spfw 2017 vale esta Enquanto existirem fashion victims, o SPFW estará garantido

O SPFW resiste graças aos deslumbrados com a moda

Toda temporada é igual. Um monte de gente animadíssima disputando o melhor ângulo para tirar foto com o letreiro da fachada que anuncia o SPFW. Jovens produzidas, rapazes estilosos, coroas, novinhas, um balaio de deslumbrados que acha o máximo compartilhar com seus amigos a informação de que está no São Paulo Fashion Week. Lá dentro, o encantamento se revela com maquiagens carregadas e figurinos obviamente pensados para chamar a atenção.

As fashion victms, essa galera que aproveita o evento para desempoeirar aquela botinha prateada, o casacão de brechó, as bijoux mais ousadas, as roupinhas que não frequentam as baladas, mas que, ali, podem circular livremente, vão garantir, para sempre, a existência do evento. São eles que, a cada edição, não desistem de fazer bonito nos corredores, que disputam um ingresso, que se seguram no salto no standing (área em que as pessoas ficam de pé para ver os desfiles). Que bom que eles existem. É nessa energia de quem ainda acredita que o SPFW pode fazer a diferença que todos precisam buscar inspiração.

Muita gente se surpreende ao saber que o evento está rolando "e nem tinha ouvido falar". Obviamente, o impacto que o SPFW causa não é mais o mesmo. A engrenagem mudou. O fluxo da informação de moda mudou. Cada celular ligado é um live na sua timeline. Quem vai querer dar capa para o que já foi visto? Nada disso tira do evento seu mérito. Enquanto houver gente se montando para ir até lá é sinal de que ainda há esperança.

E não dá para ficar com saudosismo, "ai, como era bom no meu tempo", como bem pontuou Paulo Borges, diretor geral do evento, em entrevista a Pedro Diniz, da Folha de S.Paulo. "O hoje da moda é o amanhã, ontem é só para história. Não pode ter essa expectativa emocional sobre o passado se você trabalha com criação", declarou.

Moda é risco. Obviamente, para quem produz, não é tão simples assim. O modelo de criar e jogar no escuro levou muita marca para o abismo. O "see now, buy now", adotado pelo evento no Brasil, é uma alternativa, que agrada uns, mas não todos. Paulo Borges diz que foi uma opção para ajudar as marcas. E critica os críticos. "A imprensa ajuda a complicar. Dizia que antes a roupa era fantasia, conceitual, e depois diz que é "comercial"quando mudamos o calendário".

Seja como for, o negócio da moda tem de andar. Sempre existirão as marcas medrosas, que não mexem em um botão com medo de não vender. E outras que respiram ousadia. Como aquela gente que acredita que estar em uma semana de moda é algo do que se orgulhar. O público é sempre mais corajoso. Parece acreditar mais no evento, do que evento em si.

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