rape Inglesa estuprada em táxi não quer ver homem pela frente

Não há como adivinhar embaixo de qual pele de cordeiro se esconde o estuprador. No caso da jovem inglesa, era um taxista pai de três filhas

O preso é casado e tem três filhas. Três filhas. De cara me lembrei da vítima do estupro coletivo do Rio, que, quando perguntaram pra ela o que desejava a seus agressores, respondeu: que tenham filhas. Pois é. Ser pai de menina não é, infelizmente, algo que sirva de trava para um estuprador.  Tanto que, muitos, estupram, inclusive, as próprias filhas.

O preso em questão é o taxista Fabio Honorato da Silva, de 33 anos, que teve a licença cassada e não poderá mais exercer a atividade em que atua há 11 anos. Ele foi acusado de estuprar uma passageira inglesa de 27 anos durante uma corrida na madrugada de sábado (4), na zona sul de São Paulo.

A vítima é uma professora de inglês, que não fala bem o português. Ela estava em um restaurante localizado na rua Tabapuã, no Itaim Bibi, em uma confraternização com os alunos. Uma funcionária do estabelecimento solicitou um táxi pelo aplicativo 99taxi. A professora embarcou em um Prisma branco.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 27º Distrito Policial, do Campo Belo, pouco depois de embarcar, o homem começou a assediá-la, tentou beijá-la à força, porém, com a recusa da vítima, ele estacionou o carro em uma rua deserta, fechou os vidros, trancou as portas, obrigou a vítima a masturbá-lo e depois a violentou no banco de trás do carro.

Depois da ação, ele chegou próximo à casa da vítima  e teria pedido que ela se acalmasse e lhe desse alguns dados pessoais para que marcassem um encontro.  Ainda a convidou para ir ao cinema.

Ao conseguir deixar o carro, ela tirou foto da placa e encaminhou para a Polícia Civil.  A jovem conseguiu levar o preservativo utilizado no crime ao sair do veículo e, chegando ao seu apartamento abalada, contou o caso a uma amiga. A vítima foi levada ao Hospital Pérola Byington, onde fez diversos exames, como o de corpo de delito.

Silva disse que o valor da corrida iria ficar R$ 60, mas que a britânica poderia pagar apenas R$ 30. Ao passar o valor, ele tentou cobrar R$ 537, mas a vítima percebeu e não aceitou. Após investigações, a polícia localizou o taxista. O homem foi achado pela placa do veículo, que também ficou gravada na chamada pelo aplicativo, e reconhecido pela vítima, que passou mal ao vê-lo na delegacia.

Ele alega que a relação foi consentida. Mas, vejamos... Esta moça não é daqui. Não fala português direito. O cara tranca a jovem dentro do carro, força a barra e vem falar que ela quis. Ele realmente não consegue perceber quando uma mulher diz NÃO? Achou mesmo que tinha rolado tudo de boas a ponto de convidar a vítima para um cinema?

Trata-se de um taxista ligado a um aplicativo, portanto ele deveria saber que seria muito fácil localizá-lo. Ainda assim, a certeza da impunidade é tanta que o cara nem se importa. Afinal, basta dizer que a mulher quis. Quem há de duvidar, não é mesmo?

Os casos de violência sexual, em sua maioria, são tratados assim. A palavra do agressor contra a da vítima que, neste e em tantos outros casos, é apontada como a víbora sedutora que leva o homem para o mau caminho. E homem, claro, não consegue controlar seus instintos.

O que muita gente não sabe, não percebe ou não quer ver é que a vítima de um estupro fica marcada para sempre. Imagino essa moça, vivendo num país que não é o dela, o quanto de ódio, asco, nojo e revolta não está sentindo agora. De que jeito uma jovem que passou por isso vai voltar a andar na rua, a pegar um táxi, a circular pela vida, sem que seja sempre acompanhada de um medo brutal? E, mais: como olhar de novo para um homem, sem enxergar nele um algoz?

Afinal, era só um taxista, casado, pai de três filhas, 11 anos na praça, registrado em um aplicativo. Um cidadão confiável, não? A gente nunca sabe por baixo de qual pele de cordeiro se esconde o lobo estuprador.

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