A Morte de J.P. Cuenca – Documentário de João Paulo Cuenca

A Morte de JP Cuenca A Morte de J.P. Cuenca – Documentário de João Paulo Cuenca

Cena do filme A Morte de J.P. Cuenca (Foto: Divulgação)

Mistura atípica de ficção e documentário, A Morte de J.P. Cuenca parte de uma premissa real. Em 2011, o escritor João Paulo Cuenca recebeu a notícia de seu próprio falecimento. Um cadáver encontrado em um prédio abandonado no bairro da Lapa, no Rio Janeiro, portava sua certidão de nascimento. O fato bizarro atiça a curiosidade de João Paulo Cuenca, que parte em busca de respostas nesse filme dirigido, escrito e protagonizado por ele.

No longa, o diretor/protagonista encontra-se com detetives que o auxiliam a descobrir mais detalhes sobre o falecido que havia assumido sua identidade. Como sua certidão de nascimento havia ido parar nas mãos dele? Por qual razão? À medida que o roteiro avança, algumas respostas vêm à tona. Descobre-se que o sujeito vivia em condições precárias em uma ocupação, tinha uma companheira e, possivelmente, sofria de problemas mentais. João Paulo Cuenca visita o prédio abandonado onde o corpo havia sido encontrado e entrevista vizinhos para montar esse quebra-cabeça. Nunca fica claro se as interações com os entrevistados são autênticas ou se são encenações feitas por personagens reais. Realidade e ficção se entrelaçam.

A empreitada leva João Paulo Cuenca a questionar a própria identidade e mortalidade. Ele visita cemitérios e busca os serviços de um agente funerário, em uma sequência do filme repleta de ironia e humor negro. O Rio de Janeiro em metamorfose pelas obras realizadas para os Jogos Olímpicos é o cenário de toda a história, servindo como metáfora para as transformações internas do protagonista. A crise de identidade vai conduzindo João Paulo ao delírio – em sequências ficcionais, ele se imagina na pele do sujeito que havia falecido carregando seu documento, agonizando nos últimos dias de vida.

Com uma proposta ousada e um mote instigante, A Morte de J.P. Cuenca nunca entrega respostas fáceis ou conclusivas ao espectador. No final das contas, a bizarra jornada de seu protagonista é mais importante do que a verdade factual.

A Morte de J.P. Cuenca

Brasil, 2015. 90 minutos.

Direção e roteiro: João Paulo Cuenca. Diretor de fotografia: Pedro Urano. Produção executiva e montagem: Marina Meliande. Trilha sonora original: Daniel Limaverde. Edição de som: Bernardo Uzeda.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 30/06/2016. Classificação indicativa: 18 anos.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 A Morte de J.P. Cuenca – Documentário de João Paulo Cuenca lente 15 A Morte de J.P. Cuenca – Documentário de João Paulo Cuenca lente 15 A Morte de J.P. Cuenca – Documentário de João Paulo Cuenca 

Deixe a sua avaliação nos comentários

(Por Caio Hornstein)


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita

paratodos1 Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita

O medalhista paralímpico Alan Oliveira em cena do documentário Paratodos, de Marcelo Mesquita (Foto: Divulgação)

Se no futebol as coisas não andam nada bem para o Brasil nos últimos tempos, nos esportes paralímpicos somos uma potência mundial. Nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, o País obteve a 7ª colocação geral no quadro de medalhas – como comparação, nas Olimpíadas tradicionais ficamos na 21ª posição. O documentário Paratodos, do diretor Marcelo Mesquita, retrata o cotidiano de treinamentos e de competições desses vitoriosos esportistas brasileiros.

Divido em quatro segmentos com atletas de modalidades distintas – atletismo, canoagem, futebol e natação –, o longa acerta ao nunca tratar com condescendência o universo dos esportes para pessoas com deficiência. O clichê das histórias de superação é uma armadilha comum ao abordar o assunto, mas o diretor Marcelo Mesquita é hábil em evitá-lo. O que se vê na tela são atletas de alto rendimento como quaisquer outros, que lidam com euforia e frustração e são submetidos à pressão por resultados.

Na primeira parte do filme, destinada ao atletismo, somos apresentados a Alan Oliveira, velocista que surpreendeu o mundo ao conquistar a medalha de ouro em Londres, em 2012, superando o sul-africano Oscar Pistorius, considerado imbatível. Depois da ascensão meteórica na carreira, ele deixou de se dedicar aos treinamentos, ficou fora de forma e agora luta para voltar a ser competitivo – uma história de auge e decadência tão comum nas narrativas sobre o esporte.

No segundo segmento, dedicado à canoagem, o personagem central é Fernando Fernandes. A princípio, ele ganhou notabilidade por participar do reality show Big Brother Brasil e ter uma carreira bem-sucedida como modelo. Após sofrer um acidente automobilístico, Fernando perdeu o movimento dos membros inferiores e passou a se dedicar à canoagem. Com muito esforço, tornou-se um dos melhores atletas do mundo na modalidade.

Em seguida, Paratodos apresenta a seleção brasileira de futebol de 5 – modalidade destinada a jogadores com deficiência visual – em uma competição disputada no Japão. Impressiona a união do grupo de jogadores e sua alegria – o tradicional batuque de boleiros nas viagens de ônibus, como não poderia deixar de ser, é uma constante. O filme acompanha a trajetória da seleção brasileira na competição até a derradeira e disputada final contra a Argentina. Ao soar o apito final, é difícil não se emocionar com a conquista dos jogadores brasileiros.

No último segmento, o longa se dedica aos nadadores Daniel Dias, vencedor de 15 medalhas paraolímpicas; e Susana Schnamdorf, ex-triatleta que encontra motivação na natação após ser diagnosticada uma doença degenerativa. Ao longo das gravações do documentário, a doença de Susana evolui e ela é reclassificada para uma nova categoria de natação. Ela, contudo, não perde o espírito de atleta e parece encontrar nos desafios proporcionados pelo esporte o combustível para seguir lutando.

Hábil em capturar a personalidade e os dilemas dos atletas que retrata, gerando empatia, Paratodos é um documentário consciente dos atributos que tornam o esporte fascinante. Ser praticado por pessoas com deficiência física é um mero detalhe.


Paratodos

Brasil, 2016. 110 minutos.

Direção: Marcelo Mesquita. Roteiro: Peppe Siffredi.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 23/06/2016. Classificação indicativa: livre.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita lente 15 Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita lente 15 Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita lente 15 Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita

Deixe a sua avaliação nos comentários

(Por Caio Hornstein)


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

Premiado em Cannes, Cinema Novo, de Eryk Rocha, chega aos cinemas brasileiros em novembro

CinemaNovo 05 Os Herdeiros de Carlos Diegues Premiado em Cannes, Cinema Novo, de Eryk Rocha, chega aos cinemas brasileiros em novembro

Trecho do filme Os Herdeiros, de Cacá Diegues, em Cinema Novo

Cinema Novo, documentário de Eryk Rocha, teve sua data de estreia no circuito comercial brasileiro confirmada para novembro de 2016. O filme se notabilizou por receber o prêmio “Olho de Ouro” de melhor documentário no Festival de Cannes de 2016. Até chegar às salas de cinema do Brasil, o longa participará de cerca de dez festivais internacionais, entre eles o Festival Internacional de Cinema de Munique.

O documentário de Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, trata do famoso movimento cinematográfico brasileiro da década de 1960 a 1970, um dos mais importantes da América Latina e responsável por uma revolução na criação artística cinematográfica da região. O longa inclui trechos de filmes da época e depoimentos de seus principais realizadores, como Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Walter Lima Jr. Paulo César Saraceni e Glauber Rocha.


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

26ª edição do Cine Ceará traz 23 documentários em sua programação

Menino23 26ª edição do Cine Ceará traz 23 documentários em sua programação

O documentário Menino 23, de Belisario Franca, é um dos destaques do 26º Cine Ceará (Foto: Divulgação)

Começa nesta quinta-feira (16) a 26ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, que acontece em Fortaleza até o dia 22 de junho. Entre os filmes que serão exibidos, há 23 documentários, sendo 17 curtas e 6 longas.

Veja os documentários que serão exibidos durante a mostra:

Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longas-Metragens

Casa Blanca, de Aleksandra Maciuszek. 2015.  62 minutos. México

Menino 23, de Belisario Franca. 2015.  80 minutos. Brasil

Mostra Competitiva Brasileira de Curtas-Metragens

Abissal, de Arthur Leite. 2016.  17 minutos

A Festa e os Cães, de Leonardo Mouramateus. 2015.  25 minutos

Fotograma , de Luís Henrique Leal e Caio Zatti. 2016. 9 minutos

Índios No Poder, de Rodrigo Arajeju. 2015.  21 minutos

Monstro, de Breno Baptista. 2015. 20 minutos

Uma Família Ilustre, de Beth Formaggini. 2015.  18 minutos

USP 7%, de Daniel Mello & Bruno Bocchini. 2015.  15 minutos

Exibições especiais

Do Outro Lado do Atlântico, de Daniele Ellery e Márcio Câmara.  90 minutos.  Brasil. 2016

Mostra Olhar do Ceará

Antes da Encanteria, de Elena Meirelles, Gabriela Pessoa, Jorge Polo, Lívia de Paiva e Paulo Victor Soares.  21 minutos.  2016. Classificação indicativa: 16 Anos

Bem-vindo a Juazeiro do Norte, de Ythallo Rodrigues.  17 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Botes Bastardos, de Pedro Cela de Arruda Coelho.  15 minutos. 2016. Classificação indicativa: Livre

Cine Qua Non, de Alex Fedox, Djaci José. 16 minutos. 2015. Classificação indicativa: 16 Anos

Curitiba, Mon Amour, de Pedro Rocha. 17 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Factual Ilusão, de Gabriel Silveira. 11 minutos. 2016. Classificação indicativa: Livre

Faixa , de Bruno Xavier, Roger Pires, Yargo Gurjão e Pedro Rocha. 24 minutos. 2016. Classificação indicativa: 10 Anos

Ficar me trouxe até aqui , de Renata Cavalcante. 21 minutos. 2016. Classificação indicativa: Livre

Los Huesos Que Aqui Estábamos Por Vos Outros Esperamos, de  Tiago Pedro. 12 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Pedal Delas, de Thais Marques. 12 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Mostra de Cinema Mexicano

Historias de que soñaron, de Nicolás Pereda e Andrea Bussman. 85 minutos. México. Classificação indicativa: 14 anos

Tempestad , de Tatiana Huezo. 105 minutos. México. Classificação indicativa: 14 anos

Las Letras, de Pablo Chavarría. 77 minutos. México. Classificação indicativa: 16 anos

Para conferir a programação completa e os horários de exibição, confira o site do Cine Ceará.


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

5ª Mostra Ecofalante traz filmes com temática socioambiental a São Paulo

Glace et ciel 2 5ª Mostra Ecofalante traz filmes com temática socioambiental a São Paulo

O Céu e a Geleira é um dos destaques da 5ª Mostra Ecofalante (Foto: Divulgação)

Tem início nesta quinta-feira (16), na cidade de São Paulo, a Mostra Ecofalante. Em sua quinta edição, a mostra sobre assuntos socioambientais traz em sua programação mais de 100 filmes, entre documentários e obras de ficção.

Entre os destaques estão documentários como O Céu e a Geleira, sobre a atuação do glaciologista francês Claude Lorius, cuja pesquisa com o gelo da Antártica ajudou a provar que o aquecimento global vem sendo provocado pela ação humana; e O Verdadeiro Preço, que aborda a cadeia produtiva envolvida em torno do fast fashion, apontando os custos humanos e ambientais.

Os filmes serão exibidos até o dia 29 de junho em salas do circuito de cinema de São Paulo: Caixa Belas Artes, Reserva Cultural, Cinemateca Brasileira, Centro Cultural São Paulo e Cine Olido. A programação é gratuita e se completa com uma série de debates com a participação de especialistas, diretores e convidados.

A programação completa pode ser conferida no site do evento.


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade – Documentário de Juliana de Carvalho

5dcec8cd 32be 4e86 82b4 3f261309652a São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade – Documentário de Juliana de Carvalho

Cena do documentário São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade (Foto: Reprodução)

Com 451 anos de idade, a cidade do Rio de Janeiro é conhecida mundialmente pela integração entre suas belezas naturais e o espaço urbano. O documentário São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade, da diretora Juliana de Carvalho, expõe, de forma cronológica, o processo contínuo de transformação urbana e arquitetônica da Cidade Maravilhosa dos tempos do Brasil colonial até a atualidade.

Sintetizar mais de quatro séculos de história em um longa-metragem com cerca de uma hora e meia não é tarefa simples. Para isso, a diretora lança mão de variados recursos narrativos. A narração da jornalista carioca Leilane Neubarth serve como um guia nesse passeio histórico, ainda que, por vezes, exagere no tom didático. Ela é fio condutor do documentário e garante que o espectador não fique confuso diante da miríade de locais e épocas retratados. Pinturas, fotografias, trechos de filmes antigos e até animações em 3D ajudam a ilustrar as transformações graduais do Rio de Janeiro.

Historiadores, arquitetos, urbanistas e intelectuais dão seus depoimentos ao filme. Eles expõem as vicissitudes de uma cidade em metamorfose e em expansão contínua. O problema histórico da exclusão social não é deixado de lado, mas não é o centro do documentário. O foco é a apreciação dos grandes marcos urbanos e arquitetônicos do Rio de Janeiro e o desejo de que a cidade siga se transformando de maneira sustentável.

São Sebastião do Rio de Janeiro - A Formação de uma Cidade 

Brasil, 2015. 90 minutos.

Concepção, direção e produção: Juliana de Carvalho. Roteiro: Carlos Haag. Trilha sonora: Lucas Marcier. Montagem: Mair Tavares, Tina Saphira. Fotografia e câmera: Luis Abramo, Antônio Luiz Mendes e Fernando Medeiros. 

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 26/05/2016. Classificação indicativa: livre.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade – Documentário de Juliana de Carvalho lente 15 São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade – Documentário de Juliana de Carvalho lente 15 São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade – Documentário de Juliana de Carvalho 

Deixe a sua avaliação nos comentários

(Por Caio Hornstein)


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

Os Outros – Documentário de Sandra Werneck

rc Os Outros – Documentário de Sandra Werneck

Carlos Evanney, cover de Roberto Carlos, em cena de Os Outros (Foto: Divulgação)

Em um mundo onde tudo é reprodução, qual é a fronteira entre o original e a cópia? A diretora Sandra Werneck reflete sobre a questão ao acompanhar o cotidiano de três artistas covers de personalidades brasileiras no documentário Os Outros.

O filme começa por nos apresentar Carlos Evanney, cover do cantor Roberto Carlos. Há décadas, ele decidiu transformar a admiração pelo artista em profissão. Mas logo fica claro que a obsessão de Carlos pelo ídolo vai além de um mero ganha-pão. Quando vai ao cabeleireiro, ele traz consigo uma foto do Rei para garantir um corte idêntico. Seu quarto é rodeado por fotografias, discos e até uma fatia de bolo recebida das mãos do verdadeiro Roberto Carlos há muitos anos, guardada como um objeto sagrado. Mesmo fora dos palcos, Carlos Evanney absorve os trejeitos e a fala daquele a quem dedica a vida a imitar. É difícil perceber a fronteira entre o sujeito e o personagem.

Pepê Moraes é cover do cantor Cazuza. Embora esteja se aproximando da meia-idade, ele conserva o comportamento de um roqueiro dos anos 80. A vitalidade e a linguagem descolada, no entanto, não escondem sua preocupação com o envelhecimento. Casado com uma mulher 30 anos mais jovem, ele conta que, por vezes, nutre uma afeição paternal por ela. Em uma cena tocante, ele se observa em frente ao espelho e questiona até quando poderá viver de imitar o ídolo, morto quando tinha apenas 32 anos. Se, para o público, Cazuza ficou congelado no tempo, sempre com a mesma idade, para Pepê o tempo não para.

Edson Júnior incorpora a personagem Scarleth Sangalo, uma imitação exagerada de Ivete Sangalo. Travestir-se como a cantora baiana lhe dá a confiança necessária para sonhar com um futuro melhor. Se durante a infância ele sofreu com a homofobia, como relata sua mãe, incorporar a personagem de Scarleth Sangalo lhe deu a oportunidade de aparecer na TV e ser recebido no camarim pela própria cantora. Para Edson, a imitação ganha o sentido de libertação.

A narrativa é costurada sem recursos explicativos ou depoimentos de figuras de autoridade, como psicólogos. A força de Os Outros está na observação sensível de seus próprios personagens, que buscam ser reconhecidos como indivíduos mesmo dedicando a vida a ser quem não são.

Os Outros

Brasil, 2016. 70 minutos.

Direção: Sandra Werneck. Roteiro: Sandra Werneck. Assistente de direção: Isabel Joffily. Fotografia: Luis Abramo, Pedro Rossi, Pedro Urano. Edição: Maria Altberg. Produção executiva: Sandra Werneck, Tânia Luz.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 26/05/2016. Classificação indicativa: 12 anos.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 Os Outros – Documentário de Sandra Werneck lente 15 Os Outros – Documentário de Sandra Werneck lente 15 Os Outros – Documentário de Sandra Werneck lente 15 Os Outros – Documentário de Sandra Werneck

Deixe a sua avaliação nos comentários

(Por Caio Hornstein)


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

A Pintura de Gerhard Richter – Documentário de Corinna Belz

gerhard richter painting documentary trailer 0 A Pintura de Gerhard Richter – Documentário de Corinna Belz

Cena do documentário A Pintura de Gerhard Richter, de Corinna Belz (Foto: Divulgação)

Considerado um dos maiores pintores vivos no mundo, o artista alemão Gerhard Richter dedicou mais de meio século a uma vasta ordem de técnicas e ideias. Seus temas percorreram de crises históricas e representações midiáticas a explorações de procedimentos ao acaso. O documentário A Pintura de Gerhard Richter, da diretora Corinna Belz, realiza um registro do seu processo criativo justaposto a material de arquivo e conversas íntimas com seus críticos, colaboradores e sua galerista americana, Marian Goodman.

Belz observou o pintor durante vários meses com a câmera – nos ateliês de Richter em Hahnwald, bairro nobre de Colônia, no centro da cidade, e na preparação de exposições em algumas cidades da Europa. A cineasta abordou também o início da trajetória de Richter, nascido em Dresden, que se mudou para a Alemanha Ocidental em 1961, passando mais de 20 anos sem regressar ao território socialista.

O filme será lançado com exclusividade no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (26) e ficará em cartaz durante duas semanas.

Veja o trailer.

A Pintura de Gerhard Richter (Gerhard Richter Painting)

Alemanha, 2011. 97 minutos.

Direção: Corinna Belz. Roteiro: Corinna Belz.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 26/05/2016. Classificação indicativa: 10 anos.

Deixe a sua avaliação nos comentários


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

Festival de cinema sobre futebol, Cinefoot começa nesta quinta-feira

FB 01 720x540 Festival de cinema sobre futebol, Cinefoot começa nesta quinta feira

Cinefoot traz filmes com a temática do futebol

Começa nesta quinta-feira (19) a sétima edição no Cinefoot, festival de cinema dedicado a filmes de ficção e documentários sobre futebol, que ocorre neste mês no Rio de Janeiro e, pela primeira vez, em Caeté, no estado de Minas Gerais. Em novembro, será a vez das cidades de São Paulo, Recife, Vitória e Belo Horizonte acolherem o festival.

A sessão de abertura no Espaço de Itaú de Cinema, no bairro de Botafogo, traz o curta-metragem de animação O Primeiro João, do diretor André Castelão, e o documentário italiano O Profeta do Gol, de 1976, sobre Johan Cruyff, craque holandês recém-falecido.

Ao todo, 56 filmes de 13 países serão exibidos no Cinefoot e 23 deles concorrem na mostra competitiva. Além da exibição dos filmes, durante o evento ocorrem uma votação popular que escolher a melhor narração de futebol, uma série de homenagens e exposições de camisas históricas.

No Rio de Janeiro, o festival acontece de 19 a 24 de maio - e entre 31 de maio de 4 de junho há reexibição de alguns filmes. A programação completa pode ser vista no site do Cinefoot. Em Caeté, os filmes serão exibidos de 20 a 23 de maio e a programação pode ser conferida aqui. Todas as sessões têm entradas gratuitas.


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

Espaço Além – Marina Abramović e o Brasil – Documentário de Marco Del Fiol

espaco alem1 Espaço Além   Marina Abramović e o Brasil   Documentário de Marco Del Fiol

Cena do documentário Espaço Além — Marina Abramović e o Brasil, de Marco Del Fiol

Estreia amanhã (19) em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba e Salvador o documentário Espaço Além — Marina Abramović e o Brasil. Primeiro longa-metragem do brasileiro Marcos Del Fiol, o filme acompanha a viagem da artista performática sérvia pelo Brasil em busca de cura pessoal e inspiração artística enquanto experimenta rituais sagrados e apresenta seu processo de pesquisa e criação.

A jornada de Abramović inclui as curas do médium João de Deus em Abadiânia, locais sagrados na Chapada dos Veadeiros, os rituais do Vale do Amanhecer em Brasília, a tradição dos raizeiros e benzedeiras de Goiás, a força do sincretismo religioso na Bahia, as cerimônias de ayahuasca e sauna sagrada na Chapada Diamantina, os processos xamânicos em Curitiba e a força dos cristais de Minas Gerais.

Veja o trailer.

 

Espaço Além – Marina Abramović e o Brasil 

Brasil, 2016. 86 minutos.

Direção: Marco Del Fiol. Produção: Jasmin Pinho, Minom Pinho. Roteiro: Fabiana Werneck Narcinski, Marco Del Fiol, Marina Abramovic. Fotografia: Cauê Tito. Montagem: Marco Korodi, Marco Del Fiol.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 19/05/2016. Classificação indicativa: 14 anos.

Deixe a sua avaliação nos comentários


Saiba mais

+ Lista: todos os documentários brasileiros lançados nos cinemas desde 1995

+ Agenda: os principais festivais de documentário no Brasil

+ Infográfico: a história da música brasileira pelos documentários

+ Curta o BlogDoc no Facebook

+ Siga o BlogDoc no Twitter

  • Espalhe por aí:
    • Digg
    • Facebook
    • Google Bookmarks
    • Live
    • Netvibes
    • RSS
    • Twitter
  • Imprimir:
  • Envie por e-mail:

Posts relacionados

1 de 4612345...: ...Último