Sessenta Anos de Cinemascope

robe Sessenta Anos de Cinemascope

Há sessenta anos o cinema estreava um novo tipo de tela para exibição: o Cinemascope. Uma tela muito mais longitudinal.

Dava aos espectadores maior visão do quadro cênico.

Foi uma revolução da imagem no cinema.

E estreava exatamente na data de hoje,  em 1953, a primeira apresentação comercial neste estilo com o filme "O Manto Sagrado" ("The Robe").

À época o orçamento do filme foi de 5 milhões de dólares.

No elenco Richard Burton e Victor Mature (sempre muito requisitados para este tipo de filmes ) e  Jean Simmons.

O filme trata da história do manto usado por Jesus. Após a crucificação o Tribuno  Marcellus (Richard Burton) , e outros soldados disputam em um jogo de dados próximo à cruz a posse do manto vermelho usado pelo mártir.

Marcellus vence mas o manto fica com Demetrius (Mature) , pois quando Marcellus tentou usar o manto algo o afligiu de forma indescritível.

Demétrio, que já tinha se tornado um cristão, lhe tirou o manto e disse que jamais o serviria novamente, pois ele tinha crucificado seu mestre.

Em seu retorno a Roma Marcellus fala frases sem sentido, como se algo muito forte o atormentasse. Já em Capri, onde estava o imperador e Diana (Jean Simmons), que Marcellus ama e é correspondido, alguns membros da corte e o próprio Tibério, vendo que ele se portava de modo estranho, ouvem por horas o que aconteceu com o tribuno em Jerusalém.

Tibério acha que Marcellus pode ter perdido a razão, mas quando este  atribui que a aflição que sente só aconteceu após se cobrir com o manto de Jesus, então o adivinho da corte conclui que a causa era o manto que precisa ser destruído.

Isto parece lógico tanto para Tibério como para Marcellus, então o tribuno irá retornar à Palestina para destruir o manto e descobrir os nomes dos cristãos, mas esta viagem irá afetar profundamente sua vida.

Assisti o filme quando tinha 7 anos, em 1954, e eu e todo o cinema enxugávamos lágrimas incontidas com o tema tratado.

 

Saiba Quem foi Henriette Morineau, a “Dame” do Teatro Brasileiro

mamemame Saiba Quem foi Henriette Morineau, a Dame do Teatro Brasileiro

Madame Morineau

 

Quando eu comecei a fazer teatro, há quase cinquenta anos atrás vi, convivi,  com muitos mitos e personalidades das artes nacionais.

A chamada cultura de massas ainda não estava tão poderosa no País, a televisão engatinhava nas telenovelas, o rádio ainda era um prestigioso veículo e o teatro a forma mais sofisticada de arte cênica.

Procópio Ferreira, Jaime Costa, Modesto de Souza, Raphael de Carvalho, Eva Todor, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Tonia Carrero, Bibi Ferreira, Iracema de Alencar, Maria della Costa, Sergio Cardoso, Cacilda Becker, Fregolente, Jardel Filho, e tantos outros, mas entre eles a maravilhosa Madame Henriette Morineau. (Paris 1908 - Rio, 03 de dezembro de 1990)

Uma mulher gigantesca, por assim dizer e pela sua própria estatura, uma voz grave e forte, uma personalidade.

Nascida na França, ela se apaixonou por literatura no colégio em que estudava e interpretava os textos que tinha que ler nas aulas. Convenceu seu padrasto a permitir que estudasse com um professor de arte dramática em Paris. Saiu-se tão bem que foi indicada para um conservatório, e foi aprovada para o mesmo, em 1926, em primeiro lugar.

Atuou por três anos na Commédie Française e em uma de suas excursões, conheceu na Bélgica seu futuro marido, George Morineau. O marido foi aconselhado pelos médicos a se mudar para um país tropical e eles resolveram se mudar para o Brasil. Henriette chegou ao Rio de Janeiro em 1931.

Em 1946 ela fundou a Companhia dos Artistas Unidos, na qual por 14 anos dirigiu e interpretou peças adultas e infantis. Em pouco tempo virou uma lenda para o teatro e o cinema brasileiros e era chamada de a madame do teatro brasileiro. Foi condecorada duas vezes pelo governo brasileiro com o Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro do Sul e também recebeu as honras de se transformar em Carioca Honorária e em Cidadã Honorária do Rio de Janeiro.

Teve uma carreira de 60 anos e um de seus últimos espetáculos de teatro foi como a Maude de "Ensina-me a Viver", em 1982, que inclusive fez com que a estrela caísse no palco e tivesse que ser substituída por Maria Clara Machado.

Foi casada com o ator e diretor teatral Delorges Caminha.

Viva O Samba, Essa Melodia do Brasil Feliz

Samba Viva O Samba, Essa Melodia do Brasil Feliz

 

Hoje é o Dia Nacional do Samba.

Sabe por que o Dia Nacional do Samba cai em 2 de dezembro? Baiano gosta de festa, sempre gostou. Estavam tomando seu chopinho depois do expediente os funcionários da então Bahiatursa, entre eles minha mulher, Doia.

No bate-papo, procuravam uma data pra fazer mais uma festa. Foi quando alguém se lembrou que 2 de dezembro foi a data em que Ary Barroso, o grande compositor de "Baixa dos Sapateiros", visitou pela primeira vez Salvador. Daí em diante a coisa tomou vulto. Virou projeto do vereador soteropolitano Luís Monteiro da Costa.

A festa foi se espalhando pelo Brasil e virou uma comemoração nacional.

Duas cidades costumam comemorar o Dia do Samba, Salvador e Rio de Janeiro. Mas nos últimos anos Belo horizonte juntou-se às comemorações que acontecem na Savassi, região central da Capital mineira.

Sob o comando do compositor Edil Pacheco, Salvador sempre tem promovido grandes shows no Pelourinho com os ótimos sambistas locais. Gente como Riachão ("Cada Macaco no Seu Galho"), Ederaldo Gentil, Nelson Rufino, Waltinho Queiroz, o próprio Edil, e o falecido Batatinha ("Todo Mundo Vai ao Circo"), recebendo convidados, como Paulinho da Viola, e muitos outros sambistas brasileiros.

No Rio a comemoração  fica por conta do Pagode do Trem. No Dia do Samba, o pessoal se reúne na Central do Brasil, lota um trem e vai tocando e cantando até Oswaldo Cruz, lá formam-se rodas de samba.

Depois que começou a rotina dessa comemoração, descobriu-se que o samba no trem  havia sido criado décadas antes por uma das mais importantes figuras do bairro, Paulo da Portela.

Naquela época, o samba era perseguido pela polícia. Os sambistas faziam suas reuniões e promoviam animadas rodas dentro dos vagões do trem.

Hoje o Pagode do Trem faz parte do calendário oficial da cidade.

 

Os Sertões da Casa Grande e da Senzala

senzala1 Os Sertões da Casa Grande e da Senzala

 

Curiosamente a data de hoje nos remete ao lançamento de duas obras literárias que retrataram o Brasil e nosso povo de forma irretocável.

Duas obras que serviram de base para teses e mais teses de mestrado, doutorado, quer em Sociologia, que em História, Antropologia, Literatura etc. etc..

São elas : "Os Sertões" de Euclides da Cunbha e "Casa Grande e Senzala" de Gilberto Freyre.

"Os Sertões" dá início ao que se chama de Pré-Modernismo na literatura brasileira, revelando, às vezes com crueldade e certo pessimismo, o contraste cultural nos dois "Brasis": o do sertão e o do litoral. O escritor-jornalista Euclides da Cunha critica o nacionalismo exacerbado da população litorânea que, não enxergando a realidade daquela sociedade mestiça, produzida pelo deserto, agiu às cegas e ferozmente, cometendo um crime contra si própria; o que é o grande tema de Os Sertões. Em tom crítico, também mostra o que séculos de atraso e miséria, em uma região separada geográfica e temporalmente do resto do país, são capazes de produzir: um líder fanático e o delírio coletivo de uma população conformada.

Através de "Casa Grande e Senzala" , Freyre destaca a importância da casa grande na formação sociocultural brasileira, bem como a da senzala que complementaria a primeira. Além disso, casa grande e senzala dá muita ênfase a questão da formação da sociedade brasileira, tendo em vista a miscigenação que ocorreu principalmente entre brancos, negros e indígenas.

Neste livro o autor também tenta desmistificar a noção de determinação racial na formação de um povo no que dá maior importância àqueles culturais e ambientais. Com isso refuta a ideia de que no Brasil se teria uma raça inferior, dada a miscigenação que aqui se estabeleceu. Antes, aponta para os elementos positivos que perpassam a formação cultural brasileira composta por tal miscigenação (notadamente entre portugueses, índios e negros).

Publicado em 1933,  31 anos após "Os Sertões" (1902) de certa forma rebate o que poderia em Euclides vir a ser considerado como exaltação ao embranquecimento do brasileiro.

As duas obras merecem e devem ser lidas por todos os jovens que pensam o Brasil. Por todos os brasileiros que realmente queiram saber em que País vivem.

João, Eu, e o Pé de Feijão

feijao22 João,  Eu,  e o Pé de Feijão

...dos armazéns da minha infância.

 

Há um cheiro de infância no ar aqui em casa hoje pela manhã.

O cheiro do feijão no fogo. Feijão com toucinho. À moda mineira.

Um cheiro que reconheço desde menino, desde os fogões à lenha das minhas Geraes.

Naquele tempo, nas casas e fazendas cozinhava-se com banha de porco. Refogava-se com alho e dentro iam pé de porco, e toucinho. Tudo cozinhando e recozinhando sobre as chamas e brasas sabiamente manipuladas por velhas empregadas que com rezingas completavam o tempero do feijão.

Mais tarde, na metrópole carioca, exilado das Minas,  o gás substituiu a lenha, mas o cheiro do feijão no fogo era sinônimo de lar amoroso. E mesmo muito mais tarde , com as estridentes panelas de pressão, nem assim ao serem abertas o feijão não  negava o seu odor doméstico atiçando as papilas do bom gosto.

Hoje, no último terço da minha vida, longínqua infância das goiabas e dos barquinhos de papel; das histórias assombrosas à luz de lamparinas;   das febres terçãs e dos bichos-de-pé,  o cheiro forte do feijão caseiro traz-me a lembrança materna.  A lembrança de quando,  deitado eu  em seu colo,  mamãe procurava maneiros mineiros piolhos na cabeça fantasiosa deste menino de outrora, renascido hoje ao cheiro do feijão.

Saudades...

Existe Uma Besta-Fera Em Cada Um de Nós?

ira2 Existe Uma Besta Fera Em  Cada Um de Nós?    Sam Adler e Jack Nicholson no filme "Tratamento de Choque"
    (Anger Management) que aborda a questão da Ira.

 

Tenho me sentido profundamente impressionado com o sentimento de ira que domina muitas pessoas hoje em  dia.

Não falo de ódio, ou raiva. Não falo de vinganças ou crimes violentos.

Falo da pessoa comum, não criminosa, na maioria das vezes pertencente a um estamento social privilegiado, e com boa formação cultural e que de repente explode em ira incontrolável.

Vi isso no ato do motorista que "fechou" a moça em São Paulo, saiu de seu veículo e socou o rosto dela. Por um nada. Ou melhor, por nada mesmo.

Vejo isso no jovem colega de trabalho que de repente explode em ira contra o outro que ocupa a mesa ao lado. Perde-se toda a compostura, os limites de linguagem, assemelha-se a um ataque de loucura, na linguagem popular aquela pessoa pacata, cordial , educada, civilizada, vira um bicho!

Vejo isto todos os dias nas redes sociais. Estas então são o antro da Ira. Basta uma contrariedade, basta uma palavra equivocada ou mal lida para que  alguém entre on line explodindo em impropérios, ofensas e ira descontrolada contra o nada. Sim , contra o nada, na verdade  contra si mesmo, num ato de pura projeção, porque o  outro - no caso   da rede social - sequer existe fisicamente.

E fico impressionado. Por que tanta mágoa, frustração, acumuladas que explodem em ira?

A sensação que tenho, andando na rua, falando ao telefone, ou numa rede social é de que há  tolerância zero na sociedade atual, nas relações humanas.

Alguma coisa está muito errada, os sintomas são de sociopatia.

Estaremos construindo um mundo de sociopatas, caracterizado pelo comportamento explosivo do indivíduo afetado,  com profundo desprezo por normas sociais, e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros? Sempre à beira de um ataque de nervos?

O que  falta, já que sabemos que a Ira sobra?

 

Coelho Neto é Muito Mais Que Uma Linha de Ônibus

Coelho Netto Coelho Neto é Muito Mais Que Uma Linha de Ônibus

Coelho Neto. À época enrolavam-se os bigodes.

 

Coelho Neto é um bairro pobre  de subúrbio do Rio, entre Pavuna, Irajá e acari.

Coelho Neto é um pequeno município no Leste do Maranhão, com 46.000 habitantes, e que segundo a WEB não possui cidades-irmãs.

Coelho Neto foi o Príncipe dos Prosadores Brasileiros. Escritor, dramaturgo, deputado federal, Secretário de Estado...teve 14 filhos - fora os que  a mortalidade infantil da época impediu de vingarem - , foi fundador e segundo presidente da Academia Brasileira de Letras.

Escritor ligado ao movimento do romantismo perdeu-se muito na bruma do tempo, esfumaçado pelo surgimento do Modernismo.

É dele uma comédia que muito me divertiu quando assisti pela primeira vez na minha juventude "O Patinho Torto, ou, Os  Mistérios do Sexo". Foi em 1964, e tinha como protagonistas Emílio de Biasi e Suely Franco. Uma engraçadíssima trama que gira em torno de um menino criado como menina, que cresce como tal até que se vê às voltas com um pretendente.

Coelho Neto por sua obra e presença na literatura nacional mereceria mais que tornar-se um simplório  bairro do Rio, ou uma bucólica cidade às margens do Parnaíba.

Mas não teve esta sorte histórica. Atacado de um lado pelos modernistas e de outro pelos comunistas -  como a crítica que lhe faz Jorge Amado em "O Cavaleiro da Esperança" - este grande Maranhense, da cidade de Caxias, abolicionista e republicano é desconhecido do grande público brasileiro.

Entretanto podem os  brasileiros não saber quem foi o ilustre, mas todos conhecem os versos abaixo, de sua autoria:

"Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração! Ser mãe é ter no alheio lábio que suga, o pedestal do seio, onde a vida, onde o amor, cantando, vibra...

...Ser mãe é andar chorando num sorriso! Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! Ser mãe é padecer num paraíso! "

Faleceu na data de hoje em 1834, no Rio de Janeiro.

O Maravilhoso Grande Otelo

 

othelo O Maravilhoso Grande Otelo

Inesquecível como "Macunaíma"

Vinte anos sem a figura popular e brasileira de Grande Othelo, ao lado do Palhaço Benjamin o maior dos ícones negros da comedia nacional do século XX.

Tive a honra de trabalhar com ele por alguns anos na TV. Ficava eu lá, embevecido, observando aquele brasileiro baixinho,dono de uma voz gritante e aguda - lembram-se dele em "Macunaíma" ? - dando shows de interpretação.

Recordo-me de um fato contado por ele.Trabalhava ele no Cassino da Urca, na década de 40. Fazia um esquete. Naquela noite um sujeito mal educado e agressivo gritava para ele durante a  apreentação:

- "Palhaço!" e repetia isso a toda hora impedindo-o de expressar-se.

Aí ele parou e disse ao sujeito:

- " Sou palhaço sim, profissional, ganho pra isso.O amigo aí está sendo palhaço de graça.Pode deixar eu ganhar meu dinheiro ?"

Mineiro de Uberlândia vivia lá quando conheceu uma companhia de teatro mambembe e foi embora com eles para São Paulo. Ele voltou a fugir, foi para o Juizado de Menores, onde foi adotado pela família do político Antonio de Queiroz. Otelo estudou então no Liceu Coração de Jesus até a terceira série ginasial.

Participou na década de 1920 da Companhia Negra de Revistas, que tinha Pixinguinha como maestro.

Foi em 1932 que entrou para a Companhia Jardel Jércolis, um dos pioneiros do teatro de revista. Foi nessa época que ganhou o apelido de Grande Otelo, como ficou conhecido.

No cinema, participou em 1942 do filme It's All True, de Orson Welles. O intérprete e diretor estadunidense considerava Grande Otelo o maior ator brasileiro.

Otelo fez inúmeras parcerias no cinema, sendo a mais conhecida  com Oscarito.

Por ironia da vida este orgulho brasileiro faleceu na Europa, de enfarte fulminante assim que o avão em que viajava pousou em Paris.

Em 27 de novembro de 1993.

Existe Humor Inteligente?

 

 Existe Humor  Inteligente?

 

Na década de 80 quando um novo humorista lançou-se no mercado veio com o slogan "O Humor Inteligente de ..." .

Aquilo sempre me incomodou e incomoda até hoje, quando o termo volta a mídia por declarações recentes.

Incomoda-me em primeiro porque é uma falsa premissa: todo humor é inteligente. Jumentos e girafas não riem.

Segundo porque denota uma discriminação baseada em ótica social classista que por elipse classifica o humor popular como burro, estúpido, enquanto o humor de uma camada social mais alta seria, este sim, inteligente.

Olvidando o ato falho da discriminação classista, prefiro crer que se trata de ignorância na escolha do termo.

O termo certo para um tipo de humor que na Renascença entre a ociosa nobreza, passou a chamar-se "humour d'esprit" seria "humor refinado", ou "humor sofisticado" se comparado com o nosso vulgar, popular, escatológico, mas nem por isso menos inteligente humor latino,o humor da Commedia Dell'art.

Mal comparando: Um peixe à Belle Meuniére requer mais inteligência que o preparo de uma Feijoada?

Não se trata portanto de inteligência mas de estilos e gostos.

E lembro que o popular também paga impostos e constrói este País. Somente para alguns continua a ser visto como um burro, de carga.

 

A Velha Didática e a Minha Jovem Neta

image A Velha Didática e a Minha Jovem Neta

A Revolução na Didatica

Minha neta completa hoje 12 anos de idade.

Uma menina esperta,vivaz, bem humorada, carinhosa, inteligente e muito querida por este avô coruja, que veio a São Paulo para abraça-la.

Mas , um probleminha: não gosta de estudar. Ou melhor: não consegue adaptar-se aos métodos  tradicionais de ensino.

 

Ficar sentada calada numa sala de aula, virada pra frente,de frente a uma professora-autoridade, calada, atenta, e ensimesmada ... como?

 

Num mundo que solicita a ela cada vez mais mexer-se, falar, interagir,indagar, questionar, realizar seus desejos...

 

Neste momento meu genro , em casa, tenta fazê-la entender que estudar é bom porque responde a pergunta POR QUE. E ela retruca:

 

- Mas quando quero saber PORQUE eu vou no Google.

E ela nos seus verdes anos pergunta a ele :

- Porque eu tenho que saber como eram compostas as camaras municipais da colonia norte americana antes de 1776?

Aí ele muda a matéria e passa aos tempos de verbo em ingles. Outra pernada: ela não sabe os tempos do verbo To Change. Mas não se aperta , abre o dicionario on line na web e fica sabendo.

 

Eu, que sou do tempo do latim e da taboada fico me perguntando, e relembrando Drummond:

- E agora, José?

Com  a palavra os pedagogos e especialistas, porque eu...eu sou apenas um avô coruja que amo demais a minha neta, e quero que ela seja muito feliz neste mundo cibernético.

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