Fevereiros – Documentário de Marcio Debellian

Fevereiros Fevereiros – Documentário de Marcio Debellian

Cena de Fevereiros, documentário de Marcio Debellian (Foto: Divulgação)

“Trabalhei o ano inteiro só pra passar fevereiro em Santo Amaro.” Música e poesia interpretadas por Maria Bethânia floreiam a narrativa de Fevereiros, documentário de Marcio Debellian exibido em 29 festivais no Brasil e no mundo, que chegará aos cinemas na quinta-feira (31/1).

Canções como "Reconvexo", "Santo Amaro", "Quixabeira" e "Viola Meu Bem", intercaladas a depoimentos de familiares, amigos, historiador e integrantes da escola de samba Mangueira, apresentam, em doses graduais, a intimidade da cantora e sua religiosidade. Tudo isso num paralelo entre Rio e Bahia pontuado pela preparação e vitória da escola, que em 2016 concorreu com o tema Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá.

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Nascida em Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, Maria Bethânia cresceu envolta por rituais tanto do catolicismo quanto do candomblé de caboclo. A região, conhecida por receber a maioria dos negros trazidos ao país, ainda comemora em sua tradição o fim da escravatura. Uma das marcas que a população carrega é a do sincretismo religioso. Como os negros não podiam expressar sua devoção, eles designavam alguns de seus deuses às imagens de santos da Igreja Católica. Devota de Nossa Senhora e filha de Iansã, Bethânia fundamenta, assim, a sua fé.

Fevereiros perpassa pela cultura africana até a miscigenada religiosidade negra e indígena brasileira, na qual Maria Bethânia está inserida e a representa. Também faz um recorte do samba da Bahia e sua migração para o Rio de Janeiro, tendo como pano de fundo o carnaval da Mangueira e a representatividade da escola junto à comunidade. O primeiro contato da baiana com os desfiles carnavalescos na cidade maravilhosa foi pouco tempo depois de sua mudança para lá, em 1965. A cantora recebera um convite de Nara Leão para substituí-la no teatro carioca. Tal trajetória pode ser acompanhada em Bethânia Bem de Perto (1966), documentário de Júlio Bressane e Eduardo Escorel. A obra conta os bastidores de sua ascendência artística nos palcos do Rio.

Esta não é a primeira produção de Marcio Debellian com Bethânia. O jovem diretor também conduziu O Vento Lá Fora (2014), documentário sobre Fernando Pessoa criado a partir da leitura de poemas pela cantora e por Cleonice Berardinelli. Em Fevereiros, fé, música, cultura e história flutuam nos depoimentos de Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, Leandro Vieira (carnavalesco da Mangueira), Luis Antonio Simas (historiador), Mabel Veloso (poeta) e Squel Jorgea (porta-bandeira da Mangueira). A voz inconfundível de umas das maiores intérpretes do Brasil canta e recita versos na mescla de frames coloridos dos festejos de Santo Amaro e da Sapucaí no Rio, rosa, verde e ouro.

Veja o trailer.

Fevereiros

Brasil, 2017. 75 minutos.

Direção: Marcio Debellian. Roteiro: Rosa Vasconcelos e Marcio Debellian. Produção: Daniel Nogueira e Marcio Debellian. Direção de fotografia: Miguel Vassi e Pedro von Krüger. Colaboração de direção e roteiro: Clara Cavour e Daniel Nogueira. Pesquisa de imagens: Antonio Venancio. Coprodução: Globo Filmes, Globo News e Canal Brasil. Realização: Debê Produções. Montagem: Rosa Vasconcelos e ABC. Distribuição: Art House.

Principais festivais: 10º In-Edit Brasil (vencedor, melhor filme). 36º Festival Internacional do Uruguai (menção honrosa do júri).

Estreia no circuito comercial de cinemas do Brasil: 31/1/2019.

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Valéria Noronha, estudante de Comunicação Social – Jornalismo, especial para o BlogDoc.

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As indicações para o Oscar 2019 de melhor documentário

OFAS cBASISBERLIN 31 As indicações para o Oscar 2019 de melhor documentário

Cena de Of Fathers and Sons, um dos indicados ao Oscar 2019 de melhor documentário (Foto: Reprodução)

Saíram hoje (22/1) os indicados para o Oscar 2019 de melhor documentário. O Brasil ficou fora da disputa. Três filmes estavam inscritos na etapa inicial de seleção: O Processo, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, Nossa Chape, que relata a tragédia da equipe de futebol, e Piripkura, a história de dois indígenas nômades que sobrevivem numa área ainda protegida no meio da floresta amazônica.

Melhor Documentário - Longa-Metragem

Cinco documentários de longa-metragem concorrem ao prêmio. São eles:

Free Solo

Lançado em setembro de 2018 pela National Geographic, o filme é tenso, com imagens de tirar o fôlego. Os diretores Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin acompanharam durante dois anos o alpinista Alex Honnold numa arriscada — e inédita — missão: escalar a rocha El Capitan, no Parque Nacional de Yosemite (Califórnia, Estados Unidos), sem equipamento de segurança. Veja o trailer.

Hale County This Morning, This Evening

Dirigido pelo aclamado fotógrafo RaMell Ross, o documentário é o retrato da vida de uma comunidade afroamericana do Alabama. Filmado durante cinco anos, Hale County acompanha o dia a dia de dois jovens no sul dos Estados Unidos. Veja o trailer.

Minding the Gap

Premiado no Festival de Cinema de Sundance, o filme é sobre a vida e a amizade de três jovens que crescem em Rockford, Illinois, com uma paixão em comum pelo skate. Veja o trailer.

Of Fathers and Sons

Durante dois anos e meio, o cineasta Talal Derki morou com uma família muçulmana no norte da Síria numa região devastada pela guerra, na fronteira com a Turquia, e acompanhou a transformação de dois adolescentes, Osama e Ayman, em combatentes jihadistas. O resultado é um documentário que expõe o horror do extremismo com cenas tocantes como a de um jogo macabro em que a bola é uma bomba ativa. O filme, que estreou em novembro nos Estados Unidos, ganhou a competição de documentário no Festival de Cinema de Sundance no começo deste ano. Veja o trailer.

RGB

O título do documentário são as iniciais de Ruth Bader Ginsburg. Pertencente a ala mais liberal da Suprema Corte americana, a juíza RGB, como é popularmente conhecida, também é uma espécie de ícone pop nos Estados Unidos. O filme aborda a sua vida e carreira. Veja o trailer.

Melhor Documentário - Curta-Metragem

Já os indicados para melhor documentário de curta-metragem no Oscar 2019 são:

  • • Black Sheep.
  • • End Game.
  • • Lifeboat.
  • • A Night at the Garden.
  • • Period. End of Sentence.

A cerimônia de premiação do Oscar 2019 acontece em 24 de fevereiro.

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Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental tem inscrições prorrogadas

Mostra ecofalante Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental tem inscrições prorrogadas As inscrições para a Competição Latino-Americana da 8ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental foram prorrogadas até o dia 10 de fevereiro. Serão aceitas obras latino-americanas finalizadas a partir de 2017 e que não tenham sido exibidas comercialmente na cidade de São Paulo antes da data do festival. Não há restrições quanto a gênero ou duração. A mostra é aberta a documentários ou filmes de ficção.

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Os filmes devem tratar de temáticas socioambientais tais como: energia, água, mudanças climáticas, consumo, povos e lugares, ativismo ambiental, resíduos sólidos, contaminação ou poluição, políticas públicas socioambientais, mobilidade, habitação, áreas verdes, áreas urbanas, alimentação, economia verde, globalização, vida selvagem e sustentabilidade..

Categorias

Os selecionados concorrerão nas seguintes categorias:
• Melhor Longa-Metragem Pelo Júri (a partir de 60 minutos), com prêmio de R$15 mil.
• Melhor Curta-Metragem Pelo Júri com prêmio de R$ 5 mil.
• Melhor Filme Pelo Público.

A 8ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental acontece em junho de 2019, com toda a programação gratuita. O regulamento, formulário de inscrição e outras informações estão disponíveis no site da mostra Ecofalante.

+ Leia mais sobre as edições passadas da Mostra Ecofalante.

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Festival de documentários musicais In-Edit está com inscrições abertas

Fevereiros 1000x565 Festival de documentários musicais In Edit está com inscrições abertas

Cena de Fevereiros, documentário vencedor da edição 2018 do In-Edit (Foto: Divulgação)

Estão abertas até 4 de março as inscrições para a 11ª edição do In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical. O evento acontece em São Paulo, de 12 a 23 de junho.

Serão aceitos documentários inéditos no circuito comercial, de produção (ou coprodução) brasileira, que tenham a música como elemento central, não importando o gênero ou a época. A disputa é dividida em três categorias: Competição Nacional, Mostra Brasil e Curta um Som.

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Todos os filmes selecionados para a Competição Nacional concorrem ao prêmio "In-Edit Brasil de Melhor Documentário Musical". O filme vencedor, que será definido por um júri composto por especialistas (cineastas, músicos, produtores, jornalistas), será exibido no Festival In-Edit de Barcelona 2019, com a presença do diretor.

O In-Edit Brasil tem como principal objetivo fomentar a produção e a difusão de filmes documentários que tenham a música como elemento integrador. O festival nasceu em Barcelona em 2003 e hoje é realizado em diversos países como Espanha, Chile, Grécia, Peru e Colômbia. No Brasil, o evento acontece desde 2009. Em 2018, o vencedor foi o documentário Fevereiros, de Marcio Debellian,

Como se inscrever no festival In-Edit

O regulamento, formulário de inscrição e outras informações estão disponíveis no site do In-Edit.

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IMS terá mostra com 12 filmes de Sergei Loznitsa

cinejornal divulgacao IMS IMS terá mostra com 12 filmes de Sergei Loznitsa

Imagem de "Cinejornal", um dos documentários de Sergei Loznitsa que estará em exibição no IMS (Foto: Reprodução/IMS)

O Instituto Moreira Salles (IMS) promove neste mês uma grande mostra dedicada ao cineasta Sergei Loznitsa. O evento contará com a presença do diretor, que participará de um debate e dará três masterclasses gratuitas.

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A mostra Vestígios e Ruptura: O Cinema de Sergei Loznitsa acontecerá no IMS Paulista, de 2 a 14 de outubro, e no IMS Rio, de 4 a 14. A programação inclui 12 filmes de Loznitsa, entre documentários e ficções, de longa, média e curta-metragens, produzidos entre 2000 a 2018.

Sergei Loznitsa nasceu em 1964 na Bielorrússia, parte da então União Soviética. Mais tarde, sua família mudou-se para Kiev, na Ucrânia. Em 1991, ingressou no Instituto Estadual de Cinematografia, em Moscou. Já dirigiu 20 documentários. O mais recente é Dia da Vitória que estreou neste ano no Festival de Berlim.

Masterclasses e debate

Sergei Loznitsa dará duas masterclasses gratuitas em São Paulo, nos dias 4 e 5 de outubro, e uma no Rio de Janeiro, no dia 9. O cineasta também participará de um debate no IMS Paulista, no dia 6, após a exibição de Donbass. Todas as masterclasses são gratuitas e sujeitas a lotação.

Programação completa e mais informações no site do IMS.

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Documentário “Sinfonia Caipira” vence dois prêmios nos EUA

O documentário brasileiro "Sinfonia Caipira" recebeu neste fim de semana dois prêmios no Jukebox International Film Festival, realizado em Carson City, nos Estados Unidos. A mostra apresenta filmes musicais e integra a programação do Jazz and Beyond: Carson City Music Festival, que acontece durante todo o mês de agosto na cidade.

"Sinfonia Caipira", de Denis Nielsen, foi premiado com o primeiro lugar e como o melhor do festival na categoria longa documentário, concorrendo com filmes dos EUA, Canadá e Grécia.

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O filme retrata a viagem da banda paulista Santa Jam Vó Alberta para a cidade de Ibitipoca (MG), onde os integrantes tomam as ruas da cidade em uma procissão com sua fusão original de folk, baião, blues, valsas, violadas, música cigana e jazz tradicional.

Sinfonia Caipira é o segundo longa documentário de Denis Nielsen. O filme teve pré-estreia em São Paulo no Museu da Imagem e do Som (MIS), dentro da programação do Cine MIS, que abre espaço para novos talentos do cinema.

Veja o trailer do documentário "Sinfonia Caipira".

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“Auto de Resistência” – Documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho

Auto de Resistencia Auto de Resistência – Documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho

Imagem de Auto de Resistência, documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho, que estreia nos cinemas (Foto: Divulgação)

Quando um policial mata um cidadão na rua, boa parte das vezes esse caso acaba registrado como um "auto de resistência". Ou seja, teoricamente os agentes da lei teriam agido em legítima defesa ao serem atacados por um suspeito. O problema é que, no Brasil – e especificamente no Rio de Janeiro – essa designação acabou se tornando uma forma de esconder muitos homicídios praticados pela polícia contra civis, sem qualquer critério a não ser o da barbárie. "Auto de Resistência", documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho que estreia nesta quinta (28/6), traz oito desses casos e escancara que a impunidade, infelizmente, ainda persiste na maioria das vezes.

Apenas de janeiro a abril de 2018, 464 pessoas foram mortas pelas polícias do Estado do Rio de Janeiro, numa média de 3 a 4 homicídios por dia. Desde 1997, já são mais de 16 mil mortos nessas circunstâncias.

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Sem entrevistas, o filme acompanha o dia a dia dos familiares que, após os homicídios, vivem entre a indignação e a mobilização para conseguir justiça. Também vai atrás de sobreviventes dos ataques. É o caso de Chauan Jambre. Em 20 de fevereiro de 2015, Chauan e o amigo Allan de Souza Lima brincavam com a câmera do celular na sua rua, no bairro de Palmeirinha, Zona Norte do Rio, quando policiais chegaram atirando de dentro de uma viatura. Allan morreu na hora, com o celular ainda filmando. O corpo de Allan foi posto no colo do amigo Chauan dentro da viatura. Chauan chegou a ficar preso, acusado de ter resistido à prisão, e foi algemado a uma maca do hospital. O sobrevivente luta para provar sua inocência com as imagens da câmera do celular.

"Auto de Resistência" já nasce com um lugar de destaque na (triste) filmografia brasileira sobre a violência urbana. No documentário, "Notícias de uma Guerra Particular" (1999), de Katia Lund e João Moreira Salles, pode ser considerado uma espécie de divisor de águas. Depois vieram "Ônibus 174" (2002), de José Padilha, e "Justiça", de Maria Augusta Ramos, para citar apenas alguns dos principais. Também na ficção houve um crescente, com "Cidade de Deus" (2002), de Fernando Meirelles, e "Tropa de Elite" (2007), de Padilha, como marcos centrais dessa escalada.

Pelo tema, e também pela abordagem, "Auto de Resistência" lembra mais o premiado "Justiça". Mas, se há semelhanças, há também muitas diferenças. O foco de Maria Augusta Ramos são as engrenagens do sistema judiciário – por isso seu filme se passa basicamente em fóruns e penitenciárias. "Auto de Resistência", ao contrário, tem como personagens centrais os amigos e familiares dos mortos. Há muitas cenas de tribunal, mas a abordagem é mais diversificada. Foca também no "ato de resistência".

Acima de tudo, o que diferencia os dois momentos históricos e os dois filmes é a realidade da internet e das redes sociais. Natasha Neri acompanha diversas manifestações populares, hoje muito mais frequentes e numerosas graças ao poder de mobilização das redes. E também se vale do grande número de gravações de vídeo feitas pela população e pelos próprios militares. Essas imagens trazem evidências visuais – e cruéis – que comprovam práticas que todos imaginavam existir. Como a cena em que o policial, de luvas, planta uma arma na mão de um cidadão já morto e dá um tiro, para que a vítima fique com pólvora na pele.

O balanço, triste, é que nem toda essa mobilização, nem a profusão de provas, tem garantido uma justiça mais justa. Infelizmente, a cada semana que passa parece haver mais casos para um "Auto de Resistência 2" ou "3", como a recente barbárie do estudante Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, morto na comunidade da Maré.

Triste Brasil.

Auto de Resistência

Brasil, 2018. 104 minutos.

Direção: Natasha Neri e Lula Carvalho. Argumento e roteiro: Natasha Neri e Juliana Farias. Produção executiva: Lia Gandelman e Joana Nin. Direção de fotografia: Lula Carvalho e Pedro Von Krüger. Assistentes de direção: Leonardo Nabuco e Juliana Farias. Direção de produção: Bruno Arthur. Montagem: Marília Moraes. Trilha original: Alberto Continentino.

Principais festivais: É Tudo Verdade 2018 (vencedor, melhor filme brasileiro). Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 28/6/2018. Classificação indicativa: 14 anos.

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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Destaques 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

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Fazenda de gado na Amazônia. Foto: Marcio Isensee e Sá/Divulgação

A 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, um dos principais eventos sul-americanos dedicados à temática socioambiental, acontece de 31 de maio a 13 de junho em diversas salas da cidade de São Paulo, com entrada franca. A mostra celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente e o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho.

Em 2018, o festival bateu recorde de inscrições, com um total de 383 filmes, de 18 países da região. O Brasil é representado por 19 filmes, sendo oito deles longas-metragens, já os selecionados para a competição Latino-Americana contabilizam 28.

Haverá premiação de R$ 15 mil para o melhor longa e de R$ 5 mil reais para o melhor curta-metragem (até 60 minutos), ambos eleitos pelo júri. Também haverá entrega de troféu para o melhor filme designado pelo público.

Werner Herzog, um dos nomes mais importantes da história do cinema alemão e um dos cineastas mais originais e polêmicos de todos os tempos, está no centro da retrospectiva do Ecofalante. Foram selecionados 18 títulos dirigidos pelo cineasta que focalizam o embate homem versos natureza.

Documentários em destaque da Mostra 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

A Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog, leva o espectador ao interior da Caverna Chauvet, no sul da França, onde os mais antigos desenhos rupestres foram descobertos em 1994. A caverna reúne desenhos intocados e surpreendentemente realistas e a narração hipnótica do próprio cineasta é revestida de contemplações metafísicas. O longa foi eleito como melhor documentário de 2010 pelas associações de críticos de Nova York, Los Angeles e Washington DC.

“Cidade Maia”, produção México-França, de Andrés Padilla Domene, mistura documentário e ficção científica ao retratar um grupo de descendentes maias urbanos que operam um misterioso instrumento a fim de realizar uma pesquisa num sítio arqueológico. Selecionado para o Festival de Roterdã e para eventos na Alemanha, Rússia, Suíça, Brasil, Croácia e Kosovo.

"Sob a Pata do Boi", produção brasileira, de Marcio Isensee e Sá, questiona o crescimento da pecuária na região Amazônica, que totalizava, em 1970, 85 milhões de cabeças de boi e uma floresta praticamente intacta. Desde então, uma porção equivalente ao tamanho da França desapareceu, da qual 66% virou pastagem. Em 2009, o jogo começou a virar quando o Ministério Público obrigou os grandes frigoríficos da região a se tornarem responsáveis por monitorar as fazendas fornecedoras de gado e não comprar daquelas que têm desmatamento ilegal.  O filme foi selecionado para o International Nature Film Festival Gödöllő, da Hungria, e para o Green Screen Festival, da Alemanha.

Confira aqui a programação da 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

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“A Vida Extraordinária de Tarso de Castro” – Documentário de Leo Garcia e Zeca Brito

Tarso de Castro 1970 1024x683 “A Vida Extraordinária de Tarso de Castro” – Documentário de Leo Garcia e Zeca Brito

Tarso de Castro em 1970 (Foto: Divulgação)

Qual adjetivo faria jus a Tarso de Castro? Sedutor, boêmio, provocador, polêmico e revolucionário são frequentemente acionados quando o assunto é o guri do Mucio. Mas, de alguma forma, todos carregam um juízo de valor desprezível diante do impacto do jornalista na imprensa brasileira. Lendário talvez resolveria o problema semântico. Mas aí esbarra-se em outro: como surgem as lendas? A partir daqui pode-se por para rodar o documentário “A Vida Extraordinária de Tarso de Castro”, que estreia nos cinemas nesta quinta (24).

Das terras de Passo Fundo (RS), onde o pai, Mucio de Castro foi diretor do jornal "O Nacional", Tarso foi ascendendo ao Sudeste como um furacão, levando na mala apenas o necessário: a expertise adquirida em seu habitat natural. Na cabeça iam as ideias polêmicas e, no coração, a excelência das virtudes, a maior delas: o seu afeto. Quem conta são os amigos, amores e desafetos entrevistados na produção de Leo Garcia e Zeca Brito. Afinal, esse é o caminho pelo qual percorrem as lendas: o boca a boca. E é nesse aspecto que também reside a estratégia de filmar os entrevistados ao telefone, como se estivessem falando um ao outro sobre Tarso – além do fato de que o jornalista não desgrudava do telefone. Seja como for, não deu muito certo porque as conversas regadas a álcool em mesas de bares são as mais interessantes e reveladoras. É ali que a lenda se ergue.

Descobre-se, por exemplo, que Candice Bergen, atriz americana com quem Tarso viveu um breve romance, provavelmente viveu a vida inteira achando que o jornalista foi guerrilheiro ao lado de Che Guevara. Recupera-se, também, a reivindicação da paternidade do "Pasquim", como se deixasse para o espectador-juiz decidir. A verdade é que a paternidade do semanário da contracultura parece irrelevante diante do poder de síntese e alcance do jornalista.

Jaguar, Sérgio Cabral, José Trajano, Luiz Carlos Maciel, Roberto D’Ávila, Eric Nepomuceno, Lilian Pacce, João Vicente de Castro, Bárbara Oppenheimer, Gilda Midani, Paulo César Pereio, Caetano Veloso, Chico Buarque, Tom Jobim e muitos outros (re)constroem não apenas a lenda Tarso de Castro, mas também a evolução da imprensa brasileira ao mesmo tempo em que se fixa um panorama cultural do país em diferentes momentos, sobretudo, aquele marcado pelo cerceamento das liberdades individuais. Por tudo isso, esqueçamos a paternidade do "Pasquim", deixemos de lamentar o excesso vil dos prazeres carnais e exaltemos Tarso de Castro, a apaixonante lenda do jornalismo brasileiro!

Veja o trailer.

 

"A Vida Extraordinária de Tarso de Castro"

 Brasil, 2018. 90 minutos.

Roteiro e Direção: Leo Garcia e Zeca Brito. Produção Executiva: Letícia Friedrich e Mariana Mêmis Müller. Som Direto: Fernando Basso. Desenho de Som e Mixagem: Tiago Bello. Direção de Fotografia: Bruno Polidoro. Pesquisa: Alice Spitz e Sylvio Siffert. Montagem: Jardel Machado Hermes. Produção: Leo Garcia, Letícia Friedrich, Lourenço Sant'Anna, Mariana Mêmis Muller e Zeca Brito. Produção Musical: Rita Zart. Trilha Sonora Original: Tiago Abrahão. Empresas produtoras: Anti Filmes, Boulevard Filmes, Coelho Voador, Epifania Filmes e Canal Brasil. Distribuição: Boulevard Filmes

 

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Bárbara Garcia, jornalista, é analista de projetos da Cross Content

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“Pagliacci” – documentário

 Pagliacci – documentário

Fernando Sampaio em cena do documentário "Pagliacci" (Foto: Divulgação)

Por que o palhaço é um personagem que fascina tanto? Passam-se se os anos – séculos – e ele continua lá, eventualmente com novas roupagens, mas sempre encantando as plateias. O documentário "Pagliacci", dirigido por Chico Gomes, Julio Hey, Luiza Villaça, Pedro Moscalcoff e Luiz Villaça, coloca esse personagem como centro da discussão a partir do foco no trabalho de dois de seus maiores expoentes no Brasil contemporâneo: Domingos Montagner (1962-2016) e seu maior parceiro, Fernando Sampaio.

 Pagliacci – documentário

Domingos Montagner, homenageado em "Pagliacci" (Foto: Divulgação)

Quem teve a sorte de assistir a Domingos e Fernando nos espetáculos do grupo LaMínima (fundado por ambos) ou no Circo Zanni sabe o valor da dupla. Fieis aos fundamentos da arte, ao mesmo tempo trouxeram modernidade ao espetáculo circense. Ganharam diversos prêmios de teatro e conseguirem atrair para a lona uma plateia mais diversificada e jovem, renovando o gênero. Mas Domingos se foi precocemente e, então, o que aconteceria com o LaMínima e todo esse trabalho de duas décadas?

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O documentário acompanha a primeira montagem do LaMínima sem a presença de Domingos. Fernando conduz o processo da montagem ao lado de antigos e novos parceiros. Bastidores dos ensaios, reflexões sobre a função do palhaço e memórias do trabalho de Domingos se misturam.

Das muitas conversas e reflexões, um consenso se estabelece. O palhaço é tudo aquilo que não nos permitirmos ser. É autêntico, age de forma inesperada. Erra, cai (literalmente), levanta, mas não perde a alegria de viver. Por isso é sempre um personagem com o qual nos identificamos, não importa nossa idade.

Vida longa ao palhaço!

Veja o trailer.

Pagliacci

Brasil, 2018. 73 minutos.

Direção: Chico Gomes, Julio Hey, Luiza Villaça, Pedro Moscalcoff e Luiz Villaça. Argumento: Luiz Villaça. Roteiro: Guilherme Quintella. Produção: Denise Gomes, Paula Cosenza, Luciana Lima e Fernando Sampaio. Produção executiva: Adriana Tavares. Fotografia: Pedro Moscalcoff. Som direto: Adriano Vasquez, Guilherme Lessa, Luciano Raposo, Marcelo Lopes, Robson Lima, Rodrigo Amorim e Tales Manfrinato. Montagem: Gabriel Lancman. Edição de som: Daniel Sasso e Toco Cerqueira. Mixagem: Toco Cerqueira. Trilha sonora original: Marcelo Pellegrini. Texto e adaptação da peça "Pagliacci" de Luís Alberto de Abreu. Produção: Bossa Nova Films, LaMínima, GloboNews, Globo Filmes e Canal Brasil. Distribuição: Pandora Filmes.

Estreia no circuito comercial de cinemas: 26/4/2018. Classificação indicativa: livre.

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content

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