Relembrando Orson Welles, o Cidadão Kane

kane Relembrando Orson Welles, o Cidadão Kane

Em "Cidadão Kane"

O dia de hoje marca o centenário de nascimento de um dos ícones da cinematografia mundial: Orson Welles.

Em 1938, Orson Welles produziu uma transmissão de rádio intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells e que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres. Um Exército que ninguém via, mas que, de acordo com a dramatização radiofónica, em tom jornalístico, acabara de desembarcar no nosso planeta. O sucesso da transmissão foi tão grande que no dia seguinte todos queriam saber quem era o responsável pela tal "pegadinha". A fama do jovem Welles começava.

Depois foi para o cinema, onde dirigiu e atuou em 1941 na sua maior obra: O Cidadão Kane.

Esteve no Brasil pela década de 50 para fazer inserções do carnaval carioca num longa que ficou inacabado porque a RKO mudou tudo e sequer lhe pagou pelos direitos da ideia original.

Foi casado com a atriz Rita Hayworth, e atuou como ator em muitos outros filmes, e mesmo em pequenos papéis era um mito, um destaque que chamava a atenção dos críticos e espectadores.

Faleceu aos 70 anos de ataque cardíaco.  Uma de suas frases diz o que ele pensava sobre a profissão de ator: "Esse é o maior trem elétrico que um menino já teve.”.

 

Vinte e Um Anos Sem Mario Quintana, Mas Eles Passarão

 

quintana Vinte e Um Anos Sem Mario Quintana, Mas Eles Passarão

 

O gaúcho Quintana é sem sombra de dúvidas um dos maiores poetas brasileiros. Jornalista de profissão, nunca se casou nem deixou filhos. Viveu grande parte da sua vida no Hotel Majestic , em Porto Alegre, hoje tombado pelo Patrimônio do Estado e transformado em Casa de Cultura Mario Quintana. Faleceu na data de hoje em 1994, tendo nascido em 1906.

O nome ele sempre escreveu sem acento, e por três vezes concorreu a uma cadeira na ABL não conseguindo os votos necessários.

Isso jamais impediu de ser hoje dos mais consagrados e conhecidos literatos do País.

Trabalhava no Correio do Povo, que quando faliu ele perdeu seu quarto no Hotel Majestic e com estoicismo, indo morar num, quarto menor no Hotel Royal disse com estoicismo uma das mais belas frases poéticas do País: "Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas".

Deixou uma fantástica obra literária. Amo um de seus menores poemas, o “Poeminha do Contra”:

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

 

Escola de Teatro Martins Penna Pede Socorro

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Fachada da Escola Martins Penna, fundada em 1908

Todos sabem que a Martins Pena, no Rio,  é a escola de teatro mais antiga da América Latina, é a única escola técnica gratuita, que formou profissionais como Procópio Ferreira, Tereza Rachel, Alexandra Richter, Claudia Gimenez, Joana Fomm, Jéssica Barbosa, Denise Fraga, Jô Bilac, Armando Babaioff, Rafael Canedo e continua formando profissionais de excelência e que recebe alunos, não só de todo o Brasil, mas de outros países, tais como: Portugal, Argentina, Estados Unidos, Uruguai, entre tantos outros. A escola pode fechar por descaso do Estado. Não é um problema novo, mas a iminência de fechar está mais próxima do que nunca.

Os funcionários estão sem receber desde outubro, não tem água e telefone, o Teatro Luiz Peixoto sofre com ratos, baratas, cupins, fora os alagamentos provocados pelas chuvas que ajudam na sua deterioração. Os ventiladores não funcionam, estão sem professores, pois muitos foram mandados embora, não podem abrir concurso pra novos professores, faltam funcionários, pois também foram mandados embora.

O Mais Antigo Teatro em Funcionamento nas Américas

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Toda vez que vou a Outro Preto – MG, faço questão de visitar o Theatro Municipal de lá.

Piso com respeito e carinho naquelas tábuas da plateia e do palco. É o mais antigo teatro em funcionamento nas Américas.

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Inaugurado em 6 de junho de 1770, quando o Brasil ainda era Vice- reino de Portugal. Construído pelo contratador de quintos e estradas João de Souza Lisboa.

No teatro apresentavam-se à época música, oratórias, peças e poesias, muitas delas escritas especialmente para este teatro pelo poeta Inconfidente Claudio Manoel da Costa.

Um teatro simples, pequeno, à época considerado pobre para uma Vila Rica como era chamada a capital das Geraes.

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Indo a Ouro Preto não deixe de visitar o Theatro Municipal, reverenciando esta parte da memória nacional.

Fabio Porchat Picado Entre Abelhas

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A outra face de Fábio Porchat

 

Porchat ( para mim um dos mais brilhantes comediantes da nova geraçlão) lança um novo filme,  “Entre Abelhas”.  Ainda não assisti, mas leio sua entrevista a um jornal onde ele diz que não é apenas humorista, é ator, e que o filme não é uma comédia rasgada , que o público não deve esperar gargalhadas sonoras. “Sou um ator formado. Posso fazer diversos trabalhos . Não estou enganando o público.” São algumas de suas assertivas na entrevista.

Também levei vinte anos dizendo que não era apenas humorista ou cô9mico, que era ator, que podia fazer trabalhos sérios...a ponto de um dos meus empresários – de SP – toda vez que me telefona até hoje me perguntar às gargalhadas : já decidiu se é  ator ou humorista?

Para mim foi um drama depois de ser rotulado como humorista ou comediante tentar tirar este rótulo  e apresentar ao seu público algo mais sério.

É como vender uma coca cola azul, ou um bife lilás. O público rejeita a mudança. Os que gostam de você como comediante afastam-se pois não querem vê-lo em coisas “sérias”, e os que gostam de coisas “sérias” não vão lhe ver porque para eles você será sempre um cômico.

Tomara que Porchat  consiga resolver esta equação, caso contrário continuará adúltero como eu: casado com a comédia e namorando o drama

Memórias de Um Primeiro de Maio na Ditadura

1 maio Memórias de Um Primeiro de Maio na Ditadura

 

Primeiro de Maio de 1968.  Era questão de honra para as forças democráticas celebrar o Primeiro de Maio, mesmo debaixo da repressão feroz do Regime Militar.

Era preciso de alguma forma fazer saber a todos que nutriam esperanças da volta de um regime democrático que a chama não se apagara, que as brasas ainda ardiam e patriotas e democratas de alguma forma se posicionavam contra o arbítrio do regime de exceção.

O Ato foi marcado para o Campo de São Cristóvão, no Rio. À hora marcada lá estávamos, não mais que 50 pessoas, dispersas na imensidão da praça, até nos reunirmos junto ao pequeno coreto.

A praça cercada por tropas em muito maior número. O objetivo militar naquele momento era mais de intimidar que exatamente de prender ou espancar. Foi quando o então senador Mario Martins, antigo udenista, golpista de primeira hora em 1964, mas que em 1966 rompera com o arbítrio e aderira ao MDB e fora eleito pela oposição ao Regime, subiu ao coreto e de viva voz saudou a luta dos trabalhadores e a luta das forças populares pela democracia.

Foi um ato simples, rápido, mas que dizia a todos que mesmo debaixo de baionetas e armas de fogo não nos calávamos não nos acovardávamos, e o Primeiro de Maio, naquele 1968 fora então mais uma vez, como sempre, comemorado em praça pública.

Betty Faria Retrata ” A Atriz” Em Declínio

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Em meu primeiro trabalho na teledramaturgia tive a oportunidade de contracenar com ela. Foi em “Tieta” a novela que me apresentou fazendo o “Bafo de Bode” sucesso antológico da  minha carreira.

Depois disto creio que nunca mais nos vimos ou nos falamos sequer, e agora, 26 anos após tenho o prazer de estar em cena com esta diva das artes cênicas do Brasil; este ícone da nossa dramaturgia que aceitou o desafio de estar no palco e abrir o pano na data de hoje, dia 30, com apenas 15 dias de ensaios, ocupando lugar vago e confirmando  o dito popular de que “quem vai ao vento perde o assento”.

A vitalidade , a criatividade, a solidariedade de Betty durante no trabalho é impressionante. A peça que hoje abre a cortina do Teatro Leblon – na Sala Marília Pera , é uma alta comédia que retrata o momento de declínio de uma grande atriz que prefere retirar-se da cena antes da decadência total. Abandona o amor da sua vida pelo conforto   e segurança financeira de um banqueiro suíço.

A foto acima (oficial da produção da peça) retrata o vigor, a beleza e a personalidade desta mais que provada profissional de teatro, cinema e tv.

Terremoto de Janete Clair Salvou Novela “Anastácia”

leila diniz e marieta severo no sheik de agadir em 1966 Terremoto de Janete Clair Salvou Novela Anastácia

Leila e Marieta Severo em "Anastacia"

 

A novela “Anastácia, a Mulher Sem Destino” produzida pela Rede Globo em 1967, protagonizada por Leila Diniz, era uma superprodução. Muita grana investida. Escrita por Emiliano Queiroz, Dirigida pelo Henrique Martins e produto do núcleo de Glória Magadan. Elenco gigantesco, grandes nomes... etc. etc. . Mas tornou-se um fracasso retumbante. Arrastava-se para o fundo como um navio naufragado.

Até que contrataram uma autora de radio novelas então neófita para a teledramaturgia: Janete Clair. A primeira coisa que ela fez foi um terremoto na cidade onde se passava a novela.  Matou a maioria das personagens. Uma tragédia televisionada. Poucos sobreviventes. Aí recomeçou a novela, do zero. Uma nova novela e foi sucesso.

Será que apenas as mudanças de cena e de personalidades das personagens são suficientes para salvar a “... Babilônia que caiu”? Ou seria necessário um terremoto à moda antiga?

Quem sobreviver verá.

O Humor e as Provocações de Antonio Abujamra

abu O Humor e as Provocações de Antonio Abujamra

 

Tive o prazer de dividir diversos momentos da minha vida com este que foi um dos maiores cérebros pensantes do teatro e da cultura brasileira: Antonio Abujamra.

Seu humor era ácido, ser  provocativo e sarcástico era a a sua marca principal. Era um prazer divertir-se às custas dos exercícios mentais que nos propunha. Desafiava, instigava,  a nossa inteligência.

Para o anedotário teatral Abujamra   nunca fez sucesso de bilheteria em teatro, A maioria das peças que dirigiu ou atuou  foram fracassos, o que o levava a dizer:”             Quem quiser fracasso venha trabalhar comigo”. Este era seu humor, excelente humor.

Certa vez entrei num taxi e o motorista me disse que todos os artistas eram muito simpáticos, menos aquele que havia feito o Ravengar na tv.  Perguntei por que, e ele me disse que aquele homem de capa preta,  com cara de mau e sobrancelhas grossas  entrara no seu taxi e o taxista perguntara:

“ - Para onde vamos? “

“-Não interessa” ,   disse Abu.

“- Como não interessa:?”.

“Não lhe  interessa, não me faça perguntas tolas”.

“ - Aí eu pus ele pra fora do taxi. Muito mal educado.”

Eu imagino o quanto Abujamra deve ter rido o resto da sua vida desta provocação que fizera com o motorista,

Doutra feita, no enterro de uma atriz querida, a cova ficava no alto do cemitério, um calor carioca de 40 graus. Abu parou no meio da subida, suando dentro  de seu indefectível sobretudo preto, me chamou, sentamo-nos sobre a mármore de um tumulo desconhecido e sem a menor sem cerimônia, irreverente,  falava-me do cotidiano e das coisas mais  picantes da vida. Deve ter  servido de distração e quebrado a monotonia  eterna , tediosa, do morador  daquela  tumba.

Deixa lembranças e lições que o manterão vivo em nossas mentes e corações por todo o tempo.

Porquê Artistas Usam Óculos Escuros em Velórios e Enterros?

 

falabela Porquê Artistas Usam  Óculos Escuros em Velórios e Enterros?

Falabella e Claudia Gimenez no velório do jovem Rafael Mascarenhas

Como ator faz parte da minha profissão e processo criativo ser observador. É da observação do mundo e do próximo que vamos enchendo nossa canastra de referências para compor personagens.

Uma destas observações é que boa parte dos artistas, sobretudo as mulheres usam óculos escuros quando vão ao velório ou enterro de alguém.

Procuro entender o porquê desta prática.  Esconder olhos inchados pelo tamanho pranto derramado? Não creio alguns deles parte  eram íntimos dos falecidos.

Nos últimos dias os céus chamaram muitos de nós, e lá estavam os indefectíveis óculos escuros.

Seu uso será apenas por elegância? Também não posso crer.

Merchandising de óticas? Não creio que cheguemos a tanto.

Perguntei a uma colega porque os óculos escuros no velório de um outro e ela me disse que na verdade os óculos escuros nada tinham a ver com a luminosidade ou com lágrimas. Ela os usava como forma de intimidação: seu uso servia para inibir a aproximação de jornalistas e curiosos, uma espécie de “I Want to be alone”. É como se ela estivesse dizendo: “Respeitem-me, quero recolher-me dentro de mim mesmo neste momento”. Ao mesmo tempo em que passava uma imagem intimidatória. Como nossos carros, blindados e com os vidros escuros, como nossas casas com grades, muros altos e eletrificados, como nossos condomínios com seguranças, alarmes e circuitos de TV.

Ela não deixa de ter razão, artistas e celebridades  são muito assediados, sobretudo em ocasiões como essas.  E é fato: eu mesmo, durante o velório de meu pai, no auge do sucesso do "Bafo de bode"  vinham pessoas de outras salas para pedir autógrafos, mesmo estando eu aos prantos. Eu explicava que estava prantendo meu pai e elas diziam: "Mas é só um autógrafo, rapidinho." Hoje pediriam  selfies.

Talvez os óculos escuros os intimidassem e me permitissem prantear em paz.