marcos e emilly discutem feio apos o fim da festa emocoes 1491730382328 v2 900x506 Para agredir, não precisa tirar sangue. Conheça os tipos de violência contra a mulher

Marcos agrediu Emilly, mas nem a Globo, nem o público, enxergam isso

Não é preciso ser telespectadora do BBB 17 para saber o que o tal de Marcos anda fazendo na casa. O nome do fulano vira e mexe está nos trending topics do Twitter.  O sujeito é um poço sem fundo de violência, mas, ao que tudo indica, a maioria das pessoas não sabe que enfiar o dedo na cara de uma menina de 20 anos com quem ele está se relacionando, berrar com ela, intimidá-la, acuá-la, é agressão.

Tudo nesse episódio é lamentável, a começar, claro, pela postura do próprio Marcos. Trata-se claramente de um espécie forjado no que pior o machismo consegue produzir. Emilly, submetida a um relacionamento abusivo, não consegue enxergar o fundo de poço em que se meteu.

A emissora, ao lavar as mãos e jogar nas costas dela a decisão de denunciar o fulano, reproduz, em rede nacional, o que tantas mulheres vivem na esfera privada. "Ah, mas ela está ali porque quer, por que não denuncia?" Fosse assim tão simples, não teríamos os alarmantes índices mulheres mortas, agredidas e abusadas por companheiros que vemos no Brasil.

Obviamente, para piorar, os telespectadores votaram para que Marcos continue no jogo. A morbidez humana não tem limites. Para quem acompanha "o jogo", ter um casal explosivo interessa.  Diz muito sobre a naturalização da violência contra a mulher.

Na paralela, temos o cantor Vitor Chaves, flagrado pelas câmeras de segurança agredindo a esposa, que teve a pachorra de vir a público dizer: "Não machuquei ninguém."

Então, vamos lá. Acho que já passou da hora de as pessoas compreenderem que "não machucar" não significa "não agredir".  Não é preciso tirar sangue do outro para configurar uma agressão. No caso da violência contra a mulher, há agressões sutis (muitas difíceis de provar, mas facílimas de identificar), que compõem um combo de atitudes para destruir a auto-estima e a auto-confiança. Basta acompanhar os vídeos de Marcos e Emilly. Ele segue o script completo da agressão psicológica, impõe a ela um relacionamento abusivo, joga nas costas dela a responsabilidade pelas brigas. O roteiro é manjado... nem sempre descamba para a violência física, nem precisa.

As regras do BBB 17 talvez exijam um contato físico mais explícito (Emilly já disse que Marcos apertou seu pulso e apareceu com um roxo, resultado de um beliscão). Mas a Globo vem sendo omissa no caso. Não é possível que deixem nas mãos da menina a decisão de querer ou não denunciar. Ela está no jogo, confinada, sob pressão. As câmeras já mostraram o suficiente para justificar a expulsão de Marcos.  Mas a Globo, como tantos por aí, não considera que ocorreu agressão. Mas é. Confira o quadrinho abaixo, bem didático, sobre as formas de violência.

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Sim, gritar, acuar, enfiar o dedo na cara, fazer terror psicologico É AGRESSÃO

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