montagem flavio de carvalho  Flávio de Carvalho, a saia para homens e o funcionário público carioca

Flávio de Carvalho circula em SP de saia, em 1956. E André Amaral, que foi trabalhar de saia no Rio, para enfrentar o calor. Tabu eterno!

Impedido de usar bermuda no trabalho e sem ar-condicionado, nem ventiladores, para enfrentar o verão de 40 graus do Rio de Janeiro, o funcionário público André Amaral optou pelo inesperado: foi de saia dar expediente no Centro Administrativo do Estado do Rio. A fama nas redes sociais foi imediata. A foto de André, com a saia de sua mulher, ganhou milhares de curtidas no Facebook, atraindo simpatizantes ou causando estranhamento. Isso em 2014. Para quem está achando a atitude arrojada e moderna - e não deixa de ser, neste País tropical em que homens são obrigados a trabalhar de calça comprida e terno -, pense então no que foi a Experiência  Nº 3 de Flávio de Carvalho, o multiartista que, em 1956, cruzou o Viaduto do Chá, no Centro de São Paulo, trajando um saiote e blusa de mangas curtas e folgadas, o verdadeiro New Look para Homens, atraindo uma passeata de inconformados com sua ousadia. Homem de saia é um tema indigesto para os machos nacionais. O estilista João Pimenta já tentou emplacar o item em suas passarelas, mais de uma vez. Mas no dia a dia, como comprova a repercussão dada ao caso do servidor do CAERJ, André Amaral, ainda é um tabu gigantesco. Curioso mesmo é saber que, justo agora, as ideias tão rebeldes quanto revolucionárias de Flávio de Carvalho - o new look masculino entre elas - serão tema de uma mega exposição que começa nesta quarta-feira, 5/2, na OCA, do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Com curadoria de Afonso Luz, diretor do Museu da Cidade, a exposição Flavio de Carvalho: a experiência como obra exibe toda a multiplicidade da obra deste que foi um dos grandes nomes da geração modernista brasileira, atuando como arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, desenhista, escritor, filósofo, performer, flashmobist, músico etc, etc, etc...  Entre os destaques, estão 20 figurinos criados por Flávio para o bailado 'A Cangaceira', do Ballet do 4º Centenário, que estavam perdidos no guarda-roupa do Theatro Municipal e foram resgatados e recuperados. "Os figurinos são da mesma época do New Look e quando se confrontam as cores, os tecidos, a obra ganha uma nova dimensão. Ele constrói soluções de corpo, transforma os elementos com dobras, plissados, pences. É uma reflexão sobre a indumentária", explica o curador. Para Flávio de Carvalho, a moda era um ritual e ele pensava a roupa como uma máscara, ideia que é absurdamente contemporânea, especialmente quando a gente pensa que uma simples saia, tão profundamente arraigada ao gênero feminino no vestir, pode causar o maior reboliço!

A abertura da mostra será amanhã, 5 de fevereiro,  às 19h na Oca. A exposição vai até  30 de março. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 9h às 17h. E o melhor: a entrada é gratuita e livre.

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A cenografa Aby Cohen faz a montagem dos figurinos de Flávio de Carvalho, que estarão em exposição na Oca, a partir desta quarta-feira (5/2), em registro feito pela professora de Moda Jô Souza

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