inicialmente trabalhou como camelô. Depois, trabalhou em teatro, como ator e administrador. A partir de 1963, produziu textos para a TV de Vanguarda, programa da TV Tupi.

Em 1968, participou como ator da telenovela Beto Rockfeller, vivendo o cômico motorista Vitório.

Na década de 1980, apesar da censura do governo,  Plínio Marcos viveu sem fazer concessões, sendo intensamente produtivo e sempre norteado pela cultura popular.

Plínio Marcos foi traduzido, publicado e encenado em francês, espanhol, inglês e alemão; estudado em teses de sociolinguística, semiologia, psicologia da religião, dramaturgia e filosofia, em universidades do Brasil e do exterior. Recebeu os principais prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou em teatro, cinema, televisão e literatura, como ator, diretor, escritor e dramaturgo. Entre outras peças escreveu "Navalha na Carne", "Abajur Lilás", "Dois Perdidos Numa Noite Suja"...

Morreu aos 64 anos, na cidade de São Paulo, por falência múltipla dos órgãos em decorrência de um derrame cerebral.

Colhi algumas de suas frases para homenageá-lo no dia de hoje.

"Eu não penso, por isso consigo escrever. "

“Os andarilhos sempre incomodam, mexem, arrebentam estruturas. — O que você está estranhando, Frajola? E assim mesmo! Quem tem medo do ridículo são os homens-pregos, sempre ridículos, com seus medos idiotas. Sempre com seus empregos”

“Um povo que não ama e não preserva suas formas de expressão mais autênticas jamais será um povo livre.”

“Não faço teatro para o povo, mas o faço em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só para isso faço teatro”

“Nenhum tesouro está seguro em seus cofres, quando um pai escuta o filho chorando de fome.”

“Teatro só faz sentido quando o palco é uma tribuna livre, onde se possa discutir até as últimas consequências os problemas do homem.”

“Porém (e sempre tem um porém), o que quero dizer e o que pesa na balança...nos estreitos, esquisitos e escamosos caminho do roçado do bom Deus, onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos...o povão só berra da geral sem nunca influir no resultado.”

"Os males de que padece o ser humano, em seu maior número, vêm dele mesmo."

Quer ter Vida Longa? Arranje Uma Doença Crônica

diabetis Quer ter Vida Longa? Arranje Uma Doença Crônica

Alimentação controlada previne o diabetes

Quando soube que estava diabético não comemorei, mas essa doença crônica leva-me a prestar muito mais atenção à saúde e a ter uma vida de melhor qualidade, com exames gerais periódicos, exercícios e dietas.

Uma permanente vigilância sobre as minhas condições físicas e psíquicas, por isso o cruel  título do post.

O programa "Domingo Espetacular" de ontem abordou o tema do diabetes.

Muito bem abordado por sinal, sobretudo desfazendo mitos e proclamando verdades sobre a síndrome.

Emocionei-me com o menino Mateus, menino pobre da periferia que lida com o diabetes com a maior seriedade e responsabilidade.

Durante esses anos percebi que as crianças são muito mais responsáveis com o tratamento e controle que nós adultos.

Sempre me emociona ver uma criança de seis, sete anos, pegando sua seringa e aplicando sua insulina. Um exemplo de disciplina e cuidados próprios.

Com o Rodrigo, o rapaz que ficou cego aos 16 anos porque não controlou o diabetes, eu já havia me emocionado quando gravamos o programa.

Mas registro que boa parte dos diabéticos é teimosa em aceitar o tratamento, é teimosa em aceitar que ser diabético não é nenhuma vergonha.

Eles fecham-se em si mesmos e acham que podem de forma onipotente, sem medicamentos, derrotar a síndrome. Os resultados sempre são trágicos.

A falta de medicamentos regularmente nos Postos de Saúde é fato, sim. Não sei por que isso acontece. Mas acontece. Às vezes, tem um medicamento, mas não tem o outro.

Pra quem tem horários variados como eu pode  voltar várias vezes até encontrar. Mas para quem trabalha em horários comerciais e rígidos é um problema e a pessoa acaba não se cuidando.

E, por fim, mas não o derradeiro: os alimentos diets são muito, mas muito mais caros que os comuns. Às vezes, 200, 300% mais caros que os comuns. Isso dificulta a dieta, sobretudo das camadas mais carentes da população.

No mais, agradeço a todos os colegas que trabalham comigo e que quando chega na hora das refeições ficam  me policiando.

Pena que não entendam muito da minha dieta e chegam, às vezes, a me proibir de comer ovos porque teriam colesterol, o que não tem nada a ver com diabetes. Rsrsrs.

Mas agradeço e divirto-me com  o carinho deles.

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