semana dura Nuno Cobra, Melissinha, Mel Maia e o combate diário aos abusos

É muita notícia ruim, mas é sinal de que devemos continuar alertas

"Acordei achando tão triste viver nesse aqui e agora... Sim, hoje baqueei." Li a frase no mural de uma grande amiga no Facebook e percebi que a sensação de estar caminhando em um vale sombrio com avalanches de pedras não é só minha. As notícias que viralizaram entre a noite desta segunda-feira (11) e a manhã desta terça-feira (12) são assustadoras, para dizer o minimo. Ao mesmo tempo, revelam, em toda sua crueza, o quanto é urgente e necessário que o debate sobre as questões do respeito às mulheres se mantenha vivo.

Primeiro foi a "crônica", escrita por um editor do Correiro Braziliense,  que  descrevia em detalhes sórdidos o que seria o primeiro dia de uma estagiária na redação. Não sei o que é pior: se saber que o jornal abriu espaço para que o texto fosse publicado, ou saber que a realidade que ele relata, da "carne nova" que chega ao ambiente de trabalho, é tão comum em diversos segmentos. O autor ainda tentou um "mea culpa",  mas já era tarde demais. O estrago foi feito e nem sempre basta um pedido de desculpas. Apenas serve para acender a luz de emergência do quanto ainda falta para que os homens não olhem suas colegas de trabalho como picanhas no espeto.

Daí tivemos o respeitável senhor Nuno Cobra condenado por abuso sexual. De novo surgem os espantados com os "oh, mas um homem desses, ele não precisa disso". Então... nenhum homem precisa, faz pois se apoia no machismo enraizado para justificar seu "direito de abusar". E, mais uma vez, temos de mostrar que os abusadores não são loucos. São homens comuns. Normais. E são muitos.

Por fim, ainda tivemos a chamada de uma matéria que dizia ter a atriz mirim Mal Maia, de 13 anos (EU DISSE 13 ANOS), ido a uma festa com "decote discreto". É de uma falta de noção sem tamanho. Erotizar uma criança desta idade só serve para pavimentar o caminho suave dos abusadores. Tirar do ar não resolve. A questão é perceber o quanto essas ideias sobre o corpo feminino estão amalgamadas à sociedade.

É muita pedrada. A gente perde o fôlego. Desanima. Mas tudo isso só deixa claro que não dá para esmorecer. Muitas mulheres antes de nós passaram perrengues ainda piores para que, hoje, tenhamos voz. Devemos, todas, seguir alertas. E sobre a Melissinha, só uma consideração. É fato: elas existem, espalhadas pelo ambiente corporativo. Algumas vão, sim, usar seus postos de musa para galgar nas carreiras. E serão duramente julgadas por isso. Mas a maioria vai só se incomodar com o assédio.

http://r7.com/L0A3