Os Chatos e os Humoristas

costa Os Chatos e os Humoristas

Costinha, hoje, sobreviveria aos chatos?

Leio duas entrevistas, uma do humorista Diogo Portugal e outra do Marcos Veras. Diogo afirma que está cada dia mais difícil fazer humor por causa da perseguição dos chatos com seu “politicamente correto”. Marcos diz que não faz humor sobre tudo.

Duas opiniões diversas, que somadas nos levam a equilíbrio.

É fato que hoje há uma enorme quantidade de chatos, que baseados no politicamente correto enchem o saco de qualquer pessoa, não só de humoristas.

Mas há também os colegas humoristas que não tem limites e andam falando o que o bom senso manda calar.

Elegância no que se fala em cena é a origem do nosso oficio.

Ser humorista não nos libera das regras sociais ou morais. Quando a gente vai abrir a boca em cena pra contar uma piada, uma anedota ou um caso há um superego (e sempre há) dentro de nós que diz: “Isso não”. Se não ouvimos esta voz e não negociamos ela com o inconsciente que nos diz: “Isso sim” buscando o meio termo, o caminho do centro, então é claro que estaremos expostos às almas raivosas que saem dos infernos buscam encher o saco dos seus semelhantes.

Os tempos são agressivos e rudes – vide “Charlie Hebdo” - e "Prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém.”.

Mãe, Palavra Que Define a Humanidade

mae Mãe, Palavra Que Define a Humanidade

Hoje é o Dia das Mães. Parabenizo todas elas a começar pela nossa mãe... quando ainda a temos.

Pus-me a pensar sobre todos aqueles cujas mães já deixaram esta vida, como a minha que faleceu quando eu tinha apenas 15 anos de idade.

A lembrança dessas mães que se foram a nossa memória nos leva a abraça-las com a alma em festa.

Mas há neste momento, em muitos lares do País aqueles que estão sofrendo por suas mães que estão em leitos de dor, em casas... hospitais... em UTIs, lutando pela vida, aguardando por um milagre.

São momentos de profunda angústia, porque são momentos de incertezas e dúvidas, medos e ansiedades, dores e tristezas.

A todos estes que hoje sofrem momento semelhante elevo meu pensamento solidário e desejo que a Providência Divina os ampare e às suas mães.

Da mesma forma há hoje  milhares de mães que sofrem pela perda de seus filhos que a Morte levou; pelos filhos doentes; pelos filhos que se perderam nos vícios e nos crimes...mães que choram e cujas lágrimas lavam suas almas doridas. Que a data de hoje lhes traga consolação e força.

A todas as mães o meu respeito e a minha homenagem nesta data.

A Disciplina do Ator Através de Bibi Ferreira e Walter Avancini

bibi A Disciplina do Ator Através de Bibi Ferreira e Walter Avancini

Quando se fala em disciplina na profissão das artes cênicas sempre se associa logo que disciplina é chegar no horário. Muitas vezes eu ouço atores dizendo:

-Eu sou profissional, chego sempre no horário.

Como se o profissionalismo se resumisse a isto. Chegar no horário é o mínimo que se pode esperar de um ator, porque isto é o que se deve esperar de qualquer pessoa que tenha um compromisso agendado. Profissional, ou não.

Quando eu falo de disciplina refiro-me à disciplina interna  do ator, coisa que aprendi com dois mestres: Bibi Ferreira e Walter Avancini, uma no Teatro e o outro na TV.

Para dar um exemplo conto o fato ocorrido entre eu e Bibi, em São Paulo, quando da estreia da peça "Deus Lhe Pague", de Joracy Camargo, onde contracenava com Humberto Martins e Adriane Galisteu.

Fazia frio na época da estreia, e  eu como bom morador do Rio tinha apenas uma blusa de lã. Por sinal cara e de renomada etiqueta. mas quando cheguei ao saguão do Hotel para ir com ela à estreia no Teatro, ela me disse:

-"O senhor não tem um sobretudo? Vai me aparecer com esta blusinha de lã para a plateia paulistana? O senhor é um ator, um protagonista, uma estrela !!! Tem que estar sempre muito bem vestido, o público o observa sempre. Amanhã o senhor saia e compre um sobretudo. tenha pudor !!!"

Não preciso dizer que ensaiar ou trabalhar de bermudas e chinelos, para Bibi, nem pensar!!!

Com Bibi aprendi a disciplina interna do ator: não falar quando o assunto não lhe diz respeito; esperar o Diretor e os colegas falarem; ouvir e entender os enunciados de ensaios e exercícios; sentar com postura correta diante de todos; aguardar pacientemente e em silêncio ser chamado para a cena... E vai por aí.

E sobretudo os horários: se é indisciplina chegar atrasado, mais ainda é chegar antes, constrangendo as pessoas.

Já Avancini era muito mais severo que Bibi: dizia ele que cenário não foi feito para ator sentar ou deitar, a não ser na hora de gravar; objeto de cena dos outros colegas não devia ser tocado; concentração absoluta na hora da sua cena e na dos outros; durante o almoço os atores deviam manter a concentração, permanecendo calados enquanto comem; ter o texto decorado, estudado e memorizado, e sobretudo: romper limites na busca da criatividade e da interpretação. Para Avancini não deveria existir ator cansado, e o ato de representar deveria trazer prazer e alheamento dos problemas diários e mundanos.

Era excitante trabalhar com ele, e os resultados sempre foram os melhores da teledramaturgia brasileira.

Aos Mestres, com carinho.

avec A Disciplina do Ator Através de Bibi Ferreira e Walter Avancini

A Comédia “A Atriz” Estreia Hoje Para Público e Convidados

 

betty2 A Comédia A Atriz Estreia Hoje Para Público e Convidados

Eu e Betty numa cena da peça

 

Em comemoração aos 50 anos de carreira, Betty Faria estrela a alta comédia “A Atriz”, com direção de Bibi Ferreira, texto do inglês Peter Quilter e produção de Montenegro e Raman. A estreia para convidados será hoje  aniversário da Betty.

A peça ficará em cartaz no Teatro Leblon, às 21h,  com apresentações de quinta a domingo. (Domingos às 20h).

A ação do espetáculo acontece no camarim da diva Lydia Martin (Betty Faria), no dia em que ela vai entrar no palco pela última vez, encenando O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov. Lydia é uma mulher que dedicou todos os anos de sua vida ao Teatro e às personagens que interpretou, mas que está agora vivenciando um momento de dúvida: “Serei ainda convidada para grandes personagens? Ou esse direito, essa glória pertencem apenas às mais jovens?”.

O autor já teve algumas de suas peças encenadas no Brasil como o musical sobre a vida da cantora Judy Garland e a comédia A Gloriosa, sobre a vida de Florence Foster Jenkins, considerada uma das piores cantoras de todos os tempos.

Betty Faria divide o palco comigo , que interpreto Charles, seu noivo, um homem mais velho, com quem Lydia pretende ir viver fora do país ao se aposentar. Mas Lydia ainda mantém o desejo por Paul (Giuseppe Oristanio), seu ex-marido e pai de seu filho (Pedro Gracindo). Lydia ainda tem que lidar com o Diretor do espetáculo (Gabriel Gracindo) e suas exigências cênicas, seu Agente (Cacau Hygino), afogado em carências, e a Camareira (Stela Freitas), vagando nos bastidores entre a humildade e o veneno mortal.

Vamos Deixar de Zoeira, Hoje É o Dia do Silêncio

silence Vamos Deixar de Zoeira, Hoje É o Dia do Silêncio

pssssiiiiuuuu!!!

Hoje é o Dia do Silêncio. Não sei por que escolheram esta data para marcar o dia em que devemos ouvir mais que falar. Em que devemos evitar fazer barulhos e alimentar  poluições sonoras.

Talvez por ser a data da rendição incondicional da Alemanha Nazista, e o fim da II Guerra Mundial. Silêncio em respeito a todos os mortos nesta guerra e em todas outras?

Talvez.

Mas sei que o silêncio de cada um de nós, em  nós é de muita importância.

Ninguém pode ouvir sua voz interior, seus desejos mais íntimos, sua sabedoria, sua intuição... se não ficar em silêncio.

Já basta o barulho da sociedade moderna, decibéis a mais em todos os lugares, então, ficar calado em silêncio nem que seja por apenas alguns minutos no dia de hoje pode nos levar a um mundo de sensações e pensamentos que jamais imaginamos existir.

Experimente.

A gente mesmo não repara... mas como a gente fala! Fala pelos cotovelos como diz o dito popular.

A gente percebe mais claramente como as pessoas falam e berram quando estamos num restaurante ou num coletivo e alguém começa a falar ao celular.

É um ruído de comunicação que incomoda em volta. E falamos, falamos... Na minha experiência de vida creio que o lugar onde mais se fala , e se fala em voz alta quase aos berros é numa churrascaria dia de domingo.

Alguns de nós estamos tão acostumadaos à parafernália de ruídos que quando nos vemos num campo, num sítio, num lugar de absoluto silêncio e harmonia da Natureza começamos a ficar incomodados. Alguns chegam até  a falar sozinhos para quebrar o silêncio. Não sabem ficar em silêncio.

Aqui findo o post de hoje, relembrando Shakespeare, com a frase final em "Hamlet": "O resto, é silêncio".

Relembrando Orson Welles, o Cidadão Kane

kane Relembrando Orson Welles, o Cidadão Kane

Em "Cidadão Kane"

O dia de hoje marca o centenário de nascimento de um dos ícones da cinematografia mundial: Orson Welles.

Em 1938, Orson Welles produziu uma transmissão de rádio intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells e que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres. Um Exército que ninguém via, mas que, de acordo com a dramatização radiofónica, em tom jornalístico, acabara de desembarcar no nosso planeta. O sucesso da transmissão foi tão grande que no dia seguinte todos queriam saber quem era o responsável pela tal "pegadinha". A fama do jovem Welles começava.

Depois foi para o cinema, onde dirigiu e atuou em 1941 na sua maior obra: O Cidadão Kane.

Esteve no Brasil pela década de 50 para fazer inserções do carnaval carioca num longa que ficou inacabado porque a RKO mudou tudo e sequer lhe pagou pelos direitos da ideia original.

Foi casado com a atriz Rita Hayworth, e atuou como ator em muitos outros filmes, e mesmo em pequenos papéis era um mito, um destaque que chamava a atenção dos críticos e espectadores.

Faleceu aos 70 anos de ataque cardíaco.  Uma de suas frases diz o que ele pensava sobre a profissão de ator: "Esse é o maior trem elétrico que um menino já teve.”.

 

Vinte e Um Anos Sem Mario Quintana, Mas Eles Passarão

 

quintana Vinte e Um Anos Sem Mario Quintana, Mas Eles Passarão

 

O gaúcho Quintana é sem sombra de dúvidas um dos maiores poetas brasileiros. Jornalista de profissão, nunca se casou nem deixou filhos. Viveu grande parte da sua vida no Hotel Majestic , em Porto Alegre, hoje tombado pelo Patrimônio do Estado e transformado em Casa de Cultura Mario Quintana. Faleceu na data de hoje em 1994, tendo nascido em 1906.

O nome ele sempre escreveu sem acento, e por três vezes concorreu a uma cadeira na ABL não conseguindo os votos necessários.

Isso jamais impediu de ser hoje dos mais consagrados e conhecidos literatos do País.

Trabalhava no Correio do Povo, que quando faliu ele perdeu seu quarto no Hotel Majestic e com estoicismo, indo morar num, quarto menor no Hotel Royal disse com estoicismo uma das mais belas frases poéticas do País: "Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas".

Deixou uma fantástica obra literária. Amo um de seus menores poemas, o “Poeminha do Contra”:

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

 

Escola de Teatro Martins Penna Pede Socorro

Imagem 135 1024x768 Escola de Teatro Martins Penna Pede Socorro

Fachada da Escola Martins Penna, fundada em 1908

Todos sabem que a Martins Pena, no Rio,  é a escola de teatro mais antiga da América Latina, é a única escola técnica gratuita, que formou profissionais como Procópio Ferreira, Tereza Rachel, Alexandra Richter, Claudia Gimenez, Joana Fomm, Jéssica Barbosa, Denise Fraga, Jô Bilac, Armando Babaioff, Rafael Canedo e continua formando profissionais de excelência e que recebe alunos, não só de todo o Brasil, mas de outros países, tais como: Portugal, Argentina, Estados Unidos, Uruguai, entre tantos outros. A escola pode fechar por descaso do Estado. Não é um problema novo, mas a iminência de fechar está mais próxima do que nunca.

Os funcionários estão sem receber desde outubro, não tem água e telefone, o Teatro Luiz Peixoto sofre com ratos, baratas, cupins, fora os alagamentos provocados pelas chuvas que ajudam na sua deterioração. Os ventiladores não funcionam, estão sem professores, pois muitos foram mandados embora, não podem abrir concurso pra novos professores, faltam funcionários, pois também foram mandados embora.

O Mais Antigo Teatro em Funcionamento nas Américas

ouro1 O Mais Antigo Teatro em Funcionamento nas Américas

Toda vez que vou a Outro Preto – MG, faço questão de visitar o Theatro Municipal de lá.

Piso com respeito e carinho naquelas tábuas da plateia e do palco. É o mais antigo teatro em funcionamento nas Américas.

ouro2 O Mais Antigo Teatro em Funcionamento nas Américas

Inaugurado em 6 de junho de 1770, quando o Brasil ainda era Vice- reino de Portugal. Construído pelo contratador de quintos e estradas João de Souza Lisboa.

No teatro apresentavam-se à época música, oratórias, peças e poesias, muitas delas escritas especialmente para este teatro pelo poeta Inconfidente Claudio Manoel da Costa.

Um teatro simples, pequeno, à época considerado pobre para uma Vila Rica como era chamada a capital das Geraes.

ouro3 O Mais Antigo Teatro em Funcionamento nas Américas

Indo a Ouro Preto não deixe de visitar o Theatro Municipal, reverenciando esta parte da memória nacional.

Fabio Porchat Picado Entre Abelhas

fabio3 Fabio Porchat Picado Entre Abelhas

A outra face de Fábio Porchat

 

Porchat ( para mim um dos mais brilhantes comediantes da nova geraçlão) lança um novo filme,  “Entre Abelhas”.  Ainda não assisti, mas leio sua entrevista a um jornal onde ele diz que não é apenas humorista, é ator, e que o filme não é uma comédia rasgada , que o público não deve esperar gargalhadas sonoras. “Sou um ator formado. Posso fazer diversos trabalhos . Não estou enganando o público.” São algumas de suas assertivas na entrevista.

Também levei vinte anos dizendo que não era apenas humorista ou cô9mico, que era ator, que podia fazer trabalhos sérios...a ponto de um dos meus empresários – de SP – toda vez que me telefona até hoje me perguntar às gargalhadas : já decidiu se é  ator ou humorista?

Para mim foi um drama depois de ser rotulado como humorista ou comediante tentar tirar este rótulo  e apresentar ao seu público algo mais sério.

É como vender uma coca cola azul, ou um bife lilás. O público rejeita a mudança. Os que gostam de você como comediante afastam-se pois não querem vê-lo em coisas “sérias”, e os que gostam de coisas “sérias” não vão lhe ver porque para eles você será sempre um cômico.

Tomara que Porchat  consiga resolver esta equação, caso contrário continuará adúltero como eu: casado com a comédia e namorando o drama