A idade cronológica não é hoje o fator mais determinante para rotular alguém como jovem ou velho. Há nascidos nos anos 80 que são quase excluídos digitais e nascidos nos anos 60 que são verdadeiros geeks.
Além do fator tecnológico da inclusão digital, há a alimentação, o exercício físico, o cuidado com a saúde e a prevenção de doenças. a vontade de produzir, de fazer coisas diferentes e de viver mais - tudo isso determina quantos anos temos hoje.
Já ouvi algumas vezes, na minha  família principalmente, a afirmativa "estou muito velha para mudar agora".
Eu sempre ouço essa frase com certa dúvida e descrença: "enquanto estamos vivos e conectados ao mundo em tese e psicologicamente falando, podemos mudar, não?"
Ou seja, manter-se jovem ou ficar velho é  uma questão de mutabilidade, maleabilidade.
Essa percepção de juventude independentemente de quando nascemos fez nascer a geração dos sem idade, a geração dos com coragem, dos que tem uma alma quase imortal e pensam e agem como se ainda tivessem todo o tempo do mundo para experimentar e mudar de profissao, de hábitos e de atitudes.
As novas velhas gerações querem tomar seu lugar, deixando de ser muitas vezes coadjuvantes ou secundárias  para brigarem pelo papel principal. Querem ser protagonistas de suas próprias vidas.
Não, não falo dos millenials e nem mesmo da geração Z - os nascidos depois do ano 2000 e que poucas amarras têm para tentarem ser felizes. Se ficou confusa a descrição acima, eis o meu ponto: é aí que mora  o incrível dos dias de hoje. As diferentes gerações vem aderindo a um comportamento com pontos de convergência incrívelmente iguais. Pontos de convergência resultantes de uma moda abrangente e inclusiva, tecnologias na medicina especialmente a estética, uso e intimidade com as tecnologias e redes sociais (a nerdice não tem idade) e o jeito de de educar filnos, numa linguagem mais próxima em todos os sentidos - estilo, semântica e afeto. Todos juntos e misturados.
Um exemplo recente a ser seguido aqui é o da cineasta Eleanor Coppola. Esposa e mãe de cineastas Francis e Sofia Coppola, estrelas máximas do cinema, ela foi esposa e mãe, ajudou em casa e no trabalho, foi assistente, contribuiu para seus trabalhos e, aos 80 anos, dirigiu seu próprio filme: "Paris pode esperar".
 Sem ter sido vencida pela inibição que marido e filha poderiam causar, vencendo possíveis pudores e ignorando padrões,  ela, uma linda mulher de cabelos brancos, foi lá e fez.
Como a dela, há várias histórias, de todos os tipos, de agir e fazer como se ávida estivesse começando. E não é que pode estar mesmo?
Basta lembrar de uma joia rara do cinema, Blade Runner, e seu Rick Deckard que disse algo que jamais esqueci sobre a replicante Rachel que ele amanhã: "Tyrell me disse que Rachel era especial, sem data pra terminar (morrer) como os demais. Não sabia quanto tempo eu teria com ela. Mas quem sabe?"
Nmguém sabe bem até onde vai, qual é a sua "termination date". Mas sabemos que começar como se tivesse a eternidade e viver como se não houvesse amanhã pode ser  uma boa ajuda para prolongar a estrada e viver mais.
 Os sem idade e sem pudor de novos desafios