Paulistas – Documentário de Daniel Nolasco

 Paulistas – Documentário de Daniel Nolasco

Cena de Paulistas, documentário de Daniel Nolasco (Foto: Divulgação)

Paulistas, documentário de Daniel Nolasco, entra em cartaz nesta quinta (22) nos cinemas. Não se deixe levar pelo título. A designação se refere a um nome de um lugarejo no interior de Goiás, não os cidadãos de São Paulo. Ou se deixe levar pela brincadeira do título. O documentário, na verdade, aborda a vida dos jovens nascidos nas regiões de Paulistas e Soledade que, em busca de estudo, trabalho e perspectivas de vida, se mudam para centros urbanos, deixando as áreas rurais sem representantes de sua geração. Ou seja, são os "paulistas" no sentido de geração das cidades, distante da terra e da produção agropecuária que sustentou suas famílias por gerações.

Parênteses de natureza global: já notaram como, nos últimos tempos, os filmes no estilo cinema direto têm dominado os lançamentos de documentários brasileiros? Parece que, nesta época pós-Eduardo Coutinho os cineastas decidiram aproveitar para se libertar das entrevistas. Nada contra – nem a favor. O problema é que nem todos são irmãos Maysles ou Robert Drew, assim como nem todos (ou quase ninguém) tem o talento para entrevistas que tinha Coutinho. Fecha parênteses.

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Ao estilo do cinema direto, Paulistas acompanha a vida de três desses jovens quando, nas férias de julho, voltam para visitar seus pais no campo. A bela fotografia enfatiza o vazio. Vazio desses personagens meio perdidos em seu passado, que ficam inventando brincadeiras para passar o tempo, como passeios de moto ou tiros de espingarda em uma velha TV de tubo. E, claro, muito celular para espantar o tédio.

Mas vazio do lugar como um todo – e aí vai a mensagem política bastante forte, mas não panfletária, do filme. A monocultura de soja que se implantou principalmente a partir dos anos 80, e a exploração dos recursos hídricos, mudou definitivamente o panorama da região, afastando os pequenos produtores e, em particular, os mais jovens que não conseguem enxergar um futuro naquelas terras.

Como em todo trabalho de cinema verdade, há um bom grau de reencenação em tudo o que vemos. Nenhum mal nisso. Se no cinema de ficção os espectadores aceitam como parte do jogo o conceito da "suspensão da descrença", por que não nesses documentários aceitar a "crença na realidade", ainda que essa realidade tenha sido convenientemente remontada diante das câmeras? Afinal, Nolasco entende da realidade que retrata. Nascido na região de Paulistas, mudou-se aos 2 anos com a família para a área urbana de Catalão (GO), antecipando um movimento migratório que só cresceria nas décadas seguintes. Este é seu primeiro longa, depois de uma série de documentários premiados.

Paulistas

Brasil, 2018. 76 minutos.
Direção: Daniel Nolasco. Produção: Estúdio Giz e Panaceia Filmes.

Participação em festivais: Dok Leipzig 2017 (Alemanha). Estreia no circuito comercial de cinemas: 22/2/2018.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 Paulistas – Documentário de Daniel Nolasco lente 15 Paulistas – Documentário de Daniel Nolasco lente 15 Paulistas – Documentário de Daniel Nolasco lente 15 Paulistas – Documentário de Daniel Nolasco 

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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VerCine – Festival de Cinema da Baixada Fluminense tem inscrições abertas

Vercine festival baixada fluminense 300x59 VerCine   Festival de Cinema da Baixada Fluminense tem inscrições abertasAs inscrições para o 6º VerCine - Festival de Cinema da Baixada Fluminense estão abertas até 28 de fevereiro. O festival acontece em Duque de Caxias (RJ) entre os dias 30 de maio e 13 de junho.

O evento é aberto a curtas ou longas-metragens de ficção ou documentários, além de videoclipes. Os curtas-metragens devem ter até 20 minutos; os longas, mais de 65 minutos; e os videoclipes, no máximo 8 minutos. A divulgação dos filmes selecionados está prevista para 25 de abril.

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Pela primeira vez, o VerCine inclui em sua programação a mostra Panorama Estrangeiro, que será dedicada anualmente à exibição de curtas de um país em destaque. Em 2018, o país escolhido é a Rússia.

Premiações e formas de inscrição

O VerCine 2018 oferece premiação em seis categorias, todas com vencedores escolhidos pelo voto popular: curta-metragem de ficção, curta-metragem documentário, longa-metragem de ficção, longa-metragem documentário, videoclipe e filme estrangeiro.

As inscrições podem ser realizadas no site do festival por meio do preenchimento de um formulário e da indicação de um link privado para a visualização ou download da obra. Também é oferecida a opção de inscrição por meio das plataformas Click for Festivals, Festhome ou Movibeta.

Mais informações no site do VerCine - Festival de Cinema da Baixada Fluminense.

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Os documentários brasileiros no Festival de Berlim 2018

O 68º Festival internacional de Cinema de Berlim começa nesta quinta (15) com bons documentários brasileiros de longa-metragem em exibição. Nomes em destaque da filmografia brasileira de não ficção apresentam suas novas obras nessa grande vitrine europeia – e profissionais mais conhecidos por trabalhos ficcionais também mostram suas vertentes documentais.

Depois de acompanhar os bastidores da Justiça brasileira (Justiça, 2004, e Juízo, 2008) e mergulhar nas divisões do Brasil às vésperas da copa (Futuro Junho, 2015), Maria Augusta Ramos desta vez conta sua versão do impeachment de Dilma Rousseff em O Processo.

Claudia Priscilla e Kiko Goifman, do bom Olhe Pra Mim de Novo (2011), voltam à temática da identidade de gênero com Bixa Travesty.

Luiz Bolognesi, mais conhecido como roteirista de filmes de ficção de sucesso, como Bicho de Sete Cabeças (2001), Elis (2016) e Bingo: O Rei das Manhãs (2017), apresenta Ex-Pajé. Outro mais lembrado por sua obra ficcional é Karim Aïnouz (de Praia do Futuro, 2014, O Céu de Suely, 2006, entre outros), que leva a Berlim seu Aeroporto Central.

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Os quatro estarão em exibição na mostra Panorama (não competitiva). Já a Mostra Forum Expanded, dedicada a trabalhos experimentais e de vanguarda, exibe Eu Sou o Rio, de Gabraz Sanna e Anne Santos.

68º Festival internacional de Cinema de Berlim acontece de 15 a 25 de fevereiro.

Veja os documentários brasileiros de longa-metragem participantes.


Aeroporto Central

Aeroporto Central Divulgacao Os documentários brasileiros no Festival de Berlim 2018

Alemanha, França, Brasil, 2018. 97 minutos.
Direção: Karim Aïnouz.
Exibição no Festival de Berlim 2018: Mostra Panorama.
Tema: a vida de dois refugiados em um aeroporto abandonado em Berlim.
Mais informações sobre o filme no site do festival de Berlim (em inglês). 


Bixa Travesty

Bixa Travesty Divulgacao Os documentários brasileiros no Festival de Berlim 2018

Brasil, 2018. 75 minutos.
Direção: Claudia Priscilla e Kiko Goifman.
Exibição no Festival de Berlim 2018: Mostra Panorama.
Tema: MC Linn da Quebrada, artista negra e transexual nas periferias brasileiras.
Mais informações sobre o filme no site do festival de Berlim (em inglês). 


Eu Sou o Rio

Eu Sou o Rio Divulgacao Os documentários brasileiros no Festival de Berlim 2018

Brasil, 2017. 78 minutos.
Direção: Gabraz Sanna e Anne Santos.
Exibição no Festival de Berlim 2018: Mostra Forum Expanded.
Tema: o artista pluridisciplinar Tantão.
Mais informações sobre o filme no site do festival de Berlim (em inglês). 


Ex-Pajé

Ex Paje Divulgacao Os documentários brasileiros no Festival de Berlim 2018

Brasil, 2018. 81 minutos.
Direção: Luiz Bolognesi.
Exibição no Festival de Berlim 2018: Mostra Panorama.
Tema: o índio Perpera Suruí, antigo pajé que se converte ao cristianismo e se torna pastor evangélico.
Mais informações sobre o filme no site do festival de Berlim (em inglês).


O Processo

O Processo Divulgacao Os documentários brasileiros no Festival de Berlim 2018

Brasil, Alemanha e Holanda, 2018. 137 minutos.
Direção: Maria Augusta Ramos.
Exibição no Festival de Berlim 2018: Mostra Panorama.
Tema: os bastidores do impeachment de Dilma Rousseff.
Mais informações sobre o filme no site do festival de Berlim (em inglês).

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DocTV CPLP abre inscrições para documentários inéditos

DocTV CPLP III documentarios 300x75 DocTV CPLP abre inscrições para documentários inéditosEstão abertas as inscrições para a terceira edição do DocTV CPLP III, concurso internacional de seleção de projetos de documentários. A iniciativa é do Programa de Fomento à Produção e Teledifusão de Conteúdos Audiovisuais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com participação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (Sav/MinC).

O programa tem por objetivo incentivar o desenvolvimento e difundir em escala mundial documentários dos nove países de língua portuguesa participantes: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste.

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Serão escolhidos nove documentários inéditos de até 52 minutos, sendo um de cada país, que reflitam a realidade e situação socioeconômica contemporânea das nações que formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Os filmes devem respeitar o orçamento de 50 mil euros. Não serão aceitas propostas que ultrapassem o valor estipulado. Além de financiamento, os projetos selecionados terão acesso à Oficina de Desenho Criativo de Produção a ser realizada em maio de 2018.

Os documentário ganham ainda estreia mundial em faixa nobre de programação e até duas reprises nas emissoras públicas de televisão que fazem parte da Rede CPLP Audiovisual. No Brasil, a TV Brasil vai exibir com exclusividade em território nacional os filmes produzidos no DocTV CPLP III.

Quem pode participar do DOCTV CPLP III

Podem participar do concurso realizadores e produtoras dos estados-membros da CPLP. Não há limite de candidaturas de projetos aos interessados.

A inscrição deve ser realizada on-line no site pav.cplp.org até 6 de abril. Os vencedores serão anunciados em maio.

Mais informações no site do DocTV CPLP III.

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Mostra gratuita de cinema une esporte e política no Sesc Ipiranga

A mostra Esportivismo, parte da programação de verão do Sesc Ipiranga, discute o esporte como espaço para mobilização e transformação social. Além de exibições gratuitas de filmes que exploram a temática, os visitantes também poderão participar de um bate-papo com os jornalistas Juca Kfouri, Walter Falceta e o ex-jogador do Corinthians Zé Maria.

Democracia em preto e branco 1 300x191 Mostra gratuita de cinema une esporte e política no Sesc Ipiranga

Sócrates, Casagrande e Wladimir, jogadores do Corinthians (divulgação)

O documentário Democracia em Preto e Branco, com direção de Pedro Asbeg, abre a mostra, no dia 15, e é seguido de debate sobre mobilização social e os conceitos atuais de democracia com os jornalistas Juca Kfouri, Walter Falceta e o ex-jogador do Corinthians Zé Maria.  O filme mostra a influência do futebol e da música no cenário político brasileiro.

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Programação mostra Esportivismo – Sesc Ipiranga

15/2| 19h – Abertura e bate-papo: Democracia em Preto e Branco  

Com direção de Pedro Asbeg, o documentário de 2014 retrata o período em que jogadores do Corinthians adotaram um sistema democrático de tomada de decisões políticas e administrativas dentro do clube como forma de protesto ao regime militar em 1980. Classificação indicativa: 10 anos.

16/2 | 19h - O Dia em que o Brasil Esteve Aqui

Qual a função social dos esportes? Com roteiro de Fábio Altman, Caito Ortiz e João Dornelas, o enredo do documentário pretende responder à pergunta, relacionando o amistoso entre Brasil e Haiti ao processo de pacificação do país caribenho. Classificação indicativa: livre para todos os públicos.

18/2 | 19h - A luta pelo protagonismo feminino no cenário esportivo 

Parte da programação da mostra contempla a temática feminista, com exibição de documentários que abordam os esforços das mulheres para conseguir reconhecimento em um universo dominado pelos homens.

Joga Igual Mulher - Com direção de Diego Urias, o filme conta com depoimentos de diversas profissionais do meio: jogadoras profissionais, jornalistas esportivas, árbitra, técnica, torcedoras e jogadoras amadoras.

Procura-se Irenice – O documentário aborda a história de Irenice Maria Rodrigues, atleta olímpica brasileira que nos anos 60 e 70 foi perseguida pela ditadura militar e apagada dos livros e registros. Direção de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça.

18/2 | 17h30 – Invictus

Invictus, o único filme estrangeiro da programação encerra a mostra no domingo. O filme (ficção) aborda como a união de forças entre o recém-eleito presidente da África do Sul, Nelson Mandela, e o time nacional de rúgbi alterou o cenário político e social do país pós-apartheid. Classificação indicativa: livre para todos os públicos.

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Latino-americanos têm oportunidade de financiamento de documentários

DocsBarcelona1 300x90 Latino americanos têm oportunidade de financiamento de documentários

A convocatória para inscrição de documentários do DocsBarcelona está aberta até 1º de março, às 13h (horário local de Barcelona). O mercado de financiamento do festival especializado no gênero documentário garante espaço exclusivo a latino-americanos. Trata-se do Latin Pitch, uma plataforma de financiamento na qual seis projetos da América Latina são apresentados a financiadores com interesse em projetos da região e aos profissionais credenciados no DocsBarcelona.

Embora a plataforma de financiamento e promoção de projetos seja voltada à região latino-americana, as apresentações devem ser feitas em inglês. No dia 25 de maio, após seleção dos projetos, serão realizadas reuniões individuais entre financiadores e diretores.

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Os inscritos no Latin Pitch também podem participar de um workshop cujo objetivo é aprimorar os projetos e apresentações, assim como apresentar possibilidades de financiamento de documentários. O custo do workshop é de 425 euros.

Quem pode participar do Latin Pitch?

Além da nacionalidade latino-americana, também é preciso que a maior parte da produção seja da região. No caso de coprodução com outro país, os projetos devem ter no mínimo 60% de produção na América Latina. Podem se inscrever no Latin Picth os projetos oriundos dos seguintes países:

• Argentina
• Bolívia
• Brasil
• Colômbia
• Costa Rica
• Cuba
• Equador
• El Salvador
• Guatemala
• Haiti
• Honduras
• México
• Nicarágua
• Panamá
• Paraguai
• Peru
• Porto Rico
• República Dominicana
• Uruguai
• Venezuela
• Chile

Como inscrever projetos para financiamento no DocsBarcelona?

Para inscrever um projeto no financiamento do DocsBarcelona, leia as bases de inscrição de projetos no site. Depois, acesse a Página de Visitantes, crie um usuário e senha e preencha o formulário de registro em “Enviar Projeto”. Caso já esteja registrado, use o usuário e senha da edição anterior. A taxa de inscrição é de 12 euros por projeto. Para o formulário, providencie os seguintes documentos:

1- Documento escrito: a primeira parte é composta por um dossiê com duas páginas, no máximo, escrito em inglês e no formato PDF, com as seguintes informações:

1ª página:

• Link para o teaser do projeto. Caso seja um link privado, o documento deve conter a senha para visualização.
• Breve ficha técnica com o tema do documentário (sociologia, arte, música, cultura, direitos humanos, assuntos atuais, ambiente, entre outros).
• Sinopse e tratamento (pode incluir imagens).

2ª página:

• Currículo da empresa de produção.
• Currículo do diretor e produtor.
• Orçamento global e plano de financiamento (o projeto não precisa ter financiamento prévio).
Looking for: seção destinada à indicação do tipo de financiamento procurado no DocsBarcelona (coprodução, distribuição, venda de direitos à TV, outros.)

2- Clipe: o processo de seleção exige do candidato um link para visualização on-line do projeto. O videoclipe deve ter, no máximo, três minutos de duração e legendas em inglês. Caso seja um vídeo privado, o formulário oferece opção para inserir senha.

Mais informações no site do DocsBarcelona.

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Visages, Villages – Documentário de Agnès Varda e JR

Visages villages Visages, Villages – Documentário de Agnès Varda e JR

Agnès Varda, JR e o furgão-estúdio em Visages, Villages, documentário em cartaz nos cinemas (Foto: Divulgação)

Visages, Villages, documentário em cartaz nos cinemas, deu à cineasta belga radicada na França Agnès Varda sua primeira indicação para o Oscar. Aos 89 anos, Varda é a mais velha concorrente à estatueta. Antes tarde do que nunca, o reconhecimento de Hollywood veio agora em dose dupla. Além da vaga de finalista na disputa de Melhor Documentário, Varda recebeu em novembro último o Oscar Honorário da Academia de Cinema (The Governors Awards) pelo conjunto da obra.

Em Visages, Villages (rostos, vilarejos), Varda retoma a produção documental no estilo que a consagrou em obras como Os Catadores e Eu (2000) ou As Praias de Agnès (2008). Só que desta vez não está sozinha. Divide a direção com o fotógrafo JR, 34 anos, famoso em todo o mundo pelos seus trabalhos de fotografite (inclusive com intervenções no Rio de Janeiro).

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É um encontro aparentemente improvável, pelas diferenças de idade e estilo, mas que dá certo. Ela é contemplativa e questionadora. Ele, ágil e mais apegado ao efêmero, é um personagem de si mesmo. Nunca se apresenta pelo nome completo (Jean Réné), nem tira os óculos escuros e o chapéu. Dirige um furgão todo estiloso, com adesivagem que faz com que pareça uma máquina fotográfica, e que é adaptado para funcionar ao mesmo tempo como estúdio e espaço para impressão de suas imagens com a técnica de gigantografia (para colagem em paredes).

Juntos, fazem uma espécie de truck movie pelo interior da França. Os personagens anônimos que encontram pelo caminho invariavelmente viram fotos gigantes, que são coladas em paredes de casas, muros, galpões ou contêineres. À medida que viajam, discutem a fotografia e o cinema, a arte e seus espaços e formatos. Ao mesmo tempo, tocam em temas políticos e sociais importantes – a mecanização da agricultura gerando desemprego, a falta de oportunidades nas cidades pequenas, o machismo que persiste em diversas profissões. Nada profundo nem panfletário, tudo está lá para despertar a consciência – e o olhar.

O resultado é um filme agradável e fácil de ver, fruto de uma interação espontaneamente planejada entre os dois. Se, do ponto de vista das imagens, o que se vê na tela são basicamente os trabalhos de JR, em termos de estilo o filme é todo de Varda. Prato cheio para quem gosta dela – e boa oportunidade para quem ainda não conhece essa referência viva do cinema francês.

Visages, Villages

França, 2017. 89 minutos.

Direção e roteiro: Agnès Varda e JR. Fotografia: Roberto De Angelis, Claire Duguet, Julia Fabry, Nicolas Guicheteau, Romain Le Bonniec, Raphaël Minnesota e Valentin Vignet. Montagem: Agnès Varda e Maxime Pozzi Garcia. Música: Matthieu Chedid. Produtora: Rosalie Varda. Produção: Ciné-Tamaris, Social Animals, Rouge International, Arches Films e Arte France Cinéma. Distribuição: Fênix Filmes.

Principais festivais e premiações: Oscar 2018 (indicado a Melhor Documentário), Festival de Cannes 2017 (vencedor do Olho de Ouro de Melhor Documentário), Festival Internacional do Filme de Toronto (Melhor Documentário pela escolha do público), 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 25/1/2018. Classificação indicativa: 10 anos.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 Visages, Villages – Documentário de Agnès Varda e JR lente 15 Visages, Villages – Documentário de Agnès Varda e JR lente 15 Visages, Villages – Documentário de Agnès Varda e JR lente 15 Visages, Villages – Documentário de Agnès Varda e JR

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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Academia anuncia documentários que concorrem ao Oscar 2018

Visages villages Agnes Varda JR Academia anuncia documentários que concorrem ao Oscar 2018

Cena de Visages, Villages, de Agnès Varda e JR, um dos concorrentes ao Oscar 2018 de melhor documentário (Foto: Agnès Varda-JR-Ciné-Tamaris)

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou nesta terça (23) os filmes indicados ao Oscar 2018. Os documentários concorrem em duas categorias: longas-metragens e curtas-metragens.

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A 90ª cerimônia de entrega dos Academy Awards (ou Oscar) acontece em 4 de março no Teatro Dolby, em Los Angeles (EUA). O comediante Jimmy Kimmel será o apresentador do evento, como no ano passado. No Brasil, a transmissão acontece pela TNT (TV a cabo e plataforma web TNT Go).

Veja os documentários indicados nas duas categorias:
 

Documentários de longa-metragem indicados ao Oscar 2018

 
Abacus: Pequeno o Bastante para Condenar - Abacus: Small Enough to Jail
De Steve James, Mark Mitten e Julie Goldman.


Ícaro - Icarus
De Bryan Fogel e Dan Cogan. Disponível na Netflix.


Strong Island
De Yance Ford e Joslyn Barnes. Disponível na Netflix.


Últimos Homens em Aleppo - Last Men in Aleppo
De Feras Fayyad, Kareem Abeed e Søren Steen Jespersen.


Visages, Villages
De Agnès Varda e JR. Leia mais sobre o filme.


 

Documentários de curta-metragem indicados ao Oscar 2018

 
Edith+Eddie
Laura Checkoway e Thomas Lee Wright.

Heaven Is a Traffic Jam on the 405
De Frank Stiefel.

Heroína(s) - Heroin(e)
De Elaine McMillion Sheldon e Kerrin Sheldon. Disponível na Netflix.

Knife Skills
De Thomas Lennon.

Traffic Stop
De Kate Davis e David Heilbroner.

 

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IMS exibe novo documentário de Frederick Wiseman

O Instituto Moreira Salles (IMS) exige nesta sexta (19) e no dia 27, na sua unidade da Avenida Paulista, em São Paulo, o mais recente trabalho do diretor Frederick Wiseman: Ex-Libris: A Biblioteca Pública de Nova York. O cineasta retrata as diversas unidades da biblioteca, seus frequentadores, palestras, encontros de clubes do livro e outros eventos. O documentário venceu o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema em 2017.

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Frederick Wiseman dirigiu mais de 40 filmes e é considerado um dos precursores do movimento que ficou conhecido como Cinema Direto. Entre seus principais filmes estão Titicut Follies (1967), Violência Doméstica (2001), La Danse (2009), Academia de Boxe (2010), Crazy Horse (2011), Em Berkeley (2013) e Em Jackson Heights (2015).

Ex-Libris: A Biblioteca Pública de Nova York (Ex Libris: The New York Public Library)

Estados Unidos, 2017. 197 minutos.

Direção: Frederick Wiseman.

Dias 19 (20h) e 27 de janeiro (18h). IMS Paulista. Avenida Paulista, 2424, São Paulo.

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Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental recebe inscrições até o dia 31

mostra ecofalante 300x202 Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental recebe inscrições até o dia 31Foram prorrogadas até 31 de janeiro as inscrições para a competição Latino-Americana da 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, evento dedicado especificamente a temas socioambientais. São aceitas obras brasileiras, latino-americanas e caribenhas finalizadas a partir de 2016, incluindo documentários, sem restrições de duração.

Os selecionados concorrem nas categorias Melhor Longa-Metragem Pelo Júri (a partir de 60 minutos), com prêmio de R$ 15 mil, Melhor Curta-Metragem Pelo Júri (até 59 minutos), com prêmio de R$ 5 mil, e Melhor Filme Pelo Público. A critério do júri, poderão ser concedidas menções honrosas.

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Desde sua primeira edição, em 2012, a Mostra Ecofalante e as atividades educativas da ONG já atingiram diretamente cerca de 190 mil pessoas. Foram exibidos 424 filmes, de todos os continentes, em 26 cidades do Estado de São Paulo.

A 7ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental acontece de 30 de maio a 13 de junho em São Paulo, com toda programação gratuita.

O regulamento, formulário de inscrição e outras informações estão disponíveis no site da Mostra Ecofalante.

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