Um carro, duas crianças e a morte de toda a humanidade

A cena na TV mostra um carro de portas abertas e dois corpos inertes nos bancos da frente e de trás. O apresentador, confuso, se pergunta se ambos estão mortos. Estão. Embora não seja isso que a legenda com a notícia mostre, porque o adulto ao volante se levanta e abandona o veículo cambaleando, pai e filha morreram, sim, juntos, naquele exato momento.

Não é o primeiro nem será o último caso de criança esquecida dentro de automóvel no mundo. É uma tragédia tão mais comum do que deveria que, ontem, enquanto o canal noticiava o caso de São Bernardo, sites na internet contavam também a história de uma mãe horrorizada na mesma situação em outro canto do país.

E mesmo o fato de ser uma fatalidade relativamente frequente não faz destes pais e mães criaturas irresponsáveis. Pelo contrário: é por sua responsabilidade que estão onde estão. É por ceifar seu bem maior com as próprias mãos mas de olhos vendados que, agora, assistem ao mundo ruir sem qualquer chance de volta.

Estes pais são, junto com seus filhos, vítimas de um murro atroz do destino que os condena, também, à morte – mas uma morte em vida, imutável e infinita.

Viverão pela metade, corroídos pela culpa e pela ausência. Já não é cruz suficiente?

Ao que parece, não. Porque, assim como acontece com qualquer assunto controverso em tempos de juízes convenientemente escondidos atrás das telas de seus computadores, este pai, esta mãe e todos os outros que no passado cometeram o mesmo erro agora são achacados e condenados internet afora, como se carregassem qualquer tipo de intenção de culpa além daquela que já os penalizou para o resto dos dias.

Tais comentários perversos espalhados por redes sociais e sites de notícias não têm serventia alguma exceto funcionar como vitrine da total falta de compaixão da humanidade. Causa nojo testemunhar tanta gente acima do bem, do mal e imune às tragédias do mundo.

Que encontremos a paz, nós que ficamos. E que sejamos capazes de nos perceber como irmãos também na hora do consolo, porque de união pelo ódio já estamos saturados.

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Mulher procura sinal onde não tem

Se ele estava de meias soquete, se tirou uma carninha do dente no meio da conversa, se a mensagem no celular chegou às 23h ou à meia noite, se pediu caipirinha com vodka e não cachaça – tudo pode significar alguma coisa. Mas é só isso mesmo: poder. Porque significar mesmo, não significa nada.

Mulher procura sinal em tudo. A gente vê coisa onde não tem.

Diferentemente da praticidade masculina, o detalhismo que nos rege escarafuncha qualquer cena atrás de vestígios, provas, indicativos. Tudo que vocês disserem pode ser usado contra ou a seu favor, vai depender do que a gente quer.

E, se o que queremos é que vocês estejam apaixonados, na mesma vibe, daí, então, viramos as loucas das minúcias.

Identificamos no seu modo de chamar o garçom algo de suma importância para o futuro da humanidade. Se disse “amigão” é porque temos chances. Se optou por “chapa” pode esquecer. E é tudo assim mesmo, não fazendo o menor sentido.

Relatamos histórias às amigas esquadrinhando tudo tipo roteirista de animação da Disney. Quadro por quadro, analisamos o jeito que cada pelinho do seu braço se mexeu, a fim de determinar se aquilo é um sim ou não.

Viramos mestres e doutoras em linguagem corporal. Em numerologia. Cromoterapia, perícia criminal, medicina legal, tudo.

Transfiguramo-nos em centrais de telemarketing da TIM – enxergamos e juramos pela família toda que há sinal onde não tem.

Feito tontas segurando o celular lá em cima da cabeça, trepadas na árvore da montanha mais alta do topo do Himalaia, caçamos um quadradinho que seja de indício de que vocês nos amam. Ou nos odeiam. Ou o que quer que nos convenha naquele momento.

O encontro de ontem à noite, que foi legal e durou três horas, leva cerca de 17 para ser descrito por uma mulher à outra. Não podemos deixar passar nada, porque vai que aquilo simboliza um presságio importante, não é mesmo?

Enquanto que, se um sujeito pergunta ao outro como foi o chopinho do amigo com a menina do Tinder na noite passada, ele vai dizer “legal” e boa, acabou a discussão.

No mundo da telefonia romântica, estamos sempre correndo em busca do 4G mais potente e expressivo, enquanto vocês relaxam de boa com o celular desligado mesmo, jogando Angry Birds até que a próxima antena da Vivo apareça.

Aliás, olha aí um sinal de alguma coisa: a operadora que ele escolheu. Isso quer dizer muita coisa. Está relacionado com o desejo dele de falar conosco mais barato ou não. Do tanto que ele quer se comprometer. Tem a ver com sua preferência por SMS ou Whatsa... argh, olha só. Quase que eu faço isso de novo.

O namoro Senhor dos Anéis

Lá vem ele rolando, brilhando, fazendo barulhinho enquanto escorre pelo chão e você – e mais 309 colegas – correm atrás desesperados, tentando agarrá-lo. Sabe o que é isso? É um relacionamento Senhor dos Anéis.

Neste tipo de relação, tudo acontece igualzinho ao filme.

O anel, este que caiu da mão de alguém e agora foge até ser capturado por seu próximo dono, é aquele cara mara, é aquela mina perfeita. O anel é a pessoa dos seus sonhos, e reluz tão cintilante e vívido que quase cega.

Daí sai você, desvairado (ou desvairada, porque o Senhor dos Anéis não escolhe sexo), achando que aquilo ali é o melhor que pode acontecer para sua vida, que aquela relação vai te trazer felicidade, paz, pôneis, e tudo que de bom se pode encontrar num amor de verdade. Só que não.

Porque um namoro Senhor dos Anéis só parece legal, mas é exatamente o contrário disso. Ele é treva, ele é escuridão. Ele é o Elijah Wood todo estragado, pálido, destruído.

Difícil é se dar conta disso. Porque o anel fica tão deslumbrante no dedo, a sensação de poder é tão grande, que mesmo que seus amigos tentem te avisar da roubada em que você se meteu, nada vai adiantar. Você não vai querer se separar dele nunca mais.

O problema maior do relacionamento Senhor dos Anéis é que ele desperta em você o que de pior há na sua personalidade. Aquele lado escuso que todo mundo, aquele defeito que a gente trata por anos na análise, contra quem a gente luta desde que tinha, tipo, seis anos de idade.

O Senhor dos Anéis vai fazer brotar isso em você. Você vai ficar falando “my precious” e não vai nem perceber.

Este tipo de relação vai fazer brilhar essa sua porção desprezível, e apagar tudo que de bom havia no seu ser.

E, mesmo assim, você não vai querer abrir mão do anel. Você vai se achar melhor com ele do que sem, e morrerá só de pensar em, um dia, vê-lo partir.

E, ainda que, um dia, isso de fato aconteça - a relação Senhor dos Anéis escorregar do seu dedo – você vai demorar para se dar conta de que, agora, poderá voltar a ser um Elijah do bem. Uma pessoa saudável, com defeitos, sim, mas alguém em quem as virtudes saltam muito mais aos olhos do que as imperfeições.

Você ainda tentará reconquistar o namoro Senhor dos Anéis. Ainda mais depois de ver um montão de outras pessoas correndo atrás dele também, iludidas pelo que o anel promete de bom: a paz, os pôneis, as selfies juntos, as viagens pro litoral.

Mas não se iluda. Seja forte. Resista à corrida atrás da relação tóxica, deixe-a rolar solta pelo chão e torça para que ninguém a pegue, e que ela acabe, assim, no fundo de um rio, presa no lamaçal.

Quer dizer, isso se ninguém resolver dar continuidade à trilogia e começar a filmar a parte II.

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Andressa vai morrer, e a culpa é de vocês

Qualquer que seja o desfecho do caso de Andressa Urach, o culpado será o mesmo. Quer ela saia do hospital, perca a perna, ou acabe morrendo, não importa – a responsabilidade é toda de vocês, homens.

Claro que nenhum cara a obrigou a injetar nada nas coxas ou em qualquer outra parte do corpo. Nem a fez, desde sempre, perseguir uma beleza e uma perfeição impossíveis, se modificando e violentando com intermináveis cirurgias e intervenções. Não, realmente estas opções foram todas da Miss Bumbum.

Mas, por trás disso tudo, de toda a paranoia sem medidas, há uma entidade que, ainda que sem perceber, controla as atitudes de todas as Andressas espalhadas pelo mundo, provavelmente até mesmo as suas, moça que lê agora este texto.

Esta entidade se chama raça macha.

Por enxergarem cada vez mais as mulheres como itens descartáveis, os homens acabam levando as mulheres à insanidade absoluta. Por sermos tratadas, em nossa grande maioria, como mercadorias que devem estar sempre em sua mais absoluta e reluzente forma, nos concentramos em estar eternamente firmes, apetitosas, lisas, jovens.

É porque os homens nos trocam com tamanha facilidade pela menina mais bonita e mais nova que nos desesperamos. A culpa é de vocês se passamos a nos enxergar como inadequadas, imperfeitas, incompletas.

E óbvio que não foi sempre assim. Estávamos bem até pouco tempo atrás, e foi só quando vocês começaram recentemente a viver como se empurrassem carrinhos numa mercearia, escolhendo tudo pela aparência e abrindo mão por completo de algo que lembrava o amor verdadeiro, que a coisa desandou.

Vocês, agora, amam bundas, peitos, barriguinhas perfeitas. Deixaram no ar uma saudade de quando uma mente sagaz e um coração dócil tinham valor de mercado.

Porque não queremos ser trocadas, porque queremos ser escolhidas e mantidas, nos apressamos atrás das melhorias a qualquer custo, para conseguir um nariz (empinado) de vantagem em relação à nossa concorrente. Óbvio que amamos o belo para deleite próprio, mas há tempos que esse deixou de ser o nosso norte.

Estamos valendo tão pouco que o risco de injetar líquidos escusos no organismo acaba parecendo legítimo. Remendamos não só nossas formas, mas também nossa mente, em busca de ticar os pré-requisitos que vocês, homens, nos impõem. Nos preenchemos, esvaziamos, esticamos, cortamos fora – e é só quando uma tragédia como a de Andressa acontece que somos capazes de enxergar uma luz de coerência no fim do túnel.

Perturbadas com a história medonha da moça que só queria ser perfeita, passamos a nos questionar sobre até onde estamos indo. Nos indagamos se fomos longe demais, se o nível da crueldade que impomos a nós mesmas já não ultrapassou o limite há tempos, e se é chegada, talvez, a hora de parar.

Mas, por mais que a identificação com Andressa nos leve à reflexão, é bem pouco provável que ela nos conduza à conclusão de que não somos os réus nesse processo todo – e que, na verdade, eles é quem são culpados.

Este texto é, sim, pretensioso a ponto de entender que está aqui para ajudar a nós todas. Para nos fazer botar, juntas, o pé no freio, e incentivar a contemplação de que talvez estejamos tentando capturar a atenção e o amor de uma maneira autodestrutiva demais, e que não vai nos levar a lugar algum. É uma guerra perdida – sempre haverá um corpo mais perfeito que o seu, mais jovem que o seu, mais gostoso que o seu.

E é quando vem a pergunta: E DAÍ?

Será só a partir do momento em que passarmos a viver por nós mesmas, e não pela guerra competitiva imposta pelos homens, que teremos, então, alguma chance de sairmos inteiras no final da história.

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Computador de homem

Povo reclamando que tem brinquedo pra menina e brinquedo pra menino, que essa história de gênero não existe, e eu, então, reclamo que, a partir de hoje e imediatamente, é preciso que paremos com urgência a fabricação de computadores para homens e computadores para mulheres.

Como assim isso não existe? Existe, sim.

Afinal, só os computadores dos homens dão uns paus bem loucos e saem fazendo coisas sozinhos – os das mulheres, ao que parece, funcionam direitinho.

Os dispositivos masculinos são capazes de, olha que loucura, adicionar gente no Facebook por conta própria. E o mais curioso, eu acho, é que é um computador com bom gosto: não adiciona pessoas do mesmo gênero, feias, velhas ou desdentadas. Só mesmo gente gata.

Meu Facebook, por sua vez, tem um sistema todo específico para que eu consiga me tornar amiga de alguém nas redes sociais. Preciso primeiro identificar a vítima, depois apertar um botão com o mouse, aguardar até que minha solicitação seja (ou não) aprovada, e aí, só então, podemos nos considerar colegas.

Mesma coisa acontece quando o computador de homem implica com alguém. Sem nem pedir autorização ao dono, sai fazendo bloqueio atrás de bloqueio. Do nada, somem do Instagram 14 meninas. Mas como? É milagre? É Tecpix? Não. É só um computador de menino mesmo.

E vejam como a indústria tecnológica está tão avançada e ao mesmo tempo muito doida, porque, pasmem, não são só os laptops masculinos que fazem coisas sozinhos. Os celulares também. Uau!

Amigas minhas volta e meia relatam casos extraordinários de telefones de namorados que, vocês não vão crer, dão like em fotos de gostosas sem que um botão seja acionado. Não é incrível?

Ou, então, que dão um bug severo porém altamente comum que é mostrar que o sujeito está online no Whatsapp de madrugada, quando, na verdade, ele já está dormindo, comportado, deitado -  sozinho, claro – em sua cama vazia.

Você vê, né, o mundo evolui, evolui, e este tipo de diferenciação continua. O machismo da tecnologia que só permite bugs assim nos gadgets de meninos. Porque eu duvido, de verdade, que alguma de nós, mulheres, não sonhasse em ter também eletrônicos sujeitos a tomar atitudes de tamanha e surpreendente independência.

Se meu computador fosse assim, bem doido igual ao de vocês, eu ia pelo menos poder dar uma desculpa aceitável quando fosse flagrada por meu amado adicionando o gostoso da academia que eu sempre aleguei que nem era tão gato assim.

Eu diria “não faço ideia de como isso aconteceu, meu amor, meu Facebook curte coisas sozinho!”, e ele sorriria (como eu sorrio sempre que isso acontece), dissimularia o ódio (como eu dissimulo sempre que isso acontece), e fingiria que acredita (como eu finjo sempre que isso acontece). E a vida seguiria, como sempre segue, até o próximo pau involuntário e mágico acontecer.

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Deixa de ser babaca, Adnet

Este poderia ser o texto mais curto da história deste blog, quiçá da história da literatura mundial, porque tudo que eu gostaria de dizer se resume a uma franca e reduzida frase:

Marcelo Adnet, como você é babaca.

Acabaria aqui, e seguiríamos a vida. Mas não, eu quero me explicar.

Jurei que não escreveria nada sobre o bafafá da sua traição, rapaz, sobre a exposição do seu caso na mídia, a reação da sua mulher ou qualquer coisa que envolvesse aquela noite em que você se atracou com a loira numa esquina do Leblon. Até por que, quem nunca? Pode até ser que eu mesma talvez já tenha me espremido na frente daquele mesmo HSBC depois duns chopinhos marotos no Jobi, e certamente - admito porque não sou hipócrita – já fiz muita merda nessa vida, magoando gente que amo e que me amava por demais.

Enfim. Eu ia ficar SUSSA, calada, na minha, sem meter a colher em nada e guiando meu comportamento com a cabeça na Dani, sua esposa, fazendo aquilo que eu gostaria que fizessem comigo num caso desses: me deixar em paz. Não repercutir. Não me procurar.

Mas, na boa, Adnet, você não tá deixando.

Você tá cagando tudo.

Sei que não tenho nada a ver com isso, e acho mesmo que cada casal sabe dos seus perrengues e do tanto que cada um lhes violenta. Mas, sério, meu, não dá pra ficar calada vendo você perder a mão num nível como esse.

Jura mesmo que você gravou um vídeo pra declarar o seu amor à sua mulher traída?

A propaganda do seu arrependimento é mais que patética, Adnet. Ela é cruel.

Escorregar no tomate todo mundo escorrega, acontece. Mas depois disso você vir a público para expor a maior vítima da sua traição infinitamente sem parar e cada vez mais não é um deslize – é, sim, uma OPÇÃO sua. E, convenhamos, você não podia ter escolhido pior.

Já achei indelicada sua postura de, no dia seguinte ao amasso com a moça, postar uma mensagem no Twitter falando em nome do casal, como se vocês fossem uma entidade e sua mulher não tivesse voz. Mas ok, a hora era de desespero, e você não queria perder sua companheira. Dá pra relevar.

Mas aí você foi entrando numa vibe de usar sua relevância pública – aquela mesma que você usou pra conquistar a loira na mesa do bar – para amenizar o erro que cometeu. Só nos últimos três dias, você virou notícia com o twitte, depois alegando ter sido forçado a trair, e agora com este vídeo embaraçoso, em que deseja um bom fim de 2014 para sua Dani Calabresa.

Toma tento, rapaz. Não é porque sua traição virou assunto coletivo que a solução dela também precisa ser compartilhada. Você pode até se achar engraçadão, mas não é o Jim Carrey, e não está no Show de Truman.

Desligue essa câmera. Saia da internet. Honre seu casamento, sua reputação, seu talento e, sobretudo, a sua mulher, lavando suas sujas roupas todas no tanque de casa. Quem sabe aí, Adnet, ao parar de divulgar uma suposta hombridade, você ainda tenha alguma chance de ser perdoado e seguir em frente.

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Ensaio sobre a (nossa) cegueira

Quando foi que a gente se acostumou com tão pouco?

Em que momento passamos a achar que qualquer coisa tá valendo, que é isso mesmo ou nada mais? Por que mesmo que embaralhamos o ditado e começamos a achar, dando as costas pro que é saudável, que estaremos melhor se mal acompanhadas e não sós?

Eu não sei onde a gente se perdeu. Nem por que isso aconteceu.

Mas sei que viramos todas umas loucas, nos transmutamos em mulheres que nunca fomos, e, vestidas do mais completo desespero, chegamos ao cúmulo de nos vender pelo preço mais barato da xepa – se custamos dois centavos, olha, juro que é muito.

Não se salva uma bonita da minha lista imensa de conhecidas no Facebook, ou das amigas realmente próximas, com quem converso de verdade sobre a vida. Estão todas – estamos? – viradas no Jiraia.

Que dó.

Que dó de mim, óbvio, e que dó de vocês todas, que, junto comigo, deram tilte e se ofuscaram de repente, não vendo nunca mais nem a si próprias nem aquilo que de fato vocês merecem. Ninguém merece bosta, tá ligada? Ninguém nasceu pra engolir lixo.

Então por que raios a gente acha que precisa aceitar o primeiro cara que aparece, no pânico de que ele seja o único? Por que consentir com o desastre anunciado, se o descompasso tá tão na cara pra quem queira enxergar?

Tem as que se sujeitam a traições em série. Tem as que abraçam relacionamentos malucos com medo de não acharem nunca mais ninguém que as queira. Tem quem tolere o desamor cuspido na cara e postado na rede. Tem quem apanhe, quem escute, quem rasteje. E tem quem se meta numa micro saia, num mega decote, num salto circense a fim de se fazer mercadoria numa balada, ter mais apelo que a moça do lado, também infeliz escovada apertada dolorida esburacada.

Porque todas temos nossos buracos no peito. Só diferimos na maneira com que tentamos preenchê-los.

Eu achava, honestamente, que ainda havia quem atravessasse essa jornada sem perder pedaços, com integridade e respeito próprio. Mas não.

Não sei quando foi, não sei como, só sei que aquele tempo que houve, quando a gente entendia que era grande e importante e merecia amor amor e só amor, sumiu e virou pó. E do pó ficamos cegas, e da cegueira enlouquecemos.

Que judiação. Como faz pra voltar atrás?

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Quero que você goste da sua ex

Veja bem, eu não estou pedindo que viajemos todos juntos, que sejamos inseparáveis, que ela tenha um lugar cativo à nossa mesa de jantar lá em casa, que a gente partilhe de um grupo no Whatsapp. Na verdade, nem queria que fosse algo assim tão íntimo e frequente com você sozinho, imagina me incluindo.

Mas, do fundo do coração, acho importante que vocês sejam, de verdade, amigos.

Afinal, a relação de um homem com suas ex-namoradas sempre serve como indicativo do tanto que ele poderá ou não ser gentil com você, a ATUAL.

Se eles ainda se falam, se conseguem se tratar com cordialidade, se ele faz questão de apresentar vocês duas, se é capaz duma convivência decente e sem travas. Tudo isso é importante – talvez só não tão importante quanto o fator determinante sobre um cara ser ou não babaca.

Sim, quero alguém que tenha contato com a ex, juro. Mas o que eu não quero, fato, nem de longe nem pintado de ouro, é um cara que mantenha a ex por perto pra qualquer emergência. É pra ser amigo, sacou? A-MI-GO, e só.

Não é pra ficar de tititi. Não é pra fazer gracinha. Não é pra marcar café escondido, pra ligar pro número dela toda vez que se emputecer com o meu, pra pedir arrego a ela quando se emburrar comigo.

Pecar pela falta é uma bosta, mas pecar pelo excesso é uma bosta gigante caindo em cima da cabeça de todo mundo.

Porque, nesta história, ninguém vai conseguir ser plenamente feliz. Eu, que vou enrugar de ciúme, ela, que vai ser tratada como estepe, e ele, que... não, pera, talvez ele seja feliz, mas de homem feliz porém canalha a gente já tá de saco cheio. Não?

Assim como sou amiga dos meus ex, com quem mantenho contato saudável, público, respeitoso e deveras dócil, eu espero do elemento ao meu lado a mesma coisa.

Até porque, como prova a história, é bem provável que um dia eu também ganhe o carimbo de ex na identidade, assumindo o lugar de passado na sua vida. Daí, querido, mais do que nunca, esperarei ansiosa pela conduta recomendável ao mundo dos adultos – a do respeito e admiração mútuos.

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É o amor, Zezé

Quando eu estava solteira e queria a todo custo voltar pro meu ex-namorado, era porque eu achava ele a cara de um ator famoso e aquilo me bastava como garantia de que tê-lo ao meu lado significava felicidade e iluminação. Mas, enfim, eu sou uma pessoa com probleminhas, vocês já sabem, então esse meu padrão de medidas e definições do amor verdadeiro realmente não deveria constar de forma alguma no histórico da humanidade.

Só que não é só o meu jeitinho de selecionar homens que é condenável na Terra. Tem outros. E, olha, arrisco dizer que tem outros ainda piores que o meu.

Veja esta moça que namora o Zezé di Camargo, filho de Francisco.

Vou pular a parte em que eu a julgaria por ter ficado nove anos sendo amante do cara porque esta não é uma coluna moralista e, assim, sigo direto para o assunto que de fato me interessa discutir e transformar em argumento que prove que eu não estou sozinha no que diz respeito a mulheres precisando de análise neste nosso Brasil.

Graciele, a agora oficial do cantor sertanejo, segurou a onda de ser a outra por quase uma década certamente sob a promessa de praxe que sempre seduz e paralisa moças que topam viver nesta situação por muito tempo, como ela viveu: um dia ele ia largar aquela chata da mulher, um dia ele ia assumi-la, um dia ele ia fazer e acontecer, e tudo seria muito diferente.

Até está sendo diferente, eu acho. Porque Zezé se separou de fato, largou geral, a ex ficou na lama, e o atual casal agora se acaba de postar foto feliz nas redes sociais, sambando na cara de tudo que ficou pra trás. Normal.

Mas eu acho que a esperança de Graciele era maior que isso. Eu acho que ela acreditava que a mudança de Zezé seria muito além do que o que está previsto no manual do cara que larga a esposa pra ficar com a amante. Eu acho que ela queria mais.

Porque eu duvido que alguém mofa por nove anos na expectativa da oficialização dum amor bandido achando que o cara vai, depois de modificar tudo, continuar sendo um galinhão de marca maior. Há sempre a ilusã..., digo, a fé de que Deus em pessoa desça dos céus e lapide aquela criatura até transformá-la em um ser fiel, devotado, confiável.

Mas Graciele, coitada, se ansiava por isso, melhor que anseie sentada. Porque o que Zezé menos sinaliza até agora é que virará um cara tranquilão. Hoje mesmo tá ele lá nas manchetes dizendo que queria ficar no camarote oba oba felizão com as panicats. Me respeita, Zezé. A moça te aguardou nove anos, mano, n-o-v-e, pra você zoá-la publicamente.

O que nos leva a seguir amando caras assim? Que não largarão a esbórnia por nada, que trocam um amor de verdade por uma piada zuêra sem limites? Que vão continuar usando sunga branca na foto no barco? E tá tão cheio de gente no mundo. E é tão coxuda e malhada essa Graci. Tão paciente, sobretudo.

Há quem vá argumentar que isso “é o amor”, como já esgoelou infinitas vezes o próprio Zezé. Mas eu fico com outro ensinamento mais poderoso da música brasileira, aquele da lírica banda de axé dos anos 90, e que profetiza a história do pau que nasce torto incapaz de se endireitar. Por isso, Graciele, se me permite um conselho, larga agora desse tchan, diz adeus àquele queixo com furinho e vai ser feliz nessa vida, mulher – você merece mais.

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Corta pra mim! Ordinária e Marcelo Rezende têm uma DR no R7

frame DR 2 Corta pra mim! Ordinária e Marcelo Rezende têm uma DR no R7

 

Olha quem foi o entrevistado da semana no Uma DR Ordinária: Marcelo Rezende! O apresentador do Cidade Alerta visitou o programa do Bonitinha, mas Ordinária - O Blog e contou, entre outras coisas, o que gosta em uma mulher, além de revelar por que seus três casamentos não deram certo. Se você acha que Rezende é sério daquele jeito o tempo todo, saiba que lá no estúdio ele ficou soltinho, soltinho. E, antes que você me pergunte, sim, ele cortou pra mim.

Coloca exclusivo, minha filha! Dá trabalho pra fazer! Assista AQUI

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