Marina Ruy Barbosa se prestar a esse papel.... que vergonha!

E ainda escolheram pra fazer a propaganda uma uma pessoa que parece nunca usar papel higiênico...

A quantidade de erros acumulados na tal propaganda do papel higiênico vip preto é tanta que dá até desgosto. Os caras (no caso, a Santher - Fábrica de Papel Santa Therezinha S/A, detentora da marca Personal) se apropriam deliberadamente de um dos mais fortes slogans de luta por direitos humanos da população negra e, não contentes, ainda escolhem a musinha do momento, a noivinha do ano Marina Ruy Barbosa, como garota propaganda.

Na imagem da "campanha" (incrível como equipes fazem e aprovam essas propagandas), a pele alva de Marina se destaca no "pretinho básico" construído com papel higiênico preto, como se fosse uma roupinha de luxo das que ela costuma usar. Como bem disse uma internauta, "colocaram uma pessoa que nem parece que caga pra fazer propaganda de papel higiênico". Marina Ruy Barbosa é assim, asséptica.

Se só isso não bastasse, o que mais agride na "inciativa" é o uso indecente de um grito de guerra pelo qual milhares lutaram.  A reação nas redes sociais foi do espanto ao compartilhamento de conhecimentos históricos que, tudo indica, faltaram aos envolvidos no projeto.  A melhor postagem foi, de longe, a do escritor Anderson França, que deu uma verdadeira aula sobre o tema.  No Facebook, Anderson lembrou que Black is Beautiful foi um movimento criado por intelectuais e artistas afro-americanos na década de 1960, que não só é uma referência como é um estado de espírito.

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Uso do slogan Black is Beautiful é indecente

Para quem não entendeu o tamanho da "cagada",  Anderson França explicou direitinho. "Se você digitar "black is beautiful" em QUALQUER LUGAR DO MUNDO, você encontrará referências a Angela Davis, Malcolm X, O Partido Panteras Negras para Autodefesa, Fela Kuti, James Baldwin, Nina Simone,  mas não no Brasil. No mundo todo, teses, dissertações, filmes, peças de teatro, exposições artísticas, fotográficas, música, discurso político, várias manifestações seríssimas giram em torno desta mesmíssima expressão: Black. Is. Beautiful.  Essa expressão, quando dita e repetida pelo militante negro da década de 1960, saía de uma garganta quase sufocada pela bota de um policial branco em Montgomery. Saia pela boca que golfava sangue no chão, baleada por racistas da KKK na Carolina do Sul. Saia com esforço dos pulmões de jovens que iam aos shows de James Brown, Say it Loud, I'm Black, and I'm Proud, na noite da morte do Rev. Martin Luther King Jr.  Pessoas morreram para que essa expressão fosse reverenciada até hoje. Pessoas continuam morrendo e essa expressão é mais importante e vital que nunca antes. Mas no Brasil, se você digitar #blackisbeautiful você vai encontrar papel de bunda."

Percebam que a campanha não está mexendo com pouca coisa. É de uma irresponsabilidade atroz, especialmente se a gente olhar para esses tempos sinistros em que estamos, onde o discurso de ódio se inflama e os racistas vivem causando ataques, seja nas redes sociais ou em movimentos de supremacistas brancos mundo afora. É muito grave. Causa ainda mais espanto imaginar como terá sido esse processo de aprovação do produto, da criação à campanha com Ruy Barbosa.  Ninguém se tocou de que não iria ser bom? E Marina, hein? Terá achado bonito o look com papel higiênico vip?  Na boa, ela não precisava se prestar a esse papel. E a gente muito menos.

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