goleiroBruno Soltar o goleiro Bruno é uma afronta a todas as mulheres

Bruno solto é um deboche contra todas as mulheres

Uma trama macabra e ardilosa, com violência, covardia e requintes de crueldade, marcou a história do goleiro Bruno, condenado pela Justiça de Minas a 22 anos e três meses de prisão pela morte e ocultação do cadáver da modelo Eliza Samudio, a mulher com quem teve um caso, um filho, e mandou tirar da frente para não atrapalhar o seu caminho.

Impossível esquecer os relatos dos envolvidos, que confessaram ter montado uma armadilha para Eliza. Sob o pretexto de que seria recebida por Bruno, de que teria um lugar seu para viver com o filho, foi atraída para a morte. Em um sítio, teria sido espancada. Em uma outra casa, esquartejada. Foi dito até que pedaços de seu corpo teriam sido lançados aos cães ferozes.

Mesmo sem o corpo da vítima, o que costuma ser prova necessária nos crimes de homicídio, Bruno foi condenado pelo envolvimento no desaparecimento e morte da moça. A motivação do crime é das mais sórdidas, na linha 'tire essa piranha do meu caminho". Por que, né? Conversar, ser civilizado, buscar uma solução humana e pacífica para um conflito, é realmente além das possibilidades de certos homens. Melhor mandar matar.

Hoje, fomos todos surpreendidos com a decisão do ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF),  que concedeu habeas corpus para soltar o ex-goleiro do Flamengo. Bruno Fernandes de Souza, 32, preso desde 2010, condenado em 2013 a 22 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver contra a ex-amante, Eliza Samudio, além de sequestro e cárcere privado do filho que ele teve com ela, vai deixar a cadeia a tempo de pular Carnaval.

É um tapa na cara de todas as mulheres. Bruno, para quem não se lembra, antes do crime, ficou famoso também por dizer em uma entrevista que era normal sair no tapa com a mulher. Bruno é um ícone da violência de gênero. Por tudo o que representa, deveria cumprir sua pena inteira, para que pudesse, pelo menos, mostrar que quem faz o que ele fez será punido e que, ohhh, o crime não compensa.

Solto, Bruno é um deboche a todas nós. É escancarar a impunidade do machismo que mata. É tripudiar a memória de Eliza e de tantas outras mulheres mortas por companheiros e ex-companheiros, canalhas e covardes como ele. Homens sem hombridade.

A liminar do ministro é um erro. Sabemos que os condenados têm direitos, que o processo penal permite esse tipo de artimanha. Pode ser legal, mas não é justo. Pode estar certo, mas é imoral. Bruno fora da cadeia é o pior exemplo que um País como o Brasil, onde uma em cada cinco mulheres é ou será vítima de violência,  poderia ter. Isso é um convite para a impunidade. Uma ode às atrocidades.

http://r7.com/IZ4r