Os Galãs e Vilões Do Teatro do Século XIX

 

 

Como mudam os hábitos, os poderes, as normas com o correr dos tempos.

No teatro do ´século XIX até o Século XX havia grandes  distinções entre os atores e suas funções cênicas.

Assim tínhamos o Primeiro Galã Dramático e o Primeiro Galã Cômico, bem como os segundos galãs de cada gênero.

luiz Os Galãs e Vilões  Do Teatro do Século XIX

Luiz Carlos Amoedo, Galã Dramático, Rio - 1903

 

Havia  a Primeira Atriz, a Segunda Atriz, nos gêneros.

Havia a Ingênua, ou "sobrette",  que sempre era feita por uma atriz que interpretava  o  papel de moça inocente ou de pouca idade. Eva Todor fez este gênero durante quase toda a sua vida. Até mesmo depois de mais idade.

Eva Os Galãs e Vilões  Do Teatro do Século XIX

Eva, a Ingênua

 

Havia o Vilão.

Também a Vedete.

A Corista.

Não havia Diretor como hoje, havia Encenador, encarregado de "levantar a peça".

Hoje, com o avanço da democracia nas relações de trabalho e com a modernidade existem apenas os protagonistas, antagonistas e coadjuvantes.

Antes os atores eram escolhidos pela função que sabiam desempenhar: quem era Vilão seria sempre contratado para ser Vilão, e possuía dezenas de "máscaras" para tal.

Lembro-me de um encontro meu com o ator Renato Restier (1920-1984)  em São Paulo em 1970 na porta do Teatro Alberto D'Aversa,  em que ele lamentava-se do fato de não estar sendo mais chamado para fazer peças. Não entendia porque. Dizia-me ele: tenho 35 mascaras de tragédia, 27 máscaras de choro, de gargalhadas tenho dezenas outras...e puxava estas máscaras imaginárias de um ponto atrás de sua cabeça e estampava na face cristalizada o sentimento exigido.

Não percebia ele que o teatro havia mudado com o correr do tempo, estávamos agora no auge do teatro de Brecht e Stanislavski. Entre a psicologia e a sociologia. Não mais havia o teatro declamatório e de efeitos e truques prontos.

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O grande ator Renato Restier

 

O Comediante: Este Excelente Ator Dramático

 

doria O Comediante: Este Excelente Ator Dramático

O comediante Jorge Dória em drama com Cleyde Yáconis

 

 

Hoje proliferam os stand ups. Multiplicam-se os "comediantes".

A nova geração descobre que fazer rir é lucrativo e todos se acham engraçadíssimos e profissionais.

Acaba sendo como tocar violão em barzinho cantando Milton ou Djavan.

Milhares fazem isto, Mas só há um Milton, um só Djavan.

Um dos maiores comediantes do século XX , Groucho Marx, escreve sobre a arte de ser comediante.

Aliás escreveu muito sobre isto. Mas pincei para hoje estas breves linhas, sobre a qualidade do comediante de ser também excelente ator dramático.

Coloquemos à prova os milhares de comediantes que surgem hoje: se forem capazes de representar o drama passam no teste, senão, são apenas piadistas de ocasião.

"Quando um homem engraçado representa um papel sério sempre me dá uma dor profunda ver a crítica histericamente jogar o chapéu para o ar, dançar nas ruas e soterrar o cômico com fama e glória. Por que isto deveria provocar tal assombro e entusiasmo aos olhos dos críticos sempre me espantou. Acredito que não exista um comediante vivo que seja incapaz de fazer um trabalho de primeira classe num papel dramático. Mas são pouquíssimos os atores dramáticos que poderiam tentar um papel cômico com alguma distinção. David Warfield, Ed Wyim, Walter Houston, Red Buttons, Danny Kaye, Danny Thomas, }ackie Gleason, Jack Benny, Louis Mann, Charles Chaplin, Buster Keaton e Eddie Cantor são todos comediantes de primeira linha que interpretaram papéis dramáticos, e são todos quase unânimes em dizer que, comparado a fazer graça, a atuação dramática equivale a duas semanas de férias no campo.

Para lhes convencer de que esta não é uma ideia exclusivamente minha, aqui estão as palavras de S. N. Berman, um de nossos melhores autores de teatro:

"Qualquer autor que tenha sobrevivido à agonia de formar um elenco dramático  lhe dirá que o ator que sabe representar uma comédia é a pessoa que devemos procurar.

A intuição cômica entra no coração de uma situação humana com uma precisão e uma velocidade inatingíveis de outra maneira.

Um grande ator cômico fará isso com uma inflexão de voz tão certeira como o rápido movimento de pulso do esgrimista virtuose. "

E os críticos continuam surpreendendo-se quando um comediante brilha no drama.

Curiosas Lições Sobre a Gargalhada e o Desmaio

 

Procopio em O Divorcio Curiosas Lições Sobre a Gargalhada e o Desmaio

Bibi Ferreira e seu pai, Procópío, gargalhando  em "O Divórcio"

 

Como já dissera aqui antes,  o grande ator brasileiro João Caetano (1808-1863) tentou muito antes de Stanislavski  ( 1863-1938 -  O criador do Método) estabelecer uma metodologia de trabalho para o ator usar nas suas interpretações, isto muito antes da Psicologia ou da Sociologia. Muito antes de Freud ou Brecht.

 

Hoje publico a segunda e última  parte das  curiosas lições nos deixou João Caetano tentando metodizar a arte de interpretar:

"Quando eu, senhores, criei o papel de André na Gargalhada, fui estudar no hospital, como ali estudei sempre todos os doidos que reproduzi em cena. Nessa ocasião, pois, estudei um que mais se adaptava ao caráter da personagem que queria representar: os movimentos, as posições, a fisionomia, imitei com todos os perfeitos traços da loucura; porém a gargalhada nervosa, que devia dar repetidas vezes, conquanto a tivesse muito dominada e apropriada estava sempre desconfiança se seria verdadeira. Por isto fui consultar com um dos primeiros médicos desta Côrte,  o Sr. Dr. Silveira, e depois de aprovar em sua casa o meu riso nervoso, subi no palco cheio de confiança no trabalho e o público o acolheu benignamente... "

( Nota: O Ponto alto da peça, e que o público aplaudia, e que marcou a carreira de João Caetano era esta gargalhada nervosa, relatam os historiadores de teatro)

"O desmaio tem as mesmas proporções no estudo: aquilo que  obriga ao desfalecimento com a perda dos sentidos e da cor do  rosto, deve ser escrupulosamente examinado pelo ator, porque o  desmaio, a não ser por enfermidade, nunca aparece isolado : há sempre  um motivo que o determina. Fica portanto entendido que se  ele se origina de um susto, não deve ser semelhante àquele que nasce de uma dolorosa emoção, ou de uma notícia tão aprazível quanto inesperada; forçoso é portanto que o ator estude bem a causa, para reproduzir o verdadeiro efeito."

Que Delícia Foi Gravar “Dona Xepa”

 

Ontem o elenco de Xepa gravou a última cena da novela, deixamos em torno de vinte capítulos de frente que continuarão divertindo e empolgando a todos até ser substituída pela nova, "Pecado Mortal".

Foi muito prazeiroso, competente, e profissional fazer "Xepa".

A foto  abaixo refere-se ao elenco brindando na cena como personagens, e como atores também. ao trabalho realizado.

 

foto5011 Que Delícia Foi  Gravar Dona Xepa

Ao público que nos acompanhou, e ainda acompanhará, o nosso muito obrigado.

xepinhas Que Delícia Foi  Gravar Dona Xepa

Elenco feliz

 

tecncios Que Delícia Foi  Gravar Dona Xepa

Técnica e elenco confraternizam...

E reproduzo abaixo a carta aberta do Diretor Geral da novela Ivan Zettel a todos nós, e que reflete também o meu pensar e agir.

 

"A todo elenco e equipe de Dona Xepa,
Com o final das gravações da novela, gostaria de agradecer a todos os envolvidos neste grande desafio que foi fazer Xepa.Com o mesmo espirito agregador que começamos me dirijo a todos vocês de forma coletiva, assim como foi nossa jornada.Quero agradecer também a todos os colegas que infelizmente não fazem mais parte deste time, mas que estiveram com a gente no inicio e ajudaram a formatar este belo e vitorioso trabalho, continuamos juntos no coração. Sem essa equipe maravilhosa, tenho certeza não conseguiríamos vencer este enorme desafio.
Não posso deixar de citar nominalmente algumas pessoas que fizeram suas estreias em cargos e funções neste trabalho e que eu e a direção da Record apostamos,e sem duvidas se mostraram apostas vitoriosas. Gustavo, escrevendo sua primeira novela, Alan, brilhante produtor executivo, Nadia, deu show de competência e produtividade na direção,Diogo, arrebentando na arte e para finalizar, Angela, com uma grande protagonista e que mesmo sacrificada fisicamente desempenhou uma Dona Xepa magistral e inesquecível. E claro, a direção da tv Record por mais essa prova de confiança. A todos vocês minha gratidão  e meu eterno carinho.
Beijos e abraços Ivan Zettel"

zettel Que Delícia Foi  Gravar Dona Xepa

Os Diretores de "Xepa": Regis, Zettel, Nádia e Rudi

Lições do Ator João Caetano Há 150 Anos Atrás

caetano Lições do Ator João Caetano Há 150 Anos Atrás

João Caetano, o "pai" dos atores dramáticos brasileiros.

 

 

 

 

Amig@s: remexendo meus alfarrábios da arte de interpretar redescobri lições dramáticas que o nosso grande ator João Caetano ( 1808 -1863 ) deixou escritas tentando décadas antes de Stanislavski , o russo (1863-1938)  estabelecer uma racionalidade para  a arte de interpretar, criar um método para conduzir as personagens. É curiosíssimo, e achei que deve interessar , até pela ingenuidade da lição não só aos  profissionais mas também   a leigos. Na próxima semana  publicarei  uma segunda parte, hoje segue esta:

"Senhores! A morte e o desmaio que o ator tem necessariamente de imitar muitíssimas vezes, precisam de apurado estudo, para não continuarem aí nos teatros a desmaiar e morrer, como até hoje, sem arte e sem o bom senso, querendo alguns atores imitar estas realidades deitando unicamente no rosto uma porção de alvaiade, enfraquecendo um pouco a voz e atirando-se desapiedadamente contra o tablado ...Se a morte é proveniente de moléstia, o ator, se nunca viu morrer ninguém daquela que tem de imitar, se não tem original a seguir, procure indagar e saber mesmo de algum médico como o homem finaliza a vida com tal enfermidade; porque a morte do envenenado não é como a do tísico ou hidrópico, a morte proveniente de uma bala ou da ponta de um ferro que atravesse o âmago do coração do homem é instantânea, e aqui tem lugar a parte mecânica na maneira da queda, porque tendo de morrer por este ferimento, deve cair como cai um corpo morto, isto é, afrouxando os joelhos e as juntas dos quadris, assentando logo as nádegas no chão e rapidamente as costas, sem movimentos nem contorções; porque qualquer cadáver posto de pé, bem perpendicular, logo que o larguem, cai da maneira que acima descrevi. Se, porém, a ferida não ataca tão de perto o órgão da vida, o homem a conserva ainda por alguns instantes: então é diferente a maneira de cair, e quase que regularmente para o lado, devendo o ator, para cair assim, dobrar mui frouxamente o pé do lado da queda,assentando logo o tornozelo sobre o terreno, dobrando mui ligeiramente o joelho, onde recebera a primeira pancada do lado externe dele; os quadris, que também se dobram frouxamente, apanham do lado próprio a segunda, e o braço, quase estendido, recebe a terceira pelo lado interno.

Quebrada assim a força da pancada nestes três pontos do corpo, o ator pode cair sempre sem receio de magoar-se nem sofrer a menor lesão no seu físico; porque, atirando-se brutalmente contra o terreno, arrisca-se a quebrar as costelas ou braços, ou mesmo a ofender algum órgão que o impossibilite para sempre; por isso aconselho a todos que é muito melhor cair sempre do lado direito, para poupar ao coração um abalo próximo e desagradável.

Nesta segunda maneira de imitar a morte é dado ao ator querer levantar-se, lutando com a aflição e a ânsia; as mãos movem-se e procuram instintivamente, porque parece, senhores, que nesta hora suprema em que a alma esta pronta a desatar o nó terrestre, o homem quer lutar com a chegada terrível da morte; seus derradeiros movimentos, seus gestos convulsivos, tendem a aproximar dele tudo o que o rodeia, e ao passo que a vida o abandona, tenta agarrar-se as coisas da terra.

Homens tem havido que, recebendo uma punhalada ou um tiro, correm a algumas distâncias e caem de bruços; isto significa que o órgão foi ofendido de modo a conceder ainda alguns segundos de vida, e que o instinto da conservação ou a idéia de apossar-se do seu assassine lhe dá forças sobrenaturais que pouco duram, e quando caem é completamente morto. "

 

No Teatro Uma Paixão da Juventude

Em 17 de setembro de 1995, há 18 anos, falecia aos  94  anos a atriz Henriqueta Brieba. A Dona Brieba. A Briebinha. Foi mencionada no meu post de ontem. Hoje relato o que a memória do tempo não apagou.

 

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1924- Brieba com 23 anos

 

Um ano depois, em 15 de setembro de 1996, aos 87 anos, falecia meu pai, Carlos Sequeira.

 

Casamento de Papai e Mamae 793x1024 232x300 No Teatro Uma Paixão da Juventude

1928, casamento de meu pai, Carlos Sequeira, com minha mãe, Maria

 

O que há em comum entre os dois, meu pai e Brieba? Uma paquera de juventude, que a vida nos revelou.

Oito anos mais velha que meu pai, Briebinha trabalhava em teatro de revista no Rio de Janeiro, na praça Tiradentes.
Era corista. Depois atriz.

Mignon que era, miúda, parecia sempre uma menina travessa.
Este jeito brejeiro despertou a paixão em meu pai, que bem jovem conseguia uns trocados para assisti-la da torrinha do teatro.
E escapulia pelos bastidores e ia cortejar Dona Brieba, que coquete, fazia-se de rogada. rsrsrsrs

Muitas décadas depois, eu, já artista  e trabalhando com Brieba, convidei-a para uma festa do meu aniversário,  na minha casa.

Foi quando soubemos dos fatos passados, do romantismo que floresceu entre eles, jovens e sem sequer saber que se encontrariam na velhice, cada um com sua família já constituída, mas agradecendo a dádiva do reencontro como dois bons amigos.

Sinto falta dos dois. Cada um a seu  modo. Mas vivem na minha memória.

 

paibrieba 001 300x208 No Teatro Uma Paixão da Juventude

Meu pai e Brieba, reencontro quase 70 anos depois

 

 

O Teatro, Esse Inquieto

brieba2 161x300 O Teatro, Esse Inquieto

Sabe quem é esta? Se não adivinhou veja a resposta no fim do post.

 

Pedro Bloch, autor de "Dona Xepa" dizia que o "teatro é uma dizima periódica de por quês".

Já Procópio Ferreira dizia que "Há peças que fazem atores. Há atores que fazem peças. Para se fazerem peças procuram-se sempre  atores. Mas para se fazerem atores nunca se procuram peças."

Laurence Olivier, ator inglês, e um dos maiores atores de todos os tempos dizia: "Sempre busquei o novo, assim as pilhas são carregadas e o espírito permanece jovem, é isso que impede que o cimento não endureça entre as orelhas.

Estou constantemente olhando, anotando, observando, armazenando imagens em meu armário teatral. Uma tosse aqui, uma piscada ali, tudo guardado na gaveta da memória teatral para que quando necessário seja retirado, espanado e usado."

O mesmo Laurence disse ainda: " As diferença entre o humorista e o ator é que o primeiro tem um colóquio com  a platéia. Continua sendo um diálogo, não um monólogo. O humorista sem reação do público é um cadáver, por isto o público tem que ser seu alimento. O humorista vive perigosamente. Está sempre no fio da navalha. Um segundo dessincronizado e a platéia cai em cima. Estão  todos lá, esperando. Rindo e esperando..."

E pra finalizar o papo de hoje Bertoldt Brecht dizia: " Você sempre pode começar de novo, até com seu último suspiro".

Resposta:é a atriz Henriqueta Brieba (1901- 1995)

Dramaturgia: Mudaram os Heróis ou Mudou o Mundo?

 

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Zebedeu, em Mandacaru, o psicopata, o assassino,  amado.

 

Irene Ravache, grande colega, diz em entrevista: " Antes as protagonistas eram heroínas, bons exemplos. Hoje enfiam o pé na jaca, sinto falta de algo mostrando que vale  a pena ser honesto. Eu e minha filha temos um caso com o mesmo homem e tudo termina bem. Não termina, é horrível se acontece."

Com o filme "Casablanca", na década de 1940,  o público norte americano cansou-se dos moralistas personagens de  James Cagney e o trocou pelo personagem mau caráter, amoral, e apátrida de Humphrey Bogart. Isto foi há  70 anos atrás, o que permite revelar que o fenômeno não surge agora, nesta época de  Black Blocks.

Nos EEUU é muito comum existir  fãs clubes para prisioneiros condenados à morte que cometeram terríveis e hediondos crimes.

Quando fiz "Mandacaru" - a novela -  o meu vilão, Zebedeu,  era o personagem mais querido da história.

Leio hoje também que a atriz que faz  Skyler White (Anna Gunn) ,  esposa de Walter White (Bryan Cranston) em "Breaking Bad" está sendo ameaçada até de morte na vida real porque é honesta. Todos torcem pelo marido dela, traficante, fabricante de drogas.

Nas favelas do Rio os bandidos parecem ser muito mais reconhecidos como poder  pela maioria dos moradores que  a Lei e a Ordem. Que o Estado.

Leio que a família do pedreiro Amarildo, desaparecido desde que foi levado pela polícia na Rocinha, vive trancada em casa com mais 17 pessoas com medo da Polícia.

O que será isto? Será sintoma de que nosso inconsciente reconhece que o Estado, o Sistema é tão podre, tão repressor, tão malévolo que diante disso os vilões tornam-se os heróis?

Que a ambiguidade do Poder leva as pessoas a achar que  a honestidade e o bom caráter é coisa inventada pelos poderosos para manter a massa "boazinha", servil e obediente?

Ou o Coisa Ruim realmente tomou conta do Mundo?

Por que esta identificação com o Mal?

Com a palavra os sociólogos, psicólogos,  etc. etc.... Eu apenas registro aqui o fenômeno e faço as indagações.

 

Mestres do Teatro Dão Dicas Para Interpretar

 

Meyerhold-  ator e diretor russo , discípulo de Stanislavski e sumariamente fuzilado por Stalin, é relembrado hoje aqui por duas dicas sobre a interpretação cênica:

1 - Um pouco antes da sua saída de cena fique perto da porta! Isto é uma regra! Quanto mais perto você estiver da porta, maior será o efeito provocado por sua saída. Em momentos cruciais são segundos  de tempo cênico e milímetros de espaço no palco que decidem tudo.

2 - As duas principais condições para o trabalho do ator são a improvisação e a autocontenção. Quanto mais complexa for a combinação destas duas , tanto melhor será o ator.

João Caetano o mais festejado ator brasileiro do século 19 tentou, bem antes de Stanislavski condensar em livro técnicas teatrais, uma delas trago aqui:

3 - Ao ser atingido por um disparo ou punhal no coração o ator deve cair ao solo imediatamente, fulminado, a morte nestas condições é instantânea.

Quer dizer: para João Caetano não tinha  esse papo canastra de tomar um tiro  no coração e ficar cambaleando, rendendo cena por minutos até morrer.

E completo com Procópio Ferreira, o mais festejado dos atores brasileiros do sécul0 20:

4 - Para marcar uma cena o ator deve subir o brilho da voz  na entrada , outra vez  no meio  e afinal  na saída. Sobretudo na saída, para que o público sempre se lembre da sua saída.

5 - Não existe papel pequeno, existe ator pequeno.

Mas para ilustrar o post de hoje publico esta foto,  pérola de figurino de Hollywood, que deve deixar nossos figurinistas de TV e teatro babando. Sonho de qualquer deles:

dolores 225x300 Mestres do Teatro Dão Dicas Para Interpretar

DOLORES DEL RIO como Madame Dubarry , no filme do mesmo nome produzido pela Paramount em 1934

Alguns Mitos e Superstições na Arte Teatral

onirico Alguns Mitos e Superstições na Arte Teatral

O onírico, o mágico, na obra de Salvador Dali

 

Os mitos e superstições humanas tem origem na infantilização da mente adulta.

Os atores, como todos os seres humanos, não estão livres destas crendices, que examinadas à luz da racionalidade  não se sustentam

Do ponto de vista religioso a própria Fé Racional não lhes dá espaço, mas tais crendices  continuam a existir como  mágica, fantasia,  no mundo onírico, gerando infundada sensação de  onipotência...

Hoje resolvi trazer até vocês algumas  curiosas superstições que muitos atores criaram:

"No Teatro o ator jamais diga a palavra "azar", em cena ou dentro de um teatro."

"No teatro o ator  jamais diga a palavra desgraça."

"Quando subir da plateia ao palco pela primeira vez num teatro,  faça-o com o pé direito, pra dar sorte."

"Não se assovia no teatro, dá azar."

"Não se deseja sorte ao colega que vai estrear. A palavra usada, "merde", tem origem francesa , e mais recentemente, com a influência norte americana diz-se "Que você quebre uma perna" (break a leg).

"A magistral Bibi Ferreira certa vez me disse: Procure sempre encaixar em alto e bom som a palavra SIM em qualquer parte do espetáculo. Isto traz sucesso ao espetáculo."

"A grande dama Fernanda Montenegro carrega em cena consigo - dito em entrevista - um prego!"

"Jogar açúcar na entrada do teatro na abertura da semana para atrair dinheiro de bilheteria." ( Pode atrair formigas também....rsrsrsrs)

"Não se deve contar os ingressos vendidos antes de começar o espetáculo" ( Uma boa forma que favorece produtores ou administradores larápios...rsrsrs)

Confesso a vocês que não carrego comigo nenhuma destas superstições, ou quaisquer outras, mas que é, no mínimo,  curioso ver como elas existem na minha profissão.

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