Crônica da Demolição – Documentário de Eduardo Ades

Crônica da Demolição Adelino Portino Riotrilhos Crônica da Demolição – Documentário de Eduardo Ades

Imagem de arquivo que integra o documentário Crônica da Demolição mostra o Palácio Monroe em seus momentos finais (Foto: Adelino Portino, Riotrilhos)

A obscura história da demolição da sede do antigo Senado Federal, no Rio de Janeiro, é o tema do documentário Crônica da Demolição, de Eduardo Ades, que entra em cartaz nesta quinta (11) nos cinemas. O filme relata o processo que levou abaixo Palácio Monroe e as dúvidas sobre as reais motivações dessa decisão.

Com ajuda de uma centena de fotos antigas e 26 filmes de arquivo, o filme traz depoimentos de envolvidos no caso, arquitetos e políticos.

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Construído em 1906, o Palácio Monroe abrigou diversas instituições, sendo a sede do Senado de 1925 até a inauguração de Brasília. Depois de uma tentativa de tombamento malsucedida, acabou indo abaixo em 1976, junto com os prédios do Jockey e Derby Club, nas proximidades.

A troca desses edifícios históricos por uma praça vazia fez com que, durante décadas, a população carioca se perguntasse as reais razões da demolição. O filme tenta, então, colocar toda essa história em perspectiva.

Crônica da Demolição

Brasil, 2015. 90 minutos.

Direção e roteiro: Eduardo Ades. Argumento: Eduardo Ades e José Eduardo Limongi. Produzido por: Daniela Santos, Eduardo Ades, João Felipe Freitas. Produção executiva: Daniela Santos. Direção de fotografia e câmera: José Eduardo Limongi. Cenografia: Dina Salem Levy. Som direto: Antonio Carlos Liliu e Rodrigo Maia. Montagem: Eva Randolph e Eduardo Ades. Pesquisa iconográfica: Remier Lion. Motion graphics: Eduardo Seabra. Correção de cor: Paulo Carou. Edição de som: Thiago Sobral. Mixagem: Jesse Marmo. Música incidental: Philip Glass.
Empresas produtoras: Imagem-Tempo e Tela Brasilis. Coprodução: Canal Brasil
Produtora associada: Link Digital.

Participação em festivais: Festival do Rio, Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Brasília Int’l Film Festival (Melhor Documentário) e REcine – Festival de Cinema de Arquivo (Melhor Pesquisa e Edição de Imagem), entre outros. Estreia no circuito comercial de cinemas: 11/5/2017. Classificação indicativa: livre.

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Cinemateca promove Mostra Jovem.Doc até dia 27

Foto .batalha de sao braz 2 Cinemateca promove Mostra Jovem.Doc até dia 27

Imagem de A Batalha de São Bráz, um dos documentários em exibição na Mostra Jovem.Doc, na Cinemateca (Foto: Divulgação)

Começa nesta terça (25) e vai até quinta na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a Mostra Jovem.Doc, uma exibição especial dos 10 documentários realizados por meio do edital que leva o mesmo nome. Os participantes do Jovem.Doc tiveram seus trabalhos selecionados por um concurso público realizado em 2015.

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O edital tem o objetivo de apoiar projetos de documentários realizados por jovens autores. É resultado de uma parceria entre a Fundação de Apoio a Unifesp (Fap-Unifesp), Universidade Federal Paulista (Unifesp), Cinemateca Brasileira e Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV-Minc).

Veja abaixo a programação e a sinopse dos documentários, com informações fornecidas pelos organizadores.

Programação

Terça, 25 de abril
18h - Coquetel
19h - Abertura
20h-  Sessão de abertura: A Batalha de São Bráz e Enquadro

Quarta, 26 de abril
19h - Ônibus Hacker e Tomada da Casa do Povo
20h - Confirmou Presença e Faixa

Quinta, 27 de abril
19h - A Batalha de São Bráz | Deixa a Chuva Cair
20h - Àquem Margens: Juventude e Exclusão Social em Áreas de Mineração e Intervenções Urbanas
21h - Plano Aberto e Enquadro

Sobre os filmes

Àquem Margens: Juventude e Exclusão Social em Áreas de Mineração
Direção: Alexandra Duarte
Cotidiano, condições de vida, conflitos e sonhos de jovens moradores do Bairro Araguaia em Marabá, Pará, são tema do filme Àquem Margens: Juventude e exclusão social em áreas de mineração. Os jovens do bairro, originado de ocupação urbana e separado do restante da cidade pela Estrada de Ferro Carajás, ferrovia utilizada pela mineradora Vale para escoar os minérios explorados na região, são estigmatizados como moradores de um “lugar perigoso”. Eles e suas famílias vivem sem direitos e serviços públicos básicos, o que contrasta com a riqueza exportada continuamente pelo trilho que atravessa a ocupação e expõe a cidadania aquém margens do progresso.

A Batalha de São Bráz
Direção: Adrianna Oliveira
Mercado de São Bráz, Belém, Pará, Norte do Brasil. Durante o dia, o espaço é uma feira em um prédio histórico abandonado, construído em uma época de grande riqueza na cidade. Mas nos sábados à noite, o lugar se transforma em uma das manifestações do hip-hop: a Batalha de MC’s. Jovens da periferia da cidade se reúnem para saber quem é o melhor MC da noite.

Confirmou Presença
Direção: Caru Roelis
Documentário que aborda temas da atualidade que envolvem o universo de jovens em suas buscas por inclusão e liberdade, cidadania e participação na vida comunitária. Retrata as expressões da cultura urbana e principalmente a cultura digital como elo de mobilização para manifestos e alteração do meio em que vivem. O filme retrata a juventude brasileira, em seu aspecto de luta por causas sociais e a velocidade em que a internet transforma estas aspirações em verdadeiras ações de mobilização social.

Deixa a Chuva Cair
Direção: Juscelino Ribeiro
Na última década, um histórico conflito entre gangues tem se agravado, comprometendo seriamente o futuro de uma juventude inteira da região do Promorar, na zona Sul de Teresina. Com o intuito de pôr um fim à violência entre os jovens, os rappers Preto Kedé, Lu de Santa Cruz e Aliado Negro criaram A Irmandade. Aos poucos, o grupo - que sempre cantou sobre o cotidiano das comunidades - passou a abordar também questões como proximidade com o crime, expansão das drogas e preconceito com os moradores das periferias, além de denunciar casos de racismo e truculência por parte de policiais militares. Em uma manhã de agosto, uma canção de desabafo cheia de ira caiu como uma bomba nas mãos da mídia, da polícia e - principalmente - dos próprios músicos.

Enquadro
Direção: Lincoln Péricles
Eles falam sobre seus trabalhos e sobre a polícia. Matéria fantasmagórica.

Faixa
Direção: Roger Pires, Bruno Xavier, Pedro Rocha e Yargo Gurjão
Na cidade, as ruas são como veias. O cicloativismo exige ciclofaixas e outras coisas mais. Este documentário é tipo um “bike movie”. Ou mais simples mesmo: um filme de bike.

Intervenções Urbanas
Direção: Lorena Figueiredo
Intervenção urbanas busca apresentar um novo olhar sobre o Distrito Federal, por meio das intervenções urbanas presentes no concreto da rua. Os inimagináveis assuntos, muitas vezes, esquecidos diante da rotina. São contrastados e interrogados, constituindo um personagem vivo no meio urbano.

Ônibus Hacker
Direção: João Markun, Agnis Freitas, Camila Izidio
O documentário conta a história de um grupo de jovens ativistas e de uma viagem entre São Paulo e Brasília, dentro do Ônibus Hacker. No trajeto, acontecem as "Invasões Hackers" – ações de transformação local que fazemos nas cidades do percurso e contemplam oficinas, debates, intervenções e ações diversas, feitas pelos diferentes tripulantes do Ônibus. A fórmula se repete, mas é imprevisível - olhar, intervir, trocar e errar. Afinal, tentar e errar são as premissas de aprendizado no Ônibus Hacker.

Plano Aberto
Direção: Elder Barbosa
Leonardo é militante de um coletivo autonomista do Complexo do Alemão que luta pela saída da UPP da favela. Geandra é uma atriz de um uma companhia de teatro marginal da Maré. Alice é uma cineasta que realiza cinema independente na zona norte da cidade. Zé faz parte da luta do Movimento Passe Livre por uma revolução urbana. Jovens ativistas vivem e constroem novas formas de resistência nas periferias do Rio de Janeiro.

Tomada da Casa do Povo
Direção: Alexandre Guilhão
Durante os dias 10 e 18 de julho de 2013 a câmara de vereadores da cidade de Porto Alegre foi tomada por manifestantes do chamado “Bloco de Luta pelo Transporte Público”, este documentário discute os fatos que levaram o Bloco a decidir pela ação, analisar como foram e quais os resultados dos 9 dias, bem como, a repercussão que se teve na mídia, entre a população e entre os vereadores.

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Mostra Itinerante Histórias que Ficam exibe documentário Corpo Delito

Corpo Delito 4 Mostra Itinerante Histórias que Ficam exibe documentário Corpo Delito

Cena do documentário Corpo Delito, de Pedro Rocha, em exibição na Mostra Itinerante Histórias que Ficam

Acontece nesta terça (18) a partir de 18 horas, na Unibes Cultural, em São Paulo, a apresentação do documentário Corpo Delito, de Pedro Rocha, como parte da Mostra Itinerante Histórias que Ficam. O filme é um dos quatro vencedores da segunda edição do edital Histórias que Ficam e teve sua produção – e agora exibição – bancadas pela Fundação CSN, promotora do concurso. Após a sessão haverá debate com o autor.

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Além de Corpo Delito, também foram contemplados pelo Histórias que Ficam os documentários Guarnieri, de Francisco Guarnieri; Iramaya, de Carolina Benjamin; e No Vazio do Ar, de Priscilla Regis Brasil. Guarnieri, que retrata a vida e a obra do ator Gianfrancesco Guarnieri, estreia no dia 3 de maio no Centro Cultural São Paulo, também com exibição seguida de debate.

O programa Histórias que Ficam apoia documentários por meio de auxílio financeiro e consultoria para o desenvolvimento dos projetos. Recebeu 273 inscrições para sua segunda edição, de 2016. Os filmes vencedores serão exibidos até 20 de maio em mais de 20 cidades do País.

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Martírio – Documentário de Vincent Carelli

A quem pertence determinada terra? Quais as fronteiras “legítimas” para cada grupo étnico? Desde a antiguidade até hoje (vide Israel e Palestina para ficar em um único exemplo), guerras a esse título são feitas em todo o mundo. O documentário Martírio, de Vicent Carelli, mostra que este também é um tema brasileiro.

Carelli aponta as câmeras para os guarani kaiowá, grupo que ao longo do século 20 foi espremido em reservas insuficientes e beiras de estrada para dar espaço ao crescente agronegócio do Mato Grosso do Sul.

Indigenista, Carelli é a maior autoridade do assunto no cinema brasileiro. Em 1986, criou o Vídeo nas Aldeias, iniciativa pioneira que colocava câmeras na mão dos indígenas para que eles próprios contassem suas histórias. Carelli participou/dirigiu dezenas de filmes, na maior parte focados nos povos que vivem mais ao Norte do País. Desta vez, mostra com crueza a situação de sofrimento da população guarani kaiowá, que se divide entre o Paraguai e o território sul-mato-grossense.

Para contar essa história, Carelli retroage até a Guerra do Paraguai (1864-1870). Com a vitória da tríplice aliança, o Brasil anexa parte das terras paraguaias, lar dos guarani. A ocupação agrícola começa então pelo plantio e exportação da erva mate, na qual os índios acabam sendo cooptados para trabalhos em condições bastante degradantes. Passam-se as décadas, mudam os governos, mas a situação não melhora.

Do Serviço de Proteção ao Índio (1910) da era Rondon, passando pela Funai do período militar, as tentativas de aculturação e os conflitos de terra foram se acumulando. A Constituição de 1988 veio dar alguma luz ao debate, mas aí o agronegócio já estava forte o suficiente para colocar na luta suas brigadas armadas e os seus tratores (literais e os do plenário do Congresso). “Aqui, um boi vale mais do que uma vida”, resume o então procurador-geral da Justiça (1989-1995) Aristides Junqueira ao visitar a área dos guarani kaiowá, em entrevista exibida no documentário.

Apesar das dezenas de mortes em conflitos pela terra, e convivendo com altos índices de suicídio, a população guarani kaiowá encontra força para lutar. E, na sua porção mais otimista, o documentário mostra os avanços no reconhecimento dos territórios indígenas ocorridos nos últimos anos, graças à movimentação constante de seus integrantes.

Com muitas imagens históricas e cenas produzidas por Carelli ao longo de mais de dez anos, o filme estreia em um grande circuito, com cinemas de 21 cidades, de Rio Branco a Porto Alegre. É um tratado de história, mas é também um grito indignado de Carelli. Para ele, fazer Martírio representou “um compromisso moral, ético, político e, sobretudo, afetivo com os povos guarani kaiowá”.

Sua narração em primeira pessoa é um grito de pedido de socorro, que se junta aos de dezenas de milhares de índios. Resta, agora, à população e ao governo, ouvir.

Martírio

Brasil, 2016. 162 minutos.

Direção: Vincent Carelli. Codireção: Ernesto de Carvalho e Tita. Roteiro: Vincent Carelli, Tita e Ernesto de Carvalho. Fotografia: Ernesto de Carvalho. Montagem: Tita. Desenho de som: Gera Vieira, Nicolas Hallet e Tita. Mixagem: Gera Vieira e Nicolas Hallet. Música: Bro MCs. Produtora executiva: Olívia Sabino. Produtoras: Papo Amarelo e Vídeo nas Aldeias.

Participação em festivais: 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Melhor Longa-Metragem, Júri Popular; Prêmio Especial do Júri Oficial), 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Melhor Documentário Brasileiro, Prêmio do Público; Prêmio Spcine de Melhor Documentário), 9ª Janela Internacional de Cinema do Recife (Melhor Filme, Júri Oficial), 31º Festival Internacional de Cine de Mar Del Plata, Argentina (Melhor Longa-Metragem da Mostra Competitiva Latino-Americana), entre outros.

Estreia no circuito comercial de cinemas: 14/4/2017. Classificação indicativa: a confirmar.

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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Festival Sesc traz de volta ao cinema sete documentários de 2016

CinemaNovo 05 Os Herdeiros de Carlos Diegues Festival Sesc traz de volta ao cinema sete documentários de 2016

Cena de Cinema Novo, de Eryk Rocha, eleito o melhor documentário de 2016 no Festival Sesc (Foto: Divulgação)

Teve início nesta quinta (6) e prossegue até o dia 19 a 43ª edição do Festival Sesc Melhores Filmes. A mostra traz novamente ao cinema filmes lançados em 2016 e eleitos como os melhores pela crítica e pelo júri popular. Na categoria documentário, o melhor foi Cinema Novo, de Eryk Rocha, escolhido pelo público e pela crítica.

Neste ano, foram registrados mais de 5 mil votos de cinéfilos e houve mais de 100 críticos votantes. Sete documentários fazem parte da programação. Além do vencedor, há também outras grandes obras importantes, como O Botão de Pérola, de Patricio Guzmán.

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Todas as sessões acontecem no CineSesc, em São Paulo. Confira a programação de documentários que serão exibidos no festival. Mais informações no site do cinema.

O Botão de Pérola (Direção: Patricio Guzmán, Chile/França/Espanha, 2015, 82 minutos, 14 anos)
O oceano contém a história de toda a humanidade. No mar estão as vozes da Terra e de todo o espaço. A água, fronteira mais longa do Chile, também esconde o segredo de dois misteriosos botões encontrados no fundo do mar. Com mais de 4 mil km de costa e o maior arquipélago do mundo, o Chile apresenta uma paisagem sobrenatural, com vulcões, montanhas e glaciares. Nessa paisagem estão as vozes da população indígena da Patagônia, dos primeiros navegadores ingleses que chegaram ao país, e também a voz dos presos políticos chilenos. Alguns dizem que a água tem memória. Este filme mostra que ela também tem voz.
Quinta-feira, 6/4, 17h. Sexta-feira, 14/4, 21h30.

Cinema Novo (Direção: Eryk Rocha, Brasil, 2016, 90 minutos, 12 anos) - leia mais
Cinema Novo é um ensaio poético que investiga um dos principais movimentos cinematográficos latino-americanos, através do pensamento e fragmentos de filmes dos seus principais autores. O filme mergulha na aventura da criação de uma geração de cineastas que inventou uma nova forma de fazer cinema no Brasil – a partir de uma atitude política que juntava arte e revolução – e que tinha como desejo um cinema que tomasse as ruas e fosse ao encontro do povo brasileiro.
Quarta-feira, 12/4, 21h30. Segunda, 17/4, 17h.

Coração de Cachorro (Direção: Laurie Anderson, EUA, 2015, 75 minutos, 14 anos) - leia mais
Centrado na cachorra Lolabelle, que morreu em 2011 e era muito querida pela diretora, o filme é um ensaio pessoal que combina lembranças de infância, diários em vídeo, reflexões sobre dados, cultura de vigilância e a visão budista sobre a morte, além de tributos a artistas, escritores, músicos e pensadores. Numa espécie de colagem visual, o filme examina como histórias são construídas e contadas — e como as usamos para dar sentido às nossas vidas.
Sexta-feira, 7/4, 19h30. Sexta-feira, 14/4, 23h.

Curumim (Direção: Marcos Prado, Brasil, 2016, 100 minutos, 14 anos)
A vida de Marco “Curumim” Archer muda drasticamente quando os 13,5 quilos de cocaína escondidos em sua asa delta são descobertos pela polícia do Aeroporto Internacional de Jacarta, na Indonésia. Ele faz uma fuga espetacular e sai pela porta da frente do aeroporto, ludibriando a polícia local. Depois de se esconder por 16 dias pelas ilhas paradisíacas da Indonésia, Marco é preso e condenado à morte. Doze anos depois, no dia 17 de janeiro de 2015, se tornou o primeiro brasileiro a ser executado por tráfico de drogas no mundo. “Curumim” oferece uma jornada íntima pela vida de um homem transgressor, carismático e irreverente, que escolheu viver intensamente a ilusão de que para ser amado pelos amigos e aceito pela sociedade, teria as drogas como sua maior moeda de troca. Sem ter nunca pego numa arma ou coagido ninguém, morreu fuzilado sem ter uma segunda chance.
Terça-feira, 11/4, 14h30. Quarta-feira, 19/4, 19h30.

Francofonia (Direção: Alexander Sokurov, Alemanha/França/Holanda, 2015, 88 minutos, 10 anos) 
Pensando na relação entre arte e poder, o documentário filmado no Museu do Louvre questiona se a arte pode nos ensinar sobre nós mesmo, inclusive nos momentos mais sangrentos do mundo.
Sexta-feira, 7/4, 14h30. Quarta-feira, 12/4, 19h30.

Menino 23 - Infâncias Perdidas no Brasil (Direção: Belisario Franca, Brasil, 2016, 99 minutos, 12 anos) - leia mais
O documentário retoma a pesquisa do historiador Sidney Aguilar. Nos anos 1930, ele descobriu que 50 meninos negros foram levados a uma fazenda no interior de São Paulo, onde eram identificados por números e submetidos a trabalho escravo. O longa conta com depoimentos de Aloísio Silva, o número 23.
Quinta-feira, 6/4, 14h30. Sexta-feira, 14/4, 19h30.

São Paulo em Hi-Fi (Direção: Lufe Steffen, Brasil, 2013, 100 minutos, 16 anos)
O documentário apresenta histórias das noites gays em São Paulo nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Fazendo uma viagem no passado, os personagens mostram as histórias das dançarinas e transformistas que se apresentavam nas famosas casas noturnas que marcaram época e tudo o que elas tiveram que passar, como a imposição da ditadura e a famosa explosão da Aids.
Sábado, 8/4, 19h30. Quinta-feira, 13/4, 14h30.

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Pitanga – Documentário de Beto Brant e Camila Pitanga

PITANGA Foto Matheus Brant Divulgacao Pitanga – Documentário de Beto Brant e Camila Pitanga

Cena de Pitanga, documentário de Beto Brant e Camila Pitanga (Foto: Matheus Brant/Divulgação)

Pitanga, documentário de Beto Brant e Camila Pitanga, é mais uma cinebiografia repleta de depoimentos. Só que é muito mais do que uma cinebiografia repleta de depoimentos. Ao colocar diante das telas o ator Antonio Pitanga, seus amigos e parceiros de carreira e vida, a dupla Beto Brant e Camila Pitanga fez a escolha certa: transformou o que poderia ser um amontoado de entrevistas cansativas em um divertido papo regado a lembranças e histórias. O resultado final é um agradável caleidoscópio que traz reflexões sobre a obra desse grande artista – e, por consequência, de todo o cinema brasileiro das últimas décadas.

Se os méritos formais vão para a dupla de diretores, o conteúdo divertido, mas ao mesmo tempo reflexivo, é garantido pela grandeza do personagem. Pitanga trabalhou com mestres do cinema novo, como Glauber Rocha, Cacá Diegues e Walter Lima Jr..

Com o discurso politizado da época e com sua postura, colocou a questão do negro em evidência naqueles tempos embora, como gosta de dizer a filha codiretora, é mais um "negro em movimento" do que um integrante tradicional do "movimento negro".

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A personalidade cativante do homenageado faz o restante da fórmula de sucesso. Sorridente e sedutor – parece que namorou todas as mulheres que surgem no filme! –, Pitanga desdobra conversas informais diante da câmera, ao mesmo tempo em que discute o cinema e o momento político do Brasil ao longo de sua trajetória.

Obviamente, boa parte da discussão se dá sobre o ciclo do Cinema Novo, o mais criativo da sétima arte no Brasil, e no qual Antonio Pitanga teve um papel de destaque. Mas sua obra toca também praticamente todas as outras fases do cinema brasileiro, em sua trajetória de mais de 60 filmes.

A presença da filha como condutora (na maior parte do tempo) oculta da narrativa não atrapalha em nada – pelo contrário. O clima é de homenagem, sim, mas as coisas fluem sem os excessos que se poderia esperar de uma filha apaixonada pelo trabalho do pai – e vice-versa.

Na frente das câmeras comparecem nomes como Caetano Veloso, Maria Bethânia, José Carlos Capinan, Cacá Diegues, Sérgio Ricardo, Othon Bastos, Zé Celso Martinez Corrêa, Zezé Motta, Ziraldo, Ruth de Souza, Tônico Pereira, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Luiz Carlos Barreto, Milton Gonçalves, Walter Lima Jr, Martinho da Vila, Gilberto Gil, Lázaro Ramos e vários familiares, para parar por aqui a lista que tem um total de mais de 50 participantes.

Por vezes, Antonio Pitanga fala mais do que seus parceiros de tela. Em outras, dá mais espaço para seus convidados. Em todas elas, se mostra simpático, lúcido e generoso. Uma bela história de vida.

Pitanga

Brasil, 2016. 113 minutos.

Direção: Beto Brant e Camila Pitanga. Produção: Beto Brant e Renato Ciasca. Direção de produção: Fabíola Aquino e Lika Lopes. Roteiro: Beto Brant, Camila Pitanga, José Carlos Avellar, Juliana Munhoz, Marçal Aquino e Xarlô. Direção de Arte: Xarlô. Montagem: Juliana Munhoz. Direção de Fotografia: Leleco Maestrelli. Câmeras: Leleco Maestrelli, Isadora Brant e Eduardo Quintino. Colorista: José Francisco Neto. Som direto: Pedro Moreira e Guilherme Shinji. Desenho de som: Beto Ferraz. Mixagem: Armando Torres Jr.. Música original: Cavalaria de Ogum, de Ilú Obá De Min. Trilha sonora: Instituto e Grupo Cangarussu. Produtoras: Drama Filmes, Gangazumba Produções e Paraguassu Produções. Coprodutoras: Globo Filmes, GloboNews e Dot. Distribuidora: Elo Company.

Participação em festivais: Melhor Filme Brasileiro da 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e vencedor do Prêmio do Público da Mostra de Cinema de Tiradentes 2017. Estreia no circuito comercial de cinemas: 6/4/2017. Classificação indicativa: 12 anos.

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Gaga – O Amor Pela Dança – documentário de Tomer Heymann

Gaga – O Amor pela Dança chega nesta quinta (6) ao circuito comercial de cinemas em um circuito que pode ser considerado grande para os padrões de documentário –incluindo diversas salas em São Paulo e no Rio de Janeiro. E quais suas credenciais para isso? Em primeiro lugar, o reconhecimento em festivais. Foi eleito melhor documentário da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo pelo público e se deu bem em diversos prêmios internacionais (veja no final deste texto). Mas, principalmente, a capacidade do diretor Tomer Heymann de transformar o filme em um caleidoscópio de histórias pessoais e de superação, não apenas em um catálogo de espetáculos de balé.

O documentário traz detalhes da vida e da obra do israelense Ohad Naharin, coreógrafo, diretor artístico da Companhia de Dança Batsheva, de Tel Aviv, e principal nome da dança naquele país. Seu interesse pelo tema começou em um kibbutz (comunidade agrícola). A profissionalização só teve início aos 22, no Batsheva que depois viria a dirigir e, na sequência, na famosa Juilliard School, de Nova York.

Mas a consagração mesmo veio somente na volta a seu país, onde construiu uma trajetória de renovação na dança nos grandes palcos e, ao mesmo tempo, um profundo trabalho de aproximar o cidadão comum do contato com o movimento, por meio do método que dá nome ao filme.

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Gaga – O Amor pela Dança acompanha a trajetória de Naharin ao longo de oito anos. Com muitas imagens de arquivo, traz momentos de ensaios que mostram a busca do coreógrafo pela perfeição. Mas há também um forte componente pessoal, ao apostar em suas lembranças de família ou contar dramas pessoais, como a morte prematura da primeira mulher.

Entremeado a isso, o diretor Tomer Heymann destaca o discurso político de Naharin. Um posicionamento que culmina em sua decisão de não ceder a pressões de grupos religiosos que queriam alterar sua coreografia programada para ser exibida nas festividades de 50 anos do Estado de Israel. Naharin não abriu mão de seus princípios e deixou os palcos vazios em plena festa cívica.

Em resumo quem espera encontrar em Gaga um filme de dança encontrará – há inúmeros e lindos espetáculos. Mas quem espera mais do que isso também encontrará – há uma grande história de amor pela profissão e pelo mundo que extrapola os limites de qualquer palco.

Gaga – O Amor Pela Dança (Mr. Gaga)

Israel, 2015. 99 minutos.

Diretor: Tomer Heymann. Produtor: Barak Heymann. Produtora executiva: Diana Holtzberg. Diretor de fotografia: Itai Raziel. Montadores: Alon Greenberg, Ido Mochrik e Ron Omer. Consultores artísticos: Talli Vernia-Hatsor, Pia Forsgren e Roni Azgad. Pesquisadores: Lily Yudinsky, Daniela Reiss e Tali Shamir-Werzberger. Edição de som: Alex Claude.

Participações em festivais: Tempo Documentary Festival (Estocolmo) e Sofia International Film Festival: Melhor Filme. SXSW Film Festival e IDFA: prêmio do público. 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo: Melhor Documentário, votação popular. Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 6/4/2017. Disponível em vídeo on-demand a partir de 11/5/2017. Classificação indicativa: livre.

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Texto atualizado em 3/5/2017.


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Festival É Tudo Verdade 2017 anuncia programação

No Intenso Agora Joao Moreira Salles Foto Videofilmes Festival É Tudo Verdade 2017 anuncia programação

No Intenso Agora, documentário de João Moreira Salles, um dos destaque do festival É Tudo Verdade 2017 (Foto: VideoFilmes)

A 22ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro de 19 a 30 de abril. Sete produções nacionais inéditas no país estão selecionadas para a Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens. Participam da Competição Internacional de Longas e Médias-Metragens 12 documentários inéditos no Brasil. Pela primeira vez o festival apresenta também uma Competição de Longas Latino-Americanos.

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Além das sessões competitivas, o É Tudo Verdade traz também diversas mostras informativas: Projeções Especiais, O Estado das Coisas, Retrospectiva Internacional - 100: De Volta à URSS; Retrospectiva Brasileira: Sergio Muniz, Mostra É Tudo Verdade/BNDES e É Tudo Verdade no Itaú Cultural. Premiados e destaques participam a seguir de circuito de itinerâncias em Porto Alegre e Brasília.

Além da exibição de filmes o É Tudo Verdade traz, ainda, a 16ª edição da Conferência Internacional do Documentário É Tudo Verdade (no Centro Cultural São Paulo, nos dias 27 a 28 de abril) e diversas sessões de debates.

Veja a seguir os filmes selecionados, com informações fornecidas pelo festival.

Sessões de abertura

Os documentários Eu, Meu Pai e os Cariocas - 70 Anos de Música no Brasil, de Lúcia Veríssimo, em estreia mundial, e a première latino-americana de Cidade de Fantasmas, de Matthew Heineman, fazem as sessões de abertura do É Tudo Verdade 2017, respectivamente no Rio de Janeiro (19/4) e em São Paulo (20/4).

Eu, Meu Pai e os Cariocas - 70 Anos de Música no Brasil (Direção: Lúcia Veríssimo, Brasil, 2017, 112 minutos). Sessão de Abertura – Rio de Janeiro
Revisita a história de Os Cariocas, um dos grupos mais importantes da música popular brasileira, pelo olhar de Lúcia Veríssimo, filha de um de seus principais expoentes, o maestro Severino Filho (1928-2016). A banda tornou-se conhecida em programas da rádio Nacional, notabilizando-se por arranjos vocais que marcaram seu estilo único.

Cidade de Fantasmas (Direção: Matthew Heineman, EUA, 2016, 90 minutos). Sessão de Abertura – São Paulo
A câmera do premiado cineasta Matthew Heineman volta-se para os jornalistas ativistas do grupo Raqqais Being Slaughtered Silently (RBSS – Raqqa Está Sendo Assassinada Silenciosamente), que arriscam a vida diariamente para registrar em vídeos e fotos as atrocidades do Estado Islâmico, que tomou sua cidade, na Síria, em março de 2014, tornando-a sua “capital”.

Competição brasileira: longas ou médias-metragens

Cidades Fantasmas (Direção: Tyrell Spencer, Brasil, 2017, 70 minutos)
Em Humberstone (Chile), pouco restou da prosperidade do salitre. Perto da antiga Fordlândia (PA), casas de posseiros são os últimos sinais da cidade construída por Henry Ford. Armero (Colômbia), teve a população dizimada pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz, em 1985. Vinte e cinco anos depois de uma inundação, ruínas da Villa Epecuén (Argentina) expõem os restos da velha estação de águas.

Em um Mundo Interior (Direção: Flavio Frederico e Mariana Pamplona, Brasil, 2017, 75 minutos)
Alternando entrevistas de médicos, terapeutas e testemunhos de pais, o documentário retrata a complexidade do universo do autismo – uma disfunção neurológica que afeta a linguagem e a parte motora e, especialmente, a interação com os outros. Retratando diversos personagens, o filme cria condições para que o espectador possa compartilhar as situações.

Maria - Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos (Direção: Francisco C. Martins, Brasil, 2017, 80 minutos)
Escultora, gravurista, pintora, desenhista e escritora, Maria Martins (1894-1973) foi uma mulher que desafiou o conformismo. Estudando escultura na Europa com Oscar Jespers, em Bruxelas, desenvolveu um talento que a aproximou do surrealismo. Depois radicada nos EUA, conhece Marcel Duchamp, com quem manteria uma ligação amorosa e artística de mútuas influências.

Mexeu Com Uma, Mexeu Com Todas (Direção: Sandra Werneck, Brasil, 2017, 71 minutos)
Reunindo depoimentos de vítimas e sobreviventes, o documentário coloca em pauta o abuso sexual. Depoentes como a farmacêutica Maria da Penha – que empresta o nome à lei de 2006 que criminaliza a violência contra a mulher –, a nadadora Joana Maranhão, a ex-modelo Luíza Brunet, a escritora Clara Averbuck e várias outras mulheres constroem suas narrativas.

Quem é Primavera das Neves (Direção: Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, Brasil, 2017, 75 minutos)
Em março de 2010, o cineasta Jorge Furtado escreve uma postagem em seu blog, indagando quem pode ter notícias sobre a tradutora Primavera das Neves, cujo nome o fascina. A busca o leva ao encontro deste documentário, em que é guiado por amigas de infância da tradutora, Eulalie Ligneul, e a artista plástica Anna Bella Geiger.

A Terceira Margem (Direção: Fabian Remy, Brasil, 2016, 56 minutos)
Em 1953, treze anos depois do início da célebre “Marcha para o Oeste”, os indigenistas irmãos Villas-Boas encontram, entre os índios Caiapó, o jovem João Kramura, um branco roubado de seus parentes e criado na tribo. Através do índio Funi-ô Thini-á, reconstitui-se a história de João e também a do próprio Thini-á.

Tudo é Irrelevante. Helio Jaguaribe (Direção: Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan, Brasil, 2017, 83 minutos)
Nascido no Rio de Janeiro em 1923, Helio Jaguaribe é um dos cientistas políticos mais importantes do Brasil. Pertencente a uma geração de intelectuais devotados a repensar o Brasil desde meados dos anos 1950, ele é um dos expoentes do nacional-desenvolvimentismo, que formulou teorias para um capitalismo autônomo no Brasil, apoiado na integração latino-americana.

Competição internacional: longas ou médias-metragens

Abacus: Pequeno o Bastante para Condenar (Direção: Steve James, EUA, 2016, 88 minutos)
Diretor do premiado “Basquete Blues” (1994), Steve James mergulha no singular processo da família Sung de imigrantes chineses, donos do banco Abacus Federal Savings, acusados de fraude hipotecária em 2012 pelo procurador-geral de Nova York, Cyrus Vance Jr., na esteira da grave crise financeira de 2008.

Comunhão (Direção: Anna Zamecka, Polônia, 2016, 72 minutos)
Ola tem apenas 14 anos, mas é a chefe de uma pequena família disfuncional. Cuida de um pai destituído de senso de realidade, que só pensa em TV e cerveja, e de um irmão autista de 13 anos, Nikodem. A mãe vive com outro homem e um bebê. Ainda assim, Ola acredita que pode reunir sua família dividida.

A Copa dos Trabalhadores (Direção: Adam Sobel, Reino Unido, 2017, 89 minutos)
Imigrantes asiáticos e africanos que constroem os estádios e instalações da Copa do Mundo de 2022, no Catar, participam, em 2015, de um torneio de futebol. Pensado como jogada de marketing pelas companhias contratantes dos operários, o evento torna-se uma oportunidade para que o documentário revele os bastidores de inacreditáveis condições de vida e de trabalho.

Luz Obscura (Direção: Susana de Sousa Dias, Portugal, 2017, 77 minutos)
Assim como os filmes anteriores da diretora Susana de Sousa Dias, “Natureza Morta” (2005) e “48” (2010), a origem deste documentário encontra-se nos arquivos da PIDE, a polícia política portuguesa, que atuou de 1926 a 1974. Aqui, o ponto de partida é a fotografia de uma mulher com um bebê no colo, o que conduz a uma investigação sobre os familiares de Octavio Pato.

No Exílio: Um Filme de Família (Direção: Juan Francisco Urrusti, México, 2016, 124 minutos) – première internacional
O cineasta Juan Francisco Urrusti resgata a memória de sua família, sobrevivente da Guerra Civil Espanhola e refugiada no México, em 1939. Seus pais, uma tia e os quatro avós vieram num barco de carga, desfrutando, como milhares de outros exilados espanhóis, de acolhida calorosa numa época em que o México era governado pelo presidente esquerdista Lázaro Cárdenas.

No Tempo que Chegará (Direção: Tan Pin Pin, Singapura, 2017, 62 minutos)
Durante as comemorações do cinquentenário da independência de Singapura, a cineasta Tan Pin Pin acompanha a preparação de uma cápsula do tempo, que conterá objetos representativos desta era para o futuro. Ao mesmo tempo, processa-se a abertura de uma antiga cápsula, revelando artefatos de uma outra época que hoje exigem esforços de interpretação.

A Prisão em 12 Paisagens (Direção: Brett Story, Canadá/EUA, 2016, 87 minutos)
Recorrendo a situações filmadas em diversas regiões dos EUA, a cineasta canadense Brett Story compõe uma instigante reflexão sobre como a atual filosofia do encarceramento em massa naquele país – hoje com 2,2 milhões de detentos – penetrou cada aspecto da vida.

Paris é uma Festa – Um Filme em 18 Ondas (Direção: Sylvain George, França, 2017, 96 minutos)
Em busca de traçar uma nova cartografia social de Paris, o diretor Sylvain George recorre a alguns adolescentes estrangeiros em seus percursos pelas ruas da capital francesa, após os atentados que a sacudiram desde o final de 2015. Passam pelo crivo destes jovens discriminados paisagens, canções, violência de Estado, a revolta, a busca de expressão.

Perón, Meu Pai e Eu (Direção: Blas Eloy Martínez, Argentina, 2017, 80 minutos) – première mundial
Autor de livros como “Santa Evita” (1996), o escritor e jornalista argentino Tomás Eloy Martinez realizou, há 45 anos, uma mítica entrevista com o ex-presidente Juan Domingo Perón. Depois da morte do autor, em 2010, seu filho Blas Martinez recupera as gravações. Inicia, então, um mergulho não só na história de seu país como em sua própria vivência pessoal.

Relações Próximas (Direção: Vitaly Mansky, Letônia/Alemanha/Estônia/Ucrânia, 2016, 112 minutos)
De maio de 2014 a maio de 2015, o cineasta Vitaly Mansky viajou por diversas regiões da Ucrânia, visitando integrantes de sua família. A partir de conversas com a mãe, o avô e tias, aos poucos ele forma um mosaico das opiniões dos moradores do país sobre os desdobramentos da grave crise política que divide a nação desde novembro de 2013.

O Show da Guerra (Direção: Andreas Dalsgaard e Obaidah Zytoon, Dinamarca/Noruega/ Síria, 2016, 100 minutos)
Quando a Primavera Árabe chega à Síria, em 2011, a radialista e DJ Obaidah Zytoon e seus amigos começam a filmar, com suas câmeras e celulares, os protestos que tomam as ruas. Intuitivamente, captam em primeira mão os acontecimentos que iriam moldar a progressiva radicalização no país, finalmente destruído por uma guerra civil até hoje sem solução.

Uma Vida Alemã (Direção: Christian Krones, Olaf Muller, Roland Schrotthofer e Florian Weigensamer, Áustria, 2016, 113 minutos)
Funcionária da máquina administrativa nazista, Brunhilde Pomsel (1911-2017) foi secretária e estenógrafa pessoal do ministro de Propaganda, Joseph Goebbels. Neste documentário despojado, em preto-e-branco, ela fala de seu trabalho, que incluía, entre outras coisas, maquiar estatísticas. Apesar disso, ela nega qualquer sentimento de culpa.

Competição brasileira: curtas-metragens

Bênção (Direção: Guilherme Reis e Marcelo Reis (in memoriam), Brasil, 2016, 18 minutos)
Documentário registra o cotidiano da benzedeira Dalila Senra Fabrini, de 97 anos. Moradora do bairro Santa Mônica, em Belo Horizonte, ela passa seus dias em oração, à espera que cheguem os clientes, pessoas que buscam sua benção para problemas tão distintos como bronquite, doenças de pele, dor no joelho, desemprego e a inveja alheia.

Boca de Fogo (Direção: Luciano Pérez Fernández, Brasil, 2017, 9 minutos)
Na cidade de Salgueiro (PE), os torcedores de futebol, na arquibancada, enfrentam o desconforto em busca das emoções dos jogos de futebol locais. Eles acompanham, pelo rádio, o comentarista Boca de Fogo, com sua voz poderosa e dicção inconfundível, tornando mais eletrizante cada lance das disputas. Mesmo que ele não possa ver cada um deles.

Candeias (Direção: Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues, Brasil, 2017, 20 minutos)
Filmado ao longo de cinco dias, entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro de 2016, o curta retrata a dimensão da romaria de Nossa Senhora das Candeias, em Juazeiro do Norte (CE), que abre todos os anos o ciclo de romarias na terra de Padre Cícero. Imagens desta verdadeira maré humana nas ruas em momentos impressionantes, como a Procissão das Velas, povoam o filme.

Cópia Própria (Direção: Ian Schuler, Brasil, 2017, 14 minutos)
Mergulhados na profusão de imagens que definem nosso mundo, buscamos conhecer a versão real, original, de cada uma delas – mas tudo o que encontramos é o mar de suas cópias. Nosso próprio olhar, afinal, é uma cópia.

Festejo Muito Pessoal (Direção: Carlos Adriano, Brasil, 2016, 9 minutos)
Tendo como ponto de partida o artigo “Festejo muito pessoal”, escrito em 1977 pelo crítico e professor Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977) e publicado postumamente, este ensaio poético estrutura-se com uma reapropriação de arquivos – evocando não só trechos de filmes citados no texto de Paulo Emílio, como de outros evocados a partir de afinidades diversas.

Improviso Ambulante (Direção: Leandro Aragão, Brasil, 2017, 19 minutos)
O documentário investiga o fenômeno da improvisação, procurando superar os preconceitos em torno de sua aparente precariedade. Explora-se a ideia de que o ato de improvisar possa ser, antes de mais nada, um mecanismo inerente à natureza humana no sentido de buscar soluções e recursos novos, criando novos saberes, científicos ou não.

A Lembrança que Eu Gosto de Ter (Direção: Filipe Carvalho, Brasil, 2017, 28 minutos)
Um homem retorna ao sertão pernambucano, na zona rural de Caruaru, onde viveu num sítio, até os 12 anos de idade. Gradativamente, por meio das próprias reminiscências e do encontro com personagens locais, vão ressurgindo os contornos mais definidos de memórias de sentimentos diversos.

Manual (Direção: Letícia Simões, Cuba/Brasil, 2016, 7 minutos)
A cineasta Letícia Simões passou o primeiro semestre de 2016 frequentando o mestrado na Escuela Internacional de Cinema y TV, em San Antonio de los Baños, Cuba. O resultado está neste curta, em forma epistolar, em que ela conta à mãe suas impressões sobre o país, diante da iminência de grandes transformações e do que restará da revolução socialista de 1959.

Se Você Contar (Direção: Roberta Fernandes, Brasil, 2017, 29 minutos)
Seguindo o dispositivo do documentário “Jogo de Cena“, de Eduardo Coutinho, cinco mulheres dispõem-se a contar experiências de abuso sexual, sofridas por elas mesmas ou outras que não conseguiram expor-se diante da câmera. O filme retrata oito histórias que têm em comum detalhes impactantes, como o fato de que a maior parte dos casos não chega à polícia.

Competição internacional: curtas-metragens

Os vencedores das Competições Brasileira e Internacional de Curtas-Metragens qualificam-se para serem examinados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para concorrer a uma vaga na disputa do Oscar de melhor curta documental.

O Acervo (Direção: Adam Roffman, EUA, 2016, 11 minutos) – première internacional
Dois amigos descobrem um formidável acervo de objetos ligados ao cinema num lugar inusitado, em Omaha, Nebraska. Terceiro curta documental do diretor Adam Roffman, depois de “Spearhunter” (2015) e “All the Presidents’ Heads” (2016).

Casa à Venda (Direção: Emanuel Giraldo, Cuba/Colômbia, 2016, 13 minutos)
Após a suspensão da proibição de venda de imóveis que vigorou por mais de 50 anos em Cuba, proprietários de casas preparam-se para dar início a um incipiente mercado imobiliário. Três famílias abrem as portas de seus lares, como diante de compradores em potencial, declinando os aspectos que, a seu ver, poderiam funcionar como chamariz.

O Cuidador (Direção: Joost van der Wiel, Países Baixos, 2016, 22 minutos)
Há mais de 60 anos, o clínico-geral Nico van Hasselt mantém uma rotina de realização de dez atendimentos domiciliares, em média, por dia, num bairro de Amsterdã. Desde 1989, essa sua forma individualizada de praticar a medicina vem sendo confrontada por operadoras de planos de saúde. Mesmo com mais de 90 anos de idade, ele resiste à pressão.

Olhos nos Olhos (Direção: Angelo Caperna, França, 2016, 22 minutos) – première mundial
Uma câmera capta uma cena intimista no meio do trânsito e do barulho de uma grande cidade: uma moça e um rapaz descobrem a atração um pelo outro. Tendo como cenário o ambiente despojado dos conjuntos habitacionais, eles andam, param, conversam. O tempo parece suspenso entre os corpos, enquanto eles buscam uma forma de encurtar a distância.

Polonesa (Direção: Agnieszka Elbanowska, Polônia, 2016, 16 minutos)
No interior da Polônia, o centro cultural da pequena cidade de Aleksandrow Kujawski vai sediar uma singular competição artística em torno do tema da “atitude patriótica”. Os candidatos podem optar por qualquer forma de expressão, música, performance, oratória, teatro ou recitação, desde que se trate de um trabalho próprio e original.

Radiovisão (Direção: Gregor Zupanc, Igor Simić, Jelena Milunovic e Miloš Tomić, Sérvia, 2016, 25 minutos)
Dos arquivos de uma das rádios públicas mais antigas da Europa, a rádio Belgrado, saíram as nove histórias que serviram de base a esta animação, pesquisadas entre as inúmeras entrevistas gravadas entre os anos 1950 e 1990 e protagonizadas por alguns dos maiores escritores, artistas e intelectuais da antiga Iugoslávia e da Sérvia.

Spielfeld (Direção: Kristina Schranz, Alemanha, 2016, 27 minutos) – première internacional
A pequena cidade de Spielfeld, com cerca de 1.000 habitantes, teve seu tranquilo cotidiano drasticamente abalado quando, no inverno de 2015, cerca de 100 mil refugiados atravessaram a fronteira austríaca sem nenhum tipo de controle. Como resposta, o governo apresentou o que chamou de “plano moderno de manejo de fronteiras”.

A Sibéria Não é Tão Gélida (Direção: Isabel Coixet, Espanha, 2016, 20 minutos)
Quando a cineasta catalã Isabel Coixet viaja pelo interior da Sibéria, para participar do júri de um festival de cinema, acontecem-lhe coisas inusitadas. Ela é tomada por sonhos estranhos e encontra um homem, de aparência amável, que lhe entrega uma sacola cheia de fotografias. Em cada uma delas, anotou cuidadosamente a data e o local onde foram tiradas.

Territórios Extraordinários (Direção: Diego Lumerman, Argentina, 2016, 25 minutos)
Partindo das alturas do vulcão Domuyo, apresenta-se as paisagens e personagens de Neuquén, ao norte da Patagônia argentina. Percorrendo os picos e vales da Cordilheira do Vento, veem-se áreas naturais de difícil acesso, territórios protegidos e também os largos espaços onde velhos habitantes do local desenvolvem atividades como criação de gado e mineração.

Competição latino-americana

Atentamente (Direção: Camila Rodríguez Triana, Colômbia, 2016, 80 minutos)
No ambiente despojado de uma residência de idosos, Libardo e Alba começam a viver uma história de amor. A partir da descoberta de seus sentimentos, tudo o que pensam é em estar juntos. Torna-se uma obsessão para eles encontrar formas de juntar dinheiro que lhes permita pagar uma noite num hotel para que desfrutem de uma intimidade impossível na instituição.

O Esquecimento (Im)possível (Direção: Andrés Habegger, Argentina/ Brasil/ México, 2016, 86 minutos)
O cineasta argentino Andrés Habegger realiza uma viagem profundamente pessoal neste documentário, em busca de resgatar memórias e informações sobre seu pai, Norberto Habegger, jornalista e militante no Brasil, em 1978, numa operação conjunta entre militares argentinos e brasileiros.

Rito de Passagem (Direção: Maite Alberdi, Chile, 2016, 83 minutos)
Um grupo de amigos com síndrome de Down, na faixa dos 50 anos, encara um momento de mudança. Frequentando a mesma escola, com as mesmas rotinas há quatro décadas, já não podem contar com seus pais. Todos sonham em encontrar um trabalho, ter uma vida independente e formar família.

Ruínas Seu Reino (Direção: Pablo Escoto, México, 2016, 65 minutos)
Colocando-se dentro de um pequeno barco de pesca artesanal, o diretor Pablo Escoto compartilha o cotidiano de pescadores que extraem o sustento das águas do Golfo do México. Em ritmo de ensaio poético, o filme retrata condições de trabalho fisicamente exaustivas, mas também momentos de contemplação de intensa beleza, passados entre o céu e o mar.

Da competição de longas e médias-metragens brasileiros: Cidades Fantasmas.

Da competição de longas e médias-metragens internacionais: No Exílio: Um Filme de Família e Perón, Meu Pai e Eu.

Programas especiais

78/52 (Direção: Alexandre O. Philippe, EUA, 2017, 91 minutos)
O documentário dedica seus 90 minutos à minuciosa análise de uma das cenas mais famosas da história do cinema: o assassinato, sob o chuveiro, do suspense “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock. Exploram-se inúmeros aspectos da sequência que, completa, não ultrapassa três minutos, o que não impediu, na época do lançamento, que o público gritasse ao vê-la nas salas.

Caçando Fantasmas (Direção: Raed Andoni, França/Palestina/Suíça/Catar, 2017, 94 minutos)
Por meio de um anúncio de jornal, o cineasta palestino Raed Andoni seleciona um grupo de ex-prisioneiros que sofreram detenção e tortura em Al-Moskobiya, o principal centro de interrogatório israelense, onde ele mesmo esteve preso, quando tinha 18 anos. Os próprios homens reconstroem um cenário semelhante à prisão, reconstituindo as situações que viveram.

Dawson City: Tempo Congelado (Direção: Bill Morrison, EUA, 2016, 120 minutos)
Em 1978, a construção de um novo centro recreativo levou a uma inusitada descoberta em Dawson City, Canadá: uma coleção de 533 latas de filmes e noticiários em 35 mm, datados entre os anos 1910 e 1920, perdidos há mais de 50 anos. O documentário recupera a história deste achado, permitindo refazer também parte da crônica da corrida ao ouro local.

Eu, Um Negro (Direção: Jean Rouch, França, 1958, 80 minutos)
Atendendo a uma proposta do cineasta Jean Rouch, jovens imigrantes que vivem de biscates no bairro de Treichville, em Abidjan, Costa do Marfim, representam diante das câmeras personagens de uma vida ideal. Contrapondo a pobreza de suas condições reais de sobrevivência, assumem nomes tirados do cinema, como Edward G. Robinson, Dorothy Lamour e Tarzan. Homenagem ao centenário de nascimento de Jean Rouch (1917-2004).

Já Visto, Jamais Visto (Direção: Andrea Tonacci, Brasil, 2013, 54 minutos)
Revirando seu arquivo de imagens acumuladas ao longo de quase 50 anos, o cineasta Andrea Tonacci permite-se o exercício de uma revisita ao seu próprio sentido e também à sua existência e seu passado. Fotografias, vídeos familiares, trechos de filmes concluídos ou obras inacabadas passam diante dos olhos, convidando o espectador a mergulhar neles. Homenagem póstuma a Andrea Tonacci (1944-2016).

No Intenso Agora (Direção: João Moreira Salles, Brasil, 2017, 127 minutos) – première brasileira - leia mais
Imagens recolhidas por sua mãe numa viagem à China em 1966 dão ao cineasta João Moreira Salles o fio inicial para este documentário. Colocando em paralelo estas imagens e outras de diversas origens e arquivos, ele capta não só aspectos de sua vida familiar como os movimentos que atravessaram alguns dos momentos políticos mais transformadores do século XX.

O estado das coisas

A Batalha de Florange (Direção: Jean-Claude Poirson, França, 2016, 109 minutos)
Crônica da crise em torno do fechamento dos últimos dois altos-fornos da siderúrgica indiano-britânica Arcelor-Mittal, no vale de la Fensch, em Florange, região nordeste da França. Entre 2012 e 2013, trabalhadores valeram-se de todas as formas de resistência e de luta para salvar a usina e milhares de postos de trabalho.

Cine São Paulo (Direção: Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli, Brasil, 2017, 78 minutos) – première mundial
Desde 1940, quando seu pai comprou um cinema na cidade de Dois Córregos (SP), a vida de Francisco Teles foi definida por esse lugar. A sala, que já teve diversos nomes, mortes e ressurreições, é o símbolo vivo da passagem do projetor a carvão ao digital, da resistência diante da TV e do videocassete e também da memória afetiva da cidade.

Laerte-se (Direção: Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum, Brasil, 2017, 101 minutos) – première mundial
Perfil da transgênero mais famosa do Brasil, a cartunista Laerte, que fala das particularidades de sua vida desde que decidiu viver como mulher, em 2009. Suas relações familiares, o apoio de amigos e familiares, as mudanças de seus personagens e suas posições políticas fazem parte das conversas.

Permanecer Vivo – Um Método (Direção: Erik Lieshout, Países Baixos/ Bélgica, 2016, 70 minutos)
Em 1991, inspirado pelas histórias de vida de algumas pessoas com distúrbios psiquiátricos, o escritor francês Michel Houellebecq escreveu seu provocativo ensaio “Rester Vivant” (Permanecer vivo). Vinte e cinco anos depois, o roqueiro norte-americano Iggy Pop extrai do ensaio trechos que correspondem a alguns de seus próprios desafios pessoais.

Offshore – Elmer e o Sigilo Bancário Suíço (Direção: Werner Schweizer, Suíça, 2016, 102 minutos)
Quando, há seis anos, o auditor Rudolf Elmer, do banco suíço Julius Baer, decidiu divulgar informações sobre milhares de clientes e corporações que mantinham contas nas ilhas Cayman, começa a cair o véu que encobria uma generalizada evasão fiscal. O até então todo-poderoso sigilo do sistema bancário suíço sofre um de seus maiores abalos.

Todos os Governos Mentem (Direção: Fred Peabody, Canadá, 2016, 90 minutos)
Adotando como título a máxima de I.F.Stone (1907-1989), o documentário explora a sobrevivência do legado do célebre jornalista investigativo norte-americano. Em tempos em que corporações midiáticas optam pelos altos índices de audiência em detrimento da busca da verdade, mais do que nunca é fundamental o trabalho de repórteres comprometidos com sua revelação.

Retrospectiva brasileira: Sergio Muniz

A retrospectiva nacional do ano destaca a obra do cineasta e poeta Sergio Muniz. Como documentarista, Muniz dirigiu alguns dos títulos mais marcantes da chamada “Caravana Farkas” nos anos 1970 e realizou em 1971 um pioneiro filme-denúncia contra a violência institucionalizada pela ditadura militar, filme mantido inédito até o começo dos anos 2000. Desde o começo de sua amizade com o cineasta argentino Fernando Birri, no princípio dos anos 1960, ele tem sido um dos mais ativos catalisadores de parcerias entre o cinema brasileiro e o latino-americano, tendo destacada participação no estabelecimento e consolidação Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba (EICTV).

Andiamo In‘Merica (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1978, 80 minutos)
Base da proposta de uma série, idealizada por Sergio Muniz e Thomaz Farkas, sobre as correntes migratórias para o Brasil, tendo como piloto a imigração italiana. Analisam-se aspectos culturais, políticos, sociais e culinários desta presença italiana em São Paulo que, no começo dos anos 1980, é a terceira maior cidade do mundo em número de descendentes daquele país.

O Berimbau (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1977, 9 minutos)
A partir de um depoimento do instrumentista Papete, explica-se a história do berimbau na África e a chegada do instrumento à Bahia. O curta fez parte do movimento da ABD (Associação Brasileira de Documentaristas) numa luta, desde 1975, para que um curta brasileiro acompanhasse obrigatoriamente a exibição de todo longa-metragem estrangeiro.

Beste (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1969, 20 minutos)
Em Santa Brígida, norte da Bahia, João Batista dos Santos prepara uma “beste”, como é chamada na região a besta, arma rudimentar e primitiva muito usada antes do aparecimento da pólvora e das armas de fogo, e que se acredita ter chegado ao Brasil ao tempo de sua descoberta, no século XVI. Originalmente, era parte do documentário “Rastejador, s.m.”.

A Cuíca (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1977, 9 minutos)
O instrumentista Osvaldinho da Cuíca conduz uma apresentação histórica sobre a presença da cuíca em vários países do mundo e sua popularização no Brasil. Assim como “O Berimbau”, fez parte do movimento pela obrigatoriedade da exibição de um curta brasileiro antes de todo longa-metragem estrangeiro, determinada por uma lei nunca revogada mas não cumprida até hoje.

De Raízes & Rezas, Entre Outros (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1972, 38 minutos)
Documentário montado com sobras de vários filmes que fazem parte do que foi chamado pela crítica de “A Caravana Farkas”. A narração é feita principalmente não através de um texto lido, mas com fragmentos de poemas e de letras de inúmeras canções brasileiras e latino-americanas.

Rastejador, s.m (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1969, 24 minutos)
João Batista dos Santos e Joaquim Correia Lima são velhos rastejadores profissionais, originalmente dedicados à caça de animais. Suas habilidades para guiar-se no mato e encontrar sinais de passagem foram requisitadas para rastrear pessoas, tornando-os eficientes auxiliares das “volantes”, patrulhas especializadas na perseguição a cangaceiros nos anos 1930.

Roda & Outras Estórias (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1965, 9 minutos)
Apresentando cinco canções do então desconhecido cantor Gilberto Gil, o filme, produzido a partir de contribuições de amigos, propôs-se como um protesto contra a ditadura civil-militar recém-iniciada em 1964 e como um ato de agitação cultural em tempos de autoritarismo ufanista.

Você Também Pode Dar um Presunto Legal (Direção: Sergio Muniz, Brasil, 1970/2006, 39 minutos)
Filmado clandestinamente, o documentário faz uma reflexão sobre a atuação do Esquadrão da Morte, sob o comando do delegado Sergio Paranhos Fleury, que serviu de guia para a violenta repressão política durante a ditadura militar. Inclui uma imagem nunca divulgada pela TV brasileira do delegado Fleury sendo condecorado pela marinha brasileira.

Retrospectiva internacional - 100: de volta à URSS

Avante, Soviete! (Direção: Dziga Vertov, Rússia, 1926, 53 minutos)
Encomendado pelo Soviete de Moscou para as eleições municipais, este deveria ser um filme-relatório que mostraria aos eleitores as ações da administração. Vertov, porém, recusa o simples institucional ao encadear as imagens por meio de um texto poético que reflete sobre a situação da cidade e da URSS como um todo no presente, no passado e no futuro.

Moscou (Direção: Mikhail Kaufman e Iliá Kopálin, Rússia, 1927, 58 minutos)
Primeiro trabalho de Kaufman e Kopálin dissociados de D. Vertov, esta sinfonia urbana do grupo Cine-Olho usa a estrutura de “um dia na cidade” para explorar visualmente Moscou e as transformações de suas ruas, edifícios e instituições, preocupando-se em nomear precisamente os locais mostrados, em contraste com a estratégia adotada em Avante, soviete!.

O Grande Caminho (Direção: Esfir Chub, Rússia, 1927, 74 minutos)
Neste filme realizado para a comemoração dos dez anos da Revolução, Chub narra, por meio de atualidades cinematográficas e documentos oficiais, a primeira década de existência da URSS, passando por Outubro, pela guerra civil e pela progressiva recuperação econômica do país, destacando ainda movimentos simpatizantes e opositores surgidos no exterior.

Sal para a Svanécia (Direção: Mikhail Kalatôzov, Rússia, 1930, 62 minutos)
Neste retrato etnográfico nada convencional da vida de uma isolada comunidade camponesa no Cáucaso, o cineasta georgiano Mikhail Kalatôzov incorporou materiais filmados originalmente para uma ficção que realizou no local, mas que não foi acabada. O resultado é um filme híbrido, com roteiro do escritor Serguei Tretiakóv, frequente colaborador da revista LEF.

Um Dia do Novo Mundo (Direção: Roman Karmén e Mikhail Slútski, Rússia, 1940, 23 minutos)
No dia 24 de agosto de 1940, 97 cinegrafistas espalhados por toda a URSS registraram os acontecimentos de um dia comum do país, de um café-da-manhã na casa de uma família à estreia de uma ópera de Prokófiev, passando por expedições no Ártico e pelo trabalho na rádio. Seguindo o estilo então em voga, uma vigorosa canção patriótica acompanha os eventos.

A Batalha por Nossa Ucrânia Soviética (Direção: Aleksándr Dovjenko e Iúlia Sôlntseva, Rússia, 1943, 73 minutos)
Primeiro documentário feito depois da entrada da URSS na Segunda Guerra Mundial pelo famoso cineasta ucraniano Aleksándr Dovjenko, mais conhecido por suas ficções, que participou também de campanhas militares e foi muito ativo na imprensa durante o conflito. Aqui, seu tom pessoal e poético impregna o texto e as imagens deste registro dos horrores da guerra.

Diante do Julgamento da História (Direção: Fridrikh Ermler, Rússia, 1965, 93 minutos)
Vassíli Chulguín, figura-chave do movimento Branco antibolchevique, visita Leningrado após décadas de emigração e prisão nos campos soviéticos. Em diálogo com um historiador, ele reflete sobre a monarquia, a revolução e suas próprias decisões. Ao invés de simples culpa e arrependimento, surge a complexidade de suas opiniões sobre os caminhos da Rússia.

Olhe Para o Rosto (Direção: Pável Kogan, Rússia, 1968, 11 minutos)
No museu Hermitage, diante do quadro “Madonna Litta” de Leonardo da Vinci, o cineasta aponta sua câmera não para a pintura, mas para os rostos das pessoas comuns que admiram a obra. Um gesto aparentemente simples que evidencia um dos anseios do chamado período do Degelo: que as atenções se voltassem não apenas para as massas, mas também para os indivíduos.

O Início (Direção: Artavazd Peleshian, Rússia, 1967, 10 minutos)
No aniversário de cinquenta anos da Revolução de Outubro, o cineasta armênio Artavazd Peleshian, ainda aluno do instituto de cinema VGIK, retoma, transforma e condensa procedimentos cinematográficos de Chub, Vertov e Eisenstein para realizar um ensaio visual e sonoro sobre imagens de arquivo da história da URSS e de sua influência ao redor do mundo.

Mais Luz! (Direção: Marina Babak, Rússia, 1987, 90 minutos)
Marcando os 70 anos da Revolução em meio às incertezas e euforia da glasnost e perestroika, o filme propõe uma “conversa franca e aberta sobre o passado e o presente”, refletindo sobre os erros e acertos do país desde 1917. Seguindo o espírito de abertura, são apresentados materiais contendo personalidades há muito tempo apagadas da história oficial.

O Poder de Solovkí (Direção: Marina Goldovskaya, Rússia, 1988, 93 minutos)
Criado em 1923 e funcionando até 1939, Solovkí foi um dos primeiros campos soviéticos de trabalhos forçados. Mais de sessenta anos depois de suas detenções, antigos prisioneiros políticos relembram suas experiências e o cotidiano do campo onde imperava, como diziam os guardas do local, não o poder soviético, mas o “poder soloviético”.

Elegia Soviética (Direção: Aleksándr Sokúrov, Rússia, 1989, 35 minutos)
No centro desta meditação realizada no ocaso da URSS, desfilam retratos de mais de uma centena de líderes soviéticos, tanto conhecidos – como Lênin, Trótski e Stálin – quanto hoje obscuros. Destacando-se dos demais, Borís Iéltsin, então caído em desgraça, é acompanhado por Sokúrov em três momentos distintos.

Projeção especial - homenagem a Ferreira Gullar (1930-2016)

O Canto e a Fúria
Em sua primeira autobiografia para a câmera, Gullar fala. Resume sua trajetória, estética e política, lembrando passo a passo a evolução de sua obra múltipla.

Ferreira Gullar: A Necessidade da Arte
A estética segundo Ferreira Gullar, a partir de uma entrevista e da leitura de trechos de alguns de seus principais escritos críticos.

A Arte Existe Porque a Vida Não Basta
Um resumo da vida e da obra do Gullar, tendo por linha mestra um espetáculo musical comandado por Marco Nanini e com participações de Paulinho da Viola, Adriana Calcanhoto e Laila Garin.

Apresentações especiais

É Tudo Verdade no Auditório BNDES
Nove títulos de diversas seções do festival serão exibidos às 13h, 17h, e 19h, nos dias 24, 25 e 28 de abril no auditório do BNDES, no Rio de Janeiro.

É Tudo Verdade no Itaú Cultural
O Itaú Cultural apresenta em parceria com o festival, projeções da Competição Latino-Americana, Competição Brasileira de Curtas Metragens e exibições on-line, no canal Itaú Cultural, de cinco títulos apresentados em edições anteriores do É Tudo Verdade, que serão disponibilizados a partir das datas indicadas e permanecem on-line até 30 de abril:

16/04 - A Paixão Segundo Callado (Direção: José Joffily, Brasil, 2008, 57 minutos)
O legado do jornalista e escritor Antonio Callado (1917-1997), autor de “Quarup”, “Reflexos do Baile” e “Bar Don Juan”, é lembrado em depoimentos.

17/04 - Onde a Terra Acaba (Direção: Sergio Machado, Brasil, 2001, 75 minutos)
A vida e a obra do cineasta Mário Peixoto (1908-1992), autor de “Limite“ (1931), considerado por muitos o maior filme brasileiro de todos os tempos.

18/04 - Os Irmãos Roberto (Direção: Ivana Mendes e Tiago Arakilian, Brasil, 2012, 72 minutos)
Reavaliação da contribuição dos irmãos Marcelo, Milton e Maurício Roberto, autores de marcos da arquitetura modernista brasileira.

19/04 - A Paixão de JL (Direção: Carlos Nader, Brasil, 2015, 82 minutos) - leia mais
Aos 33 anos, o artista José Leonilson começa a gravar um diário íntimo. Esses registros sofrem o impacto de sua descoberta de que é portador do HIV.

20/04 - Paulo Moura - Alma brasileira (Direção: Eduardo Escorel, Brasil, 2013, 86 minutos) - leia mais
A trajetória do clarinetista, saxofonista, compositor, arranjador e regente paulista Paulo Moura (1932-2010) é recuperada em imagens de toda a carreira.

Lançamento mundial de filme em realidade virtual

Fogo na Floresta (Direção:Tadeu Jungle, Brasil, 2017, 7 minutos)
Dirigido por Tadeu Jungle, o primeiro filme em Realidade Virtual (VR) produzido em uma aldeia indígena na Amazônia retrata o dia a dia dos índios Waurá e o seu drama para conter o fogo que ameaça as florestas e a vida no Xingu.
Quinta-feira, 27/4, 18h, no CCSP.

Mais informações no site do festival É Tudo Verdade.

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Galeria F – Documentário de Emília Silveira

Galeria F Divugacao Galeria F – Documentário de Emília Silveira

Theodomiro Romeiro dos Santos em Galeria F, documentário de Emília Silveira (Foto: Divulgação)

Um homem, um único homem, foi condenado à morte em toda a história da República no Brasil. Este homem é Theodomiro Romeiro dos Santos, personagem central de Galeria F, documentário de Emília Silveira que estreia nesta quinta (30).

Por nove anos, Theodomiro ficou na cadeia. Era o final dos anos 70 e as mudanças no regime já se desenhavam. Mas como o projeto de "anistia ampla, geral e irrestrita" não fora aprovado, ele sabia que não seria beneficiado pelas novas regras. Decide, então, fugir da Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, em um episódio que enfureceu a ditadura militar.

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Em clima de road movie, Galeria F retoma aqueles anos e, em particular, o percurso de fuga de Theodomiro, que passou por diversos esconderijos na Bahia e outros estados, se abriando em fazendas e até um convento. Guga, filho recém-nascido na época do cárcere, acompanha o pai nesse re-caminho, tomando contato com detalhes da vida do pai que desconhecia.

A diretora Emília Silveira – ela própria ex-presa política e realizadora do também do documentário Setenta, igualmente sobre a ditadura militar – acerta no tom de Galeria F ao apostar no convívio entre pai e filho e na montagem lenta do quebra-cabeça da fuga. A mistura de trechos de entrevistas com momentos de observação da viagem garante uma narrativa mais fluida. Contribui para isso, ainda, a decisão de ser modesta no uso de imagens de arquivo, que costumam abundar em filmes semelhantes.

Galeria F tem também o mérito de, na semana que marca mais um aniversário do golpe militar, trazer à tona um caso hoje pouco lembrado (embora tenha ocupado muito espaço na mídia à época). Theodomiro começou na militância política aos 14 anos. Aos 18, foi capturado por agentes militares. Reagiu à prisão e matou a tiros um militar que tentava atingir um companheiro. Recebeu, como castigo, além de inúmeras sessões de tortura, a inédita indicação à pena de morte.

A infinidade de atrocidades do regime militar tem servido de tema para dezenas de filmes – documentários ou de ficção. Mas a fragilidade de nossa democracia – e os riscos sempre palpáveis à liberdade de expressão e opinião – mostram que nunca é demais repensar esse período. Nos ajuda a entender melhor o que NÃO queremos para o Brasil.

Galeria F

Brasil, 2016. 87 minutos.

Direção: Emília Silveira. Produção executiva: Rosane Hatab. Roteiro: Margarida Autran. Direção de fotografia: Vinicius Brum. Montagem: Joana Collier. Trilha original: Fabio Mondego. Direção de arte: Rafael Denoni. Edição de som: Vinicius Leal. Mixagem: Jesse Marmo. Som direto: Aloysio Compasso. Figurino: Marcia Pitanga. Pesquisa: Margarida Autran e Marcelo Zelic. Produção: Juliana Domingos. Assistente de direção: Patrícia Silveira. Segundo Câmera: Vinicius Charret. Logger: Paula Monte. Assistentes de pós-produção: Juca Díaz, Gabriela Ruffino e Juliana Domingos. Assistente de montagem: Gabriel Billig. Finalização: Link Digital. Produção: 70 Filmes. Coprodução: GloboNews, Globo Filmes, Canal Brasil e Santo Guerreiro. Distribuição: Elo Company.

Participação em festivais: É Tudo Verdade 2016. Estreia no circuito comercial de cinemas no Brasil: 30/3/2017. Classificação indicativa: 12 anos.

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Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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O Profeta das Águas – Documentário de Leopoldo Nunes

O Profeta das Aguas divulgacao 22 O Profeta das Águas – Documentário de Leopoldo Nunes

O Profeta das Águas, documentário de Leopoldo Nunes (Foto: Divulgação)

Doze anos. Este foi o tempo necessário para que o documentário O Profeta das Águas, de Leopoldo Nunes, chegasse às salas comerciais. Não que o filme tenha ficado parado todo esse tempo. Finalizado em 2005, fez uma carreira em festivais e continua rodando em exibições especiais, muitas delas ligadas ao tema de instituições manicomiais. Mas, agora, com uma verba da SPCine para a circulação de longas metragens de pequeno orçamento, chega aos cinemas em São Paulo.

Filmado na região norte do interior paulista, O Profeta das Águas traz à tona a história de Aparecido Galdino Jacintho, um boa praça que curava os vizinhos com sua reza e benzeção. Era naturalmente uma liderança em Rubinéia. Mas, no momento em que a construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira desalojou os moradores do local e ameaçava a fauna e a flora ao redor do Rio Paraná, sua atuação começa a extrapolar o caráter religioso e ganha contornos de movimentação popular. Era o ano de 1970, dois depois do AI-5, e as coisas se complicaram para o lado de "Aparecidão".

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Para se contrapor à crueza das mudanças impostas por Ilha Solteira e defender os agricultores ameaçados, Aparecido então organiza seu Exército da Força Divina. Mas a mistura de messianismo e mobilização social acaba gerando problemas com os militares. Ele e seus poucos seguidores vão presos, após um confronto com a polícia. A maioria é libertada, alguns depois de tortura, mas Aparecido teria pior sorte.

Considerado subversivo (embora sem filiação política ou ligação a grupos de esquerda), cai nas mãos do delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais temidos da época da ditadura. Passa nove anos encarcerado, inicialmente no Dops e no DOI-CODI, em São Paulo, e, depois, no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha, por sete anos. Graças à pressão da imprensa e à ajuda de nomes de peso, como dom Paulo Evaristo Arns, ele acabou sendo solto por não apresentar sinais de problemas mentais que justificassem seu encarceramento.

Por um longo período – de 1986 até 2005 – o diretor Leopoldo Nunes acompanhou a vida de seu personagem, de volta a Rubinéia depois do cárcere. Hoje, aos 91 anos, continua por lá. Foi-se o tempo da agitação. Ficaram os problemas causados pela represa. E Aparecidão continua benzendo e levando uma vida simples como antes.

O Profeta das Águas

Brasil, 2005. 83 minutos.

Direção e roteiro: Leopoldo Nunes. Produção executiva: Leopoldo Nunes e Reinaldo Volpato. Diretor de produção: Jerson Badaró. Diretor de fotografia: Cleumo Segond. Som direto: Marcio Jacovani. Assistente de som: Moreno Nunes. Produtor de finalização: Adler Paz. Finalização: Dirceu Lustosa. Montagem: Reinaldo Volpato.

Participação em festivais: Festival de Brasília, 11º É Tudo Verdade, 8º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Melhor Longa Metragem). Estreia no circuito comercial de cinemas prevista para 20/4/2017. Classificação indicativa: a confirmar.

Avaliação do BlogDoc: lente 15 O Profeta das Águas – Documentário de Leopoldo Nunes lente 15 O Profeta das Águas – Documentário de Leopoldo Nunes lente 15 O Profeta das Águas – Documentário de Leopoldo Nunes lente 15 O Profeta das Águas – Documentário de Leopoldo Nunes

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Texto atualizado em 18/4/2017 com nova data prevista de estreia


Marcelo Bauer, jornalista com pós-graduação em cinema documentário, é editor do BlogDoc e diretor da Cross Content.

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