00000 tango 600x337 Estupro em filme clássico causa revolta em Hollywood

Não foi arte, foi estupro. Bertolucci e Brando passaram de todos os limites

Considerada uma das mais icônicas cenas de sexo do cinema, o take entre Marlon Brando e Maria Scheider, no filme "Último Tango em Paris" (1972) foi um abuso sexual real. A revelação, confirmada pelo diretor Bernardo Bertolucci, diretor do filme, voltou aos holofotes  depois que um vídeo feito por ele em 2013 (veja abaixo), confessando a "estratégia de atuação", foi recuperado e publicado pelo portal espanhol El Mundo de Alicia no Dia Internacional contra a Violência de Gênero.

No vídeo, que já tem mais de um milhão de visualizações no YouTube, Bertolucci admite que Schneider não sabia — e portanto nunca consentiu — sobre o uso da manteiga na cena.  "Eu queria a reação dela como uma garota, não como uma atriz. Eu queria que ela reagiasse, como ela fez, sendo humilhada. E acho que ela me odiou, e a Marlon também, pois não contamos a ela o detalhe da manteiga usada como lubrificante."

Questionado pelo entrevistador, Bertolucci diz que não se arrepende da ter filmado a cena dessa forma.  "Me sinto culpado, mas não me arrependo. Para fazer filmes às vezes, para obter algo, temos que ser completamente livres. Não queria que Maria atuasse a humilhação, o ódio, eu queria que ela sentisse a humilhação e o ódio. Então ela me odiou pelo resto da vida."

Não é de hoje que pairam dúvidas sobre as circunstâncias da gravação. Maria, que faleceu em 2011 e enfrentou inúmeros problemas com drogas e depressão,  chegou a declarar que a cena de sexo anal não estava no script. Quando ela aceitou fazer o filme não sabia que teria que realizar uma cena de sexo anal. Mas ninguém deu muita bola às suas declarações. Em um documentário feito sobre o filme, Maria diz ter sido estuprada naquela cena.

'A cena não estava no script original. A verdade é que Marlon foi quem veio com essa ideia. Eles só me avisaram momentos antes de eu entrar em cena. Eu estava com tanta raiva. Deveria ter chamado meu agente ou meu advogado ao set porque você não pode forçar alguém a fazer algo que está fora do script, mas na época eu não sabia disso'”.

Na época das gravações, Maria Schneider tinha 19 anos e Brando, 48. Bertolucci, hoje com 76 anos, defende sua atitude alegando que desejava tirar de Schneider uma reação mais realista na cena. A confissão do diretor, no entanto, ainda que não seja nova, acabou gerando revolta entre estrelas de  Hollywood.

Jessica Chastain e Chris Evans, por exemplo, usaram o Twitter para dizer que jamais voltarão a ver o filme. Bertolucci e Brando não serão vistos da mesma maneira. A nova divulgação do caso desencadeou uma campanha no Change.org pedindo que a Academia de Hollywood condene publicamente os fatos e o diretor italiano.

"Acho que ela me odiou, e a Marlon também", disse Bertolucci. Ele ACHA? Não foi só Maria Schneider que desenvolveu uma profunda ojeriza pelos dois. Todos nós, diante de tamanha barbaridade, cometida em um set de filmagem contra uma jovem atriz de 19 anos, também temos motivos de sobra para odiar o diretor e o ator. Se a cena já causava desconforto pela humilhação explícita, ganha contornos ainda mais dramáticos quando se revela que não só a personagem foi estuprada. A atriz foi. E nunca se recuperou disso.

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