Documentário Cuba Libre discute homossexualidade e liberdade na ilha de Fidel

Cuba Libre Divulgacao Documentário Cuba Libre discute homossexualidade e liberdade na ilha de Fidel

Phedra de Córdoba em Cuba Libre, documentário de Evaldo Mocarzel (Foto: Divulgação)

“Revolução é igualdade e liberdade plenas”, diz um daqueles cartazes típicos do realismo socialismo moreno em Havana, Cuba. Mas, obviamente, na ilha dos Castro, alguns são mais iguais do que outros. Durante décadas, os homossexuais foram discriminados e isolados em campos de concentração rurais, onde eram submetidos a trabalhos forçados na cultura da cana-de-açúcar. Agora, as coisas começam a mudar – mas, num país em que tudo parece precário, as transformações também vêm devagar. Este é o pano de fundo de Cuba Libre, documentário de Evaldo Mocarzel que estreia agora nos cinemas.

O ponto de partida do filme é a volta a Havana da atriz transexual cubana Phedra de Córdoba, depois de 53 anos fora do país. No Brasil, morou primeiramente no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, onde atua como “musa” do grupo teatral Satyros. Uma apresentação da trupe a leva a sua cidade natal, onde reencontra amigos e revive seu passado. E, neste caso, não se trata apenas de revisitar ruas da infância ou velhos conhecidos – mas também de realizar uma reflexão sobre a identidade feminina assumida aos 21 anos, deixando para trás o Rodolfo da certidão de nascimento.

A volta de Phedra ao país é um indício dos novos ares na ilha. Um decreto criado pela filha de Raúl Castro, Mariela, diretora do Centro Nacional Cubano de Educação Sexual e ativista pelos direitos da comunidade LGBT, trouxe mais voz para essa comunidade. Mas ainda falta muito: boates e bares gays continuam a agir na clandestinidade.

Exibido em diversos festivais ao longo de 2011 – como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Festival do Rio e o Mix Brasil 2011 – do qual saiu com o prêmio de Melhor Documentário pelo Júri Popular, só agora Cuba Libre chega aos cinemas. O que, de certa forma, traduz a dificuldade para se emplacar um documentário independente no circuito comercial brasileiro.

Cuba Libre 
Direção: Evaldo Mocarzel. Brasil, 2011. 73 minutos. Estreia no circuito comercial de cinemas: 18/9/2014. Classificação indicativa: 10 anos. Veja o trailer

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Mostra Arq. Futuro leva a questão da água para o cinema

Marca DAgua Divulgacao Kumbh Mela shore 1024x760 Mostra Arq. Futuro leva a questão da água para o cinema

Cena do documentário Marca d'Água (Watermark), de Jennifer Baichwal e Edward Burtynsky, em exibição na mostra Arq. Futuro, em São Paulo (Foto: Divulgação)

A mostra Arq. Futuro, que começa nesta quinta-feira (18) e vai até o dia 24 em São Paulo, traz a tão atual questão das águas para debate nos cinemas.

A programação tem entrada franca e acontece no Espaço Itaú de Cinema – Augusta. Há dois documentários na mostra: o canadense Marca d’Água (Watermark), de Jennifer Baichwal e Edward Burtynsky, e Ouvir o Rio, de Marcela Lordy, sobre obra do artista brasileiro Cildo Meireles.

Além da exibição dos filmes, haverá também sessões de debate.

No sábado (20), às 19h30, Thiago Nogueira, editor da revista ZUM e responsável pelo setor de fotos do Instituto Moreira Salles (IMS), comenta Marca d’Água.

No domingo, no mesmo horário, Ouvir o Rio tem sessão com apresentação de Guilherme Wisnik, arquiteto e mestre em História pela Universidade de São Paulo.

Veja os documentários em cartaz na mostra Arq. Futuro:

Ouvir o Rio
Brasil, 2011. 70 minutos. Classificação indicativa: 14 anos.
Direção: Marcela Lordy.
O documentário registra o trabalho do artista na busca do som das principais bacias hidrográficas brasileiras — Foz do Iguaçu, Pororoca do Macapá, Parque das Águas Emendadas e foz do Rio São Francisco. O filme revela a ligação dos habitantes dessas regiões com a água e potencializa nossa percepção da relação entre o som e a imagem. Leia mais sobre o documentário.

Marca d´Água (Watermark)
Canadá, 2013. 90 minutos. Classificação indicativa: 14 anos.
Direção: Jennifer Baichwal & Edward Burtynsky.
Marca d’Água reúne diversas histórias em diferentes partes do mundo sobre a relação do ser humano com a água: como somos atraídos a ela, o que podemos aprender com ela, como a utilizamos e as consequências desse uso. Inédito comercialmente no Brasil, foi exibido em março na Mostra Ecofalante. Filmado com câmeras 5K, traz imagens aéreas únicas. Veja o trailer.

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Edital Histórias que Ficam oferece consultoria e financiamento para quatro documentários

Os Dias com Ele Edital Histórias que Ficam oferece consultoria e financiamento para quatro documentários

Cena de Os Dias com Ele, documentário de Maria Clara Escobar, um dos contemplados pela primeira edição do edital Histórias que Ficam (Foto: Divulgação)

O edital Histórias que Ficam, programa que contempla consultoria, financiamento e distribuição de documentários selecionados, apresenta sua segunda edição. Os detalhes serão apresentados em uma sessão de lançamento na Sala Cinemateca, em São Paulo, nesta terça-feira (16) às 19h30. O evento contará também com a exibição de Homem Comum, de Carlos Nader, vencedor do É Tudo Verdade deste ano.

O Histórias que Ficam vai financiar a produção de quatro filmes de até 70 minutos, com temática livre. Cada projeto recebe até R$ 330 mil. O programa conta com laboratórios presenciais e consultorias de especialistas, desde o desenvolvimento até a exibição dos filmes.

Em sua primeira edição (2011-2013), o Histórias que Ficam contou com 350 inscrições. Quatro projetos foram contemplados. Os documentários também foram exibidos por meio da mostra itinerante em 24 cidades de até 100 mil habitantes sem salas de cinema.

Os filmes vencedores da primeira edição do edital Histórias que Ficam foram Os Dias com Ele, de Maria Clara Escobar; O Prólogo, de Gabriel F. Marinho; Balões, Lembranças e Pedaços de Nossas Vidas, de Frederico Pinto; e O Mestre e o Divino, de Tiago Campos.

A sessão na Cinemateca é gratuita e aberta ao público. Após o filme, haverá debate com Amir Labaki, diretor do Festival É Tudo Verdade, Carlos Nader e Daniela Capelato, produtora, diretora, roteirista e consultora.

Como funciona

Podem se inscrever no História que Ficam realizadores com até dois longas-metragens no currículo. Serão escolhidos um projeto das regiões Norte ou Centro-Oeste, outro da região Nordeste e mais dois de qualquer outra região do país.

Os documentaristas vencedores participarão de três laboratórios: roteiro e produção; montagem; e distribuição. Terão como mentores profissionais de destaque em cada área, como Miguel Machalski, Marcelo Gomes, Daniela Capelato, Carlos Nader e Karen Harley.

Os realizadores ainda terão a consultoria on-line permanente do diretor e roteirista Marcelo Gomes (O Homem das Multidões, Era Uma Vez Eu, Verônica, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e Cinema Aspirinas e Urubus) e Daniela Capelato (produtora de Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e Do Outro Lado do Rio, entre outros).

Finalizados, os filmes participarão da Mostra Itinerante Histórias que Ficam e serão exibidos gratuitamente em mais de 20 cidades de todas as regiões do Brasil, em 2016.

As inscrições para o Histórias que Ficam estarão abertas até 14 de novembro.

O programa é patrocinado pela Fundação CSN.

Mais informações no site do Histórias que Ficam.

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Festival mexicano DocsDF seleciona dois documentários brasileiros

Uma Passagem para Mario Reproducao Facebook 1024x576 Festival mexicano DocsDF seleciona dois documentários brasileiros

Cena de Uma Passagem para Mário, documentário brasileiro que será exibido no festival mexicano DocsDF (Foto: Reprodução/Facebook)

O DocsDF - Festival do Cinema Documentário da Cidade do México divulgou a programação completa de sua nona edição, que acontece de 29 de outubro a 9 de novembro.

Dois brasileiros estão entre os selecionados para a mostra de longas-metragens latino-americanos.

Veja os filmes escolhidos (clique nos títulos para visualizar os trailers):

Uma Passagem para Mário
Direção: Eric Laurence. Brasil, 2013, 77 minutos.

Democracia em Preto e Branco
Direção: Pedro Asbeg. Brasil, 2014. 90 minutos. www.tvzero.com/democracia

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Documentário põe na balança a vida do rabino Henry Sobel

Henry Sobel 1 1024x576 Documentário põe na balança a vida do rabino Henry Sobel

Henry Sobel em depoimento ao documentário: passado que não pode ser destruído pelo episódio das gravatas (Foto: Divulgação)

Ele foi, sem dúvida, o mais pop de todos os rabinos radicados no Brasil. Comunicativo (apesar do sotaque), muito colado com os jovens da sua congregação, extrapolava os muros da comunidade judaica paulistana. Foi um dos mais destacados promotores da convivência inter-religiosa. Porque, afinal, “Deus criou o mundo em technicolor”, como ele diz.

Num dos episódios mais sombrios da ditadura militar, o assassinato de Vladimir Herzog, colocou-se contra a farsa oficial e se negou a enterrar o jornalista no local reservado para os suicidas nos cemitérios judaicos. Foi um tapa na cara do regime, um episódio que muitos consideram o início do fim do regime de opressão. Uma semana depois, novo desafio, com o ato ecumênico em memória de Herzog, realizado na Catedral da Sé e capitaneado por ele ao lado de d. Paulo Evaristo Arns e do pastor James Wright.

A história do homem Henry Sobel poderia ser resumidamente essa não fosse um despropositado roubo de gravatas em Palm Beach, na Flórida, em 2007. Preso e logo em seguida solto sob fiança, Sobel nunca mais retomaria a rotina à frente da sua Congregação Israelita Paulista (CIP). Ainda que tenha contado com o carinho e a compreensão de muitos, o ostracismo foi inevitável. Aos poucos, foi-se recompondo, mas sem nunca conseguir apagar totalmente essa passagem.

O documentário A História do Homem Henry Sobel, longa de estreia de André Bushatsky, faz um balanço de tudo isso e, indiretamente, coloca a questão: é justo que um personagem com tamanha contribuição à sociedade nas diversas áreas em que atuou fique marcado por apenas um ato?

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saibamais 2 Documentário põe na balança a vida do rabino Henry Sobel

Com imagens de arquivo e depoimentos de parentes e amigos, o documentário reconstitui a história do personagem desde sua chegada ao Brasil, vindo dos Estados Unidos, em 1970, aos 26 anos. Além de sua atuação mais “liberal” na condução da vida religiosa, Sobel sempre se aproximou de líderes de outras religiões e acabou se tornando uma espécie de porta-voz informal do judaísmo no Brasil. Sua luta pelos direitos humanos, que ganhou visibilidade máxima no episódio Herzog, também pode ser vista na participação no movimento Tortura Nunca Mais (de novo ao lado de Arns e Wright). Liberalismo e visibilidade geravam certos ciúmes em parte da comunidade judaica. O episódio da gravata acabou por isolá-lo, e deu artilharia para que a sucessão fosse feita na CIP.

A História do Homem Henry Sobel chega ao cinema em um momento em que a TV Cultura, de São Paulo, exibe em sua programação uma obra bem semelhante: o telefilme Henry Sobel, Luz e Sombra de um Rabino. Muitos dos entrevistados são os mesmos. E, de modo geral, as estruturas narrativas são as mesmas, ambas fortemente baseadas em depoimentos, o que por vezes pode cansar um pouco. Mas isso não chega a ofuscar nem um, nem outro.

“A gente tem uma mensagem somente se a gente for uma mensagem”, diz ele no filme. Exceto por aqueles fatídicos instantes em Palm Beach, o legado de humanismo e religiosidade de Sobel faz valer a sua máxima, que parece adaptada do aforismo de Marshall McLuhan. Sobel foi meio e foi mensagem. E a sociedade lhe deve bem mais do que três gravatas.

A História do Homem Henry Sobel
Direção: André Bushatsky. Brasil, 2014. 90 minutos. Estreia no circuito comercial de cinemas: 11/9/2014. Classificação indicativa: livre. Veja o trailer.

(Por Marcelo Bauer)

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Mostra A Luz (Imagem) homenageia o diretor de fotografia Walter Carvalho

Walter Carvalho Divulgacao 1024x685 Mostra A Luz (Imagem) homenageia o diretor de fotografia Walter Carvalho

Walter Carvalho em seu habitat natural: atrás das câmeras (Foto: Divulgação)

De 2 a 15 de outubro acontece em São Paulo a mostra A Luz (Imagem) de Walter Carvalho. Serão exibidas 32 produções, entre longas-metragens, curtas e programas de TV em homenagem ao maior diretor de fotografia em atividade no cinema brasileiro. Carvalho comemora 35 anos de carreira em 2014.

Há diversos documentários na programação, a começar pelo curta MAM SOS, dirigido por Carvalho em 1978, filme de abertura da mostra.

No dia 3 de outubro (sexta-feira), às 19h, a programação inclui um debate com Walter Carvalho e dois convidados: o cineasta Beto Brant e Beto Brant e a jornalista Maria do Rosário Caetano.

A mostra acontece no Caixa Belas Artes, com entradas a R$ 10. A entrada do debate será franca, com distribuição limitada de senhas a partir das 13h30 do mesmo dia.

Veja os documentários da programação.

2/10 – quinta-feira
18h30 – MAM SOS – sessão para convidados – 11 minutos – livre

3/10 – sexta-feira
16h – MAM SOS (11 minutos) e Moacir Arte Bruta (71 minutos) – livre

4/10 – sábado
16h – Janela da Alma – 73 minutos – livre

6/10 – segunda-feira
18h30 – O Homem de Areia – 116 minutos – livre

 Mostra A Luz (Imagem) homenageia o diretor de fotografia Walter Carvalho

Com João Moreira Salles, fotografando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva e seu assessor Gilberto Carvalho para o documentário Entreatos (Foto: Divulgação)

8/10 – quarta-feira
16h - Notícias de uma Guerra Particular – 57 minutos – 18 anos (em sessão dividida com a série de TV América – 50 minutos)

11/10 – sábado
16h – O Homem que Engarrafava Nuvens (100 minutos) – livre

12/10 – domingo
16h – Entreatos – 117 minutos – livre
18h30 – Santiago – 80 minutos – livre

15/10 – quarta-feira
18h30 – Raul – O Início, o Fim e o Meio – 130 minutos – 14 anos

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São Paulo sedia em novembro o Telas – Festival Internacional de TV

Festival Internacional de Televisao de Sao Paulo São Paulo sedia em novembro o Telas   Festival Internacional de TVAcontece de 7 a 14 de novembro a primeira edição do Telas - Festival Internacional de TV de São Paulo. O objetivo é dar visibilidade à produção para a televisão nacional e internacional. O evento será aberto ao público em geral e será realizado em cinco diferentes endereços: Paço das Artes (Cidade Universitária), Museu da Imagem e do Som, Centro Cultural São Paulo, CineSesc e Cinemateca Brasileira.

O Telas exibirá documentários, programas infantis, séries e programas “de linha” de TV. Será organizado em uma mostra principal, competitiva e com distribuição de prêmios, e mostras paralelas: Brasil, ComKids, Fipa, internacional e temáticas.

Inscrições

Os produtores têm até 12 de setembro para inscrever seus trabalhos. Especificamente na área de documentários, há quatro categorias disponíveis:

Série de não ficção nos gêneros natureza/ciências, história, biografias.
 Série de não ficção nos gêneros realidade/atualidades.
 Série de não ficção no gênero lifestyle (viagens, gastronomia, moda, música, decoração, humor etc.).
 Séries e programas infanto-juvenis (animação ou live action, ficção ou não ficção).
 Documentário feature (episódio único).

O festival conta com parceria internacional dos eventos Fipa (França), Sunny Side of the Doc (França) e Hot Doc (Canadá), entre outros.

Mais informações no site do Telas - Festival Internacional de TV de São Paulo.

saibamais 600 pixels São Paulo sedia em novembro o Telas   Festival Internacional de TV

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Mostra exibe documentários paraguaios em São Paulo e no Rio

Cuchillo de Palo reproducao trailer 1024x576 Mostra exibe documentários paraguaios em São Paulo e no Rio

Cena de Espeto de Pau, um dos documentários em cartaz na Mostra de Cinema Paraguaio (Foto: Reprodução/trailer)

Made in Paraguai – Mostra de Cinema Paraguaio é uma chance inédita para conhecer um pouco da produção cinematográfica recente do país vizinho. A partir da próxima semana, São Paulo e Rio de Janeiro recebem 21 filmes de diversos gêneros, entre eles três documentários de longa-metragem e dois curtas.

Em São Paulo, a mostra acontece de 11 a 17 de setembro, no Cine Caixa Belas Artes. No Rio, as exibições ocorrem na Caixa Cultural Rio de Janeiro, de 16 a 21 de setembro.

Como parte da programação, haverá debates com diretores e críticos especializados. Em São Paulo, um dos destaques é a presença do diretor Maurício Rial, um dos principais documentaristas paraguaios, em sessão comentada de Tren Paraguayo, vencedor de prêmios de melhor filme em festivais na Inglaterra, México e Argentina.

Veja os documentários que estarão em cartaz.

DOCUMENTÁRIOS LONGA-METRAGEM

Espeto de Pau (108 Cuchillo de Palo)
Paraguai, 2010. 95 minutos.
Direção: Renate Costa
Aborda a perseguição sofrida pelos homossexuais durante a ditadura de Stroessner. Rodolfo Costa (tio da diretora) não queria ser ferreiro como o avô. Preferia ser bailarino. Incluído nas listas de homossexuais criadas pelo regime, ele foi preso e torturado. A história de Rodolfo revela uma parte do passado oculto e silenciado do Paraguai. No filme, o enfrentamento cara a cara, de duas gerações da família, permite que cada um entenda seu lugar no mundo.
Espeto de Pau recebeu 13 prêmios, entre eles o de Direitos Humanos no Festival Internacional de Cine Independiente de Buenos Aires. Em São Paulo, foi exibido no começo do ano na mostra Silêncios Históricos e Pessoais. Veja o trailer.

Trem Paraguai (Tren Paraguay)
Paraguai e Argentina, 2011. 64 minutos.
Direção: Mauricio Rial Banti
Uma viagem pelas lembranças de uma decadente estação central ferroviária, que um dia já foi motivo de orgulho. Pequenas histórias contadas por ex-ferroviários, vendedoras, crianças, vizinhos e passageiros propõem um relato múltiplo que associa o trem a um personagem humano, que toma água, grita e envelhece. Veja o trailer.

Circo Pe
Direção: Miguel Agüero
Paraguai, 2009. 54 minutos.
Sinopse: O documentário acompanha a chegada do circo à cidade de Piribebuy: os trabalhos de montagem da lona, a propaganda no povoado, os ensaios, o espetáculo, uma tempestade. Narra a história do circo que se criou de uma velha lona, mobilizado pela paixão do palhaço Boyito e de sua família, que vêm viajando por povoados, sendo assistidos por crianças e adultos. Entre depoimentos e apresentações circenses, o filme mostra um retrato das práticas e sonhos que envolvem essa frágil atividade em redefinição nestes tempos.

DOCUMENTÁRIOS CURTA-METRAGEM

Vida Reciclada
Paraguai, 2013. 12 minutos.
Direção: Daniela Candia
Um casal de catadores inicia seu percurso. A desesperança parece ser parte do carro que empurram. O trajeto morro acima das ruas do bairro Sajonia, em Assunção, é pesado. Mas não é somente o cansaço que deixa seus passos mais lentos. A extrema pobreza não é a única carga que levam nas costas.

O Mano, Ha Ro Mano Ha Vei
Paraguai, 2014. 5 minutos.
Direção: Carlos Caceres Ferreira
O documentário investiga o processo que culminou com a poluição do Lago Ypacarai, importante cartão-postal de Assunção.

Mais informações no site da mostra Made in Paraguai.

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Secretaria de Cultura de SP abre inscrições para o Proac de longas-metragens, séries de TV e fomento ao audiovisual

A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo está com três editais abertos no Proac (Programa de Ação Cultural) para a inscrição de projetos audiovisuais. Nos três é possível a participação de documentários. Veja os detalhes.

Edital Proac nº 24/2014 - Desenvolvimento de série de TV
Concurso para a seleção de projetos de desenvolvimento de série de TV para apoio cultural. Serão escolhidos 12 projetos que contemplem o desenvolvimento de série TV inédito, com formatos ficção, documentário, animação ou misto. Seis projetos serão contemplados com um prêmio de R$ 100.000 cada, enquanto outros seis receberão R$ 80.000,00 cada.
Prazo de inscrição: 6/10/2014

Edital Proac nº 23/2014 - Desenvolvimento de projetos de longa-metragem
Concurso para a seleção de projetos de longa-metragem. Serão escolhidos 10 projetos que contemplem o desenvolvimento de obra para cinema com formatos de ficção, documentário, animação ou misto. O prêmio é de R$ 60.000 para cada um.
Prazo de inscrição: 6/10/2014

Edital Proac nº 22/2014 - Ações de fomento ao audiovisual
Concurso de apoio ao desenvolvimento de ações de fomento ao audiovisual. Serão escolhidos 10 projetos, com prêmio de R$ 60.000 cada. Entre as ações de fomento que poderão ser apoiadas estão aprimoramento, capacitação e formação de profissionais; desenvolvimento de laboratórios de criação; organização de fóruns ou seminários; criação de produtos e projetos transmídia; programação de cineclubes; eventos de fomento e difusão de obras de audiovisual; entre outras.
Prazo de inscrição: 6/10/2014

Mais informações no site da secretaria.

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Um olhar para a frente

Sobrevivi ao Holocausto Divulgacao 1024x576 Um olhar para a frente

Julio Gartner revisita sua história nos campos de concentração no documentário Sobrevivi ao Holocausto (Foto: Divulgação)

Passados quase 70 anos do fim da Segunda Grande Guerra, as feridas do Holocausto continuam abertas – e é bom que assim seja. Afinal, rever e debater a história é uma forma de a humanidade evitar que as atrocidades se repitam. O documentário Sobrevivi ao Holocausto, que estreia nesta quinta (21) nos cinemas, traz de novo a questão do extermínio dos judeus às telas, mas de uma forma inédita.

No centro da narrativa está o polonês-brasileiro Julio Gartner, 89 anos, o sobrevivente do título. A seu lado aparece a jovem Marina Kagan, 22 anos, brasileira de origem judaica, escolhida pela produção como companheira dele na viagem empreendida ao longo do filme. Juntos, eles vão visitar todos os endereços que marcaram a vida de Julio na Europa – do seu nascimento, em Cracóvia, passando por campos de concentração na Polônia e na Áustria, até Marselha, na França, de onde zarparia com o navio SS Campana rumo ao Brasil, após o fim da guerra.

O drama vivido por Julio de certa forma sintetiza o que passaram praticamente todas as famílias de origem judaica na Europa do final dos anos 30 e primeira metade dos 40. Até os 15 anos, ele vivia com os pais na segunda cidade mais populosa da Polônia. Com a invasão alemã, os judeus foram desalojados e levados para o gueto de Cracóvia. Depois, vieram os campos de concentração: Plaszow e Auschwitz-Birkenau, na Polônia, Mauthausen e Melk, na Áutria. Quase todos os seus parentes, incluindo os pais, caíram ao longo dessa trágica história.

Com o fim da guerra, Julio segue então para Roma, onde se hospeda provisoriamente nos estúdios da Cinecittá, convertidos em abrigo para os recém-liberados. Depois passa pela cidade de Santa Maria al Bagno, no Mediterrâneo italiano, e por Paris. Aos 22 anos, ele finalmente toma o rumo do Brasil a partir do porto francês de Marselha – não sem antes visitar uma prostituta em Veneza, para uma iniciação sexual tardia, já que havia passado toda sua adolescência confinado nos campos nazistas.

Ao revisitar o passado, a emoção de Julio é sempre contida – pelo menos externamente. É preciso olhar sempre para frente, repete ele várias vezes como um mantra de vida plenamente justificável.

saiba mais Um olhar para a frente

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saibamais 2 Um olhar para a frente

Em alguns momentos, no entanto, ele deixa a emoção transparecer. É o caso do momento em que reencontra um agricultor que, nos primeiros anos de guerra, deu refúgio a ele em sua propriedade. Também é marcante quando, no museu de Santa Maria al Bagno, vê em exposição fotos da cunhada e do irmão, também sobrevivente dos campos nazistas.

Marina, no entanto, deixa visível toda sua emoção – e indignação. Chora diversas vezes e fica irritada ao ver que hoje há condomínios construídos em locais que abrigaram campos de concentração na Áustria. Afinal, como olhar para frente sem preservar o passado?

Evidentemente, há uma grande cinematografia a respeito do holocausto e das atrocidades nazistas. A Lista de Schindler (1993), de Steven Spielberg, é a referência mais evidente entre os filmes de ficção. Na não-ficção, o mais festejado é Shoah (1985), de Claude Lanzmann, segundo lugar na lista dos melhores documentários de todos os tempos da revista Sight & Sound. Suas mais de nove horas de duração, no entanto, acabam por restringir a circulação da obra.

Também há exemplos interessantes no Brasil. O próprio Marcio Pitliuk, idealizador de Sobrevivi, participou de outro projeto sobre o tema, A Marcha da Vida (2011), dirigido por Jessica Sanders. O Festival de Cinema Judaico de São Paulo, no qual ocorreu a pré-estreia de Sobrevivi, também tem ajudado na circulação de tema entre as plateias brasileiras. É da edição do ano passado do festival, por exemplo, o relato sensível e intimista de O Relógio de Meu Avô.

Com um périplo de 15 cidades e orçamento de R$ 1,5 milhão, Sobrevivi ao Holocausto pode ser considerado uma superprodução para os padrões do documentário brasileiro. Também é, segundo a produção, o primeiro filme a levar um ex-prisioneiro judeu a percorrer os campos nazistas onde ficou preso.

Motivos de sobra para ver o filme. Mas vale o aviso. Se você está mais para Marina do que para Julio, é bom preparar o lenço.

Sobrevivi ao Holocausto
Direção: Marcio Pitliuk e Caio Cobra. Brasil, 2014. 90 minutos. Estreia no circuito comercial de cinemas: 21/8/2014. Classificação indicativa: livre. Veja o trailer.

(Por Marcelo Bauer)

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