Publicado em 08/02/2013 às 18h23
Contemplando Tom – 2

Cena de A Luz do Tom, documentário de Nelson Pereira dos Santos com codireção de Marcos Altberg (Foto: Divulgação)
A Música Segundo Tom Jobim foi um dos grandes documentários de 2012 – tanto em termos de crítica e festivais, quanto de público. É possível outro documentário sobre o mesmo personagem, e do mesmo realizador, repetir o êxito menos de um ano depois? A Luz do Tom, em cartaz nos cinemas a partir desta sexta (8), está aí para responder a pergunta.
Os dois filmes são dirigidos pelo veterano Nelson Pereira dos Santos, embora com parceiros diferentes – a codireção é de Marcos Altberg, neste, e de Dora Jobim, no primeiro. Em comum, têm o caráter contemplativo. Enquanto A Música dedicava-se exclusivamente à exibição das canções de Tom por diferentes intérpretes – sem nenhuma entrevista, sem legendas explicativas, sem mais nada –, neste contempla-se a figura humana do cantor e compositor.
A estrutura é simples e mais tradicional. São três blocos sequenciados e independentes de depoimentos, cada um deles dedicados às lembranças e histórias de três mulheres que tiveram papéis importantes na vida do músico: sua irmã Helena, sua primeira mulher, Thereza, e sua segunda mulher, Ana.
Lembranças e histórias saborosas da vida de Tom marcam o clima dos depoimentos. O caráter contemplativo das falas é complementado por uma estética igualmente contemplativa. As conversas foram ambientadas em grandes espaços naturais – as praias de Florianópolis, uma bela fazenda no interior carioca e o Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. E imagens aéreas, simbolizando o apreço de Tom pelos pássaros, funcionam como elementos de ligação entre os três blocos.
O apreço visual, a franqueza e a serenidade dos depoimentos resultam em um conjunto harmônico e agradável, ainda mais com a trilha embalada pelas principais composições de Tom. É um documentário que flui fácil e deixa a gente com uma sensação agradável no final – e nisso ele é parecido com seu antecessor. Cá e lá, há algumas soluções de gosto duvidoso. Como o momento em que um grupo de jovens faz perguntas a Helena. As questões foram claramente combinadas antes e tudo acabou soando como um jogral mal ensaiado.
Independentemente disso, A Luz de Tom é uma boa oportunidade para quem quer absorver um pouco mais de informações sobre esse grande músico. “O Tom era muito contemplativo”, resume a irmã em um trecho do filme. “Eu só queria ver as coisas lindas que ele via.”
A Luz do Tom
Direção: Nelson Pereira dos Santos. Codireção: Marcos Altberg. Brasil, 2012. 85 minutos. Estreia nos cinemas: 8/2/2013. Classificação indicativa: livre. Veja o trailer.
(Por Marcelo Bauer)
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