csm ludmila cosmopolitan da28e223b8 Palmas para Ludmilla e Iza! Assumir o cabelo natural é um ato de bravura

Ludmilla exibe pela primeira vez os cabelos naturais

Sempre tive cabelo bandido, do tipo que "ou está preso, ou está armado". A piadinha racista sempre ocultou a complicada verdade que era achar os cachos naturais estranhos, feios, inadequados. Não havia formol, progressiva. Era touca com grampo que a gente fazia, dormia com meia fina enfiada na cabeça, para tentar "domar" o cabelo. Chegou, sim, a fase da "touca de gesso", um processo agressivo e implacável descoberto na adolescência. Enfim, teria o cabelo liso e socialmente aceitável. Foram anos. Décadas. Até desembocar neste 2017 em que a força dos cachos encontra eco até nas pesquisas sobre o tema no Google. A mulherada resolveu se libertar. Encarei a transição, cortei curtinho e esperei os cachos reviverem.

Vejo, com orgulho, que somos muitas a assumir o cabelo natural. Ludmilla acaba de compartilhar o resultado de sua transição capilar. A cantora está na capa da edição de dezembro da Cosmopolitan e vai mostrar pela primeira vez os fios naturais. "Alisava meu cabelo desde os 7 anos. Quando eu era pequena, estudava em escola particular e todo mundo tinha cabelo liso. O meu era o único cabelo diferente, crespo. E eu, que queria ter o cabelo igual ao delas, ficava passando formol na cabeça", revelou a cantora, que é adepta de perucas e vive trocando de visual por conta disso.

Quem também bate um cabelo danado é a jovem cantora Iza, outra a revelar que alisava os cabelos desde menina. "Eu era do bonde das meninas que não se aceitavam. Com nove anos eu fazia dança e queria que meu cabelo balançasse igual ao das minhas amigas da escola. Eu coloquei trancinhas, adorava, mas não era a mesma coisa. Com 13 anos eu comecei a alisar os cabelos", desabafou a cantora em entrevista ao canal de Gabriela Pugliesi no Youtube.

23596071 551215441877856 5491046315624235008 n Palmas para Ludmilla e Iza! Assumir o cabelo natural é um ato de bravura

Iza deixou de alisar aos 20 anos e adotou tranças

"Parei com 20, comecei a me olhar no espelho e entender que eu não era aquilo.  Eu não queria chamar a atenção, só queria me misturar, não queria ser diferente. Hoje é o contrário", revela Iza. A cantora conta que tem de trocar as tranças de dois em dois meses, pois a raiz cresce e tem de retocar, como se faz com uma tintura, por exemplo.  "Há vários tipos de fibra que você pode usar no seu cabelo pra fazer trança, a minha é jumbo", conta.

Para mim, assumir o cabelo natural é muito mais do que uma mudança estética. Quem tem cabelo cacheado, encaracolado, afro, vai escancarar a negritude e desafiar o preconceito, aquele que sempre chamou o cabelo de bandido, ruim, palha de aço, miojo, e outras delicadezas. É preciso, como disse Iza, estar pronta para chamar a atenção, pois você sai do lugar comum do cabelo alisado, comportado, grudadinho na cabeça, "chique", e passa para o volume, o cabelão que chega antes em qualquer ambiente. Exige, consequentemente, uma força feminina e uma auto-estima para se aceitar como se é.

Pode parecer pouca coisa para quem vê de fora. Mas só quem passa pelo processo entende a libertação e a bravura que significam assumir o cabelo natural. Força nos cachos, garotada! Antes tarde, do que nunca.

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