Hoje é Aniversário da Cidade da Bahia”

amaralina Hoje é Aniversário da Cidade da Bahia

Saudades de Amaralina, onde vivi.

Hoje é aniversário da "Cidade da Bahia", Salvador, da qual tenho a honra e orgulho de ser Cidadão.

Fundada em 29 de março de 1549 é  a mais antiga cidade brasileira, e tem como símbolo, embora pouca gente o saiba, a pomba.

Pomba branca da Paz.

Por quinze anos vivi em Salvador. Foi a Cidade que me deu régua e compasso durante os anos de chumbo da Ditadura Militar.

Deu-me minha mulher Doia, família e netos queridos.

Deu-me tantas coisas que precisaria de muitos posts para relembrar todos os ganhos.

Deu-me sobretudo a cidadania soteropolitana.

Saudades de Carybé, Mario cravo, Maestro Carlos Lacerda, Luis Jasmim, Major Cosme de Farias, João Augusto, Nilda Spencer, Jorge, o Amado, e tantos outros que a Cidade acolheu para a Eternidade.

Hoje, Salvador que salva a dor de tanta gente com seu povo alegre e sua harmoniosa natureza, abraço-te como te abraça a Baía de Todos os Santos.

E posso de cátedra recitar Gregório de Mattos:

- "Para os estrangeiros madre..." pois foi assim, com amor maternal que me acolhestes e me educastes para a vida.

 

“O Princípio da Sabedoria É Adquiri-la”

 

edson O Princípio da Sabedoria É Adquiri la

Ali estava eu há 45 anos atrás.

O tempo passa...há 45 anos atrás, na data de 27 de março de 1968,  voltava eu de Vitória , do Espírito Santo, quando ao chegar no Rio deparei-me com a notícia do assassinato do estudante Edson Luís no Restaurante Universitário do Calabouço.

Um tiro disparado por um anônimo soldado da PM carioca iria detonar amplo movimento popular contra a Ditadura.

"Mataram um estudante" era a palavra gritada por todo o Rio.

Um jovem pobre, de Belém do Pará, que tinha vindo estudar no Sul, e que sequer estava envolvido no Movimento estudantil.

Mas seu corpo ensanguentado foi levado para a Câmara Municipal na Cinelândia e dezenas de milhares de pessoas se concentraram ali em seu velório até o dia 28, num protesto contra o assassinato.

E lá estava eu, um jovem de 20 anos, coração quente comandando a cabeça. Idealista. Revoltado com a violência institucional.

Hoje, passado o tempo eu me pergunto: que fim levou a família deste jovem Edson Luís? Como vivem seus irmãos e primos, etc. etc.? Seus pais ainda estariam vivos?

Uma vez usado o cadáver insepulto para a mobilização contra o Regime Militar, passado o tempo, o que ficou disto?

Porque da morte de Edson passamos à passeta dos cem mil e dali ao AI-5 e à radicalização dos militares,dali em diante à luta armada,  mas a democracia só seria conquistada bem mais tarde, por racionais articulações políticas,  de forma pacífica e num contexto econômico bem diferente no País.

Faço hoje esta re/visão  para homenagear a memória daquele estudante pobre de Belém do Pará, mas também para na maturidade perceber como a emoção nos cega, e que ela não é o melhor caminho para a solução dos problemas.

Emoção e Sabedoria não caminham juntas.

Mas será que é preciso o passar dos anos para se compreender isto?

 

Camelô é Coisa Muito Antiga

devretcópia1 Camelô é Coisa Muito Antiga

Nesta gravura de Debret o comércio ambulante do Rio

Você sabia que o comércio de ambulantes no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, sede da Corte, está regulamentado e oficializado desde 1810?

Pois é, desde antes desta data , e mesmo com a regulamentação de 1810 nenhuma administração consegue por ordem nisso.

A perseguição aos ambulantes "ilegais" acontece em todas as cidades brasileiras.

Os ambulantes  cresceram no Rio de Janeiro com a chegada da Família Real e da Corte Portuguesa. Imaginem 15.000 pessoas aportando á Cidade que naquela época possuía apenas 9.000 escravos e pouco mais de 50.000 cidadãos livres. Um total de 60.000 almas.

Se corrigirmos com a atual população do Rio de hoje (em torno de 10.000.000 de  habitantes) os portugueses chegados seriam hoje 2.500.000 de pessoas. Imaginem o que provocaria tal chegança na vida do Rio de hoje?

Imediatamente a população de escravos pulou para 18.000 almas.  E os senhores para aumentar seus ganhos os colocavam vendendo de tudo nas ruas e vielas.

Iso provocou uma necessidade da regulamentação destes ambulantes.

Mas como a Corte reinava para Portugal, Brasil e  Algarves, o decreto de 1810 se por um lado regulamentava o Brasil,por outro lado afetava diretamente o comércio varejista lusitano além-mar.

Foram muitas marchas e contramarchas. O alvará permitia incusive que mulheres fossem ambulantes em tempos de guerra.

Mesmo após nossa Independência em 1822 o comércio varejista no Rio continuou tentando embargar o Alvará. Sem êxito. A Cidade crescia mais  e mais, e já era impossível controlar este comércio de rua.

Como acontece hoje em todo o Brasil, por mais que as Prefeituras os persigam e tentem regularizar com camelódromos, decretos e outros tantos o comércio ambulante é incontrolável.

O Alvará é datado de 27 de março de 1810. 113 anos atrás, e a situação hoje é a mesma...afinal, o comércio informal existe em todas as partes do Mundo.

Nova Orleans (EEUU) por exemplo foi construída a partir dos botins vendidos pelos piratas/camelôs para a população local que acorria aos pântanos para comprar como receptadores a mercadoria ilegal.

Quem nunca comprou alguma coisa num camelô que atire a primeira pedra!

Quando o O Rio Venceu Sarah Bernhardt

220px SarahBernhardt Quando o O Rio Venceu Sarah Bernhardt

A grande Sara Bernard (Sarah Bernhardt), uma das maiores atrizes de todos os tempos, nasceu em Paris em 1844.

Além de encantar a Europa com suas interpretações viajou em tournée por todo o mundo.

No Brasil esteve por 4 vezes. Duas vezes ainda no Império de Pedro II.  A última em 1905, quando apresentou-se no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e que representou o início de sua tragédia pessoal.

Tendo que pular de cima do cenário, numa cena em que jogava-se ao abismo, o contra-regra do Theatro esqueceu-se de colocar o colchão embaixo.

Ela saltou, direta ao chão, e quebrou a perna.

Durante dez anos ela padeceu deste acidente. A ferida nunca cicatrizou (seria ela diabética?) e finalmente em 1915 teve que amputar a perna.

Ainda assim, a diva continuou representando, imóvel em cena, até o ano de 1922,  quando quase  octogenária não teve mais forças para atuar.

Veio a falecer há exatos 90 anos atrás, em 26 de março de 1923.

Deve ter vivido todo o tempo com esta lembrança do Rio.

Penso que a Cidade Maravilhosa, no centenário da sua morte em 2023 deveria ter um monumento em sua homenagem.

Seria o mínimo que poderíamos fazer para reparar a perda que lhe trouxemos.

 

De Atores e Joanetes

crusoe De Atores e Joanetes

Pela capa do livro Sexta-Feira não tinha joanete no pé esquerdo. rsrsrs

 

Tenho um joanete. No pé esquerdo. Nome científico "Hálux Valgo".

Hereditário, mas também de anos de pratica de judô, usando muito o pé esquerdo para comandar o deslizamento no tatame.

Não dói, nunca doeu. Minha mãe tinha um joanete destes, embora ela não fosse judoca como eu.

Muita gente tem joanetes.

Eu ficava muito constrangido com o meu joanete.

Até o dia em que trocando de roupas no camarim, com um galã global de primeira grandeza, tesão das mulheres...comentei constrangido  ao tirar meu sapato:

- Tenho um joanete...

E ele me respondeu:

- O seu não é nada. Veja o meu.

...olhei para baixo e vi o joanete dele: imenso, protuberante, aquilo sim era  UM SENHOR JOANETE! Nãpo era um Hálux Valgo, era um Hálux Valgão!

Ficamos ali, dois veteranos medindo joantes, como adolescente medem outras partes...

E confesso, o dele me barrou!

Deste dia em diante acabou meu constrangimento, até porque depois disto encontrei uma outra atriz, muito mais veterana, a quem posso atribuir ser a campeã dos joanetes femininos, e quiçá de ambos os sexos.

Se os mitos podem ter joanetes, quem não pode te-los?

(Fecha o pano com risos protuberantes)

 

Agradecemos a Gentileza

gentil Agradecemos a Gentileza

Minha mulher Doia, como eu, já é considerada idosa.

E como eu, costuma usar o transporte público: ônibus, metrô,  etc..

Pessoalmente tenho prazer do transporte público: janelas amplas, posso ver a rua , as pessoas, a paisagem, as novas lojas e construções, e sobretudo os usos e costumes, o que muito me auxilia no trabalho criativo.

Claro que não somos obrigados pelo nosso dia-a-dia a tomar do transporte público em horários de pico, superlotado.

Mas o foco deste post é outro:o tratamento aos idosos.

As queixas de maus-tratos a idosos sucedem-se. No nosso caso sempre nos valemos da Lei e dos nossos direitos quando nenecssários.

Pois minha mulher hoje veio contar-me que tomou um ônibus deveras peculiar.

O motorista não era "o motorista", era "a motorista" e o trocador um homem corpulento, capaz de, por seu porte,  assustar pessoas.

Pois a motorista parou o ônibus esperou minha mulher entrar, passar pela roleta, enquanto  o trocador dizia:

- Olha , a senhora senta aqui, nessa cadeira, é melhor para a senhora e além disso é bom sentar-se porque se o ônibus arrancar a senhora  pode cair e se machucar

Indicou-lhe o lugar depois de ajudá-la a rodar a roleta, e o ônibus só saiu depois que ela estava sentada.

Doia, minha mulher, me disse emocionada com a gentileza que recebeu:

- Tamanha delicadeza até faz a gente voltar a acreditar que existe gente boa no mundo e que a Humanidade tem salvação.

Ao descer do ônibus Doia agradeceu ao trocador, que , na sua humildade não entendeu o agradecimento. E ela disse:

- Agradeço sua educação e gentileza comigo.

Desta vez quem surpreendeu-se foi o trocador ao ver na prática o dito: "Gentileza gera gentileza"

Ser Diabético é Muito Chato

formiga Ser Diabético é Muito Chato

Os antigos usavam as formigas para saber se uma pessoa estava diabética. Se juntasse formigas em volta da urina era sinal de açucar no sangue.

O Diabetes é uma doença que hoje acomete ao menos 10% da população brasileira, ou seja, no mínimo 20 milhões de pessoas.

Sou uma delas. É um fator genético, associado a tipos de vida como sedentarismo, dieta desregulada, etc. etc..

Dom Pedro II era diabético, e veio a falecer em função da doença antes dos 70 anos de idade.

Daquela época para hoje são imensos os avanços da Ciência nesta área.

A produção de insulinas associadas com outros fármacos tem controlado bastante o diabetes.

Mas não resolve.

Se querem saber, é muito chato ter que tomar este monte de remedinhos, e mais a insulina líquida.

Eu me pico pela manhã com um tipo que tem duração de 24h. E durante o dia torno a me picar com um outro tipo às refeições.

É muito chato. Mas o pior é que o tal controle acontece volta e meia. Mais meia que volta.

Qualquer coisa descontrola a glicose no sangue: aborrecimentos, estresse, infecções, gripes...como não viver sem isto no mundo moderno?

Sem contar que bastam apenas  três biscoitinhos de maizena comidos distraídamente, sem controle da glicose, pra provocar o descontrole.

Mas há uma grande vantagem na doença crônica: ela te mantém atento o tempo todo à sua saúde em geral. Você tem que estar sempre fazendo todos os exames e controlando  todas as suas taxas.

Já li , não lembro onde, um texto que dizia: "Queres ter uma vida longa e saudável? Arranja uma doença crônica."

 

As Graças da Profissão de Fazer Graça

brandao2 As Graças da Profissão de Fazer Graça

O Mestre Brandão Filho

Uma das coisas que me surpreendem até hoje na profissão de artista é trabalhar com aqueles que foram meus ídolos de infância.

Claro que a cada dia a infância fica mais longe e os ídolos daquele período  mais escassos.

Mas que deslumbramento foi para mim fazer o meu primeiro programa de humor na TV.

Foi na Rede Manchete. Em 1986. A Manchete mantinha dois proramas de humor semanais.

Do tipo "Balança Mas Não cai" etc..

E de repente lá estava eu trabalhando com  Costinha, José de Vaconcellos, Zé Bonitinho...

E mais deslumbrante ainda foi a  "Escolinha do Raimundo" na Globo. Aí foi além do que poderia supor:

sentava-me ao lado de Grande Othelo, Brandão Filho, Walter D'Ávila,Roberto Roney, Zezé Macedo,Antonio Carlos e muitos e muitos outros que eu assistira na tv em preto e  branco na década de 50.

Atingi o auge da alegria quando tornei-me professor da "Escolinha do Barulho",  na Rede Record.

Imaginem, eu , aquele menino criado no subúrbio do Rio, era o "professor" de muitos dos meus ídolos.

Aqueles que eu só via dentro da "caixinha mágica" agora era eu quem estava dentro da "caixinha"  e contracenando com eles.

Jamais na minha infância poderia imaginar que um dia viria a ser ator, comediante, e contracenar com aqueles mitos do humor brasileiro.

Sou muito grato por isto.

Hoje, 22 de março, quando completam-se 15 anos que o "primo pobre" Brandão Filho nos deixou, relembro com carinho estes mestres que fizeram o riso do País.

O Hino do Rio de Janeiro

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Não chegava a ser um galã de novelas, mas para a nossa alegria segue a foto de André Filho

Quem poderia imaginar que uma  marchinha de carnaval ia tornar-se o Hino Oficial da Cidade do Rio de Janeiro? Pois é...

"Cidade Maravilhosa" é também um dos hinos do carnaval brasileiro, usado na maioria das vezes ao final dos bailes.

O início da marchinha tem toque de clarim. O que lembraria uma marcha militar.

Porém tais clarins no carnaval remontam aos préstitos das Sociedades Carnavalescas, sobretudo dos "Tenentes do Diabo".

Foi o poeta, escritor e dramaturgo maranhense quem em 1908 pela primeira vez alcunhou a Cidade do Rio de Janeiro de "cidade maravilhosa".

Porém foi em 1934 que André Filho, cujo nascimento ocorreu na data de hoje, em 1906, quem criou a marcha que mais tarde se tornaria hino.

Em 1935 ficou em segundo lugar no concurso de marchinhas e relegada ao esquecimento.

Porém o povo não a esqueceu e finalmente em 1964 foi oficializada como Hino da Cidade Maravilhosa.

Hoje, o Rio, revitalizado orgulha-se mais que nunca de seu hino, internacionalmente executado e conhecido.

Nora Ney e Dina Sfat Fechando o Verão

 

nora Nora Ney e Dina Sfat Fechando o Verão

A grande Nora Ney

Os mais jovens sequer fazem idéia -  apenas um ou outro estudioso da MPB- de quem foi Nora Ney.

Se Dina Sfat já é difícil para saberem, imaginem Nora Ney.

Mas acho que esta é nossa tarefa, uma das tarefas dos comunicadores, dos formadores de opiniao, e dos mais velhos: manter a memória nacional.

Mas não adianta filosofar. Vamos à História:

Nora Ney, nome artístico de Iracema de Sousa Ferreira, nasceu no Rio em 20 de março de 1922.

Foi uma das maiores cantoras brasileiras, enquanto seu marido, o grande Jorge Golart cantava marchinhas, sambas mais animados, e foi "puxador" de várias Escolas de Samba, Nora especializou-se em ser a cantora da "fossa". Da depressão. Do amor romântico.

Ela e seu marido Jorge foram membros ativos do Partico Comunista e após o golpe militar de 1964 tiveram que viver muitos anos no exílio.

Por esta época surgia no país, a partir também do Rio de Janeiro, outra grande figura feminina: a atriz Dina Sfat. Que foi casada com o ator Paulo José.

Porém ao contrário de Nora, Dina não nasceu nesta data, faleceu em 20 de março de 1989, aos 49 anos de idade.

Mas também foi uma batalhadora pela categoria e pela arte no Brasil.

Neste dia em que findam as "águas de março"(Tom Jobim) , nestes "idos de março" (Shakespeare), a lembrança viva destas duas grandes artistas fecha o Verão.

dina Nora Ney e Dina Sfat Fechando o Verão

A maravilhosa Dina sfat

PS.:este post já estava publicado quando nos chega a notícia do falecimento de Emílio Santiago na data de hoje.  Tristeza pela perda. Estes são os idos de março.

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