II Ciclo de Cinema “Milton Bellintani”: Justiça e Direitos Humanos

ciclo milton bellitani II Ciclo de Cinema Milton Bellintani”: Justiça e Direitos HumanosA partir do deste sábado, 20 de agosto, acontecerá no simbólico prédio onde funcionou a Auditoria Militar - e futura sede do Memorial da Luta pela Justiça – , na Avenida Brigadeiro Luis Antonio 1249, o II Ciclo de Cinema "Milton Bellintani”: Justiça e Direitos Humanos, organizado pela OAB-SP e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política. O ciclo tem o apoio da OAK Foundation, do Ministério Público Federal, da Clínica de Diretos Humanos da PUC-SP Maria Augusta Thomas e do Instituto Diversitas. Na programação, há quatro documentários nacionais.

As exibições dos filmes têm início às 10h e serão sempre acompanhadas de debates com convidados.

As inscrições podem ser feitas na sede da OAB (Praça da Sé, 385 - térreo) ou pelo site da instituição. Para confirmar a inscrição, é preciso doar uma lata ou pacote de leite em pó de 400 gramas. As vagas são limitadas.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

20/agosto
O dia que durou 21 anos
Direção: Camilo Tavares

17/setembro
O caso dos irmãos Naves
Direção: Luis Sergio Person

15/outubro
Por uma questão de Justiça - Os advogados contra a ditadura
Direção: Silvio Tendler

19/novembro
Cidadão Boilesen
Direção: Chaim Litevsky

10/dezembro
O homem que não tinha preço - A vida de Sobral Pinto
Direção: Paula Fiuza

Para mais informações, entre em contato com o Núcleo Memória pelo e-mail: contato@nucleomemoria.org.


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A Loucura Entre Nós – Documentário de Fernanda Fontes Vareille

A Loucura Entre Nós A Loucura Entre Nós – Documentário de Fernanda Fontes Vareille

Cena do documentário A Loucura Entre Nós, de Fernanda Fontes Vareille (Foto: Reprodução)

É impossível reagir com indiferença ao documentário A Loucura Entre Nós, primeiro longa-metragem da diretora baiana Fernanda Fontes Vareille. O filme acompanha o cotidiano dos internos do hospital psiquiátrico Juliano Moreira, em Salvador, e as atividades da ONG Criamundo, localizada no mesmo hospital, destinada a reinserir socialmente pessoas com sofrimento psíquico.

Sem recorrer a depoimentos de especialistas, a base do documentário está na observação sensível de suas personagens, que aos poucos se revelam figuras complexas, repletas de angústias e expectativas que afligem qualquer ser humano considerado são. Não há espaço para estereótipos. Isso não significa que o filme seja condescendente na retratação de doenças psíquicas. A câmera de Fernanda Vareille não deixa de retratar surtos psicóticos em cenas fortes, mas inevitáveis.

Ao gerar empatia com as personagens retratadas, o espectador é levado a questionar a fragilidade das fronteiras entre a loucura e a sanidade. A fotografia de A Loucura Entre Nós insinua, de maneira inteligente, o ambiente claustrofóbico e restritivo do hospital psiquiátrico ao mostrar, com frequência, os pacientes por trás de grades, como em uma prisão. A atmosfera opressiva do hospital também é reforçada pelo design de som, que captura os gritos alucinados vindos de pacientes em surtos psicóticos.

Assim, mesmo sem entrevistas de ativistas ou julgamentos explícitos, o filme denuncia os horrores de estruturas manicomiais para o tratamento de doentes psíquicos. Por qual motivo a sociedade esconde pessoas que fogem do conceito de normalidade, colocando-as atrás de grades e as privando do convívio social? É possível que a insanidade seja uma parte de nossa existência que convenientemente ignoramos. Mas ela existe e está entre nós.

A Loucura Entre Nós

Brasil, 2015. 76 minutos.

Direção: Fernanda Fontes Vareille

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 04/08/2016. Classificação indicativa: Livre.

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(Por Caio Hornstein)


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Miller & Fried – As Origens do País do Futebol – Documentário de Luiz Ferraz

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Cena do documentário Miller & Fried - As Origens do País do Futebol, de Luiz Ferraz (Foto: Divulgação)

As primeiras décadas do futebol no Brasil são cercadas de lendas e fatos que carecem de apuração mais aprofundada. O documentário Miller & Fried - As Origens do País do Futebol, do diretor Luiz Ferraz, desmitifica as origens do esporte mais popular do país a partir da história de dois personagens: Charles Miller, responsável pela introdução do futebol no país, e Arthur Friedenreich, craque do Clube Athletico Paulistano, do São Paulo Futebol Clube e da seleção brasileira, considerado o primeiro ídolo de massas do futebol brasileiro.

Embora tenha como foco o futebol, o documentário não deixa de lado o contexto social que permitiu seu rápido desenvolvimento no Brasil. A imigração maciça, o crescimento explosivo da cidade de São Paulo e a as trocas culturais surgem como fatores que definiram as características peculiares do esporte no país.

No processo, o filme explica como o esporte deixou de ser confinado a clubes de elite e passou a ser disputado em várzeas e campos improvisados, levando à fundação das associações ligadas às classes populares e aos imigrantes. Os três principais clubes da cidade de São Paulo – Corinthians, Palmeiras e São Paulo – têm suas origens fincadas nessas primeiras décadas do futebol paulista.

A narrativa do documentário se sustenta sobretudo nos depoimentos de John Mills e Luiz Carlos Duarte, biógrafos de Charles Miller e Arthur Friedenreich, respectivamente. Citando uma crônica esportiva de 1919, escrita após o título da seleção brasileira no Campeonato Sul-Americano, Duarte nota como as características do futebol brasileiro já estavam bem estabelecidas há mais de 90 anos. Os brasileiros disputavam o jogo com dribles, lançamentos longos e infiltrações, diferente dos argentinos e uruguaios que abusavam dos passes curtos.

Um grande destaque do longa são as fotografias e filmes de arquivos que retratam as primeiras décadas do futebol no Brasil. Quem gosta da história do esporte vai se deleitar com as imagens das arquibancadas lotadas do Estádio das Laranjeiras, em 1919, e da vitoriosa excursão do Paulistano em 1925 - a primeira de um clube brasileiro à Europa, tendo como destaque Friedenreich.

 Miller & Fried - As Origens do País do Futebol

Brasil, 2016. 70 minutos.

Direção: Luiz Ferraz. Produção executiva: Gal Buitoni. Roteiro: Guilherme Aguilar. Coordenação de pesquisa: Camila Camargo. Pesquisa: Luiz Gustavo Soares e Eduardo Biaia. Montagem: Jaime Queiroz. Direção de Fotografia: Alexandre Samori. Som Direto: Jorge Rezende. Direção de Arte: Ricardo Fernandes. Colorista: Rogério Moraes. Pós-Produção: Quanta Post. Trilhas Sonoras Originais: Gustavo Garbato e Guilherme Garbato. Edição e Mixagem de Som: Casa da Sogra Soluções Sonoras.

 Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 28/07/2016. Classificação indicativa: Livre.

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Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil – Documentário de Belisario Franca

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Aloísio Silva, um dos meninos escravizados no interior de São Paulo, em cena do documentário Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil, de Belisario Franca

Algumas memórias são tão dolorosas que preferimos enterrá-las bem no fundo da alma para que nunca mais venham à tona. O documentário Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil, do diretor Belisario Franca, mergulha em uma história perversa cujo registro, por muitas décadas, ficou confinado apenas às mentes de suas vítimas.

A partir da localização de tijolos marcados com suásticas nazistas em uma fazenda do interior de São Paulo, o filme acompanha a investigação do historiador Sidney Aguilar que leva à descoberta de um fato aterrador: na década de 1930, 50 meninos negros foram levados de um orfanato no Rio de Janeiro para a fazenda na qual os tijolos foram encontrados. Lá, as crianças passaram a ser identificadas por números e foram submetidas a trabalho escravo por uma próspera e tradicional família da elite brasileira, simpática às ideias nazistas.

As investigações levam ao encontro de um sobrevivente do episódio. Com mais de 90 anos, ainda lúcido, Aloísio Silva – o menino 23 – a princípio se mostra relutante ao tratar do assunto. Após ouvir uma série de detalhes dos acontecimentos, porém, as lembranças traumáticas de sua infância e juventude passam a emergir, ainda pulsantes, repletas de rancor. A certa altura, ele constata, resgatando o passado: “Infância? Não sei o que é isso. Ela foi roubada de mim”.

Em paralelo aos depoimentos de Aloísio, o filme aprofunda as descobertas sobre o aprisionamento a que os meninos foram submetidos. Descobre-se mais sobre a família Rocha Miranda, responsável pelo cárcere. Seu prestígio na região onde ficava sua propriedade ainda se faz notar nos nomes emprestados a ruas e escolas no município vizinho. Com fotografias e imagens de arquivo preciosas, o filme acerta ao demonstrar que o episódio retratado não é caso isolado, iniciativa única de uma família excêntrica, mas consequência de um contexto histórico com o qual nunca rompemos.

Respaldos por documentos históricos, intelectuais consultados pelo documentário demonstram como a eugenia foi abraçada por setores da elite brasileira. O nazismo, e o integralismo, em versão brasileira, tiveram apoio de influentes figuras da sociedade. O trecho de um filme brasileiro de 1938 ilustra o teor do racismo tolerado – e incentivado – no período.

Os testemunhos das vítimas, as entrevistas com acadêmicos e a narração do historiador Sidney Aguilar se conectam a partir de belíssimos trechos em preto e branco que reconstituem os acontecimentos retratados no filme. A fotografia granulada é eficaz ao evocar a esmaecimento que as memórias adquirem ao longo do tempo.

Ao final, o filme provoca o espectador – e a sociedade brasileira em geral.  A proporção de negros no sistema carcerário brasileiro na atualidade é apresentada. Passado e presente se conectam. É fundamental não esquecer a história de 50 garotos negros privados de sua liberdade há mais de 80 anos. As estrutura que conduz a esse tipo de atrocidade permanece viva desde tempos coloniais. É necessário agir.

 Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil

Brasil, 2016. 79 minutos.

Direção: Belisario Franca. Roteiro: Bianca Lenti e Belisario Franca. Produção: Maria Carneiro da Cunha. Produção executiva: Cláudia Lima. Edição: Yan Motta. Música: Armand Amar. Fotografia: Thiago Lima, Mário Franca e Lula Cerri. 

Principais festivais: Cine Ceará. Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 07/07/2016. Classificação indicativa: 10 anos.

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A Morte de J.P. Cuenca – Documentário de João Paulo Cuenca

A Morte de JP Cuenca A Morte de J.P. Cuenca – Documentário de João Paulo Cuenca

Cena do filme A Morte de J.P. Cuenca (Foto: Divulgação)

Mistura atípica de ficção e documentário, A Morte de J.P. Cuenca parte de uma premissa real. Em 2011, o escritor João Paulo Cuenca recebeu a notícia de seu próprio falecimento. Um cadáver encontrado em um prédio abandonado no bairro da Lapa, no Rio Janeiro, portava sua certidão de nascimento. O fato bizarro atiça a curiosidade de João Paulo Cuenca, que parte em busca de respostas nesse filme dirigido, escrito e protagonizado por ele.

No longa, o diretor/protagonista encontra-se com detetives que o auxiliam a descobrir mais detalhes sobre o falecido que havia assumido sua identidade. Como sua certidão de nascimento havia ido parar nas mãos dele? Por qual razão? À medida que o roteiro avança, algumas respostas vêm à tona. Descobre-se que o sujeito vivia em condições precárias em uma ocupação, tinha uma companheira e, possivelmente, sofria de problemas mentais. João Paulo Cuenca visita o prédio abandonado onde o corpo havia sido encontrado e entrevista vizinhos para montar esse quebra-cabeça. Nunca fica claro se as interações com os entrevistados são autênticas ou se são encenações feitas por personagens reais. Realidade e ficção se entrelaçam.

A empreitada leva João Paulo Cuenca a questionar a própria identidade e mortalidade. Ele visita cemitérios e busca os serviços de um agente funerário, em uma sequência do filme repleta de ironia e humor negro. O Rio de Janeiro em metamorfose pelas obras realizadas para os Jogos Olímpicos é o cenário de toda a história, servindo como metáfora para as transformações internas do protagonista. A crise de identidade vai conduzindo João Paulo ao delírio – em sequências ficcionais, ele se imagina na pele do sujeito que havia falecido carregando seu documento, agonizando nos últimos dias de vida.

Com uma proposta ousada e um mote instigante, A Morte de J.P. Cuenca nunca entrega respostas fáceis ou conclusivas ao espectador. No final das contas, a bizarra jornada de seu protagonista é mais importante do que a verdade factual.

A Morte de J.P. Cuenca

Brasil, 2015. 90 minutos.

Direção e roteiro: João Paulo Cuenca. Diretor de fotografia: Pedro Urano. Produção executiva e montagem: Marina Meliande. Trilha sonora original: Daniel Limaverde. Edição de som: Bernardo Uzeda.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 30/06/2016. Classificação indicativa: 18 anos.

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Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita

paratodos1 Paratodos – Documentário de Marcelo Mesquita

O medalhista paralímpico Alan Oliveira em cena do documentário Paratodos, de Marcelo Mesquita (Foto: Divulgação)

Se no futebol as coisas não andam nada bem para o Brasil nos últimos tempos, nos esportes paralímpicos somos uma potência mundial. Nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, o País obteve a 7ª colocação geral no quadro de medalhas – como comparação, nas Olimpíadas tradicionais ficamos na 21ª posição. O documentário Paratodos, do diretor Marcelo Mesquita, retrata o cotidiano de treinamentos e de competições desses vitoriosos esportistas brasileiros.

Divido em quatro segmentos com atletas de modalidades distintas – atletismo, canoagem, futebol e natação –, o longa acerta ao nunca tratar com condescendência o universo dos esportes para pessoas com deficiência. O clichê das histórias de superação é uma armadilha comum ao abordar o assunto, mas o diretor Marcelo Mesquita é hábil em evitá-lo. O que se vê na tela são atletas de alto rendimento como quaisquer outros, que lidam com euforia e frustração e são submetidos à pressão por resultados.

Na primeira parte do filme, destinada ao atletismo, somos apresentados a Alan Oliveira, velocista que surpreendeu o mundo ao conquistar a medalha de ouro em Londres, em 2012, superando o sul-africano Oscar Pistorius, considerado imbatível. Depois da ascensão meteórica na carreira, ele deixou de se dedicar aos treinamentos, ficou fora de forma e agora luta para voltar a ser competitivo – uma história de auge e decadência tão comum nas narrativas sobre o esporte.

No segundo segmento, dedicado à canoagem, o personagem central é Fernando Fernandes. A princípio, ele ganhou notabilidade por participar do reality show Big Brother Brasil e ter uma carreira bem-sucedida como modelo. Após sofrer um acidente automobilístico, Fernando perdeu o movimento dos membros inferiores e passou a se dedicar à canoagem. Com muito esforço, tornou-se um dos melhores atletas do mundo na modalidade.

Em seguida, Paratodos apresenta a seleção brasileira de futebol de 5 – modalidade destinada a jogadores com deficiência visual – em uma competição disputada no Japão. Impressiona a união do grupo de jogadores e sua alegria – o tradicional batuque de boleiros nas viagens de ônibus, como não poderia deixar de ser, é uma constante. O filme acompanha a trajetória da seleção brasileira na competição até a derradeira e disputada final contra a Argentina. Ao soar o apito final, é difícil não se emocionar com a conquista dos jogadores brasileiros.

No último segmento, o longa se dedica aos nadadores Daniel Dias, vencedor de 15 medalhas paraolímpicas; e Susana Schnamdorf, ex-triatleta que encontra motivação na natação após ser diagnosticada uma doença degenerativa. Ao longo das gravações do documentário, a doença de Susana evolui e ela é reclassificada para uma nova categoria de natação. Ela, contudo, não perde o espírito de atleta e parece encontrar nos desafios proporcionados pelo esporte o combustível para seguir lutando.

Hábil em capturar a personalidade e os dilemas dos atletas que retrata, gerando empatia, Paratodos é um documentário consciente dos atributos que tornam o esporte fascinante. Ser praticado por pessoas com deficiência física é um mero detalhe.


Paratodos

Brasil, 2016. 110 minutos.

Direção: Marcelo Mesquita. Roteiro: Peppe Siffredi.

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 23/06/2016. Classificação indicativa: livre.

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Premiado em Cannes, Cinema Novo, de Eryk Rocha, chega aos cinemas brasileiros em novembro

CinemaNovo 05 Os Herdeiros de Carlos Diegues Premiado em Cannes, Cinema Novo, de Eryk Rocha, chega aos cinemas brasileiros em novembro

Trecho do filme Os Herdeiros, de Cacá Diegues, em Cinema Novo

Cinema Novo, documentário de Eryk Rocha, teve sua data de estreia no circuito comercial brasileiro confirmada para novembro de 2016. O filme se notabilizou por receber o prêmio “Olho de Ouro” de melhor documentário no Festival de Cannes de 2016. Até chegar às salas de cinema do Brasil, o longa participará de cerca de dez festivais internacionais, entre eles o Festival Internacional de Cinema de Munique.

O documentário de Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, trata do famoso movimento cinematográfico brasileiro da década de 1960 a 1970, um dos mais importantes da América Latina e responsável por uma revolução na criação artística cinematográfica da região. O longa inclui trechos de filmes da época e depoimentos de seus principais realizadores, como Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Walter Lima Jr. Paulo César Saraceni e Glauber Rocha.


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26ª edição do Cine Ceará traz 23 documentários em sua programação

Menino23 26ª edição do Cine Ceará traz 23 documentários em sua programação

O documentário Menino 23, de Belisario Franca, é um dos destaques do 26º Cine Ceará (Foto: Divulgação)

Começa nesta quinta-feira (16) a 26ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, que acontece em Fortaleza até o dia 22 de junho. Entre os filmes que serão exibidos, há 23 documentários, sendo 17 curtas e 6 longas.

Veja os documentários que serão exibidos durante a mostra:

Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longas-Metragens

Casa Blanca, de Aleksandra Maciuszek. 2015.  62 minutos. México

Menino 23, de Belisario Franca. 2015.  80 minutos. Brasil

Mostra Competitiva Brasileira de Curtas-Metragens

Abissal, de Arthur Leite. 2016.  17 minutos

A Festa e os Cães, de Leonardo Mouramateus. 2015.  25 minutos

Fotograma , de Luís Henrique Leal e Caio Zatti. 2016. 9 minutos

Índios No Poder, de Rodrigo Arajeju. 2015.  21 minutos

Monstro, de Breno Baptista. 2015. 20 minutos

Uma Família Ilustre, de Beth Formaggini. 2015.  18 minutos

USP 7%, de Daniel Mello & Bruno Bocchini. 2015.  15 minutos

Exibições especiais

Do Outro Lado do Atlântico, de Daniele Ellery e Márcio Câmara.  90 minutos.  Brasil. 2016

Mostra Olhar do Ceará

Antes da Encanteria, de Elena Meirelles, Gabriela Pessoa, Jorge Polo, Lívia de Paiva e Paulo Victor Soares.  21 minutos.  2016. Classificação indicativa: 16 Anos

Bem-vindo a Juazeiro do Norte, de Ythallo Rodrigues.  17 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Botes Bastardos, de Pedro Cela de Arruda Coelho.  15 minutos. 2016. Classificação indicativa: Livre

Cine Qua Non, de Alex Fedox, Djaci José. 16 minutos. 2015. Classificação indicativa: 16 Anos

Curitiba, Mon Amour, de Pedro Rocha. 17 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Factual Ilusão, de Gabriel Silveira. 11 minutos. 2016. Classificação indicativa: Livre

Faixa , de Bruno Xavier, Roger Pires, Yargo Gurjão e Pedro Rocha. 24 minutos. 2016. Classificação indicativa: 10 Anos

Ficar me trouxe até aqui , de Renata Cavalcante. 21 minutos. 2016. Classificação indicativa: Livre

Los Huesos Que Aqui Estábamos Por Vos Outros Esperamos, de  Tiago Pedro. 12 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Pedal Delas, de Thais Marques. 12 minutos. 2015. Classificação indicativa: Livre

Mostra de Cinema Mexicano

Historias de que soñaron, de Nicolás Pereda e Andrea Bussman. 85 minutos. México. Classificação indicativa: 14 anos

Tempestad , de Tatiana Huezo. 105 minutos. México. Classificação indicativa: 14 anos

Las Letras, de Pablo Chavarría. 77 minutos. México. Classificação indicativa: 16 anos

Para conferir a programação completa e os horários de exibição, confira o site do Cine Ceará.


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5ª Mostra Ecofalante traz filmes com temática socioambiental a São Paulo

Glace et ciel 2 5ª Mostra Ecofalante traz filmes com temática socioambiental a São Paulo

O Céu e a Geleira é um dos destaques da 5ª Mostra Ecofalante (Foto: Divulgação)

Tem início nesta quinta-feira (16), na cidade de São Paulo, a Mostra Ecofalante. Em sua quinta edição, a mostra sobre assuntos socioambientais traz em sua programação mais de 100 filmes, entre documentários e obras de ficção.

Entre os destaques estão documentários como O Céu e a Geleira, sobre a atuação do glaciologista francês Claude Lorius, cuja pesquisa com o gelo da Antártica ajudou a provar que o aquecimento global vem sendo provocado pela ação humana; e O Verdadeiro Preço, que aborda a cadeia produtiva envolvida em torno do fast fashion, apontando os custos humanos e ambientais.

Os filmes serão exibidos até o dia 29 de junho em salas do circuito de cinema de São Paulo: Caixa Belas Artes, Reserva Cultural, Cinemateca Brasileira, Centro Cultural São Paulo e Cine Olido. A programação é gratuita e se completa com uma série de debates com a participação de especialistas, diretores e convidados.

A programação completa pode ser conferida no site do evento.


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São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade – Documentário de Juliana de Carvalho

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Cena do documentário São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade (Foto: Reprodução)

Com 451 anos de idade, a cidade do Rio de Janeiro é conhecida mundialmente pela integração entre suas belezas naturais e o espaço urbano. O documentário São Sebastião do Rio de Janeiro – A Formação de uma Cidade, da diretora Juliana de Carvalho, expõe, de forma cronológica, o processo contínuo de transformação urbana e arquitetônica da Cidade Maravilhosa dos tempos do Brasil colonial até a atualidade.

Sintetizar mais de quatro séculos de história em um longa-metragem com cerca de uma hora e meia não é tarefa simples. Para isso, a diretora lança mão de variados recursos narrativos. A narração da jornalista carioca Leilane Neubarth serve como um guia nesse passeio histórico, ainda que, por vezes, exagere no tom didático. Ela é fio condutor do documentário e garante que o espectador não fique confuso diante da miríade de locais e épocas retratados. Pinturas, fotografias, trechos de filmes antigos e até animações em 3D ajudam a ilustrar as transformações graduais do Rio de Janeiro.

Historiadores, arquitetos, urbanistas e intelectuais dão seus depoimentos ao filme. Eles expõem as vicissitudes de uma cidade em metamorfose e em expansão contínua. O problema histórico da exclusão social não é deixado de lado, mas não é o centro do documentário. O foco é a apreciação dos grandes marcos urbanos e arquitetônicos do Rio de Janeiro e o desejo de que a cidade siga se transformando de maneira sustentável.

São Sebastião do Rio de Janeiro - A Formação de uma Cidade 

Brasil, 2015. 90 minutos.

Concepção, direção e produção: Juliana de Carvalho. Roteiro: Carlos Haag. Trilha sonora: Lucas Marcier. Montagem: Mair Tavares, Tina Saphira. Fotografia e câmera: Luis Abramo, Antônio Luiz Mendes e Fernando Medeiros. 

Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 26/05/2016. Classificação indicativa: livre.

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