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	<title>Clara Averbuck</title>
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		<title>~Se curtindo~</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Oct 2012 02:18:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu moro sozinha. E eu gosto MUITO de morar sozinha. Hoje é quarta e eu estou aqui na minha sala ouvindo meus discos, bebendo umas cervejas especiais e curtindo os meus gatos, com meu néon ligado, vestido novo, batom vermelho e vontade de escrever. Acho que a solidão, aquela que machuca, só vem quando a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu moro sozinha. E eu gosto MUITO de morar sozinha.<br />
Hoje é quarta e eu estou aqui na minha sala ouvindo meus discos, bebendo umas cervejas especiais e curtindo os meus gatos, com meu néon ligado, vestido novo, batom vermelho e vontade de escrever.<br />
Acho que a solidão, aquela que machuca, só vem quando a gente não está curtindo nossa própria companhia.<br />
Já senti aquela solidão. E era bem quando eu não sabia me suportar. Agora as coisas são diferentes; agora eu me gosto.<br />
Mas já me odiei. Não era algo assim consciente <em>grrr me odeio</em>, mas já entrei em processos de autodestruição bem agudos. Ou graves. Enfim, extremos. Eu, meus amigos, já estive muito louca nessa vida. Não muito louca de droga, sabe, muito louca de falta de sanidade mesmo. E eu me odiava. Me odiava e falhava miseravelmete ao tentar amar outras pessoas. Amor assim não tem como dar certo; quando um dos lados se odeia, o outro acaba tendo que amar em dobro. Já estive em ambos os lados e atesto: não tem como dar certo. Eu sei que parece autoajuda, mas ó: a gente tem que ~se curtir~.  Na hora eu não percebia e me agarrava ao amor como se fosse a última centelha para salvar minha vida. Errado, errado, errado. Percebo agora, a anos-luz de toda aquela tormenta, mas no meio da tormenta a gente não percebe nada.<br />
Passou a tormenta, passou essa coisa da autodestruição - ou ao menos isso está sob controle agora -, passou o tempo e eu mudei muitas coisas. Não acho realmente que as pessoas mudem; nossa essência permanece a mesma, apenas aprendemos a nos livrar das coisas ruins, controlá-las, evitá-las. E é claro que há alguns que pioram e se tornam mais insuportáveis do que já eram, mas eu hoje estou toda alegre e positiva ouvindo Ike and Tina em meu lar e não quero saber de gente que piora, só de gente que melhora.<br />
Alías, andei cortando uma galera nos últimos anos porque não consigo ficar perto nem de gente estagnada, nem de gente que anda de ré.<br />
E é isso: só um postzinho de autocurtição.</p>
<p>Ósculos&#038;Amplexos<br />
c.</p>
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		<title>VidaxArte</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Oct 2012 16:19:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte. O crítico é aquele que pode traduzir, de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas. A mais elevada, como a mais baixa, das formas de crítica é uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O artista é o criador de coisas belas.<br />
Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte.<br />
O crítico é aquele que pode traduzir, de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas.<br />
A mais elevada, como a mais baixa, das formas de crítica é uma espécie de autobiografia.<br />
Os que encontram significações feias em coisas belas são corruptos sem ser encantadores. Isto é um defeito.<br />
Os que encontram belas significações em coisas belas são cultos. Para estes há esperança.<br />
Existem os eleitos, para os quais as coisas belas significam unicamente Beleza.<br />
Um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.<br />
A aversão do século XIX ao Realismo é a cólera de Calibã por ver seu rosto num espelho.<br />
A aversão do século XIX ao Romantismo é a cólera de Calibã por não ver o seu próprio rosto no espelho.<br />
A vida moral do homem faz parte do tema para o artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. O artista nada deseja provar. Até as coisas verdadeiras podem ser provadas.<br />
Nenhum artista tem simpatias éticas. A simpatia ética num artista constitui um maneirismo de estilo imperdoável.<br />
O artista jamais é mórbido. O artista tudo pode exprimir.<br />
Pensamentos e linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.<br />
Vício e virtude são para o artista materiais para uma arte.<br />
Do ponto de vista da forma, o modelo de todas as artes é o do músico. Do ponto de vista do sentimento, é a profissão do ator.<br />
Toda arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que buscam sob a superfície fazem-no por seu próprio risco.<br />
Os que procuram decifrar o símbolo correm também seu próprio risco.<br />
Na realidade, a arte reflete o espectador e não a vida.<br />
A divergência de opiniões sobre uma obra de arte indica que a obra é nova, complexa e vital.<br />
Quando os críticos divergem, o artista está de acordo consigo mesmo.<br />
Podemos perdoar a um homem por haver feito uma coisa útil, contanto que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente.<br />
Toda arte é completamente inútil.<br />
.<br />
.<br />
.</p>
<p>Prefácio de "O retrato de Dorian Gray", do Oscar Wilde, escrito em 1891. </p>
<p>Arrasa, bi</p>
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		<title>Eu sinto muito, mas eu não sinto nada</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Sep 2012 01:19:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho que discordar do Leminski naquele Nenhuma dor pelo dano/ todo dano é bendito/ Do ano mais maligno/ Nasce o dia mais bonito. Tive uns anos do cão. Só a gente sabe dos danos que essa vida nos causa. E eu, olha, eu fiquei totalmente danificada. Algumas pessoas deixam um rastro tão nefasto na vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho que discordar do Leminski naquele Nenhuma dor pelo dano/ todo dano é bendito/ Do ano mais maligno/ Nasce o dia mais bonito. </p>
<p>Tive uns anos do cão. Só a gente sabe dos danos que essa vida nos causa. E eu, olha, eu fiquei totalmente danificada. Algumas pessoas deixam um rastro tão nefasto na vida de outras que não consigo ver de outra forma senão essa: um dano. Um rasgo. Um aleijão. E não, não passa. Nada passa. Tudo que nos acontece fica marcado de uma forma ou de outra em algum lugar. A gente pode até achar que passa, pode achar isso nos momentos bons, mas aquilo fica lá, entranhado em você. Trauma pode se manifestar em forma de raiva, de desprezo, pode virar uma repetição de padrão destrutiva, pode te deixar pra sempre com medo, pode te fazer ficar por demais destemido. O que consigo ver que aconteceu comigo é o seguinte: eu sequei. Me sinto toda esfarelada. Danificada. Rachada como um terreno arenoso onde é necessário um instinto filho da puta pra poder sobreviver. Até nasce uma coisinha ou outra ali, mas qualquer coisa mais delicada murcha e morre rapidinho. É assim que eu ando me sentindo. Calcificada por dentro. </p>
<p>Quando eu tinha 22 anos, me apaixonei afú pela primeira vez. Foi meu primeiro dano. Outros vieram depois, eles sempre vêm. Mas o primeiro é o primeiro. Ele dizia que não tinha coragem pra se apaixonar, ele dizia que amor não, que amor ele passava. Sabe o que eu disse pra ele? </p>
<p><em>Coragem pra se apaixonar? Se quiser, posso te ensinar a sentir dor. Eu sei  sentir dor e sobreviver a ela de uma maneira que nem eu acredito. Eu  nunca  vou  cansar  disso,  nunca  vou  precisar de coragem pra me apaixonar  porque  preciso de paixão pra escrever. Se for pra escrever sem  paixão,  então eu vou ali no jornal escrever sobre turfe e ganhar dinheiro, e não ficar  fodida  como estou só pra poder passar o dia inteiro escrevendo,  sem sair de casa, sem sentir o vento na cara, só escrevendo escrevendo escrevendo como uma filha da puta. Porque é isso que  eu  faço.  Eu escrevo o dia inteiro, eu acordo e vou escrever, eu acordo  pensando  nisso  e  durmo  pensando  nisso. Mas se não tivesse paixão, não ia adiantar porra nenhuma.</p>
<p>Já  disse  uma vez e vou dizer mais um bilhão de vezes: eu quero você. Vou dizer até você aparecer na minha casa esmurrando a porta, porque a campainha  não funciona, vou dizer até te ver deitado e suado na minha cama,  vou dizer até poder te engolir, até sentir a tua porra na minha boca, até sentir o teu peso em cima de mim. Vou dizer até te convencer de  que a solidão é muito, muito mais dolorosa do que qualquer paixão. O nada é a pior coisa que pode acontecer. O nada é seco, é uma árvore esturricada na beira da estrada, é uma plantinha sozinha no meio do deserto, uma plantinha que sabe que vai morrer ali, seca e sozinha.</p>
<p>Então vem. Porque  eu sou a sua  Camila e você não pode me deixar deitada na praia, senão vai passar  o resto da sua vida se arrependendo. Então vem. Porque você me ganhou e eu quero que você minta pra  mim, na minha cara, olhando nos meus olhos enquanto me come. Vem. Eu sou sua.</em></p>
<p>Isso era eu em 2001. Uau, ein? Que força, que furacão. Eu era, eu era. Once a fire. Sinto que não sei mais sentir, não sei mais me deixar sentir, não sei mais me entregar. EU NÃO SEI MAIS ME ENTREGAR. Nem por duas horas. Nem por meia hora. Fingir eu nunca soube mesmo, e nem quero aprender. Nunca pensei que passaria por isso. Eu achava que seria pra sempre a impetuosa jovem das linhas acima, que quebrava a cara repetidamente e levantava e levantava e cuspia sangue e dizia bring it on, you mfcks. Não quebro mais a cara porque não caio, e se cair, não tem sangue pra jorrar, não tem coração pra bater, não tem porra nenhuma há anos. Eu até tentei mentir que tinha e só consegui sentir ódio. Ódio de mim, ódio daquilo tudo onde eu tinha me metido nem sei como e uma frustração inenarrável. Acho que sequer posso dizer que aquela era eu. Era um pedaço, um fragmento pequeno e incompleto de mim que jamais vingaria. Bom, eu tentei. </p>
<p>Eu sinto muito, mas eu não sinto nada.</p>
<p><a target="_blank" href="http://letras.mus.br/porcas-borboletas/1600546/">(...)</a></p>
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		<title>Louça Morta</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Sep 2012 21:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Aí que eu voltei a cozinhar. Durante determinado momento da vida, curti bastante fazer incursões na cozinha. Mas acho cozinhar só pra mim muito chato e parei depois que voltei a morar sozinha. Curto cozinhar para amigos, e nos últimos eu não tenho estado exatamente confortável em minha casa (isso já vai mudar com uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aí que eu voltei a cozinhar. </p>
<p>Durante determinado momento da vida, curti bastante fazer incursões na cozinha. Mas acho cozinhar só pra mim muito chato e parei depois que voltei a morar sozinha. Curto cozinhar para amigos, e nos últimos eu não tenho estado exatamente confortável em minha casa (isso já vai mudar com uma reforminha, assim que $), então fico assim de chamar gente pra vir aqui e acabo saindo pra comer sempre e convivendo com uma geladeira repleta de... gelo. </p>
<p>Mas esses dias fui possuída pelo desejo de cozinhar novamente. Eu e minha amiga Chiara fomos ao supermercado, compramos ingredientes lindamente selecionados - além de uns vinhos e umas cervejas, que ela, aprendiz de <em>beer somelhê</em>, está me apresentando - e eu fiz uma incrível carne com batatas na cerveja. </p>
<p>Uma coisa é bem óbvia: a comida só sai boa quando estou a fim de fazer. Se eu não estou, se estou cozinhando porque preciso, fica meio sexo sem tesão, sabe? Pois é. As últimas vezes que eu tinha cozinhado tinha sido sob pressão &#038; necessidade, e ainda uma comida que eu não tinha o menor tesão em fazer, então não tinha como, ficava mesmo uma merda. Agora não; agora eu quero. Aí fica bom. </p>
<p>Essa semana eu cozinhei todos os dias. Pra mim, olha que incrível. Parte porque estou perto da linha da pobreza, parte porque eu agora tenho colesterol alto (não basta sofrer de artrose aos 33, tem que ter as taxas de colesterol e de cortisol lá em cima) e quero cuidar exatamente o que como pra acabar com essa merda e poder voltar a comer umas porcariazinhas, parte porque estava a fim, ora bolotas. </p>
<p>O problema é o seguinte: e a louça, quem lava? Prefiro carpir asfalto do que lavar louça. Sério mesmo. Tenho nojinho, me deixa. A faxineira vem uma vez por semana, enquanto isso eu vou regando a louça com detergente e água fervente pra não criar um pequeno ecossistema em minha cozinha. Meus gatos me olham com desprezo enquanto se lambem, mas como eles nunca se prontificaram a lavar nada além de seus próprios corpos, ficamos por isso mesmo. </p>
<p>Hoje eu ia cozinhar. Ia fazer um pequeno banquete novamente para minha amiga Chiara. </p>
<p>Desisti. Era muita louça, era muito sofrimento, eu não quero, eu não gosto. Lavei três pratos, entupiu a joça da pia, chega, desisti, deixei tudo lá organizadamente sujo e fui almoçar no restaurante ao lado de casa. </p>
<p>Me comprometo aqui e agora a mandar arrumar minha máquina de lavar louça quebrada há dois anos na próxima semana. Quero poder fazer meus pequenos &#038; belos pratos lindamente temperados quando quiser sem ter que ficar antesofrendo com a imagem daquela pilha triste em minha pia.</p>
<p>Então, caso alguém em algum momento venha perguntar se "eu não tenho louça pra lavar", saiba que sim, eu tenho, mas não lavo. </p>
<p>Ósculos e amplexos, </p>
<p>c.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Nos matando lentamente</title>
		<link>http://entretenimento.r7.com/blogs/clara-averbuck/2012/08/30/nos-matando-lentamente/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2012 01:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[chega]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis que hoje me chega uma DM de uma amiga: clara clara claraaa SOCORRO, fui coçar o pescoço e percebi que ele está TOTALMENTE FLÁCIDO. Já até chorei :( Existe creme pra pescoço? rs :( Ela não tem TRINTA ANOS DE IDADE. E é linda. E eu tenho certeza absoluta que o pescoço dela não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis que hoje me chega uma DM de uma amiga:</p>
<p><em>clara clara claraaa SOCORRO, fui coçar o pescoço e percebi que ele está TOTALMENTE FLÁCIDO. Já até chorei :( Existe creme pra pescoço? rs :(<br />
</em><br />
Ela não tem TRINTA ANOS DE IDADE. E é linda. E eu tenho certeza absoluta que o pescoço dela não está flácido.</p>
<p>Meninas, é o seguinte, nós precisamos conversar. Todas nós. </p>
<p>Essas mulheres que a gente vê na tv, nos outdoors, nos anúncios, em todos os lugares, vocês sabem que elas não são reais, não é mesmo? Sim, existem mulheres belíssimas, magras, naturalmente lindas, que apenas se cuidam e fazem pilates e sei lá o que mais. Mas infelizmente o que mais vemos é gente que foi <em>mexida</em>. Assim mesmo, <em>mexida</em>. Botou peito. Tirou nariz. Esticou aqui. Repuxou dali. Sugou daqui para encher acolá. Pra que? Pra se aproximar daquele ideal de beleza maluco de <em>perfeição</em>. Primeiro: perfeição pra <em>quem</em>? Segundo: quem disse que é <em>isso</em> que é bonito? Terceiro: quem determinou que é <u>SÓ</u> isso que é bonito? Meninas, sério: isso simplesmente NÃO É REAL. A gente sabe, mas somos tão bombardeadas a todas as horas do dia e da noite com imagens/pessoas manipuladas que aquilo acaba entrando nas nossas cabeças e nos deixando malucas, achando que só seremos felizes sendo daquele jeito. Digo "nós" porque eu, até pouco tempo, era completamente obcecada com isso. Pois é. Desde sempre. Tomei tanto remédio pra emagrecerr que eu não sei como meu cérebro não fritou. Me achei linda quando fiquei com depressão e só o que havia em mim eram ossos. Me desesperei quando voltei a ser sã e engordei um pouco. Quis morrer quando vi que agora eu tenho uma <em>barriga</em>. Pensei até em fazer lipoaspiração. Por que? Porque eu queria atingir um ideal maluco que criei na minha cabeça. Não é por aí, não é nada disso, não é assim. Minha vida nunca foi melhor e nem pior <u>por causa</u> do meu peso ou das minhas formas. Era tudo <u>eu</u> que criava.<br />
Felizmente, me dei conta da maluquice que era aquilo tudo e comecei a trabalhar nisso de me aceitar. Fui me aceitando. E hoje, posso falar? Nunca me senti melhor comigo mesma em <u>toda a minha vida.</u> Se eu ainda quero emagrecer? Quero, um pouquinho, quero fazer uns abdominais quando puder, quero fazer exercícios, quero ser SAUDÁVEL, ainda mais depois de <a href="http://entretenimento.r7.com/blogs/clara-averbuck/2012/08/08/ossos-cinquentenarios/">passar o que eu passei</a>. Mas não estou morrendo por isso.<br />
Minha vida sexual/amorosa nunca dependeu disso. Sempre foi mais ou menos a mesma coisa, independente de como eu estivesse me sentindo, se estava magérrima, gostosa, malhadinha, com barriga, sem barriga, com celulite, sem celulite, coxuda, de perna fina. Quer dizer, não é PELO CORPO que as pessoas se interessam, UFA! Nem ia querer alguém que se aproximasse de mim exclusivamente porque me achou gostosa. Aliás, eu quero é distância de gente assim. Não tem como dar certo. </p>
<p>As mulheres, há muito tempo e ainda, são criadas para serem BELAS. É essa a função que nos é atribuída. Enfeitar o mundo. Uma mulher pode ser incrivelmente bem sucedida, mas se não estiver dentro do padrão de beleza, vai sempre rolar um "mas é feia, tadinha, né?" como se isso anulasse todo o resto que ela é. Não, chega disso; ninguém nunca disse "tadinho, mas é feio" prum homem bem sucedido. Eu costumava ser muito revoltada com mulheres que achavam que o corpo era sua única arma; agora eu tenho dó e muita vontade de educá-las. Meninas, vocês não precisam de plástica, vocês não precisam de silicone, vocês não precisam emagrecer (a não ser que seja uma questão de saúde). Cada uma tem a sua beleza. Hoje eu me deparei com a lendária Playboy da Adriane Galisteu, de 1995, e vi mulheres lindas, com seios de tamanhos diversos, pêlos em abundância e ralos, pernas finas e grossas, cabelos lisos e revoltos, e pensei: ONDE foi parar a diversidade de formas das mulheres, gente? Só se vê silicone, bunda redondona, coxão, chapinha, socorro! E nas revistas de moda, aquela tristeza anoréxica. Existem magras lindas, é claro. Eu acho a Kate Moss uma gata. Mas essas mulheres representam, atenção, 5% de todas nós. Ou seja, esse padrão exclui os NOVENTA E CINCO POR CENTO RESTANTES. Não dá pra ser feliz assim, né? Não se a gente não criar defesas conscientes contra o mindfuck diário a que somos submetidas.</p>
<p><em>(Se tem alguém aqui pensando "só tá falando isso porque não se encaixa", por favor, peço que se retire de meu blog e nunca mais volte.)<br />
</em></p>
<p>Então, meninas, por favor, parem e pensem nisso que eu estou colocando.</p>
<p>Além do mais, essas intervenções todas não apenas são uma maluquice pra enquadrar todo mundo em um padrão, mas podem acabar, por exemplo, com a sensibilidade dos seus seios, que passariam a ser apenas objeto de prazer do OUTRO. O que adianta ter peitões se você não os SENTE? </p>
<p>Sobre aquelas cirurgias íntimas, eu não sei nem o que dizer. Aquela moça citada no post abaixo, que andava por Londres enrolada em uma bandeira querendo ser a musa das Olimpíadas, declarou na Folha dessa semana:<a target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1142979-a-vagina-nao-e-bonita-da-para-ficar-melhor-diz-modelo-que-fez-cirurgia-intima.shtml"> "a vagina não é bonita e dá pra ficar melhor"</a>. Gostaria de me perguntar em que mundo vive essa moça, mas já sei a resposta: no nosso, nessa INSANIDADE COMPLETA. Essa moça é praticamente uma boneca inflável: os peitos são de silicone, os olhos são azul-piscina-lente-de-contato, o cabelo é aplique, a buceta foi retocada. Onde ela quer chegar? Por que? Pra quem? Não pode, gente, isso não está certo. Coitada dessa moça. Ela está completamente perdida.</p>
<p>E se o seu cara acha que você tem que botar mais peito, ou que você tem que engordar, ou que você tem que emagrecer, menina, vocês precisam conversar. Ou ele gosta de você como é - ou, francamente, manda esse homem pastar. Infelizmente, o mindfuck também atinge os meninos e eles vivem com expectativas irreais das mulheres. Inclusive muitos deles sequer sabem do que realmente gostam; ficam apenas no que consideram socialmente bem aceito. Tudo, tudo errado. </p>
<p>A todas e todos, recomendo esta palestra ("Killing Us Softly", que inspirou o título do post) da <a target="_blank" href="http://www.jeankilbourne.com/">Jean Kilbourne</a>, que dá corre o mundo falando sobre tudo isso que e muito mais e que me abriu os olhos pra uma série de conceitos que eu achava "normais", mas que na verdade são tão antinaturais quanto... bom, quanto photoshop. </p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/20024751" width="500" height="347" frameborder="0" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen></iframe>
<p><a target="_blank" href="http://vimeo.com/20024751">Women and Advertising</a> from <a target="_blank" href="http://vimeo.com/user6050255">Hienz</a> on <a target="_blank" href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>Nós não temos como mudar o que a mídia tenta nos fazer engolir.<br />
Mas nós podemos não engolir mais.</p>
<p>*Abracinho*,<br />
c.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>CHEGA DE MUSA</title>
		<link>http://entretenimento.r7.com/blogs/clara-averbuck/2012/08/09/chega-de-musa/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Aug 2012 20:37:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Pra todo lugar que a gente olha tem alguma "musa". Musa da praia. Musa do asfalto. Musa da várzea. Musa das olimpíadas. Musa dos nerds. Musa do apaputaquepariu, gente. Vamos ver na wikipedia o significado do termo MUSA. "As musas eram entidades mitológicas a quem era atribuída, na Grécia Antiga, a capacidade de inspirar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra todo lugar que a gente olha tem alguma "musa".<br />
Musa da praia. Musa do asfalto. Musa da várzea. Musa das olimpíadas. Musa dos nerds. Musa do apaputaquepariu, gente.<br />
Vamos ver na wikipedia o significado do termo MUSA.<br />
"As musas eram entidades mitológicas a quem era atribuída, na Grécia Antiga, a capacidade de inspirar a criação artística ou científica."<br />
Certo. Inspirar.<br />
Isso é uma coisa legal, não é? É uma coisa muito legal. Muitas pessoas me inspiram, pessoas de ambos os gêneros e transgêneros também.<br />
Mas aqui no Brasil existe uma verdadeira OBSESSÃO com arrumar <em>musa</em> pra tudo. Não musas que realmente inspirem alguma coisa; o termo virou sinônimo de gostosa, de gatinha. Então ficam tentando arrumar uma <em>musa</em> em tudo que é lugar, fazendo todo o tipo de coisa,<a target="_blank" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2012/08/site-elege-20-mais-gatas-em-fotos-tiradas-no-momento-da-prisao.html"> sendo presas</a>, <a target="_blank" href="https://www.google.com/search?q=musa+da+cpi&#038;sugexp=chrome,mod=1&#038;sourceid=chrome&#038;ie=UTF-8">sendo investigadas</a>. Inclusive em lugares onde as minas estão apenas tentando estudar e trabalhar em paz.</p>
<p>As mulheres não estão neste mundo para enfeitar, que dirá para serem categorizadas de gatinha de algum rolê. Como disse a @alesie, MUSAS INSPIRADORAS DE PUNHETA? Thanks but no, thanks.</p>
<p>Olha, eu não sei vocês, mas eu não curto a ideia de ser resumida a punheta de ninguém. E tenho certeza que muitas, muitas mulheres também se sentem incomodadas com isso. Esse negócio de ficar achando "a musa" de tudo é simplesmente uma tentativa de "colocar a mulher no seu lugar", lugar este sendo enfeitar o mundo (e de preferência calar a boca). O mais triste de tudo é ver mulheres <a target="_blank" href="http://ego.globo.com/viagem/noticia/2012/08/andressa-urach-anda-de-biquini-e-barriga-de-fora-pelas-ruas-de-londres.html">querendo ocupar essa posição</a> e se colocar nessa situação porque não percebem que peito e bunda não são as únicas coisas que existem pra oferecer ao mundo. </p>
<p>Fora que também tem o seguinte: ninguém nem mais sabe o que significa beleza. Tenho a impressão que a maioria dos homens curte os padrões impostos pela mídia sem nem refletir. Conheço vários rapazes que confessaram gostar de coisas "fora do normal" mas tinham vergonha de assumir na frente dos amigos. Seria quase como sair do armário, uiui, que horror. Muitos caras, infelizmente, ainda vêem as mulheres como troféu. Andar de braços dados com uma magra/peituda/de chapinha/com sorriso no rosto é sinônimo de ser bem-sucedido, de ser um cara fodão, faz parte do pacote boas roupas-bom emprego-bom carro. Sei lá o que se passa na cabeça dessas pessoas. De verdade.</p>
<p>Só sei que: CHEGA DE MUSA.<br />
Ok? Ok. </p>
<p>Ok nada, né. Mas por favor, ao menos tentem REFLETIR a respeito do ridículo e do absurdo que é isso tudo.</p>
<p>Obrigada,<br />
c.</p>
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		<title>ossos cinquentenários</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Aug 2012 04:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[fiquei um mês imersa em uma nuvem. ainda se fossem drogas recreativas, né? não, não. eu estou doente. não vou morrer nem nada, ao menos não agora, não que eu saiba. mas não é nenhuma gripinha. não aguento mais ficar falando de doença, virei uma daquelas pessoas que chega no lugar e começa a falar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>fiquei um mês imersa em uma nuvem. ainda se fossem drogas recreativas, né?<br />
não, não. eu estou doente.<br />
não vou morrer nem nada, ao menos não agora, não que eu saiba.<br />
mas não é nenhuma gripinha.<br />
não aguento mais ficar falando de doença, virei uma daquelas pessoas que chega no lugar e começa a falar de doença, sabe? até fiz alguns novos amigos com isso, e ó, pra falar a verdade, eu gosto do tipo de pessoa que fala de doença, expõe dor, troca essas experiências que envergonham alguns. vergonha alguma. acontece. gosto. sempre gostei. eu leio bulas, sabe? sou cadastrada no bulas.med.br. acho importante saber o que ando tomando.<br />
tudo começou com uma dor nas costas, que virou dor no ombro, que virou dor na lombar, que virou dor no pescoço, que virou dor em toda a minha pessoa até eu descobrir que tenho uma atrose precoce. </p>
<p>da wikipedia: </p>
<p><em>A osteoartrite ou artrose (artrite degenerativa, doença degenerativa das articulações) é uma doença crônica das articulações e eventualmente dos elementos periarticulares caracterizada pela degeneração da cartilagem e do osso subcondral, que pode causar dor articular e rigidez e redução da funcionalidade articular.<br />
A artrose, a perturbação articular mais freqüente, afeta em algum grau muitas pessoas <u>por volta dos 70 anos de idade</u>, tanto homens como mulheres. Contudo, a doença tende a desenvolver-se nos homens numa idade mais precoce.</em></p>
<p>é isso. eu sinto muita dor e tomo muitos remédios. parei de tomar alguns deles e preferi analgésicos mais fracos porque não mais suportava viver em uma nuvem de confusão. é isso que os remédios fazem, além de cessar a dor; cessam também qualquer capacidade de concentração e de entender qualquer coisa, consequentemente, me impedem de escrever. outros deles eu vou ter que tomar para todo o sempre. porque eu tenho o esqueleto de uma senhora em mim. eu tenho 33 anos, sabe? não vou dizer que não era para ser assim, está sendo e é o que temos, e temos ossos de 50 anos.</p>
<p>eu realmente não esperava por essa.</p>
<p>mas ó, cabeça está ótima. assim como a pele. </p>
<p>isso tudo me fez pensar, quando consegui pensar - porque foi um processo longo, vários médicos, vários médicos falando merda até encontrar alguém que apontasse o real problema - que eu posso ter perdido muito do tempo que não sabia que me faltava par fazer as coisas que me importam. </p>
<p>e é o que eu faço agora. as coisas que me importam. </p>
<p>escrever  livro. lançar livro. escrever mais livros. mais livros. amar as pessoas que eu amo. escrever mais livros. ler. ouvir música. saber mais. saber mais de tudo. saber mais de quem eu amo. saber mais sobre as partículas subatômicas. dormir. acordar. ler. ouvir música. questionar a existência e a importância de todas as coisas. pra alguma coisa isso aqui vai ter que servir, não é mesmo? vai que foi necessário pra dar uma perspectiva real das coisas. vai que.</p>
<p>o disco novo da fiona apple está incrível, escutem. eu estou escutando.</p>
<p>hoje foi um dia bom. </p>
<p>e eu vou dormir. </p>
<p>amanhã eu escrevo mais. tem livro, tem peça, tem um monte de coisa entalada na minha garganta. </p>
<p>logo mais.</p>
<p>stay tuned.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>If you have to ask &#8211; you&#8217;ll never know</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jul 2012 18:55:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor é irracional. Lembro de uma vez, quando eu era pequena, bem pequena, estava acho que no Jardim de Infância, e resolveram perguntar por que eu gostava do meu pai pra escrever em uma... gravata de papel. Era um trabalho de dia dos pais, daqueles bem caretas. E não fazia o menor sentido pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O amor é irracional.</p>
<p>Lembro de uma vez, quando eu era pequena, bem pequena, estava acho que no Jardim de Infância, e resolveram perguntar por que eu gostava do meu pai pra escrever em uma... gravata de papel. Era um trabalho de dia dos pais, daqueles bem caretas. E não fazia o menor sentido pra mim. Nem a pergunta, nem a gravata, que meu pai nunca usou. Nessa época, ele tocava bandolim na Cantina Itália e torturava meus ouvidos e os da minha mãe estudando violino.<br />
Como é que pode alguém perguntar para uma criança por que ela gosta do pai?<br />
Respondi: porque ele faz a minha mamadeira.<br />
Sei lá. Foi o que me ocorreu.<br />
Porra.<br />
Gosto do meu pai porque ele é meu pai, gente!<br />
Até hoje eu não sei responder essa pergunta. Sei de muitas coisas que gosto nele, mas o porquê concreto eu não tenho assim na ponta da língua.<br />
Gosto porque gosto.<br />
Lembro de responder alguma coisa do gênero e emputecer um namorado antigo. Acho que falei que gostava do sanduíche dele. Risíssimos. Porra, eu gostava dele. Porque gostava. Porque ele era legal e inteligente e engraçado. Porque a gente se dava bem. Porque sim, cacete.<br />
A gente sempre, ou quase sempre, sabe dizer por que não gosta de alguém. Mas enumerar os porques do amor, olha, isso aí eu já nem tento mais.<br />
Amo porque amo. É isso.<br />
Depois de muito tempo tomando no cu, descobri que é, pois é, o amor é irracional.<br />
Mas eu não posso ser.<br />
Mais de uma vez cometi absurdos e impropérios em nome disso. Mas é amor!, eu pensava. E arrancava os pedaços meus pelo caminho.<br />
Agora não; agora chega disso.<br />
Esse negócio de arrancar pedaços já não me serve, que eu preciso de mim inteira pra sobreviver.<br />
Antes inteira e sozinha do que capengando por aí.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>o garfield é que sabe das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jun 2012 01:58:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[coluna]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[sofrimento]]></category>
		<category><![CDATA[tramal]]></category>

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		<description><![CDATA[segunda-feira, 25 de junho de 2012. acordei assustada com o barulho da empregada chegando. o fernando se recusa a entregar a chave a ela e toooda vez tem que descer e abrir a porta. certo. a mulher consegue ser mais estabanada do que eu, o que, devo admitir, é um feito e tanto. foi um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>segunda-feira, 25 de junho de 2012.</p>
<p>acordei assustada com o barulho da empregada chegando. o fernando se recusa a entregar a chave a ela e toooda vez tem que descer e abrir a porta. certo. a mulher consegue ser mais estabanada do que eu, o que, devo admitir, é um feito e tanto. foi um tal de derrubar vassoura, esbarrar em sei lá o que, bater porta, fechar tampa de privada e bater panela por horas a fio até que resolvi levantar da cama quentinha de amor e ligar para a unimed para pegar a senha de autorização da minha ressonância da coluna, que aconteceria às dez e trinta da manhã. depois de meia hora no telefone, a ligação caiu. depois de mais meia hora no telefone, o plano negou a autorização devido à caralha do período de carência e eu voltei pra cama chorando. mentira. mas voltei pra cama, pois nada mais me restava. cama e remédios para a dor. e amorzinho.</p>
<p>quando consegui pegar no sono, a mulher delicadamente bateu na porta e pediu pra limpar o quarto. levantamos, pois, e fomos aos afazeres. quando voltamos, fui procurar meu opiáceo da sorte que tem me salvado nesses dias de sofrimento de coluna. CADÊ? a mulher sumiu com o remédio. SUMIU. procuramos pela casa inteira. não estava. revirei o lixo no meio dos crackeiros da consolação. não estava. fomos ao pronto socorro pegar uma receita, pois tramal é um remédio controlado. certo. foi relativamente fácil, até descobrirmos que o médico TINHA ESQUECIDO DE CARIMBAR A RECEITA. rodamos TODAS AS FARMÁCIAS DA REGIÃO tentando encontrar algum farmacêutico com coração que vendesse meu tramalzinho mesmo sem carimbo e ajudasse a cessar meu sofrimento, mas é claro que não rolou. </p>
<p>voltamos ao hospital. peguei outra receita, com outro médico, com carimbo, com muita dor.<br />
quando eu digo MUITA DOR, quero realmente dizer MUITA DOR. sou uma pessoa que pariu na cama sem anestesia, sabe? meu limiar de dor é dos altos. mas essa, olha, essa dor não dá pra suportar. eu sei, deveria ter visto isso antes, yada yada, é um pinçamento, uma hérnia, sei lá, descobrirei hoje, em breve, em uma ressonância no meio da madrugada que me custará os olhos da cara e talvez o do cu.<br />
já tentei quiroprata, osteopata, um ortopedista maluco que disse "que bosta" quando falei da dor, tentarei outro ortopedista. já recebi tantos conselhos que estou pensando em vender alguns.</p>
<p>voltemos a hoje:<br />
depois de umas TRÊS FUCKING HORAS rodando pela cidade cheia de trânsito, consegui meu remédio. </p>
<p>agora está tudo bem e eu sou uma nova mulher, ou a mulher de antes, sem dor. mas olha,<br />
QUE DIA, meus amigos, QUE DIA. </p>
<p>vou ficar quieta porque é aquela coisa: nada é tão ruim que não possa piorar.</p>
<p>thank you, ma babe, por me guiar por essas ruas tortuosas da vida de merda mesmo estando cheio de coisas pra fazer. </p>
<p>eu cuido de você, você cuida de mim. </p>
<p><em>prrrr</em></p>
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		<title>trigésimo-sétimo nunca mais</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jun 2012 04:18:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caverbuck</dc:creator>
				<category><![CDATA[chega]]></category>

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		<description><![CDATA[parecia um maluco, a camisa amarrotada, os olhos vermelhos, falando impropérios com a certeza dos que atravessaram a portinhola do delírio e não conseguem mais voltar. gesticulava, mexia nas coisas, balançava a cabeça falando que sabia de tudo, como se eu fosse uma criminosa. mexia nas minhas gavetas, olhava os meus dentes, cheirava minhas calcinhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>parecia um maluco, a camisa amarrotada, os olhos vermelhos, falando impropérios com a certeza dos que atravessaram a portinhola do delírio e não conseguem mais voltar.  gesticulava, mexia nas coisas, balançava a cabeça falando que sabia de tudo, como se eu fosse uma criminosa.</p>
<p>mexia nas minhas gavetas, olhava os meus dentes, cheirava minhas calcinhas no desespero de encontrar uma prova que não existia.  </p>
<p>VOCÊ NÃO ME AMA, ele gritava arregalado como amélia abandonada enquanto balançava o pau.</p>
<p>AMO SIM!</p>
<p>NÃO AMA</p>
<p>lembrei da minha avó com as couves-de-bruxelas "mas vó, eu não gosto" "GOSTA SIM"</p>
<p>AMO SIM!</p>
<p>NÃO AMA!</p>
<p>mas puta que pariu. </p>
<p>minha avó também conseguiu.</p>
<p>de tanto repetir</p>
<p>que eu gostava de couve</p>
<p>eu gostei</p>
<p>e você<br />
de tanto repetir que eu não amava<br />
não queria<br />
não nada<br />
eu desamei e não quero mesmo. </p>
<p>então vamos estragar tudo;<br />
vamos rolar na sala,<br />
eu vou tentar te acertar com o ventilador e esquecer metade das minhas roupas no varal,<br />
eu vou sorrir aliviada na rua porque não suporto na minha boca palavra que não tenha saído da minha cabeça,<br />
e você vai pra puta que o pariu, obrigada.</p>
<p>eu não vou me sentir culpada por não ser o que você diz que é normal. eu não vou ser ordinária. eu não vou cair nessa. eu não vou me sentir inadequada. você NÃO VAI me fazer sentir inadequada. eu NÃO VOU aceitar essas bobagens medíocres que infestam a sua cabeça e NÃO VOU deixar de fazer as minhas coisas do meu jeito por que VOCÊ acha errado. eu NÃO VOU cair nessa. eu NÃO VOU deixar de ser eu. eu NÃO VOU gozar como você acha que eu devo. eu não vou agir como você acha que eu devo. eu não DEVO nada. eu não vou deixar de ser eu. eu não vou ser controlada. eu não vou ser chantageada. eu não vou me explicar. eu não vou explicar nada. eu não vou mais ficar com você.</p>
<p>a vida se torna um lugar insuportável quando eu preciso me explicar.</p>
<p>quer saber?<br />
eu tentei.<br />
(NÃO TENTOU, a cabeça dele gritou agora)<br />
TENTEI SIM<br />
há um limite para as palavras colocadas na minha boca, antes que eu exploda.<br />
eu tentei.</p>
<p>mas ninguém se entendeu e acabou, o trigésimo-sétimo fim do último nunca mais.</p>
<p>ad infinitum, ad eternum, dementia, dementia, dementia. </p>
]]></content:encoded>
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