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A dor e a delícia da submissa

Se você pretende um dia dormir comigo, é importante que saiba: tenho tendências submissas.

Sou do tipo que deixa puxar cabelo. Que prepara café e serve na cama, e que, se bobear, entra no quarto segurando a bandeja metida naquela fantasia de enfermeira que você comprou na 25 de Março. Eu quero mais é te agradar.

Vou achar lindas as vezes que você resolver mandar em mim. E quando começar suas frases com "mulher minha não pode isso", me impondo uma restrição besta por entender que me possui. Serei sua Luma de coleira na Sapucaí. Serei sua nega de saia curta, de olhar depravado, que sopra beijocas te olhando de longe. Serei sua mulher de Atenas, do Oiapoque, do Chuí. Serei sua, ponto.

Só que ser submissa, você sabe, não é só dizer sim.

Gosto de apanhar, mas não sou idiota. Cultuo seu prazer pelo simples fato de que ele é consequência do meu. Ou você achou que eu ia te deixar gozar primeiro?

Ao lado de uma submissa, jamais confunda carinho com porrada, e nem pense em me levantar a voz. A gente gosta que xinguem baixinho, mas detesta que gritem. Somos um paradoxo e uma contradição.

Mulher submissa fica vermelha com cantada de pedreiro - mas também devolve. Te encoxa de volta no metrô e te adiciona primeiro no facebook. Pede telefone quando você ainda não tomou coragem, e ainda chama pra sair. Divide a conta sem frufru, pede cerveja junto e dá um pito no seu charuto.

É mais esperta que muita feminista de botequim porque sabe jogar com os dois papéis, porque desce pro play e escolhe se vai pegar ou esconder. É mais livre e mais feliz. Sabe que a submissão não aprisiona nem diagnostica nada, e aproveita pra brincar com todas as graças de ser mulherzinha quando convém.

Nós, submissas, menstruamos, sim, mas também temos mais pau e testosterona que muito homem dominador por aí.

*Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, fatos ou acontecimentos terá sido mera coincidência