Atriz Zilka Salaberry: Da Bruxa Má à Doce Vovó

 

 

zilka Atriz Zilka Salaberry: Da Bruxa Má à Doce Vovó

Fantástica e inesquecível Zilka Salaberry

 

Realmente a cada dia mais me convenço que os atores são como o vinho: quanto mais velhos melhores vão se tornando.

Não falo por mim, que já beiro a ancianidade. Falo pela memória de Zilka Salavberry.

Zilka encantou a minha infância pela extinta TV Tupi fazendo papeís de bruxa no Teatrinho Trol.

Continuou seu trabalho maravilhoso, deslumbrando gerações de crianças através de suas personagens.

Delas, a mais famosa e lembrada foi a Dona Benta do Sítio do Pica Pau Amarelo.

Até eu , que já era adulto à época, parava pra ver seu talento, ouvir sua voz inconfundível e pensar se um dia a conheceria pessoalmente.

A morte a levou antes que pudesse conhece-la de perto.

Hoje seria data de seu aniversário, nascida que foi em 31 de maio de 1917.

Zilka teve por irmã outra grande atriz : Lourdes Mayer. Filha de atores casou-se também com um ator: Mario Salaberry.

Trabalhou com Procópio ferreira, Dulcina de Moraes, Dercy Gonçalves e Alda garrido.

Foi a primeira atriz brasileira a tirar a roupa no palco, Em 1950 na peça - bem a propósito para os dias de hoje: "A Copa do Mundo".

Grande atriz, soube atravessar gerações, de bruxa à Dona Benta tornou nossa vida de criança mais encantada e feliz.

Obrigado Zilka.

E Afinal O Guru Morreu ou Tá Só Meditando?

 

 

 

copa1 E Afinal O Guru Morreu ou Tá Só Meditando?

 

Enquanto no Brasil, a discussão é se vai ter Copa ou não,na ìndia o papo é se o Guru morreu ou não morreu.

A notícia seria trágica se não fosse cômica;

O guru Hri Ashutosh Maharaj (o nome é  mais complicado que morar na periferia do Rio e se chamar Myhkhaell), mas o guru de   de setenta anos de idade sentou para meditar e ali ficou.

Ficou...ficou...foi ficando...Imóvel, gelado, sem respirar... desde janeiro.

E aí começou a tragicomédia:  A Justiça da Índia foi acionada e terá de decidir se ele está vivo ou morto. Os devotos acreditam que o guru está passando por um estado profundo de meditação,  mas os parentes do religioso dizem que ele, na verdade, está morto desde janeiro.

Os devotos certos de que, aos 70 anos de idade, Maharaj está vivenciando o Samadhi, quando se alcança um nível de profunda meditação, resolveram congelar seu corpo até que o mestre desperte.

A família quer o corpo pra enterrar congelado mesmo, do jeito que está.

Com todo o respeito: o cara virou picolé e  ninguém sabe dizer com certeza se está vivo ou morto.

Vivos estão os parentes que querem a decretação da  morte, e vivíssimos também  os administradores da seita dele que o querem vivo. Porque o "santo homem" tem pra mais de 350 milhões de dólares em patrimônio e grana líquida.

Quem ficar com o zumbi - zumbi sim ,mas com todo o respeito - leva o picolé inteiro, e o resto do povo  fica literalmente chupando o palitinho.

Mas por pouco tempo pois  num exótico país que tem mais de dois milhões de deuses e milhares de seitas pode-se arranjar outro morto vivo daqui pra ali.

Com todo o respeito, é claro.

O Dragão da Maldade Invadiu a Granja Comary

quixote O Dragão da Maldade Invadiu a Granja Comary

 

Na sala de ginástica do meu prédio, vejo no jornal da tv professores universitários hostlizando o ônibus e a seleção brasileira que tenta sair para a Granja Comary e concluo que Cervantes está mais vivo que nunca.

O imortal escritor espanhol, autor do também  imortal "Dom Quixote" nem precisava estar ali para ver a sua obra confirmada.

Nela,  Dom Quixote - o Cavaleiro da Triste Figura -  ataca moinhos de  vento sonhando serem eles cavaleiros inimigos.

Mas em Cervantes, Quixote, era justificado  por ser um romântico  visionário e ter visões que não condiziam com a realidade.

"Fumaram algum estragado" - disse ao meu lado  Ronaldo, o meu vizinho idiota,  enquanto devorava doces e farinhudas  brevidades vindas de São joão Del Rey. Da minha doce Minas Gerais.

Mas junto com Quixote veio-me também à mente os índios norte americanos atirando flechas nas locomotivas que cortavam o Oeste .

Trabalhadores europeus destruindo as máquinas como se elas fossem as culpadas pelo trabalho escravo do seculo 19.

Veio-me ainda à lembrança a idiotice do meu vizinho Ronaldo, pois este  quando  se lhe  aponta uma estrela ele olha para a ponta do dedo.

Mas se Ronaldo, meu vizinho, é um idiota consagrado  pelos tratados de medicina e motivo de compaixão,aqueles mestres,  por outro lado - em tese -  são considerados sábios e lúcidos.

Por  que  a Seleção Brasileira, composta por esportistas profissionais deve ser hostilizada pela greve deles? Seria ela  um exército invasor ameaçando a donzelice das Garotas de Ipanema?

E o veículo sobre rodas? Seria um Dragão da Maldade a ser combatido numa Cruzada pela Santa Cátedra?

"Saber lutar, por si só, já é vencer". Diz o verso da poetisa mineira Rosa Berg.

Se não souber conduzir a luta, não está sabendo lutar. Não saberá vencer.

" - Depois o alienado sou eu!" . Exclamei incontido.

"- Né não, eles é que fumaram um estragado", repetiu pastoso ao meu lado Ronaldo,  o vizinho idiota.

Apesar de Quixote, dos índios, dos revoltados, e da idiotice do meu vizinho Ronaldo,  ainda assim continuamos a ter os moinhos,  as locomotivas, as máquinas, e as estrelas.

Da mesma forma, apesar dos surtos alucinatórios teremos a Copa.

" - Vou pro Uruguai, lá não tem estragado." Grunhiu Ronaldo quando acabou o telejornal. (risos)

Cyro Monteiro: Samba na Caixa de Fósforos

 

ciro Cyro Monteiro: Samba na Caixa de Fósforos

A Bossa de Ciro

 

Eu era menino. O Rio ainda era a Capital Federal. A sede do Governo era o Palácio do Catete.

Em frete ao npalácio havia um boteqjuim na esquina (rua Silveira Martins com Rua do Catete).

Um botequim em frente ao Palácio do Governo, coisa impensável na Brasilia de hoje . (Risos)

Eu morava na Silveira Martins e ia sempre ao botequim comprar fósforos, ou fumo caporal para o cachimbo de mu pai.

E ali eu via um homem muito simpático. Muito embora para mim como criança fosse aversivo ve-lo com um copo de cerveja e fumando um cigarro.

Sentado num banquinho do botequim ele cantava sambas enquanto batucava numa caixa de fósforos.

Enquanto eu aguardava ser atendido ficava maravilhado com o ritmo que ele conseguia imprimir nas batidas da caixinha de fósforos.

Essa era a marca registrada de um dos maiores sambistas brasileiros: Ciro Monteiro. Cantor e compositor.

Um homem  simples, um carioca da gema, um boêmio que dali daquele banquinho, enquanto batucava, observava também os passos da República.

Depois veio Brasilia, o Catete virou Museu, quase não se compra mais fósforos,  e Cyro vive na minha memória: em 1933 Sylvio Caldas que frequentava sua casa, chamou-o para um programa de rádio. No ano seguinte na Rádio Mayrink Veiga  passou a cantar caracterizando-se por se acompanhar sempre com uma caixa de fósforos para marcar o ritmo.

Em 1936, cantou ao lado de Carmen MirandaFrancisco Alves e Mário Reis. Um ano depois gravou seu primeiro grande êxito, Se acaso você chegasse, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins. Teve muitos outros sucessos nos anos 40, como Falsa baianaEscurinho (ambas de Geraldo Pereira) e Boogie-woogie na favela. Em 1956, participou como ator da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes. Ainda nos anos 50 e 60  participou de programas de televisão como O Foino da Bossa e Bossaudade, gravou discos e fez muitos espetáculos. Mais não fez pois cedo nos deixou, em 1973.

Hoje , se vivo, ele completaria 101 anos, nascido em 28 de maio de 1913.

Ronaldo Como Vice Até Que Ia Ser Divertido

 

brasilino Ronaldo Como Vice Até Que Ia Ser Divertido

 

Seguindo as palavras  de meu amigo Ricardo Kotscho reforço a sugestão que ele dá: Aécio Neves poderia convidar Ronaldo para ser vice na sua chapa.

Ia realmente ser muito divertido. Durante a campanha ele estaria feliz angariando fundos para a campanha trocando-os  por comerciais onde sua bela pança relembraria o atleta de ontem.

O perigo seria no dia da eleição ele dar um daquele faniquito que deu na Copa de 98 e pôr a perder  (segundo ele mesmo ) a vitoriosa eleição de Aécio Neves.

Afinal ele diz "Sou amigo dele". Li essa declaração e não consigo deixar de pensar  no personagem do imortal Péricles na Revista "O Cruzeiro" (Nada a ver com o timão mineiro do mesmo nome).

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Inesquecível criação de Péricles

 

Como um Vice quase nunca faz nada Ronaldo poderia acumular o Ministério das Obras Inacabadas.

Aí sim é que ia ser ainda mais divertido: ele com uma varinha de condão fazendo o milagre de dobrar empreiteiras, enfrentar a mídia, vencer a burocracia, contornar os lobbies, acarinhar os políticos,enfrentar as greves, agradar os black blocs, ouvir desaforos dos caras da FIFA,   e assim em pouco tempo  no cargo perderia de vez  a vergonha que agora diz ter.

Como eu já disse certa vez o Ronaldo acabou se tornando a bola da vez. Na eleição de 2002 houve a frase "Eu tenho medo". O rapaz agora diz "tenho vergonha".

À falta de uma liderança  melhor Aécio  aceitaria  além de dribles de  jogadores de futebol, camisetas bananosas de apresentadores de tv, e até  cantores de rock vestidos de lobo mau.

E segue  a festa!

Ainda sobram vários substantivos para serem usados: "tenho nojo", "tenho ojeriza", "tenho pavor", "tenho neura", "tenho dor de dente", "tenho cócegas"... vai por aí.

Escolha o seu, quem acertar o melhor leva a bolada. Ops!!! Quero dizer: faz o gol, o mesmo que Ronaldo nos deve desde 98.

ronaldo4 Ronaldo Como Vice Até Que Ia Ser Divertido

Aquilo sim foi vergonha e o mundo inteiro viu, e nem foi aqui, no meu País. Afinal,  "Viralatas? No meu País não existe...bom, só se for na França!" (Brasilino Roxo)

 

Meu País Não me Envergonha

complexo Meu País Não me Envergonha

 

A FIFA não manda em mim, não manda em você e não manda no Brasil.

A menos que você tenha rabo preso, contas a receber, ou dívidas a pagar com ela.

Portanto não sou e nem somos obrigados a satisfazer todas as exigências dela.

Logo ela que registrou no INPI como patente dela mais de duzentas palavras da nossa língua. Por exemplo a palavra "pagode" se você usar comercialmente de agora em diante sabia que terá que pagar royalties à FIFA?

Pois é. Eu tenho vergonha é de quem se abaixa pra FIFA. De quem como um vira latas lambe a mão que o apedreja.

O Brasil é maior que a Copa. A Copa passa e nós vamos continuar construindo uma Nação pra nós e nossos descendentes.

Sem vergonha de não sermos europeus ou norte americanos. Somos o que somos.

Não importa se Direita, ou Esquerda. Se cristão ou muçulmano. Há horas em que o Brasil dentro de cada um de nós fala mais alto e dele nos orgulhamos.

Tenho vergonha é da mendicância, da miséria, da fome, do desemprego. Mas ainda assim isso é problema nosso pra resolver, e não da FIFA.

A FIFA não pode pautar nem o Brasil nem os brasileiros.

Dedé Santana: Quem Não Chora Não Mama

 

 

dede Dedé Santana: Quem Não Chora Não Mama

 

Esta semana a história se repetiu: Dedé Santana deu mais uma  entrevista lamuriante. Desta vez  queixando-se que está sendo deixado de lado, que não é homenageado, que não quer ser homenageado só depois de morto, que não aproveitam ele, que não o levam a programas, que não tem suas mãsos na tal "calçada da fama",  que a platinada está deixando ele de lado, etc. etc..

É isso mesmo Dedé: se você não clamar não vão te ouvir. Clamar e re/clamar é direito seu.

Fiquei lendo as centenas de comentários sobre a entrevista do Dedé. São horríveis, com raras exceções.

A maioria revela preconceito contra a velhice. Como se ser idoso fosse ser imprestável, doente ou inútil. Atacam dedé dizendo que está velho, que já era.

Bibi Ferreira certa vez respondeu a um jovem insolente: "_ A minha velhice é permanente, a sua juventude é passageira".

Não preciso citar aqui exemplos de idosos fantásticos que chegam ao fim de seus dias -  anônimos ou não - extremamente úteis e produtivos.

Outra coisa que percebi nos comentários era que desmoralizavam as qualidades artísticas do Dedé. A maioria chegava a ser ofensiva.

Imensa injustiça.  Todo comediante protagonista precisa de um "escada" senão não acontece nada. E Dedé  foi e é um dos melhores "escadas" do País, entre outras qualidades.

O artista é um criador, não tem idade para parar de criar. Muitos artistas idosos já reclamaram em público do mercado de trabalho. A veterana Bette Davis, ganhadora de Oscars de mão cheia um dia chegou a colocar anúncio na seção de empregos de um jornal dizendo:

-Atriz, ganhadora de 2 Oscars , indicada para outros 10, com mais de uma centena de filmes, com o nome duas vezes inscrito na Calçada da Fama, procura emprego mesmo que seja de figurante.

Ela humilhou Hollywood com isso.

O equívoco do Dedé está mais no enfoque vaidoso, egóico, que a entrevista teve do que ao seu direito ao trabalho e à vida.

Na entrevista ele se lamuria muito, cita todas as suas vitórias e diz que agora  está na pior. Ou seja,  depois de citar tantas vitórias revela-se como se agora fosse  um perdedor. Ninguém simpatiza com perdedores. Ainda mais com idosos lamurientos. Sou idoso e sei disso. Por isso , creio, tantos comentários desfavoráveis às suas declarações.

Dedé é sem sombra de dúvidas um dos grandes profissionais do humor deste País, mas ninguém, por mais poderoso que seja está livre de tribulações.

O sobe e desce faz parte da vida, ainda mais na nossa profissão. E o nosso maior carrasco é a vaidade, é a soberbia do ego.

Um abraço, Dedé. Não demora  a tribulação passa e você vai estar feliz de novo, como novo.

Ou não. (Como diria Caetano Veloso.)

Há 40 Anos os Artistas Deixavam a Marginalidade

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Em 24 de maio de 1978 os Artistas e Técnicos viram aprovada e reconhecida a profissão. A Lei 6533 nos dava esse direito.

Foi uma longa luta. Basta dizer que o nosso sindicato carioca tem 83 anos de vida e a regulamentação da Profissão está chegando ainda aos 40.

Para ser exato, comemoramos hoje o 36º Aniversário.

O Deputado Álvaro Leite foi o relator da Lei. Solidário às nossas reivindicações.

Antes da Regulamentação da profissão era tudo muito patético: quem nos regia era a Polícia. Tínhamos que tirar uma carteira  ( na verdade era uma ficha policial) na Polícia Federal. Perguntavam às atrizes se tinham doença venérea, e coisas assim.

Nas cidades menores, mal chegávamos ao hotel e saíamos para a delegacia para convidar o delegado e nos apresentarmos sob sua autorização.

 

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Era assim a carteira para ator em 1973.

Foi , como disse, uma longa luta. Cheia de marchas e contra marchas. Não ganhamos de graça a Regulamentação da Profissão.

E mais, a vitória se deu com o crescimento da indústria de conteúdo.  A própria  Globo tinha interesse de regularizar suas relações trabalhistas  com os artistas e técnicos.

Antes da Lei eu  recolhia imposto sindical para o Sindicato dos Livreiros...que loucura!

A Lei veio ainda com muitos furos, muitas deformações, muitas entrelinhas a serem interpretadas dessa ou daquela forma, pois tivemos que fazer muitas concessões para chegarmos a um acordo, sobretudo  com a Globo.

E não era só a Globo, era também o Governo Ditatorial e  também as Federações e a Confederação sindicais, afinal a regulamentação traria novos Sindicatos e isso de alguma forma mudaria a relação de forças no movimento trabalhista e  nessas entidades .

Mas a Lei saiu. Hoje  estamos em dabate para a sua reformulação e aperfeiçoamento. Tudo a seu tempo.

Foi uma batalha de toda a categoria, mas relembro os nomes de Lélia Abramo (Presidente do Sindicato de SP ) e Sérgio Mamberti. No Rio a atriz  Vanda Lacerda (Presidente do Sindicato do Rio) e Vera Setta , Labanca e Otávio Augusto. Na Bahia, eu e o ator Leonel Nunes.

Minas, Pernambuco e o Rio Grande do Sul através de seus representantes também estavam na luta.

Por esta batalha, Lélia, Vanda e eu recebemos o Registro Profissional número 01, mesmo   a contragosto do Ministério do Trabalho da Ditadura.

 

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Atrizes Vanda Lacerda e Lélia Abramo

 

Do tempo em que nós artistas sequer podíamos ser enterrados em campo santo após a morte, ao glamour de hoje,   muitas leis e costumes mudaram.

Ainda bem.

Conselho aos Jovens Artistas de Hoje

 

Foto de Joana em Flor 1 Conselho aos Jovens Artistas  de Hoje

1ª Peça "Joana em Flor" : Lia Maria, eu e  Reynaldo Gonzaga. Da inexperiencia em 1966 até os dias de hoje "confesso que vivi".

milagres Conselho aos Jovens Artistas  de Hoje

 

Tinha eu 18 anos quando dediquei-me à minha primeira peça teatral. Como ator.

Foi em 1966 e mesclávamos o discurso dramatúrgico com o discurso contra a Ditadura e pelas Liberdades Denocráticas.

Naquele tempo pocos jovens desejavam fazer teatro. Era maldito... Ser modelo então, nem pensar. O mercado era mínimo de chances de trabalho.

Raríssimas família admitiam que seus filhos seguissem as artes cênicas.Hoje, mal nascem, as mães empurram os bebês para as agências . (risos).

Ator era muito mal visto. Marginal. Quando chegávamos em turnê numa pequena cidade devíamos nos apresentar ao Delegado da Polícia local e informar da nossa presença na Cidade. Para o caso de que durante nossa acontecesssem furtos, ou estupros,  tínhamos que agir assim assim para nos isentarmos de culpa ou suspeitas.

Meus irmãos, todos bem mais velhos censuravam-me, diziam que eu não seria nada na vidajá que havia parado de estudar na 8a série;  que eles iam ter que me sustentar como mendigo, que eu morreria cedo...e terrores mais e tais.

O restante da família diza que eu era maluco, no que não estavam errados (risos).

Veio a Bahia, o projeto de descentralização, de fazer teatro fora do eixo Rio_SP. Sofri muito. Passei muitas dificuldades. Mitas vezes faltou a comida. Mas não desisti.

Cada um escolhe prioridades. Na minha profissão jamais escolhi ganhar dinheiro, ficar rico. Sempre quis representar, criar,questionar...essa era a minha prioridade: viver!

Não sou rico de dinheiro, sou rico de vida. Abastado sim, próspero sim,  Um prêmio que a maturidade profissional me deu.

Nestes 48 anos de profissão fiz e vi de tudo. Representei na Europa e na América, em todo o Brasil.  Trabalhei com os grandes nomes do teatro mundial e nacional. Ganhei muitos premios. Dei palestras, conferências em várias linguas em diversos países...ensinei a muitos iniciantes...escrevi livros. Fui biografado...Na TV fiz o que chamam  de sucesso em várias novelas. Ajudei a fazer a Lei que regulamentou a Profissão. Meu Registro Profissional é o número 01 das Folhas 01 do Livro 01 da DRT.  Éramos tres números 01: Lelia Abramo em, Sp, Vanda Lacerda no Rio e eu na Bahia.

Hoje, cada vez mais no exílio edipiano vejo minhas vitórias. O que antes pareciam derrotas eram preparativos para a colheita do bom trigo. E ainda hoje  surpreendo-me  ao sentir  que  uma mão invisível nos guia quando confiamos na vida.

A família,  morta, e os sobreviventes em sua maioria  distribuindo  a  bondade burguesa  e os conceitos  medíocres dos que não ousaram viver, não ousaram vencer.

Por eles, como dizia Rauzl Seixas , eu estaria dando pipoca aos macacos.

Você, jovem, se confia no seu potencial, não esmoreça. Tome atitude . Persevere.

Não tenha medo de estar errado. Quando alguém se aproximar com você com palavras doces e apontando fáceis caminhos recomendo-lhe a leitura do poema "Cântico Negro" de José Régio.

Do muito e pouco que já vivi posso dizer a  vocês: tudo que fazemos tem um própósito, que até desconhecemos. A vida é um mistério que vai se deslindando quanto mais se aproxima do fim.

Bárbara Heliodora, a Louca Heroína da Inconfidência

240px Bárbara Heliodora Bárbara Heliodora, a Louca Heroína da Inconfidência

 

Estou lendo o livro "1789" de Pedro Doria, sobre a Inconfidência  Mineira e seus participantes.

De leitura um pouco sinuosa e confusa deixa a desejar ao ser comparado com os livros de  Laurentino Gomes (1808, 1822, 1889) sobre nossos fatos históricos.

Mas , cada escritor tem seu  stilo, e este post de hoje não se destina à crítica lierária, mas sim a datas e fatos.

No livro de Pedro  Dória o que tem ficado até agora é uma péssima impresão dos Inconfidentes. Com raríssimas exceções estariam mais interessados em se "arrumar" livrando-se das dívidas com a Coroa Portuguesa, ou buscando altos cargos e benefícios no novo governo a ser formado com a "revolução,  do que comprometidos com os ideiais republicanos.

Liberdade aos escravos nem pensar. República, parlamentarismo ou presidencialismo também não entravam nos planos. Pelo livro eles queriuam mesmo era se livrar da Coroa Portuguesa, e a independência visaria muito mais à autonomia das minas gerais que uma República Brasileira.

Enfim: o livro está levando-me a  uma quebra de paradigmas, de ilusões , de mitos que eu  espero que outros escritores e biógrafos reponham no meu imaginário idealista.

Escrevo estas linhas no dia de hoje porque extamente nesta data falecia em 1819 Bárbara Heliodora, a mulher do Poeta Alvarenga Peixoto - Inconfidente - e considerada a "Heroína da Inconfidência".

Até mesmo seu mito está indo por água abaixo: dizia-se que morreu louca, e pobre. Agora há pesquisadores que  indicam que em 1809 ela para fugir de dívidas e de penhores "vendeu" todos os seus bens para o filho. Como isso prejudicava a Fazenda Real, ela foi declarada "demente"para que a escritura fosse anulada.

Bárbara morreu mesmo foi de tuberculose aos sessenta anos de idade, em 1819. Seu marido, o poeta Alvarenga fora condenado e deportado para Angola, deixando-a deprimida é claro, mas viva e negociando nas suas terras  ainda por duas décadas.

Há muita coisa a ser desvendada sobre a História do Brasil. Até lá cada um interpreta e pesquisa  a partir da sua óptica.

Como bom mineiro , sobre tudo isso eu digo: "Passarinho na muda não canta".

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