Visão de cinema

Mundo Invisivel Visão de cinema

Cena de Céu Inferior, de Theo Angelopoulos, um dos 11 episódios do filme Mundo Invisível (Foto: Divulgação)

Se o cinema é a arte e a visão de mundo do diretor, qual a chance de um filme dar certo com 14 deles envolvidos em um só projeto? É o caso de sair de casa para conferir Mundo Invisível, obra coletiva coordenada por Leon Cakoff e Renata de Almeida, criadores da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e dirigida por 12 grandes cineastas de diversos países: Manoel de Oliveira, Atom Egoyan, Wim Wenders e Theo Angelopoulos, Maria de Medeiros, Marco Bechis, Gian Vittorio Baldi, Guy Maddin, Jerzy Stuhr, Laís Bodanzky, Beto Brant e Cisco Vasques.

O longa tem como tema central a invisibilidade. Mas, felizmente, param aí as “obstruções” impostas aos diretores. Com episódios documentais e de ficção – e também com uma mistura de ambos –, Mundo Invisível traz uma grande variedade de pensamentos e de tipos de cinema.

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Com a grande maioria de episódios gravados em São Paulo por cineastas estrangeiros, há um certo “olhar de turista” em alguns deles. Céu Inferior, de Theo Angelopoulos, explora a “invisibilidade” de um pregador evangélico, que berra seus salmos em plena Estação da Sé sem despertar reação dos transeuntes. Já Gato Colorido, de Guy Maddin, dirige seu olhar para o Cemitério da Consolação – arquitetura, visitantes e um discreto felino, morador do lugar. O contraste de índios Guarani-Kaiowá visitando a mata nativa do Parque Trianon, em plena Avenida Paulista, é o tema de Tekoha, de Marco Bechis.

Mas há também olhares bem diferentes. Em Ver Ou Não Ver, Wim Wenders explora o trabalho desenvolvido por Silvia Veitsman, do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo, com crianças de baixa visão. Graças a esse esforço, crianças que antes seriam colocadas em uma escola para cegos conseguem aprender a usar sua visão residual, com o auxílio de uma telelupa, de forma que consigam frequentar escolas regulares.

O filme acabou se tornando uma grande homenagem a Cakoff, morto em outubro de 2011. Ele está presente em tudo. Na frente das telas, protagoniza dois dos episódios: Do Visível ao Invisível, de Manoel de Oliveira, no qual contracena com o ator Ricardo Trêpa; e Yerevan – O Visível, de Atom Egoyan, no qual atua e responde pelo argumento.

Atrás das câmeras, Leon também coordenou todo o projeto – seu último – ao lado da mulher, Renata. Mas, acima de tudo, fica clara sua visão do cinema na escolha dos parceiros – praticamente todos eles figuras constantes na Mostra.

Mundo Invisível
Direção geral: Leon Cakoff e Renata de Almeida. Diretores dos episódios: Manoel de Oliveira, Jerzy Stuhr, Guy Maddin, Gian Vittorio Baldi, Marco Bechis, Wim Wenders, Maria de Medeiros, Theo Angelopoulos, Atom Egoyan, Laís Bodanzky, Beto Brant e Cisco Vasques. Brasil, 2012. 93minutos. Exibido na 36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Estreia em circuito comercial de cinemas: 7/6/2013. Veja o trailer.

(Por Marcelo Bauer)

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