favela Vídeo de sarrada em baile de favela escancara machismo e preconceito

"Mata sarrar no trabalhador?" Então, colega... se a moça disser não, é não!

Mais de 1.100 compartihamentos. Três mil e trezendos likes, corações e gargalhadas. Acima de 800 comentários. A repercussão do vídeo compartilhado pela Rádio Mandela Digital, com um rapaz mandando a realidade que rola nos bailes de favela, seria cômica, se não fosse trágica. Em poucos minutos, o cara consegue resumir esteriótipos, preconceitos, misogenia, machismo, e dá a dimensão de como os homens ainda acreditam que têm todo o direito de tocar o corpo de uma mulher, mesmo sem o consentimento dela.

O fulano descreve o comportamento das "branquinhas" no baile, faz considerações sobre a roupa e o comportamento delas. E reclama de que, quando ele chega para "sarrar", elas saem fora, e ainda o xingam de nojento. Diz que elas vão ao baile para sarrar com bandido e emenda um "mata você sarrar no trabalhador?'. Destila seu preconceito, chamando as meninas de "branquelas filhas da p***".

Nos comentários, algumas pessoas chamaram a atenção para esse ponto. "Se fosse um branco falando negro filha da p*** era racista", "Branquela filha da p*** pode falar, se é um branco falando de negro não ia ter risada e nem coraçãozinho nas curtidas". Certamente não teria mesmo.

Outras apenas se divertiram com as barbaridades que ele diz, mas foram várias que fizeram questão de lembrar que, seja quem for, a menina só vai sarrar em quem ela quiser. "Bem feito mesmo que elas te dão o toco, a mina vai sarrar nela quem ela quiser. E outra: são as brancas que merecem sua atenção? Que bom porque as mulheres negras se livraram do traste que é você!", "Ninguém é obrigado a sarrar em ninguém, cada coisa... arrume alguém que queira sua sarrada, simplesmente, as pessoas adoram aquilo que não podem ter, ou seja insistem em pessoas que não as querem, basta querer quem te quer".

A verdade é que o vídeo só mostra o quanto esses conceitos estão embrenhados na sociedade, especialmente entre os jovens. Quando ele diz "mata você sarrar no trabalhador? Não vai te matar! Se eu te sarrar teu ex-marido não vai pagar a pensão do seu filho? Se eu te sarrar tu vai parar de ganhar curtida no Facebook? Se eu te sarrar não vai mudar nada, colega. Então deixa eu te sarrar, filha da p***, branquela filha da p***", apenas está escancarando essa certeza de que "não tem nada de mal em encoxar uma mulher, mesmo sem o consentimento dela". É a velha história: se está de roupa curta, se está embriagada, se está no baile dançando, está pedindo.

Então, colega... se a mina disser não, é não. Seja ela de que cor for. Esteja ela onde estiver. É tão difícil entender isso?

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