MONTAGEM PADRASTO1 Padrasto que estupra e mata bebê não é louco. É só gente ruim mesmo

Há gente que comete barbaridades, mas que de louco não tem nada. É só gente ruim mesmo

O principal efeito colateral quando a gente estuda Medicina Legal, além de todo conhecimento adquirido sobre como desvendar crimes e acidentes a partir dos registros que ficam no corpo das vítimas, é perder a fé na humanidade. Lembro muito bem de como, a cada slide com cenas de violência exibido nas aulas, na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, em São Paulo, era impelida a admitir que a maldade humana não tem limites.

A maior parte daquelas barbaridades eram (e continuam sendo) cometidas por seres humanos contra outros. A gente também aprende que, sim, há os desvios de conduta e comportamento motivados por doenças psiquiátricas. Mas não são todos os criminosos que se encaixam nas descrições médicas. Muitos, mas muitos mesmo, são só sangue ruim mesmo. Gente má. As pessoas têm uma dificuldade imensa em lidar com essa verdade: há criaturas que são só malvadas. Praticam o mal sem olhar a quem.

Para quem duvida, basta olhar o noticiário desta quarta-feira, 23 de março. O caso do padrasto, um homem de 25 anos acusado de estuprar e matar a enteada de apenas sete meses, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, revela a maldade humana com todas as suas tintas.

Carlos Henrique Gomes Fortunato confessou ter cometido o crime porque "sentia raiva da criança".  Contou que abusou e torturou a menina durante quatro horas. Por fim, Sophia foi asfixiada até a morte. Ele não é maluco. Não é doido de forma alguma. Sabia exatamente o que estava fazendo, e fez porque teve vontade de fazer. É duro, é triste, é revoltante, mas é verdade. Há gente assim no mundo. Gente capaz de pegar um bebê, torturar, estuprar, matar, e admitir que fez por raiva.

O que merece um cara desses? Uma alma torpe assim não tem cura. É preciso que as pessoas percam o medo de admitir a existência do mal, tanto quanto louvam a presença do bem. A mãe da bebê, Fernanda Lopes da Silva, também responderá pelos crimes na modalidade omissiva, porque as investigações apontam que ela poderia ter protegido a filha do marido. Ela sabia que ele era ruim, e, mesmo assim, deixou a filha aos cuidados do fulano.

A mãe já teria deixado de prestar queixa na primeira vez em que a filha foi agredida por Fortunato, em dezembro do ano passado. Antes de sair de casa, Fernanda teria pedido ao companheiro somente que "não judiasse" da criança. Alguém que é capaz de judiar de uma criança, é capaz de qualquer coisa. Por maldade. Que apodreçam os dois em alguma cadeia brasileira, que dever ser uma excelente filial do inferno.

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