IMS terá mostra com 12 filmes de Sergei Loznitsa

cinejornal divulgacao IMS IMS terá mostra com 12 filmes de Sergei Loznitsa

Imagem de "Cinejornal", um dos documentários de Sergei Loznitsa que estará em exibição no IMS (Foto: Reprodução/IMS)

O Instituto Moreira Salles (IMS) promove neste mês uma grande mostra dedicada ao cineasta Sergei Loznitsa. O evento contará com a presença do diretor, que participará de um debate e dará três masterclasses gratuitas.

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A mostra Vestígios e Ruptura: O Cinema de Sergei Loznitsa acontecerá no IMS Paulista, de 2 a 14 de outubro, e no IMS Rio, de 4 a 14. A programação inclui 12 filmes de Loznitsa, entre documentários e ficções, de longa, média e curta-metragens, produzidos entre 2000 a 2018.

Sergei Loznitsa nasceu em 1964 na Bielorrússia, parte da então União Soviética. Mais tarde, sua família mudou-se para Kiev, na Ucrânia. Em 1991, ingressou no Instituto Estadual de Cinematografia, em Moscou. Já dirigiu 20 documentários. O mais recente é Dia da Vitória que estreou neste ano no Festival de Berlim.

Masterclasses e debate

Sergei Loznitsa dará duas masterclasses gratuitas em São Paulo, nos dias 4 e 5 de outubro, e uma no Rio de Janeiro, no dia 9. O cineasta também participará de um debate no IMS Paulista, no dia 6, após a exibição de Donbass. Todas as masterclasses são gratuitas e sujeitas a lotação.

Programação completa e mais informações no site do IMS.

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Documentário “Sinfonia Caipira” vence dois prêmios nos EUA

O documentário brasileiro "Sinfonia Caipira" recebeu neste fim de semana dois prêmios no Jukebox International Film Festival, realizado em Carson City, nos Estados Unidos. A mostra apresenta filmes musicais e integra a programação do Jazz and Beyond: Carson City Music Festival, que acontece durante todo o mês de agosto na cidade.

"Sinfonia Caipira", de Denis Nielsen, foi premiado com o primeiro lugar e como o melhor do festival na categoria longa documentário, concorrendo com filmes dos EUA, Canadá e Grécia.

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O filme retrata a viagem da banda paulista Santa Jam Vó Alberta para a cidade de Ibitipoca (MG), onde os integrantes tomam as ruas da cidade em uma procissão com sua fusão original de folk, baião, blues, valsas, violadas, música cigana e jazz tradicional.

Sinfonia Caipira é o segundo longa documentário de Denis Nielsen. O filme teve pré-estreia em São Paulo no Museu da Imagem e do Som (MIS), dentro da programação do Cine MIS, que abre espaço para novos talentos do cinema.

Veja o trailer do documentário "Sinfonia Caipira".

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“Auto de Resistência” – Documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho

Auto de Resistencia Auto de Resistência – Documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho

Imagem de Auto de Resistência, documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho, que estreia nos cinemas (Foto: Divulgação)

Quando um policial mata um cidadão na rua, boa parte das vezes esse caso acaba registrado como um "auto de resistência". Ou seja, teoricamente os agentes da lei teriam agido em legítima defesa ao serem atacados por um suspeito. O problema é que, no Brasil – e especificamente no Rio de Janeiro – essa designação acabou se tornando uma forma de esconder muitos homicídios praticados pela polícia contra civis, sem qualquer critério a não ser o da barbárie. "Auto de Resistência", documentário de Natasha Neri e Lula Carvalho que estreia nesta quinta (28/6), traz oito desses casos e escancara que a impunidade, infelizmente, ainda persiste na maioria das vezes.

Apenas de janeiro a abril de 2018, 464 pessoas foram mortas pelas polícias do Estado do Rio de Janeiro, numa média de 3 a 4 homicídios por dia. Desde 1997, já são mais de 16 mil mortos nessas circunstâncias.

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Sem entrevistas, o filme acompanha o dia a dia dos familiares que, após os homicídios, vivem entre a indignação e a mobilização para conseguir justiça. Também vai atrás de sobreviventes dos ataques. É o caso de Chauan Jambre. Em 20 de fevereiro de 2015, Chauan e o amigo Allan de Souza Lima brincavam com a câmera do celular na sua rua, no bairro de Palmeirinha, Zona Norte do Rio, quando policiais chegaram atirando de dentro de uma viatura. Allan morreu na hora, com o celular ainda filmando. O corpo de Allan foi posto no colo do amigo Chauan dentro da viatura. Chauan chegou a ficar preso, acusado de ter resistido à prisão, e foi algemado a uma maca do hospital. O sobrevivente luta para provar sua inocência com as imagens da câmera do celular.

"Auto de Resistência" já nasce com um lugar de destaque na (triste) filmografia brasileira sobre a violência urbana. No documentário, "Notícias de uma Guerra Particular" (1999), de Katia Lund e João Moreira Salles, pode ser considerado uma espécie de divisor de águas. Depois vieram "Ônibus 174" (2002), de José Padilha, e "Justiça", de Maria Augusta Ramos, para citar apenas alguns dos principais. Também na ficção houve um crescente, com "Cidade de Deus" (2002), de Fernando Meirelles, e "Tropa de Elite" (2007), de Padilha, como marcos centrais dessa escalada.

Pelo tema, e também pela abordagem, "Auto de Resistência" lembra mais o premiado "Justiça". Mas, se há semelhanças, há também muitas diferenças. O foco de Maria Augusta Ramos são as engrenagens do sistema judiciário – por isso seu filme se passa basicamente em fóruns e penitenciárias. "Auto de Resistência", ao contrário, tem como personagens centrais os amigos e familiares dos mortos. Há muitas cenas de tribunal, mas a abordagem é mais diversificada. Foca também no "ato de resistência".

Acima de tudo, o que diferencia os dois momentos históricos e os dois filmes é a realidade da internet e das redes sociais. Natasha Neri acompanha diversas manifestações populares, hoje muito mais frequentes e numerosas graças ao poder de mobilização das redes. E também se vale do grande número de gravações de vídeo feitas pela população e pelos próprios militares. Essas imagens trazem evidências visuais – e cruéis – que comprovam práticas que todos imaginavam existir. Como a cena em que o policial, de luvas, planta uma arma na mão de um cidadão já morto e dá um tiro, para que a vítima fique com pólvora na pele.

O balanço, triste, é que nem toda essa mobilização, nem a profusão de provas, tem garantido uma justiça mais justa. Infelizmente, a cada semana que passa parece haver mais casos para um "Auto de Resistência 2" ou "3", como a recente barbárie do estudante Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, morto na comunidade da Maré.

Triste Brasil.

Auto de Resistência

Brasil, 2018. 104 minutos.

Direção: Natasha Neri e Lula Carvalho. Argumento e roteiro: Natasha Neri e Juliana Farias. Produção executiva: Lia Gandelman e Joana Nin. Direção de fotografia: Lula Carvalho e Pedro Von Krüger. Assistentes de direção: Leonardo Nabuco e Juliana Farias. Direção de produção: Bruno Arthur. Montagem: Marília Moraes. Trilha original: Alberto Continentino.

Principais festivais: É Tudo Verdade 2018 (vencedor, melhor filme brasileiro). Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 28/6/2018. Classificação indicativa: 14 anos.

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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Destaques 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

foto Sob a Pata do Boi 05 1024x682 Destaques 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

Fazenda de gado na Amazônia. Foto: Marcio Isensee e Sá/Divulgação

A 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, um dos principais eventos sul-americanos dedicados à temática socioambiental, acontece de 31 de maio a 13 de junho em diversas salas da cidade de São Paulo, com entrada franca. A mostra celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente e o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho.

Em 2018, o festival bateu recorde de inscrições, com um total de 383 filmes, de 18 países da região. O Brasil é representado por 19 filmes, sendo oito deles longas-metragens, já os selecionados para a competição Latino-Americana contabilizam 28.

Haverá premiação de R$ 15 mil para o melhor longa e de R$ 5 mil reais para o melhor curta-metragem (até 60 minutos), ambos eleitos pelo júri. Também haverá entrega de troféu para o melhor filme designado pelo público.

Werner Herzog, um dos nomes mais importantes da história do cinema alemão e um dos cineastas mais originais e polêmicos de todos os tempos, está no centro da retrospectiva do Ecofalante. Foram selecionados 18 títulos dirigidos pelo cineasta que focalizam o embate homem versos natureza.

Documentários em destaque da Mostra 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

A Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog, leva o espectador ao interior da Caverna Chauvet, no sul da França, onde os mais antigos desenhos rupestres foram descobertos em 1994. A caverna reúne desenhos intocados e surpreendentemente realistas e a narração hipnótica do próprio cineasta é revestida de contemplações metafísicas. O longa foi eleito como melhor documentário de 2010 pelas associações de críticos de Nova York, Los Angeles e Washington DC.

“Cidade Maia”, produção México-França, de Andrés Padilla Domene, mistura documentário e ficção científica ao retratar um grupo de descendentes maias urbanos que operam um misterioso instrumento a fim de realizar uma pesquisa num sítio arqueológico. Selecionado para o Festival de Roterdã e para eventos na Alemanha, Rússia, Suíça, Brasil, Croácia e Kosovo.

"Sob a Pata do Boi", produção brasileira, de Marcio Isensee e Sá, questiona o crescimento da pecuária na região Amazônica, que totalizava, em 1970, 85 milhões de cabeças de boi e uma floresta praticamente intacta. Desde então, uma porção equivalente ao tamanho da França desapareceu, da qual 66% virou pastagem. Em 2009, o jogo começou a virar quando o Ministério Público obrigou os grandes frigoríficos da região a se tornarem responsáveis por monitorar as fazendas fornecedoras de gado e não comprar daquelas que têm desmatamento ilegal.  O filme foi selecionado para o International Nature Film Festival Gödöllő, da Hungria, e para o Green Screen Festival, da Alemanha.

Confira aqui a programação da 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

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“A Vida Extraordinária de Tarso de Castro” – Documentário de Leo Garcia e Zeca Brito

Tarso de Castro 1970 1024x683 “A Vida Extraordinária de Tarso de Castro” – Documentário de Leo Garcia e Zeca Brito

Tarso de Castro em 1970 (Foto: Divulgação)

Qual adjetivo faria jus a Tarso de Castro? Sedutor, boêmio, provocador, polêmico e revolucionário são frequentemente acionados quando o assunto é o guri do Mucio. Mas, de alguma forma, todos carregam um juízo de valor desprezível diante do impacto do jornalista na imprensa brasileira. Lendário talvez resolveria o problema semântico. Mas aí esbarra-se em outro: como surgem as lendas? A partir daqui pode-se por para rodar o documentário “A Vida Extraordinária de Tarso de Castro”, que estreia nos cinemas nesta quinta (24).

Das terras de Passo Fundo (RS), onde o pai, Mucio de Castro foi diretor do jornal "O Nacional", Tarso foi ascendendo ao Sudeste como um furacão, levando na mala apenas o necessário: a expertise adquirida em seu habitat natural. Na cabeça iam as ideias polêmicas e, no coração, a excelência das virtudes, a maior delas: o seu afeto. Quem conta são os amigos, amores e desafetos entrevistados na produção de Leo Garcia e Zeca Brito. Afinal, esse é o caminho pelo qual percorrem as lendas: o boca a boca. E é nesse aspecto que também reside a estratégia de filmar os entrevistados ao telefone, como se estivessem falando um ao outro sobre Tarso – além do fato de que o jornalista não desgrudava do telefone. Seja como for, não deu muito certo porque as conversas regadas a álcool em mesas de bares são as mais interessantes e reveladoras. É ali que a lenda se ergue.

Descobre-se, por exemplo, que Candice Bergen, atriz americana com quem Tarso viveu um breve romance, provavelmente viveu a vida inteira achando que o jornalista foi guerrilheiro ao lado de Che Guevara. Recupera-se, também, a reivindicação da paternidade do "Pasquim", como se deixasse para o espectador-juiz decidir. A verdade é que a paternidade do semanário da contracultura parece irrelevante diante do poder de síntese e alcance do jornalista.

Jaguar, Sérgio Cabral, José Trajano, Luiz Carlos Maciel, Roberto D’Ávila, Eric Nepomuceno, Lilian Pacce, João Vicente de Castro, Bárbara Oppenheimer, Gilda Midani, Paulo César Pereio, Caetano Veloso, Chico Buarque, Tom Jobim e muitos outros (re)constroem não apenas a lenda Tarso de Castro, mas também a evolução da imprensa brasileira ao mesmo tempo em que se fixa um panorama cultural do país em diferentes momentos, sobretudo, aquele marcado pelo cerceamento das liberdades individuais. Por tudo isso, esqueçamos a paternidade do "Pasquim", deixemos de lamentar o excesso vil dos prazeres carnais e exaltemos Tarso de Castro, a apaixonante lenda do jornalismo brasileiro!

Veja o trailer.

 

"A Vida Extraordinária de Tarso de Castro"

 Brasil, 2018. 90 minutos.

Roteiro e Direção: Leo Garcia e Zeca Brito. Produção Executiva: Letícia Friedrich e Mariana Mêmis Müller. Som Direto: Fernando Basso. Desenho de Som e Mixagem: Tiago Bello. Direção de Fotografia: Bruno Polidoro. Pesquisa: Alice Spitz e Sylvio Siffert. Montagem: Jardel Machado Hermes. Produção: Leo Garcia, Letícia Friedrich, Lourenço Sant'Anna, Mariana Mêmis Muller e Zeca Brito. Produção Musical: Rita Zart. Trilha Sonora Original: Tiago Abrahão. Empresas produtoras: Anti Filmes, Boulevard Filmes, Coelho Voador, Epifania Filmes e Canal Brasil. Distribuição: Boulevard Filmes

 

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Bárbara Garcia, jornalista, é analista de projetos da Cross Content

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“Pagliacci” – documentário

 Pagliacci – documentário

Fernando Sampaio em cena do documentário "Pagliacci" (Foto: Divulgação)

Por que o palhaço é um personagem que fascina tanto? Passam-se se os anos – séculos – e ele continua lá, eventualmente com novas roupagens, mas sempre encantando as plateias. O documentário "Pagliacci", dirigido por Chico Gomes, Julio Hey, Luiza Villaça, Pedro Moscalcoff e Luiz Villaça, coloca esse personagem como centro da discussão a partir do foco no trabalho de dois de seus maiores expoentes no Brasil contemporâneo: Domingos Montagner (1962-2016) e seu maior parceiro, Fernando Sampaio.

 Pagliacci – documentário

Domingos Montagner, homenageado em "Pagliacci" (Foto: Divulgação)

Quem teve a sorte de assistir a Domingos e Fernando nos espetáculos do grupo LaMínima (fundado por ambos) ou no Circo Zanni sabe o valor da dupla. Fieis aos fundamentos da arte, ao mesmo tempo trouxeram modernidade ao espetáculo circense. Ganharam diversos prêmios de teatro e conseguirem atrair para a lona uma plateia mais diversificada e jovem, renovando o gênero. Mas Domingos se foi precocemente e, então, o que aconteceria com o LaMínima e todo esse trabalho de duas décadas?

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O documentário acompanha a primeira montagem do LaMínima sem a presença de Domingos. Fernando conduz o processo da montagem ao lado de antigos e novos parceiros. Bastidores dos ensaios, reflexões sobre a função do palhaço e memórias do trabalho de Domingos se misturam.

Das muitas conversas e reflexões, um consenso se estabelece. O palhaço é tudo aquilo que não nos permitirmos ser. É autêntico, age de forma inesperada. Erra, cai (literalmente), levanta, mas não perde a alegria de viver. Por isso é sempre um personagem com o qual nos identificamos, não importa nossa idade.

Vida longa ao palhaço!

Veja o trailer.

Pagliacci

Brasil, 2018. 73 minutos.

Direção: Chico Gomes, Julio Hey, Luiza Villaça, Pedro Moscalcoff e Luiz Villaça. Argumento: Luiz Villaça. Roteiro: Guilherme Quintella. Produção: Denise Gomes, Paula Cosenza, Luciana Lima e Fernando Sampaio. Produção executiva: Adriana Tavares. Fotografia: Pedro Moscalcoff. Som direto: Adriano Vasquez, Guilherme Lessa, Luciano Raposo, Marcelo Lopes, Robson Lima, Rodrigo Amorim e Tales Manfrinato. Montagem: Gabriel Lancman. Edição de som: Daniel Sasso e Toco Cerqueira. Mixagem: Toco Cerqueira. Trilha sonora original: Marcelo Pellegrini. Texto e adaptação da peça "Pagliacci" de Luís Alberto de Abreu. Produção: Bossa Nova Films, LaMínima, GloboNews, Globo Filmes e Canal Brasil. Distribuição: Pandora Filmes.

Estreia no circuito comercial de cinemas: 26/4/2018. Classificação indicativa: livre.

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content

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“Auto de Resistência” e “O Distante Latido dos Cães” vencem o É Tudo Verdade 2018

auto de resistencia “Auto de Resistência” e “O Distante Latido dos Cães” vencem o É Tudo Verdade 2018

Cerimônia de premiação. Crédito: É Tudo Verdade/Divulgação

O É Tudo Verdade – 23º Festival Internacional de Documentários divulgou na noite do sábado (21) de abril os vencedores da edição 2018.

Os vencedores das premiações oficiais do É Tudo Verdade 2018 são:

Competição internacional

Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)

"O Distante Latido dos Cães", de Simon Lereng Wilmont

Melhor Documentário de Curta-Metragem (Júri Oficial)

"Ressonâncias", de Nicolas Khoury

Prêmio Especial do Júri para Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)

"Naila e o Levante", de Julia Bacha

Menção Honrosa para Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)

"The Cleaners", de Hans Block e Moritz Riesewieck

Competição brasileira

Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)

"Auto de Resistência", de Natasha Neri e Lula Carvalho

Melhor Documentário de Curta-Metragem (Júri Oficial)

"Nome de Batismo – Alice", de Tila Chitunda

O Júri Oficial concedeu duas Menções Honrosas para a Competição de Curta-Metragem Brasileira para:

"Inconfissões", de Ana Galizia

"Catadora de Gente", de Mirela Kruel

 Competição latino-americana

Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)

"Roubar Rodin", de Cristóbal Valenzuela

Prêmio Especial do Júri para Documentário de Longa ou Média-Metragem (Júri Oficial)

"A Flor da Vida", de Claudia Abend e Adriana Loeff

Premiações paralelas

Prêmio ABD-SP (Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas)

Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem da Competição Brasileira

"Elegia de um Crime", de Cristiano Burlan

Melhor Documentário de Curta-Metragem da Competição Brasileira

"Nome de Batismo – Alice", de Tila Chitunda

Prêmio Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)

Melhor Documentário de Longa ou Média-Metragem da Competição Brasileira

"Ex-Pajé", de Luiz Bolognesi

Melhor Documentário de Curta-Metragem da Competição Brasileira

"Inconfissões", de Ana Galizia

Prêmio Canal Brasil de Curtas

"Mini Miss", de Rachel Daisy Ellis.

Prêmio EDT (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual)

Melhor Montagem de Curta-Metragem da Competição Brasileira

"Inconfissões", de Ana Galizia

Melhor Montagem de Longa-Metragem da Competição Brasileira

"Elegia de um Crime", de Cristiano Burlan

Prêmio Mistika

Melhor Documentário de Curta-Metragem da Competição Brasileira

"Nome de Batismo – Alice", de Tila Chitunda.

Júris do É Tudo Verdade 2018

O júri das competições brasileiras foi composto pela cineasta Betse de Paula, pelo cineasta e articulista Fernando Grostein Andrade e pelo cineasta e diretor de fotografia Tyrell Spencer. O júri das competições internacionais e latino-americana foi formado pela documentarista americana Pamela Yates, também homenageada pela retrospectiva desta edição, pela produtora brasileira Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e pelo curador equatoriano Alfredo Mora Manzano, diretor do EDOC, o festival de documentários do Equador.

Vencedores no Itaú Cultural

O instituto Itaú Cultural exibe novamente nesta terça (24) o curta e o longa-metragem consagrados pelo júri na competição brasileira desta edição. Eles serão programados em sequência, a partir das 19h.

 

 

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“O etnocídio não vencerá”, diz Luiz Bolognesi, diretor de “Ex-Pajé”

Ex paje divulgacao O etnocídio não vencerá, diz Luiz Bolognesi, diretor de Ex Pajé

Perpera Suruí em cena do documentário "Ex-Pajé", de Luiz Bolognesi, em exibição no É Tudo Verdade 2018 (Foto: Divugação)

O que falta para o Brasil acordar para a situação de risco de seus índios? O problema é conhecido há muito tempo e, vez por outra, grandes denúncias chegam à mídia. Mas, de uma forma geral, parece que pouco se avança em termo de garantia dos direitos dos índios em relação a suas terras e a sua cultura. "Ex-Pajé", de Luiz Bolognesi, em exibição no É Tudo Verdade 2018, conta como a chegada dos cultos evangélicos coloca em risco a cultura secular dos paiter suruí. O filme foi premiado em Berlim e, no Brasil, promete levantar a bandeira contra o etnocídio indígena. O BlogDoc entrevistou Bolognesi, por e-mail, sobre a situação de momento e as perspectivas futuras para esses povos.

Em documentários que utilizam a estratégia do "cinema direto" ou assemelhadas, é muito comum o espectador e os críticos se perguntarem quais cenas nasceram em tomadas não previamente combinadas e em quais o personagem seguiu um roteiro proposto pelo diretor. Esse questionamento o incomoda? E, respondendo objetivamente, no caso de "Ex-Pajé", o que ali é reencenação e o que é flagrante do momento?

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Luiz Bolognesi, diretor de "Ex-Pajé" (Foto: Buriti Filmes/Divulgação)

As cenas encenadas foram feitas sobre acontecimentos reais que haviam acontecido nos dias anteriores. Nós revivíamos com eles fatos acontecidos filmando com eles mesmos nos próprios lugares dos acontecimentos. São poucas cenas e se confundem com as cenas que filmávamos no momento em que os fatos aconteciam. De um modo geral, tudo que acontece na frente da câmera é uma encenação. Na medida em que as pessoas percebem a câmera, todas elas agem construindo uma imagem de si mesmos. Não existe câmera ligada sem encenação, nem no documentário, nem no jornalismo. O interessante no nosso filme é justamente não saber o que acontecia na hora e o que estava retratando um acontecimento dos dias anteriores.

Recentemente você exibiu o filme na aldeia. Como foi a receptividade deles? Quais os comentários?

A sessão foi lotada e vieram muitas pessoas de outras aldeias. E na sequência fizemos um excelente debate. Infelizmente, os pastores que foram convidados não vieram para a sessão com bate-papo. Seria muito rico a presença deles. Todos que falaram defenderam o filme, disseram gostar e ressaltaram que o filme não agride ou ataca nem a igreja evangélica, nem o pastor. Afirmaram que o filme respeita a fé dos evangélicos e sublinha ao mesmo tempo a tradição cultural dos pajés.

O filme mostra que a adesão ao evangelho se dá por uma pressão externa, mas a crença no modo de vida tradicional continua latente. Você considera que essa é uma visão geral dos paiter suruí "evangelizados" ou apenas de alguns deles, como Perpera?

Essa é a situação geral. Os pastores perseguem os pajés e jogam a comunidade contra eles, dizendo que as rezas e cantos deles são coisas do diabo. O clima é de medo. Eles me dizem que vão à igreja porque tem medo de ir para o inferno. É muito triste que uma religião proponha o ódio, a perseguição e a intolerância com outras religiões. Isso não está na Bíblia. Jesus jamais pregou o ódio e a intolerância. Essa atitude vem de uma linha fundamentalista bastante agressiva que deturpa totalmente os ensinamentos do Cristo.


É muito triste que uma religião proponha o ódio, a perseguição e a intolerância com outras religiões. Isso não está na Bíblia.


Na sua opinião, essa resistência será suficiente para manter viva as tradições dos Paiter Suruí ou o etnocídio é inevitável? Se inevitável, ele virá mais pelo aspecto doutrinário da religião ou pelo aspecto econômico, da exploração criminosa dos recursos naturais por grandes empresas?

Creio que o etnocídio não vencerá. Há muitas lideranças indígenas lutando por manterem vivas suas culturas, tradições e religiosidades. Os pajés têm 4 mil anos e a força deles e sua conexão com os espíritos da floresta e de seus antepassados pode sofrer ataques, mas tenho certeza que será vencedora. Os paiter suruí mesmo vão acordar para a importância de respeitar seus avós e os avós deles. E haverá bons pastores que respeitarão as demais religiões. Estes vencerão. Os que pregam ódio e intolerância estão com os dias contados. A luz vencerá as trevas, tenho certeza.

Ao contrário da questão religiosa, o filme não deixa explícito como eles veem a incorporação de outros ícones da vida urbana – internet, celular, botijão de gás, supermercado, caminhonete, remédios industrializados... Há também uma resistência cultural a esses quesitos?

Discordo do seu ponto de vista. O filme mostra que a tecnologia está presente na vida deles e que, assim como na nossa, traz aspectos positivos e negativos. Crianças distraídas em videogames sem querer aprender e viver o mundo real estão no filme, e isso nos parece ruim, mas há também cenas deles ouvindo cantos sagrados em celulares e filmando madeireiros ilegais e fazendo denúncias nas redes sociais, o que parece, a todos que assistem, um efeito positivo da tecnologia na vida deles. O tema é complexo e assim é retratado no filme.


A tecnologia está presente na vida deles e que, assim como na nossa, traz aspectos positivos e negativos


Como compara a reação dos europeus e dos brasileiros ao filme?

O filme fez muito sucesso no Festival de Berlim, foi premiado e está recebendo convites para participar de festivais em três continentes. No Brasil, os primeiros sinais são muito fortes no sentido de que o filme já está tendo uma recepção muito calorosa, com muitas matérias e críticas boas na mídia. Creio que ele vai colaborar para a reflexão sobre intolerância religiosa e diversidade cultural de modo bastante ativo.

"Ex-Pajé"

Brasil, 2017. 80 minutos.  

Direção: Luiz Bolognesi. Roteiro: Luiz Bolognesi. Direção de Fotografia: Pedro J. Márquez. Produtores: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. Produção: Buriti Filmes e Gullane. Distribuição: Gullane.

Participação em festivais: Festival de Berlim 2018 (menção honrosa do júri oficial), É Tudo Verdade 2018 (Competição Brasileira de Longas-Metragens).

Exibições no É Tudo VerdadeRio de Janeiro: 18/4, 20h30: Estação Net Botafogo (RJ); 20/4, 16h00: IMS Rio. São Paulo: 19/4, 19h e 21h: IMS Paulista (SP); 21/4, 15h: Sesc 24 de Maio.

Estreia no circuito comercial de cinemas: 26/4/2018. Classificação indicativa: livre.

+ Leia a resenha do BlogDoc sobre "Ex-Pajé"


Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content

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“Ex-Pajé” – Documentário de Luiz Bolognesi

Ex Paje¦ü Luiz Bolognesi Ex Pajé – Documentário de Luiz Bolognesi

Perpera, ex-Pajé do povo Paiter Suruí, em cena de documentário de Luiz Bolognesi

Premiado no Festival de Berlim, o documentário "Ex-Pajé", de Luiz Bolognesi, estreia no Brasil no É Tudo Verdade 2018. Em São Paulo, a estreia coincide com o Dia do Índio, 19 de abril. O filme tem como protagonista Perpera, um índio Paiter Suruí que, como o título antecipa, deixou de atuar como pajé de sua tribo depois que uma missão evangélica na aldeia acabou por convencer parte da população de que as pajelanças eram "coisa do diabo".

Até o contato do povo Paiter Suruí com os brancos, em 1969, Perpera era um pajé poderoso. Mas a evangelização mudou os ânimos na aldeia e, para não ficar desacreditado com os seus, Perpera acabou se rendendo à Bíblia. A transição nunca foi total nem fácil. Quando a morte ronda a aldeia, o poder de Perpera de intervir junto aos espíritos da floresta mostrou-se novamente necessário.

O conflito entre a tradição e a vida urbana aparece também em outros aspectos, não apenas no religioso. Aos poucos, a tribo foi incorporando hábitos e costumes dos brancos. Eles andam de picape, abastecem-se no supermercado da cidade, cozinham no fogão a gás e usam o celular para fazer denúncias contra desmatamentos irregulares.

Roteirista dos mais reconhecidos no cinema brasileiro ("Bicho de Sete Cabeças", "Elis", "Como Nossos Pais" e "Bingo – O Rei das Manhã", para citar só alguns), Bolognesi leva sua experiência de construção narrativa ao "Ex-Pajé". Ele acompanha tudo sem realizar entrevistas, apenas conduzindo a câmera no estilo do cinema direto. Ora capta espontaneamente fatos ocorridos na aldeia, ora reencena com os próprios índios situações que viveram no passado recente. Leia a entrevista de Luiz Bolognesi ao BlogDoc.

O filme recebeu o prêmio especial do Júri Oficial de Documentários da Mostra Panorama, no Festival de Berlim, em fevereiro. No Brasil, entre os primeiros a ver o longa estavam os próprios índios Paiter Suruí, em sessão especial na aldeia. Agora, no É Tudo Verdade, os "homens brancos" poderão refletir um pouco sobre o risco real de etnocídio que ainda ronda nossas tribos.

Veja o trailer.

"Ex-Pajé"

Brasil, 2017. 80 minutos.  

Direção: Luiz Bolognesi. Roteiro: Luiz Bolognesi. Direção de Fotografia: Pedro J. Márquez. Produtores: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. Produção: Buriti Filmes e Gullane. Distribuição: Gullane.

Participação em festivais: Festival de Berlim 2018 (menção honrosa do júri oficial), É Tudo Verdade 2018 (Competição Brasileira de Longas-Metragens).

Exibições no É Tudo VerdadeRio de Janeiro: 18/4, 20h30: Estação Net Botafogo (RJ); 20/4, 16h00: IMS Rio. São Paulo: 19/4, 19h e 21h: IMS Paulista (SP); 21/4, 15h: Sesc 24 de Maio.

Estreia no circuito comercial de cinemas: 26/4/2018. Classificação indicativa: livre.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 Ex Pajé – Documentário de Luiz Bolognesi lente 15 Ex Pajé – Documentário de Luiz Bolognesi lente 15 Ex Pajé – Documentário de Luiz Bolognesi lente 15 Ex Pajé – Documentário de Luiz Bolognesi 

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+ Leia a entrevista de Luiz Bolognesi ao BlogDoc


Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content

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O BlogDoc conversou com Moritz Riesewieck e Hans Block, diretores do documentário "The Cleaners"em exibição no É Tudo Verdade 2018, que traz à tona um trabalho de caráter duvidoso feito nos bastidores do Facebook. São os moderadores de conteúdo – ou os "limpadores" do título – profissionais cuja tarefa é analisar milhares de fotos todos os dias e decidir quais delas devem ou não ser excluídas.  Veja, a seguir, a entrevista concedida por e-mail pelos diretores.

O filme traz depoimentos contundentes e corajosos dos moderadores e de ex-executivos. Como foi o processo de convencimento para que eles falassem? Em algum momento a equipe de produção sofreu pressão por parte das empresas para que não levasse a história adiante?

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Hans Block

Entrar em contato com os trabalhadores em Manila foi o maior desafio de todo o processo de filmagem. As empresas usam palavras codificadas para ocultar para quem estão trabalhando. O Facebook, por exemplo, é chamado de Projeto Honeybadger. Os trabalhadores devem manter seu trabalho em segredo. Caso contrário, são processados. Existem empresas de segurança privadas que pressionam os trabalhadores a não falar com estranhos. Eles controlam suas contas de mídia social e há todo tipo de represálias. Demoramos um bom tempo para entrar em contato com os trabalhadores. Mas quando finalmente fizemos (em colaboração com uma rede de moradores locais), ficamos surpresos com o orgulho de muitos deles em fazer esse trabalho. Eles nos disseram: sem nós, a mídia social seria uma bagunça completa. Por outro lado, muitos deles sofrem silenciosamente pelo impacto que o trabalho exerce sobre sua saúde mental.

Entrar em contato com os executivos das grandes empresas de mídia social não foi mais fácil, pois existe esse código de silêncio no Vale do Silício. Nenhum dos funcionários do Facebook ou Google fala sobre o que está acontecendo lá dentro. Entramos em contato com dezenas de pessoas e nunca recebemos uma resposta. Até enviamos a versão final do filme para todas as grandes empresas e pedimos uma declaração pública. Não houve resposta também. Finalmente, entramos em contato com alguns dos ex-representantes do Facebook e do Google, YouTube e Twitter. A intransparência é uma das principais características das empresas.

O filme chega ao mercado no momento em que o Facebook enfrenta novas e graves acusações de ter sido negligente com o vazamento de informações de seus usuários, beneficiando a Cambridge Analytica. Somando tudo que é contado no filme mais as informações recentes, como avalia a situação do Facebook hoje? Que tipo de risco ele representa para a sociedade?

Moritz Riesewieck 225x300 As redes sociais se tornaram uma ferramenta poderosa e perigosa, dizem diretores de The Cleaners

Moritz Riesewieck

O fato de que a enorme quantidade de dados que disponibilizamos para as empresas por meio da nossa atividade no Facebook é vendida a anunciantes que a usam em anúncios personalizados na verdade não é um escândalo. Há muito tempo é conhecido. Tal prática não foi inventada pelo Facebook, mas faz parte do capitalismo há muito tempo. No entanto, a coisa assustadora que o caso Cambridge Analytica nos mostra é o incrível impacto que pode obter porque o alcance e a eficiência do Facebook, com seus mais de 2 bilhões de usuários, é enorme e assustador. Temos que reconhecer que o Facebook, Instagram, Twitter e YouTube se tornaram a nova esfera pública digital. Quase tudo que as pessoas fazem on-line fazem nessas plataformas. Meios de comunicação, lojas, políticos, ativistas ou ONGs - quem precisa atingir um grande público depende dessas poucas empresas. Elas decidem o que vemos, ouvimos, lemos e o que não sabemos - se elas querem ou não, elas amplificam o ódio, estigmatizam certos grupos ou silenciam outros - e sabem mais sobre cada um de nós do que nós mesmos. Então, elas podem manipular e nos controlar como quiserem. Isto, obviamente, é um enorme perigo para a democracia e devemos detê-las antes que seja tarde.

O filme exemplifica como a rede se beneficia dos discursos de ódio - já que esses conteúdos se propagam com grande velocidade e mantém a rede mais ativa. Ao mesmo tempo, muitos pesquisadores afirmam que as redes sociais tendem a prender pessoas em suas "bolhas". As redes sociais representam então um retrocesso para o debate político?

Quase 15 anos depois da invenção, as redes sociais se tornaram uma ferramenta poderosa e perigosa, capaz de dividir sociedades, excluir minorias e promover o genocídio. Queremos colocar em foco para onde nossas sociedades estão caminhando se deixamos a responsabilidade pela esfera pública digital para empresas privadas que transformam a indignação e o alvoroço coletivo em dinheiro. Apesar de toda retórica, não percebemos esforços genuínos contra esses fatos. Queremos mostrar que não é coincidência que os acontecimentos políticos em todo o mundo facilitem a eliminação e a exclusão de tudo o que “perturba” em vez de lidar com os problemas subjacentes.


As redes sociais se tornaram uma ferramenta poderosa e perigosa, capaz de dividir sociedades, excluir minorias e promover o genocídio


Precisamos estar cientes de que isso não é um "erro lamentável" que pode ser resolvido rapidamente. A arquitetura da mídia social é construída dessa maneira: cada extremo leva à atenção na forma de cliques, curtidas e visualizações. Quanto mais extremo e sensacional for um texto, imagem ou vídeo, mais atrairá a atenção. E é exatamente isso que as plataformas querem, porque “curtir” e “ações” podem ser convertidas em dinheiro na forma de propaganda. Portanto, não se surpreenda se notícias falsas forem compartilhadas e espalhadas milhares de vezes em questão de segundos com manchetes simples e sombrias. Não se surpreenda se o ódio e a violência nas mídias sociais crescerem. Tudo está relacionado ao modelo de negócios da empresa. Quando essas empresas nos dizem que são vítimas de conteúdos abusivos, isso é errado, porque é a arquitetura das plataformas que busca o conteúdo mais extremo.

No entanto, não devemos esquecer o potencial utópico dessas redes. Facebook e outros criam novas oportunidades utópicas. De repente, as pessoas ao redor do mundo podem se comunicar e se organizar além das fronteiras. Por outro lado, eles criam novos problemas sem precedentes porque quem ou o que não ocorre nas redes é simplesmente inexistente para bilhões de pessoas. Então, quem decide o que vemos e o que não vemos, o que fazemos, o que pensamos e o que não deveríamos pensar?


Quem decide o que vemos e o que não vemos, o que fazemos, o que pensamos e o que não deveríamos pensar?


Com base em vários exemplos, nosso documentário mostra como a exclusão de postagens e o bloqueio de contas podem ter consequências graves. Na maioria das vezes, as vozes críticas estão sendo silenciadas pelas decisões não transparentes de excluir determinado conteúdo. Ao mesmo tempo, populistas e terroristas estão usando indevidamente essas plataformas para recrutar novos membros ou incitar o ódio contra as minorias.

Nos anos 1990, a Microsoft foi duramente criticada por sua posição monopolista, levando o governo dos Estados Unidos a mover uma ação que quase causou a divisão da empresa em duas. Embora a natureza dos problemas seja diferente, acha possível que haja uma decisão governamental no sentido de tentar restringir o poder e a situação de quase monopólio do Facebook ou do Google nos seus mercados?

O problema central não é a escala dessas empresas. Devemos questionar a ideia de empresas privadas administrando nossa esfera pública digital e voltar à ideia utópica sobre a qual a world wide web foi originalmente construída: uma web aberta de propriedade de todos nós, em vez de apenas acionistas. A tecnologia blockchain, por exemplo, nos permite gerir grandes redes como o Facebook, sem centralizar todos os dados e energia em algumas grandes empresas. Nós, cidadãos, devemos apoiar esses movimentos e participar de seu desenvolvimento.

Enquanto a sociedade discute como agir diante de todos os dilemas éticos e políticos, o que sugere que cada indivíduo deve fazer? Como manter um mínimo decente de privacidade no mundo on-line?

Devemos nos conscientizar sobre como as mídias sociais hackearam nosso desejo de sermos amados ao nos fazer buscar curtidas em todas as postagens que fazemos. E constantemente nos perguntando o que pensamos sobre determinado assunto e que as pessoas se familiarizaram com a ideia de constantemente terem opiniões. Todos esses gatilhos e estímulos nos fazem produzir mais e mais conteúdo para manter o nível de feedback positivo. O primeiro passo para limitar o vício a essas tecnologias e lidar com elas de uma maneira mais consciente e significativa é tornar-se consciente sobre esses efeitos em nossas mentes e no comportamento. E, eventualmente, em vez de usar as mídias sociais para apresentar (fingir) nosso “eu verdadeiro”, devemos usá-las de uma forma muito mais lúdica, criar todos os tipos de identidades, criar falsos traços, usar papéis e máscaras e se tornar muito menos previsível.


Continuamos compartilhando o sonho de uma rede global em que as pessoas percebam que, apesar de todas as diferenças culturais, ainda há muita coisa em comum entre nós, humanos


Vocês têm uma conta ativa no Facebook? Pensam em apagá-la?

Nós dois ainda usamos o Facebook e não queremos escapar dele. Na verdade, continuamos compartilhando o sonho de uma rede global em que as pessoas percebam que, apesar de todas as diferenças culturais, ainda há muita coisa em comum entre nós, humanos.

Em um mundo globalizado com uma economia globalizada, pode realmente se tornar bastante significativo ser capaz de disseminar rapidamente a conscientização para certas coisas ou eventos em todo o mundo. Então, em vez de apagar nossas contas nas mídias sociais e voltar ao e-mail, devemos trabalhar em uma rede descentralizada e democratizada que pode um dia substituir Facebook, Instagram, Twitter e YouTube: uma rede global dirigida por nós, seus membros, que não mais irão se chamar "usuários", pois não mais terceirizarão qualquer responsabilidade, mas participarão da criação das políticas para essa rede global. Precisamos ter o controle sobre como agimos e como pensamos de volta!

"The Cleaners"

Alemanha, Brasil, 2018. 88 minutos.

Direção: Hans Block e Moritz Riesewieck. Karsten Höfer. Direção de fotografia: Axel Schneppat e Max Preiss. Edição: Philipp Gromov, Hansjörg Weißbrich e Markus CM Schmidt. Som: Karsten Höfer. Música: John Gürtler, Jan Miserre e Lars Voges. Produtor: Georg Tschurtschenthaler. Produtores executivos: Christopher Clements, Julie Goldman e Philippa Kowarsky. Co-produtores executivos: Carolyn Hepburn, Neil Tabatzink e Robin Smith. Co-produtores: Fernando Dias, Mauricio Dias, Reinhardt Beetz e Andrea Romeo. Produzido por: Christian Beetz. Produtores associados: Zora Nessl e Marissa Ericson. Empresas produtoras: gebrueder beetz filmproduktion, Grifa Filmes e Motto Pictures.

Participação em festivais: Sundance Film Festival 2018, Festival Internacional de Filmes de Rotterdam 2018 e É Tudo Verdade 2018.

Exibições no É Tudo Verdade:

Rio de Janeiro: 14/4, 14h: Estação Net Botafogo.

São Paulo: 15/4, 15h: IMS Paulista, em sessão seguida de debate com o diretor Moritz Riesewieck e o produtor executivo Fernando Dias; 17/04/2018 às 19h: Centro Cultural São Paulo.

+ Leia a resenha do BlogDoc  sobre "The Cleaners"


Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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