O Òdio Nosso de Cada Dia

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É domingo e venho dirigindo meu carro pela Lagoa, Rio. Um outro carro faz uma manobra imprudente e força a passagem, bate retrovisor lateral com retrovisor lateral. Sigo em frente já que não houve dano algum. O carro emparelha com o meu. Duas senhoras, já idas nos anos. Abro o vidro e elas reclamam, peço desculpas – pelo que não fora culpa minha - daí em diante o mínimo de que sou xingado é de idiota.

A intolerância e o ódio no dia a dia tem se agigantado no País. Não sei de onde vem isso, nem quem ou o que é o causador, mas está difícil ser cordato e pacífico nos dias de hoje.

Assassinatos por motivos banais como discussão de trânsito, ou esbarrões na rua, acontecem todos os dias.  Agressões coletivas, tipo linchamento, ocorrem em todos os cantos.

Por qualquer toma lá dá cá se ouve uma enxurrada de xingamentos e palavrões. A violência, o ódio, a maldade e a perversão explodem nas ruas, nas casas, nas vielas e becos.

Se o sinal abre e você leva cinco segundos para arrancar com seu carro o buzinaço atrás de você começa estridente. A impaciência é o prenúncio da agressão.

O idoso pede seu lugar no coletivo, ou usa seu direito numa fila é xingado, humilhado... o desrespeito aos mais básicos direitos cidadãos, como respeitar a faixa de pedestre é motivo de intolerância e agressividade.

Palavrões e gestos obscenos povoam o universo urbano. Isso sem falar nas redes sociais , estas sim, tornaram-se escarradeiras de  raiva e ira.

Fico triste, muito triste com esta coisa que estou chamando de “Síndrome da Babilônia”.

Só ódio e maldade.

 

O Rock Hoje é Um Senhor Idoso: Sessenta e Um Anos

bill O Rock Hoje é Um Senhor Idoso: Sessenta e Um Anos

Bill Halley, o vovô do rock

Idoso significa “ido nos anos”. Pra garotada que curte um rock como se fosse uma novidade da moderna idade é bom saber que o gênero aniversaria hoje.

Faz sessenta e um anos de existência. Ou melhor: há exatos sessenta e um anos Bill Halley e sua banda “The Comets” gravavam o primeiro rock: “Rock Around The Clock”.

Era um escândalo junto aos conservadores: Bill Halley e Seus Cometas.

Eu tinha seis para sete anos na época e lembro-me do pai bem conservador de um amiguinho que eu tinha e que chegou a casa sobraçando um vinil deste lançamento. Vituperava e vociferava indignado dizendo que aquilo era só barulho, que não havia arte, que não era música. Fez tamanho escarcéu, amaldiçoou o cantor e sua banda, e logo ele que era um ex-padre excomungado por ter largado a batina para se casar.    Mas ainda assim nos obrigava a todos a ajoelharmo-nos  à noite frente a um retrato do Papa Pio XII (o da Concordata com Mussolini) para rezar antes de dormirmos, quando estávamos em sua casa.

O escândalo desse homem  que Nelson Rodrigues chamaria de "falso moralisa"  marcou em mim o surgimento do rock, no ano de 1954.

O vizinho já está morto e enterrado, e o rock mais vivo que nunca.

Morre a Crítica Bárbara Heliodora e Eu Me Lembro de Groucho Marx

 Morre a Crítica Bárbara Heliodora e Eu Me  Lembro de Groucho Marx

Groucho com ácido humor meditando sobre a crítica

A morte vem para todos, e aos 91 anos eu diria que Bárbara cumpriu o destino bíblico de viver até fartar-se. Ou não. Que sua alma tenha paz. Mas relembro Groucho Marx sobre a crítica em seu livro "Groucho e Eu". O artigo é longo e dou-me ao direito de otimizar os  trechos:

Não pretendo defender os críticos. A verdade é que ainda não descobri para que eles servem...Durante anos venho meditando sobre os críticos. Uma peça é ostensivamente escrita para certo público, mas se a crítica põe o dedão para baixo, este público jamais terá a oportunidade de vê-la... Se a plateia sai satisfeita da estreia de uma peça, por que não se pode permitir que o resto dos espectadores possíveis a veja?...

...Havia cerca de noventa a cem teatros na cidade de Nova York. Agora só existem uns vinte. Palhaçadas e brigas engraçadas virtualmente desapareceram de cena... Acredito que a ausência de umas sonoras gargalhadas é parcialmente responsável pelo atual estado do teatro. A maior parte da sua alegria foi eliminada e os críticos foram os responsáveis.

Um renomado crítico...escreveu recentemente sobre uma peça chamada "Make a Milion.. Vejam o que ele escreveu: “Isto não é tanto uma crítica, mas uma confissão”. Passei boa parte da noite passada rindo com uma peça muito ruim”.

Aí está! Este crítico passou a noite rindo, mas finalmente decidiu que era uma peça “muito ruim”. A única pretensão da peça era fazer as pessoas rirem e conseguiu. Eles não anunciaram que estavam pretendendo fazer O Rei Lear ou A Morte do Caixeiro Viajante. Tudo o que prometiam era uma comédia engraçada - mas isto não era suficiente para o referido crítico.

Seria interessante saber quem decidiu que esses seis cavalheiros da crítica de Nova York... fossem escolhidos para se transformarem em guardiães oficiais do gosto do público. Por que eles não se esquecem do teatro por alguns séculos e deixam ao frequentador médio a chance de ver o que desejar?

Você pode observar que os críticos não atacam a indústria automobilística. Sabe por quê? Porque a companhia ofendida prontamente retiraria todos os seus anúncios! Nenhum jornal publica em letras destacadas o seguinte aviso: “Não comprem essas repugnantes camisas que os Armazéns Delaney vendem a 1,78 dólares”...

Acho que se os críticos de Nova York empacotassem as suas máquinas de escrever e se mudassem para a Mongólia e lá permanecessem por uns dez anos, o teatro voltaria a florescer como no começo do século, apesar da concorrência da televisão, dos filmes, do boliche e do sexo...

Os Doces e a Doce Poesia de Cora Coralina

 

cora Os Doces e a Doce Poesia de Cora Coralina

Cora ao lado de um de seus tachospara doces

A poetisa goiana, encantadora e graciosa do alto da sua quase centenária idade completa hoje trinta anos de morta.

Conheci Cora Coralina  em visita que fiz à sua casa em Goiás Velho, antiga capital do Estado.

Uma casa colonial cuja sala estava repleta de docinhos e guloseimas espalhadas sobre mesas diversas, para venda aos visitantes. Doces feitos por ela mesma, com a mesma doçura e gosto das suas poesias.

Eu, que como a maioria dos jovens, nunca fora dado ao verniz social fiquei encantado com aquela senhora idosa e fiz-lhe a pergunta cuja resposta não esqueço até hoje:

- Que idade a senhora tem?

- Meu filho, não se pergunta a idade a uma dama. Mas eu posso lhe responder que tenho já todas as idades.

Cora a faleceu em 1985 aos 96 anos de idade.  Sinto até hoje o gosto de seus doces caseiros, e na minha alma canta a sua poesia.

Me esforço para ser melhor a cada dia. Pois bondade também se aprende”  disse ela

Antes, Muito Antes da TV, a Comédia no Cinema

 

tres Antes, Muito Antes da TV, a Comédia no Cinema

Mazzaroppi, Ankito e Oscarito

Antes que o Brasil se debruçasse sobre a trinca Jô Soares, Agildo Ribeiro e Chico Anysio que pontificaram a comédia brasileira através da pequena tela da tv nas décadas de 70 e 80, muito antes disto tivemos uma brilhante trinca de comediantes através das telas gigantes do cinema: Oscarito, Ankito e Mazzaroppi.

Mazzaropi foi a versão paulista da comédia brasileira. Oscarito e Ankito filmavam pelo Rio de Janeiro. Mazzaroppi era o jeca, o caipira do sertão paulista, o portador da Língua Geral dos paulistas, do Nheengatu, dialeto usado que misturava português e tupi, origem do R dobrado que boa parte dos brasileiros do sertão usa até hoje.

Esta data de nove de abril marca os 103 anos de nascimento de Amácio Mazzaroppi.

Trabalhou por muitos anos em teatro popular, quer num pavilhão montado por ele em São Paulo, quer em tournées pelo interior. Em 1950 estreia na TV em São Paulo com o programa Rancho Alegre, em 1952 estreia no cinema com a comédia “Sai da Frente”,  e em 1961 montas sua própria companhia cinematográfica e começa a produzir suas próprias comédias.

Multidões faziam fila em todo o Brasil ara assistir seus filmes que concorriam diretamente com os de Oscarito e de Ankito.

Já vai longe nos anos este Brasil dos três comediantes, mas continuam firmes na memória nacional.

Tou Ligadão Nos Dez Mandamentos

faraó Tou Ligadão Nos Dez Mandamentos

Elenco composto por colegas que dão orgulho de trabalhar com eles

 

Sou ator, e como profissional muitas vezes devo assistir filmes, peças e teledramaturgia para me informar, tomar conhecimento e aprender.

Mas nem sempre acontece. Não é com toda e qualquer produção.

Em teatro geralmente sento ao fundo, na última fileira. Em 5 minutos já posso dizer – com 49 anos de teatr0 - o que vem pela frente, e aí, se for o caso no primeiro escurinho de luz eu saio de fininho sem chamar a atenção. Além, do que sofro da síndrome de Alice Tamborindeguy: não aguento ficar sentado mais de uma hora. Raríssimas vezes prendem-me a atenção mais que isso.

Em telenovela não vejo todas. Vi muitas, e as saboreio na maioria das vezes como espectador mesmo, embora não deixe de ficar com o olho crítico ligado a toda a parte técnica e interpretativa que se desenrola aos meus olhos.

Em toda a minha vida uma dez novelas devem realmente ter me empolgado, como é o caso agora de “Os Dez Mandamentos”. Deu oito e vinte da noite e já estrou grudado na tela da Record aguardando o início da novela e despedindo-me do meu amigo Wagner Montes.

Saboreio cada cena de “Os Dez Mandamentos”,  até porque os autores escrevem finas tramas que vão além da história bíblica, atravessam o épico e o epopeico e chegam às minúcias dos costumes do dia a dia. Novela mesmo.

Suspeito, por fazer parte do elenco – entro no capítulo 57 - recomendo ainda assim aos que ainda não viram que se liguem nessa novela. Eu tou ligado!

Jornalista: Profissão de Risco

jornalista Jornalista: Profissão de Risco

 

Hoje é o Dia do Jornalista. Parabéns a todos os trabalhadores desta categoria que nos mantém informados e ligados em todos os fatos e acontecimentos sociais.

Na maioria das vezes quando pensamos em jornalistas nos vem à mente os profissionais das grandes mídias das grandes metrópoles.

Mas há milhares de profissionais nas pequenas e médias cidades do Mundo todo, no caso específico: no Brasil. São profissionais desconhecidos do grande público e  que muitas vezes foram e são expostos aos perigos de informar numa cidade ou região onde a força e a violência, onde os direitos humanos, a cidadania e a Justiça não estão assegurados. São assassinados em algum lugar do Brasil por terem denunciado e afrontado interesses estranhos à Comunidade a que pertencem. Somente no triênio 2011-2013, 15 jornalistas foram assassinados no País.

No dia de hoje, meu pensamento vai para todos estes mártires, no Brasil e no Mundo, que deram a vida pela liberdade de informar e de se expressar.

E Se Cacilda Becker Não Morresse?

 

 

cac E Se Cacilda Becker Não Morresse?

Cacilda - belíssima - ao lado de Jardel Filho no filme "Floradas na Serra"

Se Cacilda Becker fosse viva hoje estaria completando 94 anos de idade.

Mas, ponho-me a imaginar se a vida de Cacilda não tivesse sido tão breve.

Qual teria sido sua trajetória? Fundadora do TBC e do moderno teatro brasileiro, asmática, com dificuldades de respiração foi uma das melhores atrizes nacionais.

Uma completa atriz teatro fez apenas três filmes, e uma peça de teatro para a TV. Faleceu em 1969 quando a indústria da telenovela brasileira engatinhava.

Será que Cacilda seria atriz de telenovelas? Mergulharia de cabeça na produção industrial de conteúdo e terminaria seus dias com beijos lésbicos na busca pela audiência disfarçada em luta contra o preconceito?

Faria comerciais da Friboi ou de Planos de Saúde, ou do Itaú e Bradesco?

Participaria de manifestações golpistas contra Dilma, ou seria do PT?

Será – a julgar pelas informações cientificas de física quântica em universos paralelos – que Cacilda num desses universos estaria agora casada com filhos e netos?  Ou estaria vestida com uma burca recheada de bombas no Oriente Médio?

Ilações de um ator na madrugada. Fatio é que a nossa vida é uma só. E a nossa realidade é esta, desta segunda feira de trabalho após o feriadão,

Cacilda está morta, viva em nossa memória. E o teatro brasileiro se ressente da sua falta.

Sir Alec Guinness Um dos Maiores Atores do Mundo

2932 alec guinness 1024x680 Sir Alec Guinness Um dos Maiores Atores do Mundo

 

Hoje seria aniversário de nascimento de Alec Guinness se vivo fosse. Nascido em 1914 exatamente às vésperas de arrebentar a I Guerra Mundial., seguida da Revolução soviética.

O jovem Guinness cresceu num mundo em profundas transformações e contradições. Acompanhou a primeira vitória dos Trabalhistas na Inglaterra, e as duas Guerras Mundiais.

Foi indicado ao Óscar de Melhor Ator em 1953 pelo filme "O Mistério da Torre" e em 1957, tendo vencido pelo seu papel em A Ponte do Rio Kwai. Foi também indicado ao Oscar de Melhor Ator (coadjuvante/secundário) em 1978, por Star Wars e 1989 por "Little Dorrit". Em 1980 recebeu um "Oscar Honorário" em reconhecimento pela suas memoráveis atuações nas telas de cinema. Em 1959 foi indicado ao Oscar pelo roteiro do filme "The Horse's Mouth", uma adaptação de romance de Joyce Cary. Foi também premiado no BAFTA, no Globo de Ouro, no Festival de Berlim e no Festival de Veneza, entre inúmeros outros prêmios e indicações recebidas ao longo de sua carreira.

Tem uma estrela na Calçada da Fama, em 1551 Vine Street.

Sou fã deste ator e, sobretudo do seu estilo britânico de representação; do seu inglês original – sem o terrível sotaque dos EEUU – e da sua elegância e fleuma, características também dos ingleses.

Não Posso Viver Sem Minha Memória

golpe Não Posso Viver Sem Minha Memória

 

Perdoem-me os. leitores diários se hoje afasto-me  dos temas culturais e sociais. Hoje o tema é político. Cinquenta e um anos do golpe civil militar que estuprou a Constituição brasileira, assassinou, torturou, exilou, demitiu, implantou um regime de terror e censura que durou 21 anos no Brasil.

Tinha eu 16 anos e acreditava na democracia. Fui criado nela, no período de 1947 a 1964.

E de repente juma tarde chuvosa de março de 1964 abate-se sobre o País o a sombra do fascismo mais deslavado, aliada aos interesses norte americanos, os militares comandantes – com raras exceções – arreglaram com os EEUU e as brandes empresas uma forma de depor o Presidente eleito e em nome de salvar o Brasil cercearam a liberdade, perseguiram a juventude, os intelectuais, os cérebros pensantes do País, fecharam o Congresso e a Morte instalou-se com o apoio da VI Frota norte americana encostada em nossas costas marítimas com mais de cem mil toneladas de bombas caso houvesse reação por parte das forças democráticas.

Por vinte e um anos fui proibido de ler os livros que desejasse, de ver os filmes, de assistir às peças, de representar as que desejasse, de viajar para onde quisesse, de conversar sobre quaisquer assuntos e, sobretudo de votar, de escolher meus deputados, prefeitos, governadores e Presidente da República.

Para mim uma data muito triste que não posso deixar passar despercebida.

Por isso, hoje mais triste fico ainda ao ver jovens que nem sabem o que foi a História pedindo intervenção militar e golpe de estado. Pobres coitados e equivocados. A democracia e a linberdade, mesmo com todas ass falhas ainda é o melhor dos regimes.

 

Você é daqueles que acham que um regime militar resolve tudo?

  • Sim
  • Não
 Não Posso Viver Sem Minha Memória

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