Ainda Se Brinca de Polícia e Ladrão?

pol2 Ainda Se Brinca de Polícia e Ladrão?

 

Será que realmente evoluímos em exercício da cidadania quando se trata das relações entre a Polícia e o Cidadão?

(Não estou me reportando à tradicional repressão da PM contra manifestantes desde tempos imperiais).

Quando bem jovem havia no Rio um delegado chamado Padilha. Havia também uma moda de calça de boca fina para os homens.

Mas ele não gostava disso. Então ele saía em patrulha, parava os homens, e fazia descer um limão pela perna da calça. Se não passasse na ponta o sujeito ia preso por maus costumes.

Mais tarde,o Ano era 1967. Ditadura Militar. A Polícia Civil do Rio tinha uma excrecência chamada Invernada de Olaria. Uma prisão comum para onde iam todos os presos comuns até a triagem definitiva.

Era o absurdo da arbitrariedade. Voltava eu da casa de um amigo para a minha a poucas quadras de distância, na então pacata Ilha do Governador.

Voltava a pé. Onze da noite. Parado pela Polícia.

-"Documentos!"

Resolveu por si a Polícia Civil  que todo maior de idade tinha que portar consigo  carteira de trabalho e assinada, senão: Invernada nele.

Apresentei a carteira, mas sem assinatura ou emprego.

- "Não trabalha? "

- "Não senhor."

- Por quê?"

O que é que um rapaz de 19 anos, estudante, sozinho na rua, sem testemunhas,  responde a um gorila desses? Como eu era bem magrinho, não pegava sol, e tinha uma vasta cabeleira, respondi quase sussurrando a mentira que soou como verdade:

- "Sou tuberculoso".

Passagem livre na hora, afastaram-se temerosos de pegar a doença.

E hoje? Como é nas comunidades? Como é com o povo humilde nas ruas , nas "quebradas" como se diz?

Cinquenta anos depois evoluímos nesta relação cidadã?

O que você acha?

Você Já Viu Um Disco Voador?

 

et Você Já Viu Um Disco Voador?

Em dezembro ETs ainda devem estar pelas ruas gritando isso (risos)

 

Hoje é comemorado o Dia Mundial dos Discos Voadores.

Parece-me que Disco Voador é uma coisa e OVNI é outra, segundo especialistas.

Pra mim pouco importa: tenha a forma de disco ou charuto, iluminado ou  apagado, sendo algo  estranho no  céu pra mim é Disco Voador.

Eu jamais vi um Disco Voador. Claro que não passo os dias olhando pro céu pra ver se vejo algum. Por dois motivos: um baita torcicolo que eu ganharia, e segundo,  os tropeços e topadas que daria ao caminhar sem olhar onde piso.

Mas acredito. Não nas histórias malucas contadas por senhoras neuróticas dos EEUU nos programas do Discovery.

Menos ainda nos rancheiros barrigudos que acompanham esssas senhoras.

Estudei e morei anos em Varginha. Também não creio que seja a cidade certa pra ETs aparecerem por lá. se fosse em Eloi Mendes pra matar mutuca, ou em Machado pra comer marolo até acreditaria...mas em Varginha...never!!!

Minha mulher disse que já viu, uma vez, uma gigantesca  bola de ouro pousada na beira da estrada, de dia, no sudoeste da Bahia.

Pessoalmente acho que era o morro errado. (risos)

Também acho que uma noite fui abduzido por um casal de baixinhos que me levaram do meu quarto, voando  pela janela,   a ver um lindo nascer do sol em um lugar alhures, mas acho que devia ser propaganda da Coca Cola.

Brincadeiras à parte e fatos realmente ocorridos o fato é que pergunto-me : porque não haveria outras civilização em outros planetas?

Claro que existem. Se eles nos visitam ou não, é outro papo.

Até lá vou convivendo aqui na Terra com gente mais estranha que qualquer visitante de outra galáxia.

Por exemplo: essa turma que até hoje insiste em correr pelas ruas gritando "Não Vai ter Copa" não seriam ETs perdidos da nave mãe? (risos)

Garfaram Mesmo o Paulinho Gogó?

gogo2 Garfaram Mesmo o Paulinho Gogó?

Manfrini tirou de letra e com bom humor

 

Meu amigo Maurício Manfrini, o Paulinho Gogó, excelente cômico popular, veio a público esta semana para no seu tuiter digitar:""Agradeço ao Diretor do Zorra Total Maurício Sherman pela homenagem ao Paulinho Gogó no programa do Zorra de hoje. o Sherman é boa 'Praça'".

Nesta tuitada com muito bom humor ele relata que há no Zorra Total um personagem que seria imitação do dele.

Há dois meses o comediante Marcelo Médici fez a mesma denúncia do "Zorra Total" sobre o uso de um personagem similar ao "Sanderson", personagem que ele mesmo já fez em vários prpogramas. Inclusive no próprio "Zorra".

Essa "garfada" tem sido muito comum na área. Há tempos. Há quem diga inclusive que muitos dos textos de Shakespeare não eram dele, e sim "roubados" de outros autores da época.

Eu, ingênuo, novo ainda na profissao, achava que isso não acontecia. Até que aconteceu comigo, não uma, mas diversas vezes.

A primeira vez estava em cartaz no Teatro Delfin, no Rio, com um show de humor. E a cada domingo uma piada não "pegava", o público que rira tanto dela no domingo anterior, naquele não ria.

Até que num domingo, ao final um espectador disse-me: " - Aquela piada que o sr. contou eu ouvi em casa  antes de vir para o  teatro, nos "Trapalhões".

Alguém, não posso saber quem, foi ver meu show, catou as piadas que  lhe interessava e a cada domingo usava uma nos "Trapalhões". É  a tal ética de que "piada não tem dono".  Parecia  ao público que eu é que havia pegado a piada deles.

Há poucos anos montei com meu grupo e com  relativo sucesso no Rio o a peça "Viva o Cordel Encantado". Foi o suficiente para que em seguida a Globo lançasse a novela "Cordel Encantado", e pra cúmulo do bom humor com a personagem da Claudia Ohana chamada de "Benvinda".

Procurei a advogada ( O Grupo Cordel do Fogo Encantado já havia feito o mesmo)  que me disse que não há plágio em títulos, desde que o conteúdo seja diferente.  Ficou por isso mesmo.

Há alguns anos traduzi e adaptei um Moliére para teatro. Montamos, e foi um sucesso. Passado uns tempos o produtor remontou  com outro elenco o meu texto mas assinando como  autor e adaptador um dos maiores  dramaturgos de comédia do Brasil.

A muito custo consegui que o renomado autor reconhecesse como meu o texto registrado na Biblioteca Nacional em meu nome, e pudesse eu receber meus direitos.

Depois o mesmo produtor -  falecido o renomado  autor - remontou com uma senhora,  já ida nos anos,  atriz e diretora assinando a autoria e adaptação do mesmo texto.

Procurei a advogada e ela me disse que eu poderia até ganhar a causa, mas levaria tantos anos na Justiça que no final eu ganharia mas não levaria.

Houve até o caso - este eu considro o auge da malandragem - de um outro grande redator de humor também já falecido,   a quem encomendei que me escrevesse um show e tres dias depois ele me entreou o texto pronto. Surpresa quando descobri que era o texto de um show que eu havia feuito 5 anlos antes.

Desde a Constituição Cidadã de 1988 os Direitos de Autor passaram da esfera da Polícia Federal para a Justiça Cível. Ou seja: você pode processar mas leva tanto tempo e tantos gastos e ao final o réu pode não ter nem bens para penhorar ou com que pagar.

Então amados, é assim que funciona um lado do negócio de shows, o show business.

Isso pra não falarmos do Canal Viva, que não paga a ninguém  nenhum centavo pelas reprises do que apresenta diariamente na TV paga.

Mas este assunto já está longo demais... vale maior agilidade da Justiça e uma discussão Legislativa.

O Fim do Mundo em Esmeraldas – MG

 

 

apocalipse O Fim do Mundo em Esmeraldas   MG

Creio que já trocaram a fiação da pracinha ...(risos)

 

Naquele ano eu estava morando em Esmeraldas, MG. Tinha 9 anos e meu pai havia saído do Rio para montar uma Copoperativa Leiteira na cidade.

Naquele tempo levava-se duas horas de viagem de BH a Esmeraldas, numa marinete, por estrada  de paralelepípedo até Betim e depois de barro até a cidade.

Uma cooperativa leiteira...nunca mais voltei lá.

Dizem-me que Esmeraldas favelizou-se, vulgarizou-se e virou subúrbio de BH. Não acredito, porém jamais tive coragem de voltar lá pra ver. Prefiro guardá-la na memória da  infância.

Estudava no Grupo Escolar Barão ou Visconde  de qualquer coisa, o único. E morava num quarto da única pensão da cidade, com meu pai e  minha mãe.

A cidade era nada. Uma pracinha. Uma igreja católica velha e uma novíssima sendo construída, qua não ficava pronta nunca.  E um cinema.

Um povo católico, mas daqueles bem superticiosos como só mineiros sabem ser. Para eles, nas conversas das calçadas, o  Apocalipse estava bem ali na esquina, poderia acontecer enquanto se tirava leite de uma vaca, ou quando chupávamos laranjas na pracinha.

De repente, uma tempestade! Raios. Chuva. Umidade. Fios velhos nos postes e começou o curto circuito.

Faíscas corriam a fiação e estalavam como chicotes celestes em volta da praça. E não parava: fogo e estalos de chicotes. Eu que nunca tinha ouvido  -  nem hoje -  chicotes celestes pensei:  Só pode ser o tal do  Apocalipse de que tanto falavam.

Eu, aos berros corri pra dentro da pensão, e em pânico agarrava minha mãe, gritando que havia chegado o Fim do Mundo.

Foi um custo para acalmar-me.

E não estava errado: naquele momento da História, considerando a marinete velha, a estrada de barro, e a fiação podre,  realmente Esmeraldas era o fim do mundo.

Fico pensando nessas palavras: quando eu era criança pensava como criança e agia como criança...

Como o Mundo ainda não se acabou, talvez agora adulto eu revisite Esmeraldas.

Pelas fotos que vi é outra cidade. Mas  eu também já não sou mais o mesmo.

Você Sabe Quem Foi Antonio Gonçalves Sobral?

 

 

nelson2 Você Sabe Quem Foi Antonio Gonçalves Sobral?

O inesquecível Nelson

 

Pois é, perguntado assim acredito que pouquíssimas  pessoas saibam quem foi o cidadão Antonio Gonçalves Sobral.

Pois acertou quem respondeu: Nelson Gonçalves.

Uma das maiores vozes brasileiras. Vendeu em sua carreira mais de 80.000.000 de discos.

Considerando a proporção entre os anos,  hoje seria em torno de 160.000.000 de discos.

Foi o  cantor da boemia, de todos os que varavam a noite em serestas, ou em cantorias regadas a muita cerveja e petiscos.

Uma voz de ouro. " A Volta do Boemio" foi um dos seus maiores sucessos.

Quando criança, era levado para praças e feiras pelo seu pai, que precisava sustentar a família, e para isso, além de fazer outros serviços, fingia-se de cego e tocava violino, enquanto Nelson cantava, agradando os transeuntes e ganhando gorjetas

Foi lutador de boxe, e tinha o apelido de "Metralha", porque era gago.

O grande Ary Barroso num de seus programas de calouros chegou a aconselha-lo a desitir da carreira de cantor.

Nelson persisitiu e gravou em 1941 um disco de 78 rotações  que foi se primeiro sucesso.
Viciou-se  em cocaína, em 1958. Foi preso em flagrante em 1965 por porte de drogas, e passou um mês na Casa de Detenção, o que lhe trouxe problemas pessoais e profissionais.

Após sair da cadeia e diminuir o uso de drogas, voltou a lançar o disco A Volta do Boêmio nº1, um grande sucesso.

Após poucos anos, abandonou de vez o vício, sempre com o apoio de sua mulher, Maria Luiza. Totalmente recuperado, retomou sua carreira, cada vez mais bem sucedida.

Nascido na data de hoje 1m 1919 faleceu de enfarto do miocárdio em 1998.

Além de "A Volta do Bomeio" ( de Adelino Moreira) é bom relembrar outros títulos de sucesso de Nelson Gonçalves entre as 335  músicas que ggravou:Maria Bethânia (Capiba); Normalista (Benedito Lacerda / Davi Nasser); Caminhemos (Herivelto Martins); Renúncia (Roberto Martins / Mário Rossi) ;  Última Seresta (Adelino Moreira / Sebastião Santana), Meu Vício É Você (de Adelino Moreira).

Memória da Infância: Os Falsos Moralistas

bponde Memória da Infância: Os Falsos Moralistas

Andar no estribo era coisa para machos...

 

As novas gerações nem sequer imaginam, mas nós mais velhos viemos de um tempo tão careta...tão conservador...e ao mesmo tempo muito hipócrita, lembrando-me a letra musical de Nelson Sargento que cita o "falso moralista".

A coisa era tão careta que escolas católicas não aceitavam alunos cujos pais fossem separados.

Pior ainda: as famílias não admitiam que seus filhos fossem amigos de filhos de pais desquitados, sequer que fossem às suas casas.

Falava-se à voz baixa na passagem de alguma senhora - "Ela é desquitada."  Divórcio? Nem pensar! Era coisa de americano. No Brasil só veio a ser Lei em 1977.

Até então, para os abastados,  desquitava-se no Brasil e casava-se no Uruguai.

Mas na casa ao lado da nossa , na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, morava uma mulher desquitada.

O ano era 1958. Tinha eu 11 anos. A mulher - que chamarei de Aglace - vivia muito bem com seu novo companheiro e seus dois filhos: uma mocinha de 12 anos e um jovem de 14.

Mas minha mãe sequer deixava-me aproximar da soleira da porta deles. Tinha que conversar com os filhos dela por cima do muro do quintal, quando minha mãe não estava em casa, ou quando a gente se encontrava na calçada.

Toda esta precaução cercava  a casa da desquitada de uma aura de mistério, de luxúria, de marginalidade que só existia na imaginação dos caretas, e eu, saindo da latência nem imaginava o por quê do clima.

Porém o mais interessante é que Aglace era realmente uma mulher á frente do seu tempo: havia o bonde da Ilha. Um bonde que fazia o trajeto entre os bairros praieiros da bucólica Ilha.

Era atributo masculino e sinônimo de virilidade pegar ou saltar do bonde andando. Para nós, meninos, era um rito de inciação à adolescência. Atributo masculino, mas não para Aglace.

Como se já não bastasse ser desquitada e fumar ela saltava do bonde andando!!!

Sabíamos que ela estava chegando em casa pois ouvíamos o grito de todos os passageiros -  uma mistura de vaia e aplausos: era Aglace pulando como um moleque do bonde em alta velocidade.

Também sabíamos que ela estava saindo, pois os mesmos gritos se repetiam quando ela agarrava-se  a um balaustre e pulava ao estribo, e tudo fazia com o cigarro na boca, para horror das senhoras falsas moralistas e dos homens machistas de sempre.

Não sei se Aglace ainda está viva, mas tenho certeza de que venceu todos os preconceitos e viveu feliz com seu companheiro e seus filhos até sempre.

Drogas? Tou Fora!

 

drogas2 Drogas? Tou Fora!

Isto é morte não é vida

 

Hoje começa oficialmente a Semana Nacional Antidrogas.

Junto-me a esta Semana, pois no correr da vida pude observar o estrago que as drogas em geral fizeram em muitos amigos, conhecidos, e em famílias próximas.

Mas quando posiciono-me contra as drogas e à manipulação química para cada vez mais produzirem drogas e drogas mais potentes  que levem à alteração da consciêmca e á depéndência química, incluo o álcool entre as drogas. Não posso em sã consciência ater-me apenas ao crack, à cocaína...

Vi famílias serem destruídas pelo álcool. Vi um amigo meu morrer ainda jovem de cirrose hepática por causa do álcool. Vi muitas vilolências ocorrerem sob o efeito do álcool. Muitas m0rtes no trânsito...E por aí vai.

A luta contra as drogas ilícitas (O álcool é legalmente lícito) é uma luta árdua, um trabalho quase insano, pois o poder dos traficantes, e dos grandes cartéis produtores tem raízes profundas e traz lucros gigantescos.

Sção os jovens, sobretudo os adolescetes em seus  momentos de transição quem mais são afetados.

Lembram-me pinóquios, que na ingenuidade são levados ao "mundo maravilhoso do desumano e explorador  Stromboli pelos "amigos raposos ".

O tratamento dos viciados em drogas é antes de tudo um tabalho de doação que envolve a família,médicos, terapeutas, e amigos.

A Semana Nacional Antidrogas é um ato de amor.

Junte-se você também, de alguma forma ao combate às drogas e ao apoio psicológico e social àqueles que o vício enlaça.

Nem Freud Explica: Ronaldo Perdeu a Vergonha E Agora é Só Alegria

ronaldo3 Nem Freud Explica: Ronaldo Perdeu a Vergonha E  Agora é Só Alegria

 

Nem Freud explica

Acredito que sómente Pavlov, o psiquiatra russo ( o tal dos reflexos condicionados, ) se vivo fosse poderia explicar a ambiguidade em que se move o ex-jogador e hoje comentarista esportivo da Globo., Ronaldo, um fenômeno.

Ora o rapaz é responsável pela Copa no Brasil e elogia a Copa e rebate os que protestavam contra a Copa.

Depois entra numa outra vibe e declara que sente vergonha do Brasil, porque nada ficou pronto e o Mundo vai falar mal de tudo na Copa.

Agora muda de vibe e declara que a Copa está linda,que tudo está indo muito bem e que só vê alegria em todos.

Entre distinguir o que é quadrado e o que é redondo a cabecinha desse fenômeno gira e se estivesse  numa experiencia de Pavlov  ora correria  para o abraço, ora correria pro choque elétrico, até ficar parado babando , confuso, e traumatizado.

Teria essa suposta "síndrome"  de ambiguidade a responsável  tal crise nervosa da copa de 98?

Essa ambiguidade parece que acontece amiúde.

Aconteceu até quando teve que distinguir entre rabos de  saia,  e saia fora de rabudas.

Talvez  essa ambiguidade o leve a ver a Brasuca ora redonda, ora quadrada.

 

35 Anos Sem Procópio Ferreira

 

Procopio Gravura de J. Maia 35 Anos Sem Procópio Ferreira

Procópio em gravura de J.Maia

 

"Um teatro vazio é como se a vida fosse ontem".

Estas palavras são do grande ator brasileiro Procópio Ferreira.

Procópio tinha uma magia própria. O que muitos chamam de carisma, ou seja : o dom.

Feio, baixinho, narigudo, mas elegantíssimo, uma voz perfeita, e um charme que apesar de sua extrema feiura encantava as mulheres.

E não foram poucas as mulheres em sua vida.

Casamentos teve três. Com seis filhos.

Mas...paixões, foram dezenas.

procopio1 35 Anos Sem Procópio Ferreira

Procópio mantinha no seu apartamento na Zona Sul do Rio um Bar, onde todas as noites após o espetáculo recebia os amigos para beberem e se divertirem.

Foi também Procópio quem disse: "- Em teatro não existe papel pequeno. Existe ator pequeno que não sabe fazer crescer um papel."

Em 62 anos de carreira, Procópio interpretou mais de 500 personagens em 427 peças.

Um de seus maiores sucessos teatrais foi a peça "Deus lhe Pague" de Joracy Camargo, escrita na década de 30 e que pela primeira vez no Brasil buscava-se uma dramaturgia  com ideologia socialista.

Procópio já nos anos finais da sua vida arrastou esta peça pelo Brasil à fora , sempre com muito sucesso. Curioso é que a peça tem originalmente mais de 30 atores. Ele conseguia levaá-la em cena com apenas ele e mais um outro ator.

Como cenário, apenas uma cruz de madeira que ele mandava fazer quando chegava nas cidades e que simbolizaria a porta de uma igreja.

Tive oportunidade de assistir Procópio tres vezes:uma no cinema em "O HOmem dos Papagaios";  uma na TV, em "Esta Noite Choveu Prata" - um monólogo, e  outra já no fim da sua vida em "O Avarento" de Moliére, onde ele já quase  não mais andava em cena. Passava a pça sentado, mas nem por isso com menos sucesso.

No centenário do seu nascimento tive a honra de interpretar o papel de Procópio em "Deus Lhe Pague", com direção de Paulo Afonso de Lima e Supervisão dd Bibi Ferreira, sua filha.

Hoje fazem 35 anos da sua morte. Fumava muito, o enfizema pulmonar já havia lhe tirado muito do fôlego, a pneumonia tirou-lhe a vida, mas não lhe tirou o título de ser um dos maiores atores brasileiros.

proc 35 Anos Sem Procópio Ferreira

Eu, em "Deus Lhe Pague" - Rio/SP - 1999

Eu e Meu Marido Casamos Pelo DETRAN

gays Eu e Meu Marido Casamos Pelo DETRAN

 

Li no noticiário que para provar  o descaso de alguns juízes que sequer leem os autos um advogado anexou a um processo uma receita de pamonha. Que foi deferida. (risos.)

Aí lembrei-me do dia em que me casei no  DETRAN/RJ com um dos meus melhores amigos, Amaury Severino, um severo macho com uma barba espessa e cento e trinta quilos de peso (risos).

Explico: há muitos anos atrás, muito antes da União Civil Estável, ou do chamado Casamento gay, eu comprei um carro, mas não lembro mais por qual razão registrei no nome do Amaury.

No ano seguinte resolvi passar o carro para o meu nome.  Amaury havia morado por esse tempo no Recife e voltara a morar no Rio.

Então fomos os dois ao DETRAN para fazer a vistoria e transferir os documentos.

Depois de muito papo burocrático, de muitas exigências cumpridas e compridas fomos informados que  não era possível terminar o procedimento, pois Amaury tinha que provar que morava no Rio, e como fazia muito pouco tempo que ele havia voltado do Recife nem conta de luz no seu nome ele possuía ainda.

Tinha outras provas de moradia , mas o DETRAN só aceita luz, gaz ou telefone fixo.

A menos que... "- A menos o quê?" perguntei ao atendente, um burocrata que já estava me enchendo as medidas.

" -A menos que o senhor assine uma declaração de que ele reside na sua casa. Aí vale!"

Santa solução! Saímos os dois, ávidos,  buscando uma máquina de escrever ( pra verem há quanto tempo foi isso ) encontrada a máquina, papel posto, lasquei lá só de sacanagem:

"Declaro que o sr. "Amaury Severino", brasileiro, CPF tal,  etc.  etc. reside na minha casa já há mais de oito anos vitso que mantemos uma relação conjugal e estamos apenas no aguardo da aprovação do Projeto de Lei da Senadora Martha Suplicy para oficializarmos a nossa união."

Datei, assinei, na maior cara de pau,  - os dois moleques velhos  rindo muito por dentro  - e entregamos no balcão do DETRAN.

O funcionário nem leu. Carimbou: "de acordo". E para nossa completa diversão,  arquivou.

Às gargalhadas voltamos pra casa, encontramos nosas esposas que nos aguardavam e dissemos a elas: - Casamos!!!

Elas não entendiam nada  e a gente só fazia rir. Pois com isso, muito antes de qualquer legalização de união homoafetiva o DETRAN/RJ oficializou o nosso casamento , meu e de Amaury,  há quase 20  anos.

Com muito bom humor podemos dizer que somos os pioneiros do casamento gay no Brasil.

Toda vez que nos encontramos damos boas risadas dessa situação, imaginando que em algum arquivo do DETRAN está a nossa ""certidão de casamento" com as armas do Estado do Rio e carimbo oficial. (risos e mais risos).

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