Quando Um Celular Vale Mais Que Um fuzil

 

cell1 Quando Um Celular Vale Mais Que Um fuzil

Celular, uma bomba na luta contra o crime

 

“A Voz da Comunidade” foi uma eficiente  arma de denúncia e informação a serviço dos moradores da Comunidade do Complexo do Alemão. Criada pelo jovem René Silva relatava os tiroteios, as ameaças, as mortes, a violência policial e o banditismo. O sistema conseguiu transformar esta mídia underground numa parte do stablishment. Hoje a Voz da Comunidade é jornal, e René está integrado ao trabalho social no Alemão.

O René deu entrevistas na Globo, esteve até no "Esquenta"; deu conferências e vídeo conferências pela WEB; foi garoto herói de petistas e afins...

Mas a luta continua.

Agora é na Favela da Maré, através do “Maré Vive”, uma postagem que tem hoje a mesma função da Voz da Comunidade, indo além, citando ruas onde há tiroteios, nomes dos feridos e mortos, guiando caminhos para seguros para os moradores...e que até o momento mantém´--se longe dos refletores dos incluídos., escapando das investidas da polícia e do tráfico que revista what zapps à procura dos autores e censura as informações. “Maré Vive” é uma das dezenas de páginas criadas, gerenciadas e mantidas por moradores de comunidades carentes do Rio de Janeiro. Páginas criadas em sua total maioria por jovens.

Servem sobretudo à Comunidade. Conseguem ser mais underground que o submundo do rime.

É a guerra da comunicação e da informação , onde às vezes um simples celular vale mais que um fuzil AR15.

 

Que Deliciosa Loucura a Profissão de Ator

empty Que Deliciosa Loucura a Profissão de Ator

"Um Teatro Vazio Parece que a Vida Foi Ontem"- Procópio Ferreira

 

Quarenta e nove anos de profissão... estou ensaiando com Betty Faria, Gracindo Junior e outros colegas a peça “A Atriz” para estrear no final deste mês no Teatro do Leblon, Rio.

E mais uma vez repito o ritual de décadas: atento, sentado na coxia à espera da hora de entrar em cena.

Ali, nas sombras dos bastidores fico pensando em como durante décadas passei minha vida ali, à espera do brilho dos refletores e dos aplausos do público. Como repeti o mesmo gesto de todos os meus contemporâneos, e de todos os meus antecessores, para através de um pequeno furo na cortina vislumbrar os espectadores e saber se temos casa cheia ou não, pouco antes do terceiro sinal.

Apenas poucos metros me separam nas trevas, da luz. O silêncio da concentração ali, num canto obscuro do bastidor, do estrépito das gargalhadas e dos aplausos.

E medito: jamais pensei quando jovem que ganharia a minha vida dentro numa caixa mágica, dual como nosso planeta que se divide entre o dia e a noite. Os bastidores empoeirados, cheios de trastes e restos de cenários, cadeiras quebradas, escadas tortas, panos velhos, poeira, teias de aranhas... e a um passo a cena límpida, brilhante, iluminada.

O Destino é realmente curioso. Quando eu tinha 15 anos se me dissessem que esta seria a minha vida eu responderia: “Loucura! Estás louco!”.

E a apenas um ano de completar o cinquentenário profissional afirmo para todos os irmãos de aventura: que deliciosa loucura a profissão de ator!

Cuidado Com Os Idos de Abril

 

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Veríssimo: "O que acho da morte? Sou contra!"

Período difícil este da primeira quinzena de abril. Mas não é de agora.

A data de hoje, em 1964 marca a posse do Marechal Castello Branco, ditador pelo golpe militar, na Presidência da República. Triste período de triste memoria para a democracia brasileira.

Marca também a morte de Greta Garbo, e de Jean Paul Sartre e Jean Genet, dois dos maiores valores do pensamento francês contemporâneo.

Também, nesta semana perdemos Eduardo Galeano, e Gunther Grass, dois gigantes da literatura mundial.

Também se foram o cineasta português Manoel de Oliveira, e o ator Caco Baresi.

Ah, e no arrastão levou de quebra a crítica  de teatro  de "O Globo",  Bárbara Heliodora.

Se os idos de Março são os Idos golpistas, os de Abril são os de mau agouro.

Por isso amei a resposta de Luís Fenando Veríssimo sobre a morte: “Sou contra!”. Eu também.

Amo a Poesia de Maiakovsky

 

maia Amo a Poesia de  Maiakovsky

O Jovem Maiakovsky (1893/1930)

 

“Hoje executarei meus versos na flauta de minhas próprias vértebras”.

Este é um dos versos que mais amo da poesia de Maiakosvsky. Outro que também sempre relembro: “Em mim a anatomia ficou louca: sou todo coração.”.

Maiakovski foi levado ao suicídio na data de hoje em 1930, uma das causas entre muitas outras foi o sistema de opressão de Josef Stalin, o” Paizinho” georgiano responsável pela morte de milhões d e pessoas.

O então comissário Molotov,  do Partido Comunista,  pressionava Maiakosvsky e exigia sobretudo uma arte mais simplista, mais de acordo com o “realismo socialista”, o que para o gênio de Vladimir Maiakovski era uma estupidez.

Há inclusive a possiblidade de não ter suicidado e sim ter sido morto pelos serviços de inteligência da repressão bolchevique.

De toda forma, por mais que a História oficial tente apaga-lo do Mundo, os amantes da poesia revolvem sempre o passado e perguntam por ele, como ele mesmo disse num de seus versos.

“Caros camaradas futuros, revolvendo a merda fóssil de agora perscrutando estes dias escuros talvez pergunteis por mim...”.

O Òdio Nosso de Cada Dia

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É domingo e venho dirigindo meu carro pela Lagoa, Rio. Um outro carro faz uma manobra imprudente e força a passagem, bate retrovisor lateral com retrovisor lateral. Sigo em frente já que não houve dano algum. O carro emparelha com o meu. Duas senhoras, já idas nos anos. Abro o vidro e elas reclamam, peço desculpas – pelo que não fora culpa minha - daí em diante o mínimo de que sou xingado é de idiota.

A intolerância e o ódio no dia a dia tem se agigantado no País. Não sei de onde vem isso, nem quem ou o que é o causador, mas está difícil ser cordato e pacífico nos dias de hoje.

Assassinatos por motivos banais como discussão de trânsito, ou esbarrões na rua, acontecem todos os dias.  Agressões coletivas, tipo linchamento, ocorrem em todos os cantos.

Por qualquer toma lá dá cá se ouve uma enxurrada de xingamentos e palavrões. A violência, o ódio, a maldade e a perversão explodem nas ruas, nas casas, nas vielas e becos.

Se o sinal abre e você leva cinco segundos para arrancar com seu carro o buzinaço atrás de você começa estridente. A impaciência é o prenúncio da agressão.

O idoso pede seu lugar no coletivo, ou usa seu direito numa fila é xingado, humilhado... o desrespeito aos mais básicos direitos cidadãos, como respeitar a faixa de pedestre é motivo de intolerância e agressividade.

Palavrões e gestos obscenos povoam o universo urbano. Isso sem falar nas redes sociais , estas sim, tornaram-se escarradeiras de  raiva e ira.

Fico triste, muito triste com esta coisa que estou chamando de “Síndrome da Babilônia”.

Só ódio e maldade.

 

O Rock Hoje é Um Senhor Idoso: Sessenta e Um Anos

bill O Rock Hoje é Um Senhor Idoso: Sessenta e Um Anos

Bill Halley, o vovô do rock

Idoso significa “ido nos anos”. Pra garotada que curte um rock como se fosse uma novidade da moderna idade é bom saber que o gênero aniversaria hoje.

Faz sessenta e um anos de existência. Ou melhor: há exatos sessenta e um anos Bill Halley e sua banda “The Comets” gravavam o primeiro rock: “Rock Around The Clock”.

Era um escândalo junto aos conservadores: Bill Halley e Seus Cometas.

Eu tinha seis para sete anos na época e lembro-me do pai bem conservador de um amiguinho que eu tinha e que chegou a casa sobraçando um vinil deste lançamento. Vituperava e vociferava indignado dizendo que aquilo era só barulho, que não havia arte, que não era música. Fez tamanho escarcéu, amaldiçoou o cantor e sua banda, e logo ele que era um ex-padre excomungado por ter largado a batina para se casar.    Mas ainda assim nos obrigava a todos a ajoelharmo-nos  à noite frente a um retrato do Papa Pio XII (o da Concordata com Mussolini) para rezar antes de dormirmos, quando estávamos em sua casa.

O escândalo desse homem  que Nelson Rodrigues chamaria de "falso moralisa"  marcou em mim o surgimento do rock, no ano de 1954.

O vizinho já está morto e enterrado, e o rock mais vivo que nunca.

Morre a Crítica Bárbara Heliodora e Eu Me Lembro de Groucho Marx

 Morre a Crítica Bárbara Heliodora e Eu Me  Lembro de Groucho Marx

Groucho com ácido humor meditando sobre a crítica

A morte vem para todos, e aos 91 anos eu diria que Bárbara cumpriu o destino bíblico de viver até fartar-se. Ou não. Que sua alma tenha paz. Mas relembro Groucho Marx sobre a crítica em seu livro "Groucho e Eu". O artigo é longo e dou-me ao direito de otimizar os  trechos:

Não pretendo defender os críticos. A verdade é que ainda não descobri para que eles servem...Durante anos venho meditando sobre os críticos. Uma peça é ostensivamente escrita para certo público, mas se a crítica põe o dedão para baixo, este público jamais terá a oportunidade de vê-la... Se a plateia sai satisfeita da estreia de uma peça, por que não se pode permitir que o resto dos espectadores possíveis a veja?...

...Havia cerca de noventa a cem teatros na cidade de Nova York. Agora só existem uns vinte. Palhaçadas e brigas engraçadas virtualmente desapareceram de cena... Acredito que a ausência de umas sonoras gargalhadas é parcialmente responsável pelo atual estado do teatro. A maior parte da sua alegria foi eliminada e os críticos foram os responsáveis.

Um renomado crítico...escreveu recentemente sobre uma peça chamada "Make a Milion.. Vejam o que ele escreveu: “Isto não é tanto uma crítica, mas uma confissão”. Passei boa parte da noite passada rindo com uma peça muito ruim”.

Aí está! Este crítico passou a noite rindo, mas finalmente decidiu que era uma peça “muito ruim”. A única pretensão da peça era fazer as pessoas rirem e conseguiu. Eles não anunciaram que estavam pretendendo fazer O Rei Lear ou A Morte do Caixeiro Viajante. Tudo o que prometiam era uma comédia engraçada - mas isto não era suficiente para o referido crítico.

Seria interessante saber quem decidiu que esses seis cavalheiros da crítica de Nova York... fossem escolhidos para se transformarem em guardiães oficiais do gosto do público. Por que eles não se esquecem do teatro por alguns séculos e deixam ao frequentador médio a chance de ver o que desejar?

Você pode observar que os críticos não atacam a indústria automobilística. Sabe por quê? Porque a companhia ofendida prontamente retiraria todos os seus anúncios! Nenhum jornal publica em letras destacadas o seguinte aviso: “Não comprem essas repugnantes camisas que os Armazéns Delaney vendem a 1,78 dólares”...

Acho que se os críticos de Nova York empacotassem as suas máquinas de escrever e se mudassem para a Mongólia e lá permanecessem por uns dez anos, o teatro voltaria a florescer como no começo do século, apesar da concorrência da televisão, dos filmes, do boliche e do sexo...

Os Doces e a Doce Poesia de Cora Coralina

 

cora Os Doces e a Doce Poesia de Cora Coralina

Cora ao lado de um de seus tachospara doces

A poetisa goiana, encantadora e graciosa do alto da sua quase centenária idade completa hoje trinta anos de morta.

Conheci Cora Coralina  em visita que fiz à sua casa em Goiás Velho, antiga capital do Estado.

Uma casa colonial cuja sala estava repleta de docinhos e guloseimas espalhadas sobre mesas diversas, para venda aos visitantes. Doces feitos por ela mesma, com a mesma doçura e gosto das suas poesias.

Eu, que como a maioria dos jovens, nunca fora dado ao verniz social fiquei encantado com aquela senhora idosa e fiz-lhe a pergunta cuja resposta não esqueço até hoje:

- Que idade a senhora tem?

- Meu filho, não se pergunta a idade a uma dama. Mas eu posso lhe responder que tenho já todas as idades.

Cora a faleceu em 1985 aos 96 anos de idade.  Sinto até hoje o gosto de seus doces caseiros, e na minha alma canta a sua poesia.

Me esforço para ser melhor a cada dia. Pois bondade também se aprende”  disse ela

Antes, Muito Antes da TV, a Comédia no Cinema

 

tres Antes, Muito Antes da TV, a Comédia no Cinema

Mazzaroppi, Ankito e Oscarito

Antes que o Brasil se debruçasse sobre a trinca Jô Soares, Agildo Ribeiro e Chico Anysio que pontificaram a comédia brasileira através da pequena tela da tv nas décadas de 70 e 80, muito antes disto tivemos uma brilhante trinca de comediantes através das telas gigantes do cinema: Oscarito, Ankito e Mazzaroppi.

Mazzaropi foi a versão paulista da comédia brasileira. Oscarito e Ankito filmavam pelo Rio de Janeiro. Mazzaroppi era o jeca, o caipira do sertão paulista, o portador da Língua Geral dos paulistas, do Nheengatu, dialeto usado que misturava português e tupi, origem do R dobrado que boa parte dos brasileiros do sertão usa até hoje.

Esta data de nove de abril marca os 103 anos de nascimento de Amácio Mazzaroppi.

Trabalhou por muitos anos em teatro popular, quer num pavilhão montado por ele em São Paulo, quer em tournées pelo interior. Em 1950 estreia na TV em São Paulo com o programa Rancho Alegre, em 1952 estreia no cinema com a comédia “Sai da Frente”,  e em 1961 montas sua própria companhia cinematográfica e começa a produzir suas próprias comédias.

Multidões faziam fila em todo o Brasil ara assistir seus filmes que concorriam diretamente com os de Oscarito e de Ankito.

Já vai longe nos anos este Brasil dos três comediantes, mas continuam firmes na memória nacional.

Tou Ligadão Nos Dez Mandamentos

faraó Tou Ligadão Nos Dez Mandamentos

Elenco composto por colegas que dão orgulho de trabalhar com eles

 

Sou ator, e como profissional muitas vezes devo assistir filmes, peças e teledramaturgia para me informar, tomar conhecimento e aprender.

Mas nem sempre acontece. Não é com toda e qualquer produção.

Em teatro geralmente sento ao fundo, na última fileira. Em 5 minutos já posso dizer – com 49 anos de teatr0 - o que vem pela frente, e aí, se for o caso no primeiro escurinho de luz eu saio de fininho sem chamar a atenção. Além, do que sofro da síndrome de Alice Tamborindeguy: não aguento ficar sentado mais de uma hora. Raríssimas vezes prendem-me a atenção mais que isso.

Em telenovela não vejo todas. Vi muitas, e as saboreio na maioria das vezes como espectador mesmo, embora não deixe de ficar com o olho crítico ligado a toda a parte técnica e interpretativa que se desenrola aos meus olhos.

Em toda a minha vida uma dez novelas devem realmente ter me empolgado, como é o caso agora de “Os Dez Mandamentos”. Deu oito e vinte da noite e já estrou grudado na tela da Record aguardando o início da novela e despedindo-me do meu amigo Wagner Montes.

Saboreio cada cena de “Os Dez Mandamentos”,  até porque os autores escrevem finas tramas que vão além da história bíblica, atravessam o épico e o epopeico e chegam às minúcias dos costumes do dia a dia. Novela mesmo.

Suspeito, por fazer parte do elenco – entro no capítulo 57 - recomendo ainda assim aos que ainda não viram que se liguem nessa novela. Eu tou ligado!