ashley Quem perdoa traição é trouxa?

Site de traição diz muito sobre o estado crítico em que estão os relacionamentos

Começam a pipocar notícias de tragédias relacionadas ao vazamento dos dados dos casados infiéis que frequentavam o site de puladas de cerca Ashley Madison. As informações dão conta de que mais três pessoas teriam se suicidado depois da ação de hackers, que vazaram informações de 33 milhões de usuários do programa. Não há, ainda, como cravar que as mortes estejam diretamente direcionadas ao episódio, mas segundo alertou, na semana passada, o jornalista e analista de segurança norte-americano Brian Krebs, o risco de haver alguma tragédia após a divulgação de tantos dados era muito grande.

"Existe uma possibilidade real de as pessoas reagirem de maneira excessiva. Não ficarei surpreso se os usuários começarem a tirar a própria vida por causa disso", previu o analista.

Não dá para debater as razões que levam qualquer ser humano a tirar a própria vida. Mas é possível analisar as reações dos traídos diante da exposição dos dados. Será mesmo que o fato de seu parceiro estar entre os usuários do Ashley Madison é motivo suficiente para acabar com um relacionamento?

Quando a gente pensa que o site tem 45 milhões de usuários no mundo, é de se concluir que  há algo de muito errado acontecendo com os casais. É muita gente casada ciscando no vizinho. Nem todos esses flertes, é verdade, saem da frente do computador para a cama. Muita gente usa esses serviços como válvulas de escape para dar uma apimentada na rotina, sem que isso represente um envolvimento emocional de fato.

Quem namorou, noivou, casou e constituiu família também fantasia com a vida que não teve, olha para os solteiros baladeiros com certa ilusão, achando que se tivesse ficado no mercado talvez a vida fosse mais animada. O contrário, é bom que se diga, também é verdadeiro. É a velha história do "ninguém nunca tá contente". E quando se inventa uma vida, tudo é possível, já que não há dose de realidade nisso. É fantasiar com o que não foi vivido.

A questão é: o que fazer diante de uma traição? A maioria das pessoas têm na ponta da língua a resposta padrão: "não tá contente, separa e vai fazer o que quiser". Será que é tão simples assim? Perdoar uma traição, especialmente quando ela se torna pública, é um ato condenado por mulheres e homens. Mas é preciso olhar com um pingo de compreensão para quem prefere entender que um projeto de vida em comum pode não se abalar por uma pulada de cerca.

Hillary Clinton, agora candidata à presidência dos Estados Unidos, ainda patina nos índices de aprovação, muito por ter ficado ao lado do marido, Bill, quando estourou a história de  Mônica Lewinsky. Perdoar um marido que aprontou não é aceitável para a mulherada. Mas acredito que só quem está no relacionamento é capaz de tomar essa decisão. Mais ninguém.

Quem perdoa uma traição não é obrigatoriamente um fraco, trouxa, corno manso. Pode, ao contrário, estar colocando uma história de vida, os sonhos em comum, a família, os filhos, os desejos, e, sim, o amor, em primeiro plano. O preço que se pagará ninguém sabe. Cada perdão tem um custo emocional único. Só acho que tirar a própria vida por ter caído na tentação online é uma solução trágica demais. Às vezes, uma boa conversa resolve...

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