Que espécie de mãe mata a própria filha?

Mãe que mata filha não é mãe, é monstro

O caso de Cristiane Alves da Silva, 46 anos, suspeita de matar, com um tiro na cabeça a filha de 12 anos, Debora Louise, é desses registros policiais chocantes, que desafiam a compreensão. A menina foi assassinada enquanto dormia, na madrugada do último sábado (19), em Maceió (AL). Existem indícios de que a mãe sofria de  problemas psiquiátricos e acumulava dívidas. Ela ainda teria deixado uma carta de despedida. Cristiane, em seguida, disparou contra si mesma. A mãe teve morte cerebral e morreu no hospital.

A psicologia forense já se debruçou sobre este tipo de conduta, e há, inclusive, um perfil traçado do tipo de mulher que que pratica o filicídio. Geralmente são jovens, acometidas de algum transtorno mental, e optam por matar filhos mais velhos. A justificativa de doença do filho ou o temor de que algo pior acontecesse a ele também se mostram recorrentes. Gravidezes frequentes e alguns sintomas autopunitivos também são comuns. Não se percebe, geralmente, indício de arrependimento pelo ato. A reiteração de golpes e o uso de instrumentos contundentes, como faca, também chamam a atenção ao fato de que a violência extrema pode ser dita como recorrente. Determinados fatores não podem ser desprezados: o histórico de violência familiar na infância ou na vida conjugal, bem como o abandono e o baixo grau de instrução desses pais filicidas.

Os especialistas indicam diferentes razões para o filicídio.  O altruísta, em que um dos pais tenta livrar a criança de sofrimento real ou imaginado, geralmente acompanhado de suicídio. O psicótico, em que um dos pais mata a criança sob influência de grave doença mental. O filicídio do filho indesejado é aquele em que a vítima nunca foi ou não é mais desejada pelos pais. Geralmente, é cometido em circunstâncias de filhos ilegítimos ou paternidade incerta. O filicídio acidental é aquele identifica aquele de morte sem dolo, secundária a abuso infantil. E, por fim, o filicídio de retaliação, no qual o ódio a uma pessoa é deslocado à criança. A pessoa alvo dos sentimentos de ódio e do filicído é, em geral, o parceiro sexual do criminoso.

São os casos em que se encontram o chamado “Complexo de Medeia”, mães que matam para se vingar dos companheiros. Mas é uma característica normalmente encontrada nos casos de filicídio. O mito grego de Medeia é talvez um dos mais terríveis e assustadores. A trágica história da mãe infanticida que apunhala os próprios filhos para vingar um amor malsucedido costuma se repetir na vida real.

Por mais que a psiquiatria e a Justiça tentem, é muito difícil para qualquer mãe do mundo aceitar o que Cristiane fez. Entender o que leva uma mulher, por mais problemas que tenha, por mais dívidas que acumule, a tirar a vida da própria filha. É algo que revolta profundamente. Dá até para imaginar que alguém possa, em um momento de desespero, pensar que a morte seja melhor do que a ausência de uma vida digna, mas não é possível acreditar que uma mãe, que chegue a este ponto, não busque ajude. Não tenho pena, não tenho dó. Tenho raiva de uma criatura que, com a desculpa de que "assim será melhor", fazer uma barbaridade dessas.

Pior é saber que esse tipo de coisa é mais comum do que se imagina. Vira e mexe aparecem notícias de mães que tiram a vida dos próprios filhos. E nunca será possível compactuar ou se acostumar com isso. Isso não é mãe, é monstro.

20140801 Filicidio Que espécie de mãe mata a própria filha?

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