
Hoje é 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora.
Mas não poderia como profissional de artes cênicas deixar passar batido um outro evento relacionado á data de hoje: porque hoje é também a data de criação do grupo teatral "Asdúbral Trouxe o Trombone", fundado em 1974
Até meados dos anos 70, Asdrúbal trouxe o trombone era apenas um código entre a atriz Regina Casé e seu pai, Geraldo, um dos pioneiros da TV brasileira. Quando aparecia um chato numa reunião ou ele percebia que a festa estava caída, dizia para a filha: "Olha, o Asdrúbal trouxe o trombone." E os dois tratavam de sumir dali rapidinho.
Sob influência do grupo britânico Monty Python, e capitaneados por Regina Casé e Hamilton Vaz Pereira, no Rio de Janeiro, em 1974, foi formado um grupo de teatro que revelou uma geração de jovens talentos, que marcou profundamente a dramaturgia brasileira, sobretudo no jeito de fazer comédia.
O trabalho do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone define-se pela desconstrução da dramaturgia, a interpretação despojada e a criação coletiva.
Vários grupos no Rio de Janeiro, até início dos anos 80, foram seus seguidores, Entre eles, a Companhia Tragicômica Jaz-o-Coração, Banduendes Por Acaso Estrelados, Beijo na Boca, Diz-Ritmia.
Na estréia, em 1974, o Asdrúbal chamou a atenção no espetáculo O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, pela vitalidade e destacou o diretor Hamilton Vaz Pereira e os atores Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, fundadores do grupo.
Segundo o crítico Yan Michalski. "Quem assistiu ao lançamento sentiu que a irreverência demolidora do grupo continha a semente de teatro novo, criado pelo prisma da visão do mundo pela geração que então estava ingressando na idade adulta. A energia prodigiosa vital do conjunto revelaria mais tarde o denominador de nova proposta teatral, que ocuparia um dos primeiros planos na atividade cênica do país".
A gratuidade intencional do nome apresenta a proposta dos integrantes: O Asdrúbal Trouxe o Trombone surge em contraponto à ideologia que marca os conjuntos teatrais desde a década de 60.
Por esta época eu estava morando em Salvador, lembro-me que vindo ao Rio fiquei impressionado com o trabalho do grupo.
Eles não eram conhecidos, mas faziam pequenos cartazes com canetas pilot, colavam nos bares do Flamengo a Copacabana e apresentavam-se em teatros do subúrbio para uma platéia que se deslocava da Zona Sul até lá só para ver o novo fenômeno teatral.
Até que conseguiram uma pauta no antigo Teatro de Arena de Copacabana...aí o sucesso foi completo.
Entre os seus integrantes destacam-se Patrícia Pillar, Patrícia Travassos, Evandro Mesquita, Perfeito Fortuna, Nina de Pádua e Gilda Guilhon.