Os furacões inevitáveis da vida
 Nem toda a notícia que choca vem do estado deplorável do Rio de Janeiro ou da falta de caráter reinante dos políticos brasileiros.
Essa semana, a passagem do furacão Irma logo após um terremoto de grande magnitude no México, além das tempestades e possíveis tsunamis, impressionou a todos.
Fúria da mãe Natureza? Aquecimento global ( há os que acham isso bobagem!)? Apocalipse (now)? O que quer que signifique, os grandes desastres naturais chegam e nos devastam.
E o que  fica desses acontecimentos  é o quanto todos nós estamos sujeitos a furacões repentinos em nossas vidas que abalam a rotina e as nossas estruturas externas e internas.
Levamos nossas vidas achando que temos tudo sob controle, que guiamos nossa carruagem  com as rédeas firmes na mão. De repente, vem em nossa direção um furacão, que nem sempre precisa do realismo do Irma, para nos tirar as rédeas e nos jogar longe, literalmente sem alicerce, pilar ou teto.
Notícias sobre a saúde da gente ou dos que amamos, fins de relacionamento, acidentes, mortes, perda de emprego, de dinheiro, mudanças radicais - são verdadeiros ciclones que passam arrastando tudo por fora e por dentro.
O pior é que muitas dessas devastações não são visíveis como o furacão Irma.
Só a gente sente e consegue avaliar o estrago final.
Só nós arregaçamos as mangas pra reconstruir tudo com força e coragem.
Não, não passa na TV nem nas redes sociais. Muitas vezes ninguém fica sabendo.
É uma espécie de tsunami solitário.
Uma dor imcompartilhavel.
E sempre passa, de um jeito ou de outro, tal qual a passagem do Irma.
A sabedoria está em recomeçar, tentando minimizar os traumas e aproveitando tal vivência para sermos seres humanos melhores que valorizam mais o que deve ser, de fato, valorizado.
E segue o baile. Segue o vento, a chuva e o sol que nos habitam por toda a nossa existência.