O Humor e as Provocações de Antonio Abujamra

abu O Humor e as Provocações de Antonio Abujamra

 

Tive o prazer de dividir diversos momentos da minha vida com este que foi um dos maiores cérebros pensantes do teatro e da cultura brasileira: Antonio Abujamra.

Seu humor era ácido, ser  provocativo e sarcástico era a a sua marca principal. Era um prazer divertir-se às custas dos exercícios mentais que nos propunha. Desafiava, instigava,  a nossa inteligência.

Para o anedotário teatral Abujamra   nunca fez sucesso de bilheteria em teatro, A maioria das peças que dirigiu ou atuou  foram fracassos, o que o levava a dizer:”             Quem quiser fracasso venha trabalhar comigo”. Este era seu humor, excelente humor.

Certa vez entrei num taxi e o motorista me disse que todos os artistas eram muito simpáticos, menos aquele que havia feito o Ravengar na tv.  Perguntei por que, e ele me disse que aquele homem de capa preta,  com cara de mau e sobrancelhas grossas  entrara no seu taxi e o taxista perguntara:

“ - Para onde vamos? “

“-Não interessa” ,   disse Abu.

“- Como não interessa:?”.

“Não lhe  interessa, não me faça perguntas tolas”.

“ - Aí eu pus ele pra fora do taxi. Muito mal educado.”

Eu imagino o quanto Abujamra deve ter rido o resto da sua vida desta provocação que fizera com o motorista,

Doutra feita, no enterro de uma atriz querida, a cova ficava no alto do cemitério, um calor carioca de 40 graus. Abu parou no meio da subida, suando dentro  de seu indefectível sobretudo preto, me chamou, sentamo-nos sobre a mármore de um tumulo desconhecido e sem a menor sem cerimônia, irreverente,  falava-me do cotidiano e das coisas mais  picantes da vida. Deve ter  servido de distração e quebrado a monotonia  eterna , tediosa, do morador  daquela  tumba.

Deixa lembranças e lições que o manterão vivo em nossas mentes e corações por todo o tempo.

Porquê Artistas Usam Óculos Escuros em Velórios e Enterros?

 

falabela Porquê Artistas Usam  Óculos Escuros em Velórios e Enterros?

Falabella e Claudia Gimenez no velório do jovem Rafael Mascarenhas

Como ator faz parte da minha profissão e processo criativo ser observador. É da observação do mundo e do próximo que vamos enchendo nossa canastra de referências para compor personagens.

Uma destas observações é que boa parte dos artistas, sobretudo as mulheres usam óculos escuros quando vão ao velório ou enterro de alguém.

Procuro entender o porquê desta prática.  Esconder olhos inchados pelo tamanho pranto derramado? Não creio alguns deles parte  eram íntimos dos falecidos.

Nos últimos dias os céus chamaram muitos de nós, e lá estavam os indefectíveis óculos escuros.

Seu uso será apenas por elegância? Também não posso crer.

Merchandising de óticas? Não creio que cheguemos a tanto.

Perguntei a uma colega porque os óculos escuros no velório de um outro e ela me disse que na verdade os óculos escuros nada tinham a ver com a luminosidade ou com lágrimas. Ela os usava como forma de intimidação: seu uso servia para inibir a aproximação de jornalistas e curiosos, uma espécie de “I Want to be alone”. É como se ela estivesse dizendo: “Respeitem-me, quero recolher-me dentro de mim mesmo neste momento”. Ao mesmo tempo em que passava uma imagem intimidatória. Como nossos carros, blindados e com os vidros escuros, como nossas casas com grades, muros altos e eletrificados, como nossos condomínios com seguranças, alarmes e circuitos de TV.

Ela não deixa de ter razão, artistas e celebridades  são muito assediados, sobretudo em ocasiões como essas.  E é fato: eu mesmo, durante o velório de meu pai, no auge do sucesso do "Bafo de bode"  vinham pessoas de outras salas para pedir autógrafos, mesmo estando eu aos prantos. Eu explicava que estava prantendo meu pai e elas diziam: "Mas é só um autógrafo, rapidinho." Hoje pediriam  selfies.

Talvez os óculos escuros os intimidassem e me permitissem prantear em paz.

 

Ser Caio Castro Não É Pra Qualquer Um

prattes Ser Caio Castro Não É Pra Qualquer Um

Guilherme Prates

Durante o intervalo de ensaios de “A Atriz”, comédia que farei no Teatro Leblon - Rio, converso com o jovem ator Guilherme Prates.  Ele é um dos coachs do elenco.  Vinte e Dois anos apenas. Mas já com experiência dramatúrgica, vale lembrar seu trabalho na novela “Vidas em Jogo” da Rede Record.

Hoje Guilherme cursa cinema na Estácio, e pela sua curiosidade sobre a vida, a arte e seu brilhantismo guardem este nome, pois o kid Guilherme tenho certeza será bem sucedido nas artes cênicas.

Em seu idealismo falava ele que um mundo justo passaria pela possibilidade de todos serem criativos, dos trabalhadores rurais aos latifundiários, dos operários os empresários... todos, todos serem levados por uma educação social que despertassem em todos o espírito criativo.

Foi quando lembrei a ele que a criatividade é um desejo latente, inconsciente, variante do transe e do orgasmo, um dom que explode apesar das correntes contrárias. E é um dom para poucos - como todos os dons - é um gift, um presente.

Afinal quem garante que maioria dos mortais deseja ser criativo? Que a maioria dos mortais pede como presente o dom da criação?

Criar é para poucos e para os loucos. Isto me lembra a passagem: “Deus criou os loucos para envergonhar os sábios”.

E posso afirmar que nem todo sábio é criativo, mas todo louco, com certeza, é sábio!

Ah, e o que o Caio Castro tem a ver com isso? Sei lá! Ou não?

Giuseppe Oristânio Subsitui Gracindo Jr. “Sempre o Teatro”

paser Giuseppe Oristânio Subsitui Gracindo Jr. Sempre o Teatro

Giuseppe como Paser em "Os Dez Mandamentos"

A peça “A Atriz” que abre o pano dia 30 próximo ( Teatro Leblon, Rio) em ensaios abertos, produção da Montenegro Raman,  passou por profundas renovações de seu elenco. Entre elas este ator que vos escreve.

Giuseppe Oristânio substitui agora  Mestre Gracindo Junior no papel de Paul, a paixão de Lydia Martin (Betty Faria). E não adianta os fofoqueiros d e plantão especularem sobre a saída de Gracindo. Foi uma decisão pessoal e muito particular que ele tomou. Nenhuma crise com elenco ou produção,  posso assegurar.

Mas o foco é o Giuseppe neste momento.  Representando o sacerdote Paser no sucesso tele dramatúrgico “Os Dez mandamentos”,  Giu foi chamado ás pressas para esta substituição e a resposta imediata dele sobre se aceitava fazer a peça foi “Sempre o teatro”. Isso porque gravar uma novela e ainda arranjar tempo para estar no palco de um teatro à noite é trabalho hercúleo.

A Record, ao contrário da práxis da platinada liberou Giu para fazer a peça. Não é a primeira vez. A paixão de Giuseppe pelo teatro é tamanha que muitas vezes ele saía de Guaratiba, em garupa de motoboy, na chuva, à noite para chegar a tempo no teatro, em apresentações. E o melhor: Giu faz tudo isso sem perda da qualidade de seus personagens, quer na tv quer no teatro.

Para os jovens atores que agora começam na profissão: esta postura de Giusepe chama-se VOCAÇÃO, sem ela,  por mais bonitinhos que sejam os jovens atores, não irão longe, nem pegando carona com motoboy.

 

 

Jô Soares em Cadeira de Rodas

24abr2015 jo soares embarca de cadeira de rodas no aeroporto santos dumont no rio de janeiro 1429904707322 615x300 Jô Soares em Cadeira de Rodas

Vejo a foto de Jô Soares sendo levado de cadeira de rodas para embarcar num voo comercial, porque a dor ciática o impediu de caminhar por si só.

Sandra Pera, a colega e atriz, uma vez me disse: “Depois dos 50 Anos o dia em que você acordar sem dor é porque está morto”.

E é fato verdade verdadeiro. Olho em torno os colegas de mais de sessenta, como eu, e todos, todos sem exceção cultivam com carinho uma doença crônica. NO meu caso, o diabetes.

Há um axioma budista que é a mais pura lógica e sabedoria: “São quatro sofrimentos nesta vida: nascimento, velhice, doença e morte. Deles ninguém escapa”. A menos que não se ganhe a bênção de vida longa.

E não adianta nada essa papagaiada de sem glúten, com glúten; sem açúcar, com mascavo; sem sódio, com potássio; óleo de salmão ou vitamina batida de couve com casca de maracujá. A encarnação – somos de carne, mortais e vulneráveis – leva inevitavelmente aos quatro sofrimentos citados. Por mais que você se esfole numa academia ou que se entupa de complementos e filosofias da moda.

Sabedoria é passar por eles com humildade, submissão e bom humor.

Sabrina Sato É Um Show de Simpatia

sato1 Sabrina Sato É Um Show de Simpatia

 

Um desses sábados sobrou-me tempo de lazer e pus-me a assistir ao programa de Sabrina Sato.

Embora trabalhemos na mesma emissora apenas uma vez nos encontramos, num evento, já que ela trabalha em São Paulo e eu, no Rio.

Distraí-me bastante com o programa, mas, sobretudo fiquei encantado com o carisma de Sabrina. Ela possui uma qualidade que ganhou minha admiração: a autenticidade.  Não senti e não sinto nenhuma desfaçatez ou dissimulação no seu jeito de ser. Sua simplicidade e simpatia a tornam a mesma em essência, na vida e na performance televisiva.

Uma comunicação direta e simpática com o povão, que nas ruas se identifica de imediato com o seu jeito popular e alegre.

“Ela é o que é.” Diz minha mulher e arremata ”Não é uma invenção!” Concordo com minha esposa e entendo o que ela quis dizer: Sabrina possui uma simpatia que veste nela a roupa do povo para o qual ela se apresenta. Espontânea e alegre, vivaz e autêntica ganhou fãs na minha casa e nesse caminho vai ganhando a simpatia das famílias do Brasil inteiro.

Hoje tirarei um tempo para rever na telinha a beleza e o dom de Sabrina.

 

Os Bons e Os Péssimos Bastidores de Um Espetáculo

bastidores 1024x768 Os Bons e Os Péssimos Bastidores de Um Espetáculo

Os bastidores, onde passamos parte da nossa vida.

 

Outro dia escrevi aqui a palavra “bastidores” referente à parte atrás e ao lado do palco de um teatro.

Mas para os profissionais de teatro , quando falamos de “bastidores” (ou "coxias") não falamos  apenas do espaço físico, mas, sobretudo o clima reinante no espaço que rodeia o palco. O lugar das sombras atrás da cena.

Eu sempre digo que o que se vê em cena é apenas a ponta do iceberg.  Há um universo muito maior oculto ao público. E neste universo estão os bastidores. E é nestes bastidores que ficam reunidos todos os atores durante um espetáculo, cada um aguardando sua entrada em cena e a saída de outros. Ali é a "muvuca!" de um espetáculo.

Ter um clima de harmonia e de paz, de alegria e confraternização, de lúdica concentração nos bastidores é o que a gente chama de “um bom bastidor”.

E isto se dá devido aos colegas com quem trabalhamos: “Fulano é um ótimo bastidor”. Ou: “Fulano é um péssimo bastidor”. O que no último caso diminui em muito as chances contratuais do fulano em questão, já que basta uma maçã podre para por perdê-la todas as outras.

Nestes dias estamos nos ensaios finais da peça “A Atriz” com estreia prevista para o Teatro Leblon, Rio, e posso dizer que estamos com muito bom “bastidor”, o que é sobretudo sinal de que teremos um espetáculo harmonioso, e com isso metade do caminho para o sucesso já garantido.

“A Boca Fala do Que o Coração Está Cheio”

boca A Boca Fala do Que o Coração Está Cheio

 

Acredito na existência de um plano espiritual além da matéria.  Ao tempo em que afirmo a impossibilidade compreendermos o mistério divino.

Querer conhecer a Deus e compreendê-lo pertence ao mecanismo de através do conhecimento, deter informação e com ela exercer poder sobre o objeto ou sujeito em foco.

Querer conhecer a Deus leva ao perigoso terreno de querer determinar suas ações. Impossível. Penso que a Divindade é mistério para se sentir e não par4a se conhecer e dominar.

Também, neste raciocícnio , sinto que há no Universo forças negativas e positivas, o tal do Bem e o Mal, que Sartre disse certa vez que era “tudo igual”.

Não creio no que Sartre disse. Creio que há uma luta invisível, de poderes invisíveis em torno de nós que nos influenciam em nossos atos cotidianos. A escolha é nossa de que lado queremos estar.

Vou dar um exemplo: há pessoas que por suas bocas só passam palavras más, de inveja e depreciação. Palavras e pensamentos expressos em palavras e atos que denigrem, enxovalham depreciam, humilham, ofendem e agridem tudo e todos em volta.

E nem precisam ser palavras de baixo calão. São formas amargas de expressar os amargos e malévolos sentimentos que trazem em si. “A Boca fala do que o coração está cheio”.

São pessoas infelizes e que tentam espalhar infelicidade à sua volta. Não tenham piedade desse tipo de pessoas, tenham piedade de vocês mesmos e fujam do convívio com estas almas envenenadas. O veneno delas é letal para a alma.

 

Beleza Que Vem da Harmonia

 

lotus2 Beleza Que Vem da Harmonia

Shakespeare Nasceu e Morreu no Mesmo Dia

shake Shakespeare Nasceu e Morreu no Mesmo Dia

 

Hoje, 23 de abril, marca a morte e o nascimento do inglês William Shakespeare, um dos maiores dramaturgos de todos os tempos.

Curiosamente Shakespeare nasceu em 1564 e faleceu em 1616. Exatamente no dia em que completava 52 anos de idade.

Shakespeare foi um poeta e dramaturgo respeitado em sua própria época, mas sua reputação só viria a atingir o nível em que se encontra hoje no século XIX. Os românticos, especialmente, aclamaram a genialidade de Shakespeare, e os vitorianos idolatraram-no como um herói .

No século XX  sua obra foi adotada e redescoberta repetidamente por novos movimentos, tanto na academia e quanto no desempenho.. Suas peças permanecem extremamente populares hoje em dia e são estudadas, encenadas e reinterpretadas constantemente, em diversos contextos culturais e políticos, por todo o mundo.

Eu mesmo tive a oportunidade de assistir na França a um “Hamlet” produzido no Iran, e falado na língua persa por atores iranianos. Foi fantástico perceber a universalidade da sua obra.